Arquivo para a categoria 'Cultura'

Teatro Bibi Ferreira e Teatro Brigadeiro

Acesse: http://tr.delivery.whservidor.com/index.dma/DmaPreview?7770,34,51302,ce4107fb4f48f22b590555a0bde0163a

DILMA E LULA VÃO AO CINEMA “PELA PRIMEIRA VEZ”

O ex-presidente Lula retornou à Brasília depois do tempo em que passou em tratamento contra um câncer na laringe. Desta vez, ele voltou em tom estético. Junto com sua companheira a presidenta Dilma Vana Rousseff, foi assistir no auditório do Museu da República o lançamento do documentário Pela Primeira Vez, que tem na direção o fotógrafo de seu tempo na Presidência, Ricardo Stukler.

Produzido em 3D, o filme narra os últimos dias de Lula como presidente da República e os primeiros dias do governo de sua companheira, a presidenta Dilma. Apresenta cenas em que ele passa a faixa presidencial à presidenta Dilma, sua saída do Palácio do Planalto, sua despedida do povo postado na Praça dos Três Poderes, a diplomação de Dilma no Tribunal Superior Eleitora (TSE), o primeiro discurso dela no Congresso Nacional, e sua visita ao amigo ex-vice presidente, José Alencar, no Hospital Sírio-Libanês.

Na saída Lula comentou sua relação com Dilma e suas perspectivas sobre seu governo.

“Tudo que a gente falava da companheira Dilma antes da campanha era pouco diante do que ela está fazendo”, afirmou Lula.

Por sua vez, falando sobre o filme, a presidenta, disse estar “muito emocionada”.

O Legado da Agaricultura Indígena – sábado na Feira de Orgânicos

CONVITE

RODA de Conversa da Feira de Orgânicos

(Neste sábado o tema é alusivo aos Povos Indígenas)

Quando: Dia 21 de maio (10:30h – 11:30h) – Auditório do MAPA

TEMA: “O Legado da Agricultura Indígena Amazônida”

Palestrantes:

Charles Clement (INPA) – “Agrobiodiversidade da Amazônia indígena”;

Orlando Paulino (Embrapa) – “Terra Preta de Índio: Construção da fertilidade e da estabilidade de solos na Amazônia”;

Glenn Shepard Jr. (INPA) – “Castanha da Amazônia: A gigante domesticada pelos índios amazônicos”.

LOCAL: Feirinha de Orgânicos da APOAM, no Ministério da Agricultura (MAPA), Av. Maceió, Adrianópolis.

DATA: Sábado, 21 de maio, às 10:30 h no Auditório do MAPA.

A Feira de Orgânicos acontece todos os sábados a partir das 7 h!!

Venha prestigiar os esforços dos agricultores em produzir alimentos saudáveis que não degradam a saúde humana e a natureza.

Realização:

-APOAM – Associação dos Produtores Orgânicos do Amazonas

- REDE TIPITI – Sistema Participativo de Garantia da Qualidade Orgânica do Estado do Amazonas

- SINPAF-AM Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Apoio: Fórum de Agroecologia do Amazonas

Contatos:

9158 6241 / (Márcio Menezes) 9114 2012(Elisa Wandelli)

Garagem Petrobras terá estúdio de gravação, exposição e música gratuita para comemorar os 20 anos do Abril Pro Rock

Em comemoração aos 20 anos do Abril Pro Rock, a Petrobras marca presença no festival de música, entre os dias 20 e 22 de abril, em Recife, com uma série de ações voltadas para o público.

Patrocinando o evento pela quinta vez, a Companhia apresenta a “Garagem Petrobras”. Com o tema “Abasteça-se com o som do Abril Pro Rock”, o espaço de 150 m² reproduz um posto de gasolina no estilo dos anos 50, dividido em seções de homenagens onde o público poderá interagir com várias ações ligadas à música e às bandas que fazem parte da história do festival.

Em bombas de gasolina com iPads embutidos serão disponibilizadas gratuitamente músicas para download com as principais bandas presentes no evento.

O espaço conta com um estúdio profissional com equipamentos e músicos profissionais disponíveis para atender quem queira gravar um single (música principal de um trabalho). Além da gravação de áudio com alta qualidade, também será gravado um vídeo da apresentação dos participantes. O conteúdo será enviado em formato de link, cinco dias após o evento, para o e-mail cadastrado na hora da inscrição.

Ainda na “Garagem Petrobras” haverá uma exposição com raridades exclusivas contando a história do Abril Pro Rock. Quem estiver presente poderá conferir de perto a fita cassete com a primeira versão gravada da música “Anna Julia”, da banda Los Hermanos, além dos discos de ouro do grupo. O veículo Ford Landau azul marinho, utilizado por Chico Science em vários clipes, também estará exposto para os fãs. Cartazes raros da banda Ratos de Porão, que completa 30 anos de carreira, e outras curiosidades de grupos que marcaram a história do festival poderão ser conhecidas.

Na programação, estão nomes que fazem parte da história do Abril Pro Rock. Mundo Livre SA e Otto, que tocaram na primeira edição de 1993 quando ainda não eram artistas de porte nacional, assim como o Los Hermanos e Ratos de Porão, que viveram diversos momentos de sua carreira no palco do festival. Pela primeira vez no Brasil, um dos principais nomes do afrobeat (combinação de ritmos africanos, jazz e funk), o Antibalas, também se apresentará. Na tradicional noite “pesada” do sábado, os mexicanos do Brujeria se juntam ao Exodus, entre outros.

Programação

20/4 – Sexta-feira
Los Hermanos (RJ)
A Banda Mais Bonita da Cidade (PR)
Tibério Azul (PE)
Banda Bis Pro Rock – Somato (SC)

21/4 – Sábado
Exodus (EUA)
Brujeria (MEX)
Cripple Bastards (ITA)
Ratos de Porão (SP)
Hellbenders (GO)
Firetomb (PE)
Pandemmy (PE)
Leptospirose (SP)
Test (SP)

22/4 – Domingo
Antibalas (EUA)
Buraka Som Sistema (Portugal / Angola)
Nada Surf (EUA)
Otto (PE)
Mundo Livre SA (PE)
Leo Cavalcanti (SP)
Ska Maria Pastora (PE)
Bande Dessineé (PE)
Strobo (PA)

Serviço:
20ª edição do Abril Pro Rock
Dias: 20, 21 e 22 de abril
Local: Chevrolet Hall – Av. Agamenon Magalhães, s/n, Complexo de Salgadinho, Olinda – PE
Ingressos:
20/4 – Sexta-feira: R$ 60 (meia entrada) / R$ 70 + 1kg de alimento não perecível / R$ 120 (inteira)
21 e 22/4 – Sábado e domingo: R$ 30 (meia entrada) / R$ 40 + 1kg de alimento não perecível (social) / R$ 60 (inteira)
Restrição: de 14 a 16 anos, acompanhado dos pais. De 16 a 18 anos, com responsável legal autorizado pelos pais com documento com assinatura reconhecida em cartório.

Mais informações: http://abrilprorock.info/site/

Gerência de Imprensa/Comunicação Institucional
Telefone: 55 (21) 3224-1306 e 3224-2312
Plantão: 55 (21) 9921-1048 e 9985-9623
Fax: 55 (21) 3224-3251
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Argentina investiga desaparecimento de pianista brasileiro

Tenório Jr., pianista de Vinícius de Moraes, desapareceu em 1976 em Buenos Aires. O procurador federal argentino da causa da Operação Condor, Miguel Angel Osorio, que investiga delitos praticados pela aliança criada entre ditaduras da América do Sul para coordenar a repressão a opositores, abriu, no mês de fevereiro, uma investigação formal sobre as circunstâncias da morte de Tenorinho. A reportagem é de Tatiana Merlino, da Caros Amigos.

Tatiana Merlino – Caros Amigos

(*) Matéria publicada originalmente na Caros Amigos

Passados mais de 35 anos, as reais circunstâncias da morte de Francisco Tenório Jr., o Tenorinho, pianista de Vinícius de Moraes que desapareceu em março de 1976, em Buenos Aires, podem ser esclarecidas.

O procurador federal argentino da causa penal da Operação Condor, Miguel Angel Osorio, que investiga delitos praticados pela aliança político-militar criada entre ditaduras da América do Sul para coordenar a repressão a opositores, abriu, no mês de fevereiro, uma investigação formal sobre as circunstâncias da morte de Tenorinho.

“E como estou investigando formalmente a morte do músico, entre outras coisas pedi a extradição de Vallejos”, disse à Caros Amigos, em entrevista ao telefone, durante sua breve visita ao Brasil, para participar do 5º Encontro Latino Americano Memória, Verdade e Justiça, ocorrido em Porto Alegre (RS), nos dias 29, 30 e 31 de março.

O argentino Claudio Vallejos, que afirma ter atuado na repressão a presos políticos na Esma (Escola de Mecânica Armada), um dos maiores centros de detenção clandestina da Argentina durante a ditadura no país (1976-1983), onde cerca de cinco mil pessoas foram mortas e desaparecidas, foi preso no começo de janeiro acusado de estelionato.

Em 2010, o argentino, que vive há mais de 30 anos no Brasil, já havia sido preso pela Polícia Civil por estelionato.

Em 1986, durante entrevista à revista “Senhor” (nº 270), ele admitiu ter matado 30 pessoas e falou sobre o destino de diversos brasileiros nas mãos da ditadura argentina. Entre eles, Sidney Fix Marques dos Santos, Luiz Renato do Lago Faria, Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa, Norma Espíndola e Roberto Rascardo Rodrigues.

Afirmou, também, ter participado do assassinato do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Jr., o Tenorinho.

O músico, que não militava em nenhuma organização, tocava com Vinícius de Moraes em Buenos Aires, na Argentina, em 1976, quando desapareceu após sair para ir a uma farmácia. Seu corpo nunca foi encontrado.

Durante o encontro ocorrido em Porto Alegre, o procurador argentino Miguel Osorio mostrou uma cópia do documento referente à abertura do processo relativo ao pianista desaparecido. Veja trechos da conversa com Osorio.

Caros Amigos – Quando e como foi o início da causa penal da Operação Condor e há quanto tempo o senhor atua na causa?

Miguel Angel Osorio – A causa que hoje se conhece como Condor se inicia em 1997, considerando os delitos se chamam de delitos permanentes. Assim, com esse conceito jurídico começamos a investigação que em princípio não se chamava Condor, e tinha o nome de um general que é réu.

E depois foram se incorporando casos e a causa se desmembrou, foram abrindo-se conjuntos de investigações. Assim, em 97 em algum momento começou a se configurar o que hoje se chama Causa Condor, e nesse momento temos quase 200 casos em curso de investigação.

CA – E sobre a prisão de Claudio Vallejos, o senhor acha que ele pode ajudar na elucidação do Plano Condor?

MAO – Na verdade, não acredito nem desacredito. Eu pedi a sua prisão concretamente a partir das declarações que ele fez há pouco tempo depois de sua prisão, no final de fevereiro. O período de detenção está tramitando e então veremos o que ele pode trazer para essa investigação.

CA – Quais são as informações que o senhor tem sobre Vallejos?

MAO – Não temos elementos que indiquem Vallejos como integrante do grupo de agentes de inteligência da Marinha, como ele disse que era, e tampouco como integrante do aparato militar. Não há registro dele como militar e como pessoa de inteligência, ao menos formalmente. Digo oficialmente porque o que aconteceu na Esma [Escola de Mecânica da Armada, um dos maiores centros clandestinos de detenção da ditadura Argentina, ocorrida entre 1976 e 1983] ninguém dá conta, e a Marinha, oficialmente, diz que não sabe o que aconteceu lá, que não há nenhum registro. Quando eu peço o registro das vítimas que passaram ali, eles dizem “não o temos”. Bom, oficialmente, a partir da perspectiva oficial, Vallejos apenas foi soldado. Até agora, isso é tudo que há oficialmente sobre essa pessoa.

CA – Em entrevistas à imprensa brasileira no ano de 1986, Vallejos falou sobre o caso Tenorinho, o senhor acredita que ele poderia ajudar na elucidação do caso do pianista?

MAO – Tomara que assim seja. Entre outras coisas, é por esse motivo que pedi que ele seja extraditado para a Argentina. Uma investigação formal sobre o músico recém começou agora em fevereiro, para saber o que aconteceu com ele. De acordo com as informações que eu tenho, o músico teria sido sequestrado dias antes do golpe militar, e a morte haveria ocorrido dois ou três dias depois do golpe. Então eu me apoio nisso para poder abrir a investigação. Então, agora, formalmente, a Argentina está investigando na Causa Condor a morte do músico. E como estou investigando formalmente a morte do músico, entre outras coisas pedi a extradição de Vallejos.

CA – E sobre a participação do governo do Brasil na causa Condor. O senhor acredita que Vallejos poderia ajudar no esclarecimento? Na entrevista de 86, Vallejos falou da participação de uma pessoa da embaixada do Brasil em Buenos Aires, que teria ido à Esma ver Tenorinho.

MAO – Veremos de que maneira que isso se pode esclarecer, ele pode ser um mitômano ou estar falando a verdade.

Veremos isso a partir do que ele declarar quando estiver em Buenos Aires, então. Porque ele pode querer ou não querer colaborar. Se for indiciado, pode confirmar essa informação ou negá-la. É difícil antecipar o que ele pode dizer. Se ele incriminar um funcionário brasileiro, temos que ver de que maneira teremos acesso à informação, ouvi-lo, tentar ter acesso a algum documento que o governo brasileiro tenha.

II Encontro de capoeira Do Grupo Capoeira Nagô em Manaus

LULA RECEBE MAIS UM PRÊMIO INTERNACIONAL. JÁ É VICIO

Lula, ex-presidente do Brasil e personagem marcante na política nacional e presença marcante no cenário político mundial, foi escolhido o vencedor do 24º Prêmio Internacional Catalunha 2012. Na disputa concorreram 177 personagens de 57 países, e Lula foi eleito por unanimidade.

O prêmio é concedido desde 1989 à personagens do meio político, econômico e cultural. Vaclav Havel, da República Tcheca, Jimmy Carter, Estados Unidos, os filósofos Edgar Morin, da França, Karl Popper, Áustria, e o antropólogo Claude Lévi-Strauss, da França, foram algumas personalidades que já receberam o prêmio.  

O presidente do governo, Artur Mas, disse que Lula foi escolhido por sua luta, nos dois mandatos, pelo crescimento econômico do Brasil e para “erradicar a pobreza e a miséria” do país.

O filósofo Xavier Rubert de Ventós, que presidiu o júri, disse que Lula foi eleito pela política adotada “a serviço de um crescimento econômico justo, que colocou seu país à frente da globalização”.

Lula agradeceu em carta a escolha de seu nome para receber o prêmio e disse que se sentiu muito alegre e orgulhoso.

“O prêmio é uma conquista que reforça a minha convicção na importância de lutar por uma sociedade mais justa e democrática, sem fome e sem miséria”, diz trecho da carta.

MILLÔR FERNADES DEIXA DE PRODUZIR

O desenhista, cartunista, chargista, dramaturgo, tradutor e jornalista, Millôr Fernandes, aos 88 anos, deixou de produzir. Millôr, cujo nome deveria ser Milton não fosse um erro do tabelião, sempre teve a produção como sua maior forma de afirmar sua existência. Com claro compromisso político socialista, sua produção carrega a expressividade do exame da sociedade através dos fluídos humorísticos.

Contribuiu com várias revistas, mas se projetou pelas folhas da revista O Cruzeiro, onde matinha uma coluna contestadora, Pif-Paf. Foi um grande interprete da sociedade brasileira no tempo da ditadura militar na revista Veja, na época de Mino Carta, antes desta se torna a voz da mídia nazi-fascista que hoje é.

Para o crítico de literatura, escritor Henrique Rodrigues, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), autor da tese sobre a obra de Millôr,” Millôr Fernandes: A Vitória do Humor Diante do Estabelecido”, Millôr tinha um espírito vanguardista.

“Ele fazia poemas concretos, antes de existir o movimento concretista. Ele já escrevia de forma concisa e em frases curtas muito antes de existir o computador e ferramentas como Twitter. A própria irreverência do Pasquim, do qual foi um dos fundadores, foi antecipada pelo Pif-Paf, uma coluna de humor político e contestatório que ele mantinha na imprensa”, considerou sobre Millôr, Henrique Rodrigues.  

Entre traduções de personagens ilustres da literatura mundial como Molière, Shakespeare, Sófocles e Brecht, fundou o Pasquim, jornal humorístico de crítica ácida ao sistema brasileiro.

Seu corpo, depois de ser velado no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, será cremado  de acordo com seu desejo.

Ademilde Fonseca foi responsável pela maior popularização do choro

Por: Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Uma das últimas imagens públicas da cantora Ademilde Fonseca é no excelente DVD “Sexo MPB O Show”, que registra a edição de 2010 da entrega do troféu de mesmo nome, organizado pelo pesquisador musical, produtor e jornalista Rodrigo Faour. Naquela noite, ela foi a grande homenageada e, assim, glorificada pelos colegas deve ser sempre lembrada. Afinal, poucas cantoras fizeram tanto pela música brasileira, a ponto de ficar conhecida como “rainha do choro”.

“O choro de agora em diante volta a ser apenas solado, porque ninguém mais conseguirá cantar suas melodias sinuosas, com a velocidade, a graça e a afinação de Ademilde, que um dia, informalmente durante uma festa na casa de Benedito Lacerda, sacou do bolso uma letra que conseguira do velho choro “Tico-tico no Fubá”, e mostrou ao flautista. Ele, extasiado, tratou de encaminhá-la à gravadora Columbia (depois Continental). Isso foi em 1942. Com isso, sem saber, estava criando um gênero: o choro cantado”, conta Faour.

Ademilde Fonseca trabalhou por mais de dez anos na rádio Tupi e gravou centenas de discos, dos quais vendeu mais de meio milhão de cópias, numa época em que atingir esses números era algo tremendamente difícil. A interpretação dela para “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, e “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu, é inigualável e marcou uma virada na música brasileira, quando o choro deixou de ser basicamente instrumental e passou a ser também cantado. Outros clássicos indispensáveis em seu repertório foram “Urubu Malandro”, “Galo Garnizé”, “Pedacinhos do Céu” e “Na Baixa do Sapateiro”, entre tantos outros.

“Ela simplesmente teve a honra de lançar alguns clássicos da música brasileira com letra, caso de ‘Apanhei-te cavaquinho’, ‘O que vier eu traço’ e ‘Brasileirinho’ – pérolas imortais. E ainda ‘Pedacinhos do céu’ e o baião ‘Delicado’, de Waldir Azevedo, que correu o mundo. Também lançou ‘Teco-teco’, depois regravada por Gal Costa. E um sem-número de maravilhas que estarão no CD duplo da série ‘Super Divas’, que pretendo lançar via EMI Music até o meio do ano. Infelizmente, ela não ficou viva para ver este disco, mas pelo menos me ajudou a concretizá-lo, me ajudando a localizar fonogramas raros e tecendo comentários faixa a faixa sobre suas 36 faixas. Como se não bastasse, tinha uma cabeça maravilhosa. Numa das minhas festas, disse que era preciso respeitar os artistas jovens, porque ‘até esses meninos que fazem funk, se você for ver tem uma dificuldade. Se você quiser fazer aquilo, não vai conseguir’. Ou seja, não tinha um pingo de recalque”, acrescenta Faour.

Ademilde Fonseca tinha 91 anos e sofria de problemas cardíacos. De acordo com a neta, Ana Cristina, ela teve um mal súbito e morreu em casa, no Rio de Janeiro, na noite de terça-feira, 27 de março. Nascida no Rio Grande do Norte (RN), ela deixa uma filha, a cantora Eimar Fonseca, três netas e quatro bisnetos. Seu último registro em disco foi no CD da jovem cantora Anna Bello, produzido pelo músico Edu Krieger.

Zé Geraldo na Quinta Cultural no dia 29 deste mês

Aziz Ab’Saber e o Instituto da Cultura Árabe

Há muitas histórias para contar sobre Aziz Ab’Saber e seu papel como intelectual. Porém, sua ligação com a cultura árabe e por que ele foi, e para nós continua sendo, o Presidente de Honra do Instituto da Cultura Árabe, cabe-nos contar. A busca e a difusão do saber eram a vida dele. Nunca se negou a dividir e compartilhar o que sabia. Nunca se negou a dividir o que podia. Construiu e ajudou a construir, deu ideias, apoio e, principalmente, sua amizade incondicional. O artigo é de Soraya Samili e Michel Sleiman.

Soraya Smaili e Michel Sleiman

Essa é uma parte da vida do Eminente Professor e geógrafo brasileiro que nem todos conhecem. Embora tenha sido consciente e orgulhoso de sua origem árabe-libanesa, que sempre colocava lado a lado com a origem cabocla de sua mãe, Aziz Ab’Saber salientava que era um brasileiro. Por isso mesmo tinha apreço pela obra de Darcy Ribeiro, que sempre recomendava aos amigos e alunos. “O Povo Brasileiro deve ser lido e visto por todos nós, pois nos ajuda a entender como os árabes chegaram ao Brasil e como influenciaram a constituição da nossa cultura muito antes de a imigração árabe chegar”.

Certamente há muitas histórias para contar sobre Aziz Ab’Saber e o papel que desempenhou como intelectual. Porém, sua ligação com a cultura árabe e por que ele foi, e para nós continua sendo, o Presidente de Honra do Instituto da Cultura Árabe, cabe-nos contar.

Esse certame se inicia em 2004, quando começamos uma série de reuniões para discutir a formação de um instituto que divulgasse a cultura árabe em todos os seus aspectos universais e humanistas. O Professor Aziz, ao ser convidado, tomou parte das inúmeras e longas reuniões de formação. Afeito ao debate de ideias, participou ativamente da concepção do Instituto e foi defensor de um espaço de atuação onde deveria haver lugar para todos, mas onde se deveria discutir e divulgar em primeiro lugar a cultura. “A cultura”, dizia ele, “é um conjunto de valores sociológicos, antropológicos e animológicos. Não podemos nos deixar levar pelos fatos atuais e discutir os aspectos do contemporâneo ou os aspectos políticos, que são importantes, mas não são únicos”.

Com essas ideias, divulgadas continuamente e de maneira educadora e paciente, fez com que se acalmassem os ânimos dos que queriam discutir política e notícias do momento sem levar em consideração a parte histórica e a identidade cultural. Isso foi fundamental para estabilizar nossas posições e ações e para entendermos que nosso trabalho seria de longo prazo. Da mesma forma, ele não se cansava de afirmar que o “Instituto deveria ser um instituto da sociedade brasileira e não dos descendentes árabes. Essa será a nossa diferença e é o que o Brasil precisa”. De fato, o tempo mostrou que isso era necessário para garantir a continuidade do nosso trabalho. Deu-nos outras perspectivas e nos abriu os horizontes. Hoje, depois de quase oito anos de fundação, entendemos melhor o significado de suas palavras e verificamos que seus ensinamentos foram e continuam sendo cruciais.

Por essas razões que descrevemos tão suscintamente (há muito mais a falar), logo no início da formação do Instituto, decidimos que ele seria nosso Presidente de Honra, escolhido por aclamação na primeira eleição de diretoria. Claro que durante muito tempo ele procurou negar que seria um presidente de honra, pois não era afeito a títulos. Essa é uma característica do Professor Aziz que sempre agiu por ideais, por aquilo em que acreditava e não por projeção ou interesse pessoal. Após algum tempo de insistência da nossa parte, ele passou a aceitar silenciosamente quando fazíamos a referência, o que consideramos um privilégio.

Um marco nessa nossa história de formação do Instituto da Cultura Árabe foi o quanto o Professor Aziz se dedicou ao Instituto. Talvez porque ele visse um grupo de professores universitários, profissionais, escritores, jornalistas e estudantes tão empenhados na construção desse projeto. Decidiu que iria nos apoiar e nos ajudar e por isso não deixava de vir às reuniões, mesmo estando às vezes nos limites de sua condição física. Sua presença constante e a força do exemplo, bem como suas palavras e a duração de sua postura, foram elementos balizadores do nosso fazer cotidiano. E assim fomos fazendo e ele foi nos emprestando e concedendo sua força intelectual, sua habilidade de contar estórias, sua simpatia e seu imenso coração a um projeto em que ele acreditou e ajudou a impulsionar. Dessa forma também impulsionou todas as atividades do Instituto até onde pode. Esteve presente em inúmeras palestras, cursos, debates, homenagens, noites de poesia.

Uma das últimas atividades de que participou focava a mulher árabe, aspecto da sociedade árabe que ele considerava necessário discutir. Não se negou a participar de atividades nos lugares mais ermos da cidade e, como sempre, onde chegava atendia a todos, especialmente aos jovens e estudantes, que pediam para tirar fotos com ele. Devido à sua ligação com os livros e com o conhecimento, doou um conjunto grande de obras ao Instituto da Cultura Árabe, que se encontram guardados para a nossa futura biblioteca. Aliás, esse é um compromisso que firmamos com ele e que cumpriremos.

Durante o tempo em que convivemos, o Professor Aziz contou a história de sua família, a história de seu pai Nacib Ab’Saber, que traduz e resume a história de muitos outros imigrantes árabes no Brasil. Com a habilidade plena de um exímio contador de histórias, sempre incrementava a narrativa com aspectos poéticos e com muita leveza, mesmo para contar histórias muito sofridas. Por causa de seu desejo de resgatar a trajetória de seu pai e de sua família, nos propôs a formação do Centro de Estudos da Imigração Árabe no Brasil, que hoje está em andamento. O início desse projeto provém, como sempre ele fazia, de uma ideia simples, mas ao mesmo tempo complexa : “todos nós filhos ou descendentes devemos escrever, mesmo que seja em um pequeno pedaço de papel, a história de nossa família. Assim teremos um conjunto de histórias e escreveremos a história oral juntos”.

Além das histórias de Nacibinho e da infância do pequeno Aziz e seus irmãos, descobrimos que o Professor Aziz tinha uma verdadeira paixão por conhecer melhor os países árabes. Paixão essa que ele concretizou parcialmente em uma viagem feita com sua esposa Cléia e outros amigos da comunidade árabe, na década de 90. Dessa viagem ele trouxe na bagagem centenas de fotos que revelou e guardou por muitos anos. Ao apresentá-las para a diretoria do Instituto em uma ocasião em que fazíamos uma reunião na USP, ele falou da importância de mostrar essas fotos e fazer uma análise comparativa do solo, do relevo, do clima e do povo brasileiro com o que ele viu e conheceu no Líbano, na Síria e no Egito. O resultado foi, depois de alguns anos de elaboração, a exposição “Imagens e Paisagens do Mundo Árabe e o Brasil de Aziz Ab’Saber” que o Instituto da Cultura Árabe expôs na Caixa Cultural. Passados alguns anos da fundação deste Instituto, o fato marcante foi ouvi-lo dizer “Eu agradeço ao ICA (assim ele chamava carinhosamente) que me ajudou a resgatar a memória, a trajetória e a lembrança de meu pai e de minha família e permitiu que eu falasse sobre isso”.

O Professor Aziz nos mostrou que a busca e a difusão do saber eram a vida dele. Nunca se negou a dividir e compartilhar o que sabia e o que aprendeu. Nunca se negou a dividir o que podia. Paralelamente a isso construiu e ajudou a construir, deu ideias, deu apoio e, principalmente, deu sua amizade incondicional. Talvez não tenhamos ainda compreendido toda a dimensão do que ele nos deixou em gravações e escritos que buscaremos compilar e divulgar ao publico. Certamente temos um legado que persistirá e que nos norteará em nossa caminhada, pois seu pensamento e sua força inspiram e permanecem presentes.

Aziz Ab’Saber, presente e muito vivo!

(*) Soraya Smaili (Presidente do ICArabe, gestão 2004-2008) e Michel Sleiman (Presidente do ICArabe, gestão 2008-2012)

*Carta Maior

ALEGRIA, CARNAVAL E A CARNE VAI…

As manifestações sociais não são criações, mas imbricações de partículas corporais e incorporais intempestivas que se tornam reais depois de passarem por um processual de atualização. Desta forma não se pode precisar historicamente isto que é chamado de carnaval.

Entretanto, pode-se aventar uma tênue relação com a festividade agro-pastoril que se realizava na região da Ática (Grécia antiga) em homenagem ao deus Dionísio, filho de Sêmele e da fúria de Zeus. Dionísio o deus da Vida, da Alegria, da Potência, do Movimento, o Desmedido, o que sempre retorna como novo. Ocorrendo no período da colheita da vinha, onde a embriaguez lúdica celebrava a Natureza, a festa de ‘Komos’ de onde sairia a comédia. As dionisíacas se configuravam pela ação das mascaradas: homens, mulheres e crianças cantando e dançando sob o comando do representante de Dionísio: o Sátiro – de onde sairia o Ator -. Um homem fantasiado com uma cabeça de bode entoando o Canto do Bode, versos ditirâmbicos, seguido em procissão pelos brincantes. Era o profano: o rito sagrado levado para fora. Religiosamente, ligar todos na alegria. Bode, do grego Tragos, construiria o conceito o conceito de tragédia no teatro, e no filósofo alemão Nietzsche (1844-1900) a filosofia trágica: a alegria do Eterno Retorno da Vida Ativa, a que cria e doa, contra a existência reativa do pessimista-niilista: o poder do tirano.

E A CARNE VAI…

Quando a carne vai, o que fica? A ausência da festa. Se carnaval tem sua realidade em carne “levare”: carne vai, afastar a carne, não existe carnaval como festa. Mesmo com a pontuação cronológica das têmporas da dogmática cristã. É a cilada lingüística. Só existe festa com carne/corpo: sentidos, sistema nervoso central, cérebro, movimento, voz…composto físico/afetivo/cognitivo. Como nos mostram os herdeiros de Dionísio da Comédia dell’Arte: Pantalon, Zane, Alerquim, Pierrô, Colombina com suas diabruras corporais que a festa precisa.

Mas eis que acontece a metamorfose: apalavra trapaceou e a palavra se tornou carne. Encarnando principalmente nos programas dos governos, a alegria dos estados psicológicos e não a dionisíaca, onde a vida canta e dança. As paixões tristes do Pierrô e da Colombina do Chico; do Alerquim chorão de Zé Kéti; do “meu bem o azar foi seu/ ganhei no carnaval e você me perdeu”; das escolas de samba cabo eleitoral da liberdade, dos bailes protegidos pela polícia; dos concursos das fantasias oficiais; do ufanismo burguês das bandas ditas irreverentes, mas reverentes ao senso comum sem o canto do Sátiro e o intelecto arranjado na imobilidade da forma: a ocultação do movente… Harmonia alegórica, onde não há suspeita de que “a alegria deve ser buscada não na harmonia, mas na dissonância” como diz o filósofo dionisíaco Nietzsche.

E dizem: “Carnaval é alegria do povo!” Mas povo não é Potência/Criativa? Ora, pois!

Convite – Entrada livre

A sabedoria do boêmio

Por Ana Ferraz

Noite dessas, Paulo Vanzolini sonhou com uma poesia de Olavo Bilac que decorou quando ainda era rapazote. Os versos, que são muitos, vieram por inteiro. Aos 88 anos, o autor de composições que atravessaram gerações sem perder a força, como Ronda e Homem de Moral, conserva a prodigiosa memória e se mantém imperturbável diante da fama.

Considerado por muitos o embaixador do samba de São Paulo, ele agradece o epíteto. “Não é verdade, mas eu gosto”, diz, sorriso nos lábios. Acomodado numa poltrona de couro na modesta casa do Cambuci, “bairro cheio de bares ótimos”, o homem culto que cresceu rodeado de livros e se tornou zoólogo de reputação internacional põe em perspectiva a criação de uma vida, 70 composições e 155 trabalhos científicos. “Que glória é essa, meu Deus”, questiona, num lapso, o declarado ateu, bisneto de anarquista. “É uma glória muito humilde. Não tenho motivos para ser vaidoso.”

Nesta sexta 27, semana em que São Paulo completa 458 anos, Vanzolini concederá ao público o privilégio de tê-lo na Choperia do Sesc Pompeia. Instalado numa mesa, cervejinha à mão, o artista acompanhará alguns de seus grandes sucessos, interpretados por Ana Bernardo e Carlinhos Vergueiro. Entre uma canção e outra, o show será pontuado pelas reminiscências do compositor que, junto com Adoniran Barbosa, de quem foi “amigo de muitas cachacinhas”, traduziu a cidade de forma definitiva.

“Adoniran era ótima pessoa, nos dávamos muito bem. O cara mais desligado que já conheci. Vinha de família italiana do Vêneto. De menino o chamavam de Joanim.” Os longos papos entre Vanzolini e João Rubinato (Adoniran), que em sua simplicidade dizia não entender bem o que o cientista fazia (“ele mexe com zoológico, sei lá”), jamais renderam samba. “Sempre me pedem para contar como era nossa conversa. Era muito cotidiana. Não tinha nada demais. Era nossa conversa.”

A famosa Tiro ao Álvaro, relembra, surgiu como um presente do jornalista e escritor Osvaldo Molles ao amigo Adoniran. Foi Molles também o criador do personagem Charutinho, de tiradas engraçadas embaladas por sotaque italianado, que interpretou com grande sucesso na Rádio Record. “Adoniran acabou assumindo na vida real o personagem da ficção. No fundo, ele era mesmo só o Joanim.” Quando a saudade aperta, Vanzolini dirige-se ao Mercado Municipal, o Mercadão da capital paulista. “Colocaram uma estátua do Adoniran numa mesa. De vez em quando vou lá tomar uma cerveja com ele.”

A prosa animada de repente silencia. O olhar do compositor vagueia pela sala, ambiente que Ana Bernardo, sua atual mulher, define como “totalmente masculino”. Justifica-se a quase queixa: sobre um aparador, uma grande cobra de madeira exibe a boca aberta (souvenir comprado na Espanha). A seu lado, outra, bem mais modesta nas medidas, porém, verdadeira, exibe-se sobre um tronco. Para alívio dos visitantes, o exemplar não se move, foi plastificado graças a uma técnica especial. A terceira fica na mesinha de centro. Ao lado da porta de entrada, o cabideiro dá pistas sobre a atividade profissional do dono da casa. Ali estão os chapéus que Vanzolini usava para adentrar o mato em busca de bichos.

Foi com a zoologia que o boêmio ganhou a vida. Ele fez-se médico pela Universidade de São Paulo somente para facilitar o doutorado em zoologia, em Harvard, nos EUA. Especialidade: répteis. “Nunca examinei um doente na vida.” Por motivos óbvios, tem grande apreço por lagartos e lagartixas. Até hoje mantém a postos seu kit de pegar bicho. No ano passado, uma editora reuniu toda a sua produção científica. Também em 2011, a Fundação Conrado Wessel concedeu seu prêmio máximo a Vanzolini. “Vou receber em junho, na Sala São Paulo. É bom pra burro, são 300 mil reais”, admira-se. “Só que vou ter de pagar Imposto de Renda.”

Em um ano repleto de homenagens, Vanzolini receberá a Medalha Armando de Salles Oliveira. Um gesto de reconhecimento ao homem de números científicos robustos: 47 anos de trabalho no Museu de Zoologia, 31 deles como diretor, 40 mil animais capturados e a construção do mais completo acervo sobre répteis da América do Sul. A paixão pelos tais bichos começou quando ele ainda era imberbe. Aos 14 anos já estagiava no Instituto Biológico, onde foi iniciado na branquinha. “Todo fim de expediente rolava uma cachacinha, eu ganhava meia.”

No rastro dos répteis, muitas histórias. “Durante um trabalho na Argentina, fui comprar um disco da Mercedes Sosa e saí de braço dado com um soldado”, diverte-se. “O agente da polícia queria saber por que eu estava comprando aquele disco. Disse: ‘Ela é uma boa cantora’. O sujeito ficou olhando na minha cara. Me ameaçou, mas não podia fazer nada.”

Em tempos de ditadura, Vanzolini foi surpreendido por um convite impossível de ser recusado. O general Golbery do Couto e Silva, o “feiticeiro” do regime militar, o convocava a Brasília. Sem mais explicações. Enviou passagem aérea e limusine com motorista. “Ele mandou me chamar para passar um sabão. Queria me dizer que eu era contra o governo. E eu era. Me disse que isso poderia dar mau resultado.” Com calma inabalável, o cientista retrucou: “Isso vai depender de quem aguentar mais tempo, nós ou vocês”. Conversa encerrada, voltou para São Paulo.

Foi durante o tempo em que serviu na cavalaria que Vanzolini compôs um de seus maiores sucessos, Ronda, clássico que adquiriu a impressão digital de Márcia, sua mais reconhecida intérprete. “Eu sou Ronda”, já assumiu a cantora ao autor. A música é líder de pedidos nos karaokês até hoje. “As japonesas são as que mais pedem. No bar em que a Ana canta, vem escrito no guardanapo: Honda”, conta o compositor, rindo. A verdade, confessa, é que sua relação com a canção inspirada nas mulheres que observava no entra e sai dos bares à procura dos parceiros se desgastou. “Sabe o que as minhas filhas dizem? Fez, agora aguenta!” Vanzolini argumenta que a composição, de melodia pungente, é uma piada. “Começa dando a impressão de que a mulher procura o sujeito para se reconciliar, mas é para desperdiçar um pente de revólver.”

Vanzolini começou a compor quando frequentava a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Diz não ter ideia de qual foi a primeira composição. “Aliás, lembro, mas joguei fora, não prestava.” Outra meia dúzia teve a mesma infausta sorte. A criação favorita? “Não me ocorre nenhuma.” Dali a pouco cita aquela que considera uma de suas melhores, Longe de Casa eu Choro. “Fiz em Cambridge, pensando em São Paulo. Era uma poesia minha. O Paulinho Nogueira pegou o livro e disse: ‘Você não é poeta, é sambista. Aqui está cheio de letras de samba esperando música’. Paulinho era meu amigo de infância. Fez a melodia com Eduardo Gudin.” Outra que também teve o auxílio luxuoso de Paulinho Nogueira é Valsa das Três da Manhã. “Paulinho era um sujeito de qualidade humana excepcional.” A que mais rendeu? “Só uma deu dinheiro, Volta por Cima. Comprei livros para o Museu de Zoologia.”

Paradoxalmente, e para assombro de quem não o conhece, Vanzolini nada sabe de música. “Tenho péssimo ouvido. Não sei ler música, não sei o que é acorde”, jura. “Meu professor foi o rádio.” O método para preservar as composições consistia em decorá-las. “Se esquecesse perdia tudo. Dá uma mão de obra danada, por isso larguei”, diz. “Fica uma coisa obsessiva. Até que a música saia você não pensa em outra coisa.” O método Vanzolini de compor é outro mistério. “Inspiração a gente procura. Na cabeça. Geralmente começa com uma frase. Aí vem tudo junto, letra e melodia.”

Para quem supõe haver sempre algo autobiográfico em cada letra, o mestre desmente. “Nunca sofri com dor de cotovelo, por exemplo, é só um tema.” Na belíssima Quando Eu For Eu Vou sem Pena, interpretada por Chico Buarque em Acerto de Contas, coleção com quatro CDs que reúne a obra do autor (“essa caixa completou a minha vida”), o tom é triste. Uma tocante despedida. Mas não se trata exatamente disso. A inspiração atende pelos nomes de Miriam, Marina, Carol e Cris. “Eu estava numa fazenda, durante excursão do museu. Comecei a pensar em como seria quando partisse”, conta. “Eram as alunas que estavam ali, ele fez para elas”, entrega Ana Bernardo, diante do olhar risonho do poeta fingidor.

Boêmio de carteirinha, mulherengo apenas “na medida da necessidade”, Vanzolini adorava percorrer as ruas de São Paulo até altas horas, sozinho. Nesse périplo pela então metrópole da garoa, fez várias descobertas. “Uma vez abri uma porta e descobri os Macambiras. De outra, Virgínia Rosa.” Ana Bernardo, companheira dos últimos 15 anos, também foi um encontro patrocinado pela música. A filha do fundador dos Demônios da Garoa encantou o compositor com sua voz firme e melodiosa. “Ela entende a música que canta. É minha melhor intérprete.”

Autodefinido sambista tradicional, Vanzolini mantém o entusiasmo pela música. Ouve com admiração Noel Rosa, Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho, Sílvio Caldas, Cartola e Paulinho da Viola, entre outros grandes. E considera-se realizado. “Estou recebendo mais do que esperava. É muita recompensa no fim da vida”, comenta, com a sabedoria dos modestos. Na segunda-feira que antecede o carnaval, a Banda Redonda, fundada por Plínio Marcos, vai homenageá-lo. O enfarte que lhe surpreendeu em 2004, roubando-lhe 70% da capacidade cardíaca, provou ser incapaz de deter o poeta. “Estarei lá, lógico”, garante, com brilho no olhar.

*Carta Capital

Curso Fado de Coimbra

 

CURSO

Fado de Coimbra

 

todas as quintas-feiras de Fevereiro a Junho de 2012

 

21h30 às 23h

Mensalidade: 25 euros

Inscrições através do email institutodemusica.clp@gmail.com

Tópicos principais do curso:

-Origens do fado
-Tradição académica (traje, serenatas, locais emblemáticos)
-A guitarra portuguesa de Coimbra – teorias da evolução do instrumento
-Períodos/fases mais marcantes da história do fado de Coimbra
-Diferentes estilos da canção de Coimbra (canção, trova, balada,romagem…)
-Intérpretes mais marcantes (guitarristas e solistas)
-Canção de Intervenção
-Os poetas e os compositores
-O fado de Coimbra na actualidade

Formador:Pedro Fernandes Martins, Solista de fado de Coimbra no Grupo de Fado Académico da Universidade do Porto; letrista e compositor de Fado de Coimbra (temas cantados e instrumentais).

Clube Literário do Porto

Rua Nova da Alfândega, nº 22

4050-430 Porto

Tel. 222 089 228

Fax. 222 089 230

Email: clubeliterario@fla.pt

URL: www.clubeliterariodoporto.co.pt

http://clubeliterariodoportofla.wordpress.com/

Café filosófico / domingo 22 de Janeiro às 17h30

 
 
 
 
 
 
 
 
:: Dia 22| domingo
 
 
Piano-bar , 17h30

 

 

Café Filosófico

 

Orientador: Tomás Magalhães Carneiro

 

 

 

 

 Clube Literário do Porto

Rua Nova da Alfândega, nº 22

4050-430 Porto

Tel. 222 089 228

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Nara, uma mulher de opinião

São Paulo – “Meu ilustre marechal/ dirigente da nação,/ não deixe, nem de brinquedo,/ que prendam Nara Leão.” Com versos assim, o poeta Carlos Drummond de Andrade saía em defesa da jovem Nara Leão, que lançou seu primeiro LP justamente no ano do golpe, em 1964, quando o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco iniciava o ciclo dos militares presidentes. Ainda naquele ano, em viagens pelo país, a moça de Copacabana – ficaram famosos os encontros musicais em seu apartamento – conhece os trabalhos de gente como Caetano Veloso e Maria Bethânia. Anuncia um rompimento com a Bossa Nova e lança o segundo disco, “Opinião de Nara”, que vai inspirar o célebre espetáculo “Opinião”, dirigido por Augusto Boal, que tem Nara ao lado de Zé Kéti e João do Vale. “Podem me prender/ Podem me bater/ Podem até deixar-me sem comer/ Que eu não mudo de opinião/ Daqui do morro eu não saio, não.”

Nara Leão completaria 70 anos neste 19 de janeiro, mesmo dia em que se relembram os 30 anos da morte de Elis Regina. Não eram amigas, percorreram caminhos diferentes na música brasileira e, cada uma a seu modo, marcaram época. Capixaba que aos 2 anos foi para o Rio de Janeiro, Nara morreu em 1989, aos 47 anos, após uma longa batalha contra um câncer no cérebro. Para lembrar o aniversário da mãe, Isabel Diegues (filha de Nara e do cineasta Cacá Diegues), pôs no ar o site www.naraleao.com.br, com galeria de fotos, uma cronologia detalhada, a discografia (que pode ser ouvida) e documentos da cantora. “E esse é o meu presente: compartilhar sua obra para que todos possam se deliciar, ouvir e pesquisar à vontade”, disse Isabel na rede social Facebook, há alguns dias.

Tinha voz suave, mas falava firme. Foi em 1966 que Nara concedeu uma entrevista que causou repercussão, ao criticar o governo dos militares. A manchete do Diário de Notícias foi: “Nara é de opinião: esse exército não vale nada”. E foi o ano da consagração popular, quando interpretou “A Banda”, de Chico Buarque, no festival da TV Record, que causou agitação no país pela disputa com “Disparada” (de Geraldo Vandré e Theo de Barros), interpretada por Jair Rodrigues. No final, as duas composições foram declaradas vencedoras, por insistência de Chico. Ele e Nara dividiram durante alguns meses a apresentação do programa “Pra ver a banda passar”, também na Record. Pelo comportamento diante das câmeras, chegaram a ser considerados “desanimadores” de televisão.

Em 1968, quando o regime radicalizaria com o AI-5, Nara participou das manifestações contra o governo, protestou publicamente contra a morte do estudante Edson Luís, no Rio de Janeiro, e fez parte do disco “Tropicália ou Panis et Circenses”, cantando “Lindoneia”, de Caetano. Era um período de radicalização até na música, com direito a passeata contra as guitarras elétricas na MPB (para alguns, mais um ardil publicitário do que uma manifestação de fato), movimento condenado por Nara Leão. No final de 1969, ela vai com Cacá Diegues para o auto-exílio, na França. O casal retorna ao Brasil em 1971.

Os problemas de saúde foram descobertos em 1979, Nara vai alternar momentos de saúde bons e instáveis durante os dez anos seguintes. O último show foi em Belém. Morreu no Rio, em 7 de junho de 1989.

A primeira faixa de seu primeiro LP foi “Marcha da Quarta-feira de Cinzas”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes: “E no entanto é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade”.

http://www.naraleao.com.br/index.php?p=galeria

SAVE OUR SOULS, SAB. 21-01 @ LOUNGE – BRAGA

Haloterapia – Primeira Câmara de Sal em Portugal

Link: www.halonature.com/haloterapia.html

CARTILHA DO PLANO BRASIL SEM MISÉRIA É APRESENTADA EM SEIS IDIOMAS

A partir de ontem, dia 17, foi disponibilizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome a cartilha do Plano Brasil sem Miséria em seis idiomas, cujo objetivo é facilitar a troca de experiências e ampliar a cooperação técnica brasileira na área social com outros países. A cartilha está escrita em espanhol, mandarim, russo, inglês, francês, árabe.

A cartilha do Plano Brasil sem Miséria, que foi lançada durante o seminário internacional de Políticas Sociais para o Desenvolvimento que contou com representações da África do Sul, Tunísia, Palestina, Índia e Egito, foi elaborada em função dos constantes interesses apresentados por delegação estrangeiras que visitam o Brasil quanto às ações do combate a redução da miséria.

Para Rômulo Paes, secretário-executivo do MDS, a cartilha vai facilitar a comunicação entre esses países interessados no combate à miséria.

“Há um compromisso sincero do governo brasileiro para transferir, sobretudo, suas políticas sociais. Temos hoje 41 países com algum nível de parceria de cooperação. A gente recebe um volume muito grande de visitantes de línguas distintas e observando a necessidade decidimos pela publicação em vários idiomas para facilitar a comunicação.

Tem havido um interesse crescentes dos países árabes, da China e de países que falam russo. Por conta disto, optamos por uma estratégia mais abrangente.

Estamos construindo um programa para receber, para –eles- poderem vir aprender aqui. O país não é mais recebedor e passou a ser doador de experiências. Nessa condição, estamos buscando mecanismos mais efetivos para transferir tecnologia, disse Paes

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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