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DEMÓSTENES CHEGA NA CPMI, CALA E CONSENTE, SEGUNDO DEPUTADO

Como até os minerais já sabiam, como escreve o jornalista/filósofo Mino Carta,  Demóstenes Sem Partido Torres, amicíssimo – hoje ele diz que não – do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso com seu pernicioso bando desde o dia 29 de fevereiro por obra da Operação Monte Carlo deflagrada pela Polícia Federal, chegou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), olhou para os presente com ar deprimido, emitiu algumas curtas palavras relativas ao seu direito constitucional, calou e consentiu. Demóstenes usou de seu direito de se manter calado para não se comprometer mais do que já se encontra comprometido com o esquema de corrupção comandado por seu preclaro amigo – ele diz que não – Carlinhos Cachoeira.

Se Demóstenes acreditava que seu silêncio iria calar também os parlamentares presentes, da mesma forma que do tratamento que teve quando de seu depoimento no Conselho de Ética do Senado, errou quadradamente de perspectiva/esperançosa. Os parlamentares não gostaram nada de sua mudez. Já se encontravam tiririca com a mudez de seu patrão, Carlinhos Cachoeira, quando de sua ida a CPMI.

Coube exatamente ao deputado Sílvio Costa (PTB/PE) o papel de exaltar os ânimos pela falta de verbo do senador ex-campeão da moral do Parlamento. Se o senador, ex-DEM, já estava deprimido, com a interferência do deputado ele passou ao afeto temeroso.

Sílvio Costa chamou o senador de mentiroso, que seu silêncio mostrava sua culpa e ainda se deu ao luxo de traçar lances teológicos.

O senhor passou cinco horas no Conselho de Ética e não conseguiu se explicar. Mas, aqui, com cinco minutos, o senhor explicou tudo. O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa.

O senhor apelou para Deus, se disse carola, mas o senhor não vai para céu porque o céu não é lugar para mentiroso, não é lugar de gente hipócrita”, mandou ver o deputado, enquanto o senador se encolhia, talvez preocupado com sua ida ou não para o céu.

Mas, uma coisa é certa, se houver, como os fervorosos propagam,um lugar para onde se vai, o senador, em função de sua democracia, vai ter grandes companhias nesse lugar. Daqui do Amazonas terá inúmeras companhias.

Mas o senador teve um socorro pontual. O senador Pedro Taques (PDT/MT), se dizendo amparado pelas diretrizes constitucionais, admoestou o deputado por sua intervenção.

Todos aqui, enquanto parlamentares, devem obedecer à Constituição Federal, que afirma que o cidadão, seja lá quem for, merece respeito. Fui procurador da República por mais de 15 anos e tenho a convicção de que um parlamentar não pode tratar quem quer que seja com indignidade”, interferiu Taques, permitindo um momento de calma ao senador.

 Com as palavra de Taques, contra Sílvio, o ranger de dentes começou entre eles. O deputado afirmou que o senador Taques encontra-se comprometido em articular companheiros para conseguir que Demóstenes não seja cassado, visto que caso isso aconteça – o que espera a democracia real – ele será preso, pois não tem mais mandato. Fato que o senador ex-campeão da moral teme.

Tenho certeza que o Senado brasileiro vai cassá-lo por 80 votos a favor. Espero que o senador Pedro Taques, que hoje mostrou que poderá ser um voto para absolvê-lo, repense o voto e vote pela cassação”, afirmou Sílvio.

Foi então que o presidente da CPMI, para arrefecer os ânimos dos dois litigiantes, Vital Rego, encerrou a sessão. 

Enquanto isso, depois de alguns membros da CPMI – principalmente do PT – liberarem o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de depor, o presidente da comissão datou os dias dos depoimentos dos governadores Marconi Perillo de Goiás e Agnelo Queiroz do Distro Federal. O primeiro deporá no dia 12, e o segundo no dia 13.

VÍDEO MOSTRA QUE O CHAMADO “MENSALÃO” FOI CRIAÇÃO DO MAFIOSO CARLINHOS COM PATRIOCÍNIO DA MÍDIA NAZIFASCISTA

PSOL PROTOCOLA NA PGR REPRESENTAÇÃO CONTRA GILMAR MENDES, E FUNCIONÁRIO PÚBLICO PEDE SEU IMPEACHMENT

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou pedido de representação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, por sua suposta conversa com o ex-presidente Lula.

O controvertido ministro, que já foi citado por seu companheiro de Corte, Joaquim Barbosa, como pessoa que adora aparecer na mídia, pautou a nazifascista revista Veja afirmando que Lula, no escritório do ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, havia lhe pedido para interceder no julgamento do chamado mensalão para ocorresse somente depois das eleições.

O partido socialista, em sua representação, considera a atitude do ministro falastrão de “bastante questionável”. O partido pede a investigação dos fatos e, caso seja comprovado conduta indevida, que as medidas cabíveis sejam adotadas pela PGR, nos âmbitos administrativo, civil ou penal.

Por sua vez, o funcionário público Cícero Batista Araujo Rola, no Senado, protocolou BA Presidência da Casa, o pedido de impeachment do ministro pautador da nazifascista revista.

“Sou um cidadão indignado e não posso aceitar que, na mais alta Corte do país, um ministro esteja sob suspeição”, sentenciou Cícero.

É a segunda vez que o funcionário público, Cícero Rola, entra, no Senado, com pedido de impeachment do ministro amigo do senador Demóstenes Sem Partido Torres. A primeira vez o pedido teve como motivo o fato de Gilmar Mendes conceder dois habeas corpus, em menos de 48, ao criminoso banqueiro Daniel Dantas, preso pela Operação Satiagraha comandada pelo insigne delegado Protógenes Queiroz, hoje deputado federal pelo PCdoB/SP.

Procurado por jornalistas para falar sobre a representação e o pedido de impeachment, como era de se espera, o ministro mandou dizer por sua assessoria que não iria se pronunciar.

Enquanto isso, a CPMI analisa possibilidade da convocação do ministro pautador da mídia nazifascista para depor e explicar seu encontro com o senador Demóstenes Sem Partido Torres, em Berlim e o uso de aviões. Pesa ainda sobre o ministro pautador, a provável influência dele sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para quês este não abrisse ação penal contra Demóstenes, amicíssimo do mafioso Carlinhos Cachoeira, Torres no STF, depois de receber, em 2009, os dados da Operação Vegas.

COM AJUDA DE PARTE DO PT CABRAL ESCAPA DE DEPOR NA CPMI, MAS OS GOVERNADORES AGNELO E PERILLO NÃO

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) votou ontem a convocação dos três governadores Sergio Cabral (PMDB) do Rio de Janeiro, Agnelo Queiroz (PT/DF) do Distrito Federal e Marconi Perillo (PSDB/GO). Todos citados nas gravações realizadas pela Policia Federal na Operação Monte Carlo.

Entretanto, os membros da CPMI na votação resolveram convocar apenas dois. Os governadores Marconi Perillo de Goiás e Agnelo Queiroz do Distrito Federal. O governador de Goias foi convocado por unanimidade, e o governador do Distrito Federal com 16 votos a favor e 12 votos contra. Já o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, contando com ajuda de parte de membros do PT, conseguiu escapar. Na votação, 17 parlamentares foram contra sua convocação e 11 favoráveis.

A suspeita da relação de Sérgio Cabral com Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, vem através de sua estreita relação com o proprietário da empresa Delta Construtora, que matem obras no Rio de Janeiro, e encontra-se envolvida com o mafioso. A não convocação de Sergio Cabral já havia sido demonstrada pelo deputado do Partido dos Trabalhadores, Cândido Vaccarezza, membro da CPMI, que em reunião passada lhe enviou mensagem confortando-o como companheiros.

Momentos antes da votação os parlamentares discutiram acirradamente. Alguns, os chamada oposição, queriam que a votação fosse em bloco, que todos os governadores fossem tratados da mesma forma, e os da base do governo, acreditando que Agnelo tem menos implicação do que Perillo com o contraventor, Carlinhos Cachoeira, queriam em separado. E assim ocorreu.

E foi nessa jogada que Sergio Cabral escapou, comprovando a parcialidade da CPMI.

Gilmar agora insinua traição de Jobim

Gilmar Mendes, no Valor de hoje, insinua que pode ter sido traído por Nelson Jobim no encontro entre os dois e o ex-presidente Lula, a quem atribui constrangimento por afirmações sobre o julgamento do mensalão e suas relações com Demóstenes e Cachoeira. Gilmar Mendes vai adaptando a história à medida em que ela perde consistência:

a) ‘esqueceu’ e ninguém mais o questiona sobre a versão original oferecida a Veja, cabalmente desmentida por Nelson Jobim, de que a conversa com Lula teria sido apenas entre os dois, na cozinha do escritório de Jobim, sem a presença deste;

b) ao Valor, diz textualmente que Jobim participou de ‘toda a conversa’;

c) ao Globo, ontem, alivia as afirmações sobre Lula (ele está sob pressão) ao mesmo tempo em que acusa o ex-presidente de ser uma central de boatos sobre suas relações com Demóstenes e Cachoeira;

d) mais ainda: insinua que Jobim (Jobim que foi ministro de FHC, um conservador atritado com o PT) pode tê-lo atraído para uma armadilha.

Veja o trecho da entrevista ao Valor, desta 4ª feira:

Valor: O nome do Paulo Lacerda (ex-dirigente da ABIN demitido após uma denúncia nunca comprovada de Gilmar, que diz não ter ‘tradição de desmentidos’, sobre escutas em seu gabinete no STF) foi mencionado na conversa?

Mendes: Nessa conversa, Jobim perguntou: e Paulo Lacerda? Agora, as coisas passam a ter sentido.

Valor: Seria uma demonstração de que se tratava de chantagem?

Mendes: Pode ser. Interpretem como quiser.

Valor: Ou seja, que o próprio Jobim participou de uma tentativa de chantagem?

Mendes: Era uma conversa absolutamente normal, nós repassamos vários assuntos. Nós falamos sobre o Supremo, recomposição do Supremo, PEC da Bengala, a má articulação hoje entre o Judiciário e o Executivo. O Jobim participou da conversa inteira. Nesse contexto, cai uma ficha.

Valor: Que ficha caiu, de que seria uma estratégia?

Mendes: Isso é possível, vamos constrangê-lo com Paulo Lacerda. Não sei se é isso”.

Por Saul Leblon

Carta Maior

“Não sabia das atividades ilegais de Cachoeira”, diz Demóstenes

Em depoimento à Comissão de Ética, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) reafirmou a relação de amizade com Carlinhos Cachoeira, mas insistiu que não sabia das atividades ilegais do contraventor. Disse que o procurador-geral da República prevaricou, confirmou as relações de Cachoeira com Policarpo Junior, da Veja, e explicou o encontro com o ministro Gilmar Mendes na Europa. Mas parece não ter convencido os colegas da sua inocência. Os questionamentos foram duros.

Najla Passos

Brasília – O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) que se apresentou ao Conselho de Ética do Senado, na manhã desta terça (29), não lembrava nem de longe o homem altivo que, meses atrás, ocupava o posto de paladino da ética do parlamento. Abatido, cabisbaixo, falou sobre o sofrimento da família, a depressão que o acometera, os remédios controlados que já não o fazem dormir, a fuga dos amigos. Ressaltou que só está suportando o que chamou de “o maior massacre da história” porque reencontrou Deus. Mas, mesmo após 5:30 horas de debates em que lhe foi assegurado o mais amplo direito à defesa, parece não ter convencido aos colegas da sua inocência. Os questionamentos foram duros.

Demóstenes reafirmou a relação de amizade com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF). Mas negou categoricamente que soubesse das atividades ilegais do amigo. “Eu não tinha lanterna de popa. O que eu sabia naquele momento era que eu me relacionava com um empresário que também tinha relações com cinco governadores e dezenas de outros parlamentares”, disparou.

Pegadinha
Ele relatou que tinha conhecimento de que Cachoeira operava jogos em Goiânia quando isso era legal, na segunda metade da década de 1990. Contou que, mais recentemente, chegou a “jogar verde” para saber se o contraventor continuava operando jogos de azar, ao “inventar” uma suposta operação conjunta da PF com o Ministério Público (MP), que nunca ocorreu, para ver como ele iria reagir. Segundo Demóstenes, ele disse à Cachoeira que havia recebido a informação de um jornalista de Goiás, conhecido de ambos. “Ele ficou apavorado”, afirmou, contradizendo-se.

O senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo que pode levar à cassação do mandato de Demóstenes, desmentiu a história. “O delegado da PF disse aqui que essa operação foi armada para descobrir quem vazava informações para Cachoeira”, disse ele, contestando a versão de que fora “inventada” por Demóstenes para “jogar um verde”.

Clube Nextel
O senador admitiu que recebeu um telefone celular Nextel do contraventor. Afirmou desconhecer que o mesmo “presente” fora dado a outros membros da quadrilha, o chamado ‘Clube Nextel’. “Não faço parte do grupo. Recebi e, por comodidade, fiquei com ele”.

Questionado pelo relator, reconheceu que a conta, provavelmente, era paga por Cachoeira. “Uns R$ 50, pagos nos Estados Unidos”, minimizou. Disse também não ter visto, naquele momento, problema ético em um homem público ter a conta de seu celular paga por um reconhecido contraventor. “Eu desconhecia as atividades ilegais dele”, sustentou.
Dinheiro sujo

O parlamentar negou ter recebido quaisquer valores da quadrilha de Carlinhos Cachoeira ou mesmo da empresa Delta. Nas gravações, há referências a quantia de R$ 20 mil e, em outro momento, a de R$ 1 milhão de reais. Na denúncia formulada ao STF, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fala em possíveis R$ 3,1 milhões, no total.

À Comissão, Demóstenes apresentou a quebra do sigilo das suas duas contas bancárias. Questionado pelo senador Pedro Taques (PDT-MT), disse que não possui outras contas, que nunca recebeu dinheiro via conta de terceiros e nem valores em espécime.

Delta Construções
Ele negou ser sócio oculto da empresa Delta: “Se há um sócio oculto, vocês precisam procurar com uma lupa maior”, ironizou. Ele disse que nunca participou de reuniões na sede da empresa e negou conhecer o dono da construtora, Fernando Cavendish. “Como posso ser sócio de alguém que nem conheço?”

Procurador-geral
Provocado pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Demóstenes criticou veementemente a postura do procurador-geral da Repúbica, Roberto Gurgel, que, segundo ele, não deu o encaminhamento correto à Operação Vegas, realizada pela Polícia Federal (PF) em 2009, que já apontava suspeitas das suas relações com a quadrilha de Cachoeira.

Para o acusado, o procurador tinha, em função do princípio da obrigatoriedade, três alternativas: pedir arquivamento, oferecer denúncia ou requerer novas diligências. “Ele prevaricou, que significa praticar ou retardar ato de ofício para satisfazer interesse pessoal. A improbidade administrativa é evidente. Mais dia menos dia, o procurador-geral terá que explicar porque agiu como agiu”, cobrou.

Os algozes
Demóstenes sustentou o tempo todo que as acusações contra ele têm como base documentos obtidos ilegalmente, vazados aos poucos, de forma orquestrada, para resultar na sua completa desmoralização. “As gravações são evidentemente ilegais. Fui investigado de forma ilegal, o que coloca em risco a democracia no Brasil. Se o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar essas provas, nós vamos viver numa republica comandada por delegados e procuradores do Ministério Público. E isso é perigoso”.

Quando questionado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-DF) sobre quem seriam os algozes dessa suposta orquestração contra ele, foi categórico: “Os delegados de Polícia e membros do Ministério Público, para criar um estado policialesco no Brasil”.

Gilmar Mendes
Demóstenes confirmou a versão já divulgada pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, de que a relação existente entre eles é apenas de cordialidade e profissionalismo. Mas não desmentiu que frequentou festas da família do ministro. E confirmou que se encontrou com ele no exterior, em abril do ano passado. “O ministro Gilmar Mendes, se não me engano, foi participar de uma jornada acadêmica em Granada [Espanha]. Eu estava em Praga [república Tcheca]. Nos encontramos em Praga e fomos juntos, de trem, para Berlim [Alemanha]. Ficamos lá um tempo. Eu voltei para o Brasil em um voo e o ministro em outro”.

Conforme o senador, só ele pegou carona do avião providenciado pela quadrilha de Cachoeira. “Como eu ia chegar cedo e tinha trabalho, eu pedi ao Rossini [empresário]. Eu utilizei o avião. E não o ministro Gilmar Mendes. Eu utilizei aviões de várias pessoas no Estado de Goiás, empresários e amigos. Não usei do Cachoeira porque ele não tem”, acrescentou. Demóstenes afirmou também que Cachoeira não participou do encontro dele com Mendes na Europa.

Revista Veja
O parlamentar confirmou que Cachoeira era fonte habitual da revista Veja. “O que sei é que o Cachoeira era fonte de Policarpo [Policarpo Junior, diretor da revista em Brasília]. Nunca encontrei os dois ao mesmo tempo, mas tinha conhecimento disso. Agora o desdobramento ético em relação a isso tem que ser verificado”, disse Demóstenes.

Ajuda dos amigos
Indagado por Taques, Demóstenes confirmou que o colega foi em sua casa, em março, na companhia de Randolfe, cobrar que ele se explicasse sobre as denúncias contra ele que começavam a pipocar na imprensa. “É verdade. Os dois me ajudaram, inclusive, a redigir o discurso que fiz na tribuna do Senado”, acrescentou.

Sobre a veracidade das explicações prestadas no discurso, em que afirmava manter relação apenas de amizade com Cachoeira, foi evasivo. “Falei com base nas informações divulgadas até aquele momento. Não sabia das denúncias que viriam a seguir”.

Estratégia?
Questionado pelo senador Anibal Diniz (PT-AC) se o fato dele falar do sofrimento imposto à família e invocar de deus não seria uma estratégia de defesa, o acusado negou. “Ninguém pode usar o nome de Deus como estratégia de defesa. Sou um carola, senador. Já era antes por causa da minha mãe. Confesso que nesse tempo fiquei meio perdido”, rebateu.

Processo
O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou, ao final da sessão, que todos conhecerão sua avaliação sobre a defesa em, no máximo, três semanas, quando apresentará seu parecer. Costa prevê que o processo será encerrado antes mesmo do recesso parlamentar, que começa em julho. “Não posso falar sobre minha versão agora. Vou levar em consideração todas as colocações que foram feitas para formular meu juízo. Daqui há mais ou menos três semanas vocês vão ter a minha posição”, disse à imprensa.

Costa considerou a sessão bastante produtiva. “Foram muitas informações, muitas indagações. A própria defesa dele reconheceu vários fatos”, completou.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebon (Agência Brasil)

Carta Maior

Época teve ciúme da relação dos homens de Cachoeira com Veja, diz Dadá

Em ligação interceptada pela Polícia Federal, o braço direito de Carlinhos Cachoeira, Dadá, chamou o jornalista da revista Época de ciumento e revelou cobrança que sofreu: “Seu amigo aí não colabora com a gente, só colabora com a Veja”. Em resposta à reportagem da revista Carta Capital, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira.

Vinicius Mansur

No último final de semana, uma reportagem da revista Carta Capital mostrou como Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, tido pela Polícia Federal (PF) como braço direito do bicheiro Carlos Cachoeira, negociou com a revista Época, pertencente às Organizações Globo, a publicação de informações contra a empresa Warre Engenharia, uma concorrente da empreiteira Delta. O contato com a Época se deu com o seu diretor em Brasília, Eumano Silva, em agosto de 2011.

No último dia 24, o advogado de Dadá declarou que seu cliente abastecia veículos de comunicação com informações e que “é notório que o interesse de Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios”.

Em resposta à reportagem de Carta Capital, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira. Entretanto, Carta Capital também divulgou uma ligação feita por Eumano Silva para Dadá para avisá-lo da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo.

Mais contatos de Época e o esquema de Cachoeira
Os documentos da Operação Monte Carlo revelam outros contatos da revista Época com os homens de Cachoeira. No dia 17 de março de 2011, a quadrilha repercute por telefone a entrevista do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), publicada pela revista Veja, no mesmo dia, com uma série de denúncias e críticas envolvendo seus colegas de partido. Em particular, os homens ligados à Cachoeira se preocupam com as citações ao senador Demóstenes Torres.

No dia seguinte, 18 de março, às 07:40, Cachoeira comenta com um homem identificado como Edvaldo – provavelmente Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran de Goiás – sobre a entrevista de Arruda e dá indícios de ter bons informantes sobre a revista Época:

“…parece que a Época está vindo com coisa pior aí…”

Pouco depois, às 09:33, uma ligação de Dadá para Cachoeira desvenda o caso. O bicheiro demonstra que está mais preocupado com a aparição de seu nome e não o de Demóstenes. Dadá chama jornalista da Época de ciumento por reclamar de “amigo” que “só colabora com a Veja”:

Dadá: Deixa te falar: eu tô aqui com (ininteligível – parece dizer ALBANO), é o seguinte, em setembro do ano passado, o ARRUDA deu essa entrevista pra VEJA, entendeu? E aí, o que aconteceu: o repórter que tomou esse depoimento, hoje ele tá na ÉPOCA. Aí agora, essa semana, o cara tomou, pegou outro depoimento do ARRUDA para publicar na Época. Aí a VEJA ficou sabendo e, como já tinha matéria gravada, aí ela botou no ar.

Cachoeira: Ah tá. E a da ÉPOCA, que que vai sair?

Dadá: A da ÉPOCA vai sair, entendeu, ele diz que tá ruim pro nosso amigo. Eu expliquei pra ele, conversei, pô e tal. Eu sei que ele conversa com o Andrei tal, mas o cara fala muita coisa dele, entendeu? Pô, mas o cara é mentiroso, pô. Porque não tem isso e tal tal, se você quiser a gente conversa, entendeu, com ele tal, pô. Você é o chefe. (…)

Cachoeira: Ele fala de todo mundo é?

Dadá: Fala. Fala que deu dinheiro, entendeu?

Cachoeira: Que deu dinheiro pro “Gordinho” [Demóstenes]?

Dadá: É.

Cachoeira: Mas de mim ele não fala nada não né?

Dadá: Não, não fala não.

Cachoeira: Não. Se fala isso daí tudo bem. Eu não queria é ver meu nome vinculado a ele. Vamos ver o que vai sair! (…)

Dadá: É, mas aí ele falou: porra o seu amigo aí não colabora com a gente – os cara são tudo ciumento – só colabora com a Veja. Não, não tem nada disso não. O cara é ponta firme. (…)

Menos de uma hora depois, às 10:29, a PF intercepta uma conversa de Dadá com um homem não identificado (HNI), mas que a polícia classifica como “repórter” e suspeita ser “Albano”. Dadá quer colocá-lo em contato com um amigo. O repórter não aceita, diz que não está “diretamente envolvido nessa história” e pede para ele procurar “Andrei”. Porém, aceita conversar com o amigo de Dadá depois: “marca conversa com ele outra hora, pra outra coisa”.

Cerca de duas horas depois, às 11:20, Dadá volta a ligar para Cachoeira dizendo que o repórter não quis falar “senão os outros repórter que estão apurando vão ficar putos com ele”. Cachoeira diz que está tudo bem: “Vamos esperar sair”.

No dia 20, às 14:50, Dadá e Cachoeira voltam a se falar sobre a matéria da Época e comemoram o fato de “não ter saído nada”. A reportagem de Época foi assinada por Diego Escosteguy. Cachoeira agradece Dadá: “Obrigado aí”.

Menos de meia hora depois, às 15:15, Dadá liga para Lenine, outro operador de Cachoeira. O resumo da ligação apresentado pela PF diz:

”Dadá diz que Carlinhos tava preocupado com a reportagem sobre o Gordinho (aparentemente Demóstenes) e Arruda mas não saiu nada. Diz que foi no Helmano da Época e explicou pra ele. Diz que os caras falaram só que deram dinheiro pro DEM mas não falaram o nome dele (Carlinhos).”

Carta Maior

Cachoeira arrumou jatinho para Demóstenes e “Gilmar”

Escutas telefônicas indicam que o contraventor Carlinhos Cachoeira providenciou um jatinho King Air para dar uma carona ao senador Demóstenes Torres e a “Gilmar”, no retorno de uma viagem da Alemanha ao Brasil. Em uma ligação no dia 23 de abril, um ex-vereador do PSDB pede autorização para buscar o “Professor” Demóstenes em um jatinho, que está com o “Gilmar”. Na degravação, a PF questiona entre parênteses (“Mendes?”). O ministro do STF foi a Europa neste período para participar de um congresso internacional de Direito.

Najla Passos e Vinicius Mansur

(*) Atualizada às 22h46min

Brasília – Escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF), com autorização da Justiça, durante a Operação Monte Carlo, questionam se o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, “pegou carona” em um jatinho fornecido pela quadrilha de Carlinhos Cachoeira, no dia 25 de abril de 2011, quando teria retornado da Alemanha ao Brasil, na companhia do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

No dia 23 de abril de 2011, às 19:31, o ex-funcionário da empreiteira Delta e ex-vereador de Goiânia pelo PSDB, Wladimir Garcez, também preso durante a Operação Monte Carlo, diz em ligação a Cachoeira que “o Professor (Demóstenes) está querendo vir de São Paulo no avião do Ataíde” e que “Gilmar” o acompanha. O documento da PF indaga: “Gilmar Mendes?” Cachoeira responde “que pode autorizar” enquanto ele acha o Ataíde.

Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) é primeiro-suplente do senador João Ribeiro (PR-TO) e empresário do ramo de construção civil, incluído pela PF na lista de políticos ligados ao contraventor, preso na Operação Monte Carlo.

Às 20:14, Wladimir volta a falar com Cachoeira e informa que está providenciando o avião do Rossini. As investigações da PF indicam que Rossini Aires Guimarães é sócio de Cachoeira em uma empresa de segurança, a Ideal Segurança, e na fazenda Gama, em Brasília.

Cachoeira: Qual é o avião do Rossini?

Wladimir: É um jatinho né, ele tem um que é um jatinho que ele falou, um King Air.

Cachoeira: A, um pequeno né?

Wladimir: é… aí eu peguei falei com ele, ele falou não, não preocupa não que eu organizo. Porque ta vindo ele e o Gilmar né, porque não vai achar vôo sabe.

Às 20:38, ainda no dia 23, Cachoeira pergunta a Wladimir se o senador chega na “segunda cedo”. O ex-vereador informa que “é tudo desconjuntado, ele sai de lá amanhã meio dia, que é sete horas da manhã daqui” e que já deixou tudo acertado. O bicheiro pergunta que horas o vôo chegará em São Paulo e Wladimir responde “ seis horas da manhã”.

No dia 25, às 12:10, Wladimir diz ao bicheiro que o senador já chegou.

Berlim
As declarações recentes de Gilmar Mendes, a propósito de um encontro com Demóstenes em Berlim, fornecem indícios de que o “Gilmar” beneficiado pela carona exposta nesta reportagem seria o ministro do STF, Gilmar Mendes.

À revista Veja, Gilmar Mendes afirmou que se encontrou com Demóstenes em Berlim, na Alemanha, mas negou as acusações de que suas despesas foram pagas por terceiros. Ainda segundo a Veja, o ministro teria uma filha residente em Berlim e, por isso, frequentaria a cidade com regularidade.

Em entrevista à Globonews na noite desta segunda-feira (28), Mendes afirmou que o encontro com Demóstenes aconteceu logo após uma “atividade acadêmica em Granada”.

Mendes foi à Europa participar de um congresso internacional em homenagem ao jurista italiano Antônio D’Atena, promovido pelo Fundação Peter Häberle e pela Universidade de Granada, da Espanha. O congresso foi aberto no dia 13/4/2011, mas a participação de Mendes se deu na manhã do dia seguinte, com a palestra “A integração na América Latina, a partir do exemplo do Mercosul”.

A presença de Demóstenes em Berlim, por sua vez, é confirmada por Cachoeira em uma ligação a Wladimir Garcez, interceptada pela PF no dia 18/4/2011, às 18:08 horas.

Não há registros públicos de quais atividades Demóstenes teria ido desenvolver na Europa, mas levantamento feito por Carta Maior demonstra que ele não participou das votações realizadas no plenário do Senado entre 13 e 25/4/2011.

Em nota oficial, Lula manifesta indignação
A assessoria de imprensa do Instituto Lula divulgou nota oficial onde o ex-presidente manifesta indignação com o teor da matéria publicada pela revista Veja. A nota afirma:

Sobre a reportagem da revista Veja publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF, Gilmar Mendes, sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:

1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. “Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.

2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do chamado Mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.

3. “O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.

4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.

Carta Maior

GILMAR MENDES & ‘VEJA’: A PAUTA DO DESESPERO

A revista que arrendou uma quadrilha para produzir ‘flagrantes’ que dessem sustentação a materias prontas contra o governo, o PT, os movimentos sociais e agendas progressistas teve a credibilidade ferida de morte com as revelações do caso Cachoeira. VEJA sangra em praça pública. Mas na edição desta semana tenta um golpe derradeiro naquela que é a sua especialidade editorial: um grande escândalo capaz de ofuscar a própria deriva. À falta dos auxilares de Cachoeira, recorreu ao ex-presidente do STF, Gilmar Mendes, que assumiu a vaga dos integrantes encarcerados do bando para oferecer um ‘flagrante’ à corneta do conservadorismo brasileiro. Desta vez, o alvo foi o presidente Lula.

A semanal transcreve diálogos narrados por Mendes de uma inexistente conversa entre ele e o ex-presidente da República, na cozinha do escritório do ex-ministro Nelson Jobim. Gilmar Mendes –sempre segundo a revista– acusa Lula de tê-lo chantageado com ofertas de ‘proteção’ na CPI do Cachoeira. Em troca, o amigo do peito de Demóstenes Torres, com quem já simulou uma escuta inexistente da PF (divulgada pelo indefectível Policarpo Jr, de VEJA, a farsa derrubou o diretor da ABI, Paulo Lacerda), deveria operar para postergar o julgamento do chamado ‘mensalão’.

Neste sábado, Nelson Jobim, insuspeito de qualquer fidelidade à esquerda, desmentiu cabalmente a versão da revista e a do magistrado. Literalmente, em entrevista ao Estadão, Jobim disse: ‘O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso. O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão; tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala (não na cozinha); o Lula saiu antes; durante todo o tempo nós ficamos juntos”, reiterou.

A desfaçatez perpetrada desta vez só tem uma explicação: bateu o desespero; possivelmente, investigações da CPI tenham chegado perto demais de promover uma devassa em circuitos e métodos que remetem às entranhas da atuação de Mendes e VEJA nos últimos anos. Foram para o tudo ou nada. No esforço para mudar o foco da agenda política e criar um fato consumado capaz de precipitar o julgamento do chamado ‘mensalão’, jogaram alto na fabricação de uma crise política e institucional. O desmentido de Jobim nivela-os à condição dos meliantes já encarcerados do esquema Cachoeira. A Justiça pode tardar. A sentença da opinião pública não.

Por Saul Leblon

Carta Maior

Cachoeira plantou notícias na revista Época

Reportagem da edição desta semana de CartaCapital, nas bancas a partir de sexta-feira 25, revela como o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira plantou notícias também em veículos das Organizações Globo para fragilizar adversários. É um exemplo de como a quadrilha abastecia jornalistas investigativos por meio de arapongas para sedimentar seus interesses. Assinada por Leandro Fortes, a reportagem mostra também como o vice-presidente Michel Temer se tornou, desde o início da crise, interlocutor do Planalto com cúpula das Organizações Globo.

CartaCapital mostra como Idalberto Matias Araújo, o Dadá, considerado o braço direito de Cachoeira, negociou com o diretor da sucursal da revista Época em Brasília, Eumano Silva, a publicação de informações contra a empresa Warre Engenharia, uma concorrente da empreiteira Delta em Goiás. Por causa da reportagem plantada pelo grupo (“O ministro entrou na festa”), a Warre figurou na lista de suspeitas da Operação Voucher da Polícia Federal, que mais tarde resultou na queda do então ministro Pedro Novais (Turismo). A Warre acabou sendo inocentada.

Cachoeira era uma espécie de sócio oculto da construtora Delta, empresa para a qual seu grupo fazia lobby.

A revelação sobre as relações entre o grupo do bicheiro e a revista acontece na mesma semana em que Leonardo Gagno, advogado de Dadá, informou à CPI do Cachoeira que o trabalho do araponga (e de seu colega Jairo Martins de Souza) consistia em “abastecer veículos de comunicação”, e que “é notório que o interesse de Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios”.

A negociação entre Dadá e o jornalista da Época para a publicação de textos de interesse da Delta foi flagrada em interceptações telefônicas da Polícia Federal. CartaCapital teve acesso a cinco ligações telefônicas entre os dois.

Na primeira delas, Eumano Silva diz para Dadá “muito boa, aquela história”, se referindo às informações sobre a Warre. Pertencente ao empresário Paulo Daher, a Warre atropelou os interesses da Delta em Goiânia (GO). Silva adianta, naquele dia, que o Jornal Nacional iria falar dos grampos da Operação Voucher. Ele estava com medo que a história da Warre, passada com exclusividade para a Época, vazasse no telejornal da TV Globo, o que não ocorreu. No quarto áudios, Eumano Silva liga para Dadá avisando-o da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo, o que comprova que o jornalista sabia exatamente a quem interessava a divulgação das denúncias contra a Warre.

Procurada, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira. A PF interceptou também conversas do grupo com o repórter Eduardo Faustini, da TV Globo, para uma reportagem sobre compra de votos para prefeito numa cidade do interior. A reportagem não foi ao ar, segundo Faustini.

Confira as gravações abaixo:

Na primeira gravação, Eumano Silva diz para Dadá “muito boa, aquela história”, se referindo às informações sobre a Warre Engenharia, do empresário Paulo Daher, que atropelou os interesses da Delta, em Goiânia (GO). Silva adianta, naquele dia, que o Jornal Nacional vai falar dos grampos da Operação Voucher, no Ministério do Turismo. Ele estava com medo de a história da Warre, passada com exclusividade para a Época, vazasse no telejornal da TV Globo, o que não ocorreu:

Na segunda gravação, Eumano Silva fala com Dadá sobre o que saiu no Jornal Nacional, comenta do grampo de Frederico da Silva Costa, ex-secretário-executivo do Ministério do Turismo e comemora que não “apareceu o nosso assunto”, justamente a parte da Warre. “Tamo (sic) indo bem, até agora não se falou naquela firma (Warre)”. Aí, Dadá especula que “devem falar depois que vocês (revista Época) fizerem (a matéria)”. Silva diz que já foi tudo mapeado da Warre, e que foi tudo “encaminhado”. E se despede de Dadá: “Tamo (sic) junto, amigão. O que tiver aí a gente chuta para você

Na terceira gravação, Dadá diz a Eumano Silva que “aquele povo lá”, referindo-se à Warre, construiu um aeroporto subfaturado (?) no Ceará. Mais um esforço de Dadá para plantar novas informações contra a Warre em favor da Delta:

Na quarta gravação, Eumano Silva avisa a Dadá que um post no Twitter do jornalista Ronaldo Brasiliense avisava da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo. Isso demonstra que ele sabia do interesse do araponga em proteger a Delta. Esse é o único áudio em que Silva liga para Dadá, e não o contrário:

No quinto áudio, Dadá parece estar com a matéria da Época contra a Warre na mão e comenta que “o nosso contato”, provavelmente Cláudio Abreu, da Delta, disse que eles (a matéria é assinada por quatro repórteres) “foram na ferida certinha”. Silva, contudo, se ressente por conta da falta de repercussão da matéria da Época, porque naquele mesmo fim de semana a revista Veja tinha publicado uma reportagem de capa contra o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi:

No sexto áudio, Dadá fala que vai encontrar “com a pessoa” mais tarde, provavelmente, Cláudio Abreu, da Delta:

Carta Capital

SIGILO QUE APURA RELAÇÃO DE DEMÓSTENES COM CACHOEIRA É DERRUBADO PELO MINISTRO LEWANDOWSKI

O sigilo de grande parte dos documentos do inquérito que apura a ligação do senador Demóstenes Sem Partido Torres com o mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso juntamente com parte de seu bando desde 9 de fevereiro pela Operação Monte Carlo realizada pela Polícia Federal, foi derrubado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

O ministro Lewandowski atendeu ao pedido feito pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que pediu a quebra de tosos os sigilos das relações dos dois personagens principais das operações Vegas e Monte Carlo.

Agora, os documentos que continuam com sigilo são as gravações das escutas telefônicas. Desta forma, o ministro atendeu grande parte do pedido feito pela CPMI. Mas o ministro encaminhou para comissão mais de mil horas de conversas telefônicas resultantes da operação Monte Carlo que mostra com provas insuspeitas as relações do mafioso com parlamentares, três governadores, proprietários da Construtora Delta e alguns agentes públicos e privados.

São arquivos em forma de nove DVS resultantes do processo que corre na 11ª Vara de Justiça de Goiânia. Arquivos que só poderão ser acessados pelos parlamentares e pelos acusados.

Enquanto isso, uma medida cautelar foi entregue na Justiça Federal do Distrito Federal (DF) pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), Pedro Taques PDT/MT) e o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ)  pedindo a intervenção da Delta Construção e o bloqueio dos bens da empreiteira. Segundo os parlamentares a medida cautelar é preparatória para uma ação popular que foi protocolada na 14ª Vara do DF.

“Nós pedimos indisponibilidade dos bens da Delta, a nomeação de um interventor judicial para que ela não paralise as obras e para que mais de 30 mil empregados não fiquem sem colocação no mercado de trabalho”, disse Pedro Taques.

A ação dos parlamentares é uma verdadeira operação para impedir que a Delta use o patrimônio público que detém que são as obras, sejam deslocados para empresas fantasmas, e depois para o contador do mafioso, Cachoeira.

“A ideia é que, sendo deferida a liminar nesta ação, o juiz determine a indisponibilidade dos bens da Delta, e ela não possa mais negociar a não ser os contratos que ela já tem com o governo federal”, observou Taques.

Com essa decisão a empresa corrupta não poderá mais ser vendida, e os valores que forem pagos à ela serão transferidos para uma conta judicial que serão usados para pagar dívidas com os trabalhadores e terminara as obras. De acordo com o senador Taques, a CPMI está demorando em tocar decisões.

A Delta, que tem várias obras nos governos federal, estadual e municipal, é acusada de corromper funcionários pagando proprina em sua negociata com o mafioso Carlinhos Cachoeira.        

OS ESPIÕES DE CACHOEIRA, DADA E JAIRO, FORA À CPMI, MAS USARAM A ESTRATÉGIA DO PATRÃO: FICARAM CALADOS

O sargento da Aeronáutica, Idalberto Matias de Araujo, vulgo Dadá, e o jornalista Jairo Martins de Souza, acusados pela Polícia Federal como espiões do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, convocados que foram para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) se apresentaram, mas recorreram à mesma estratégia do patrão: ficaram calados.

De acordo com Leonardo Gagno, o advogado dos dois olhos e ouvidos do contraventor, seus constituintes foram orientados para permanecerem calados que não corressem perigo de produzir provas contra eles. Ele disse ainda, usando sua imaginação contagiante, que vai usar, como defesa dos dois, o recurso de descaracterizar as gravações realizadas pela Polícia Federal. Nas gravações os dois voyeur do submundo da corrupção aparecem em um grande festival de satisfação criminal/sensorial.  

Para o imaginativo advogado, as gravações que foram autorizadas pela Justiça e mostram seus constituintes em práticas criminosas, não tem embasamento jurídico.

“Todas as perguntas vão ter origem nas interceptações. Então, eles não podem responder sobre aquilo que estamos pedindo a nulidade”, aludiu o imaginativo advogado.

Dadá não foi recrutado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, aleatoriamente. Ele foi recrutado para trabalhar no bando em função de sua vasta atuação nesse ramo de negócio sujo, como também por sua ousadia.

No bando do contraventor, Dadá, é suspeito de recrutar policiais federais, civis e militares para atuarem na organização criminosa, eufemisticamente chamada de empresa. De acordo com o inquérito da Polícia Federal ele também atuava na promoção de sites de apostas eletrônicas e no fechamento de bingos de exploradores rivais.    

Por sua vez, o jornalista Jairo Martins de Souza que fora agente da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), tinha a desqualificada função de entregar à mídia conspiradora, principalmente a nazifascista, revista Veja, informações de interesse do mafioso, Cachoeira.

        Dois insuspeitos homens de negócios sujos que se calam por temor.

 

PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA SE DEFENDE AFIRMANDO QUE A OPERAÇÃO VEGAS SÓ MOSTRAVA DESVIOS ÉTICOS

Depois de ter sido questionado por vários seguimentos da sociedade e parlamentares que procuravam saber quais os motivos que o levaram a não dar continuidade às investigações da Operação Vegas realizada pela Polícia Federal, que pegou Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, em vários indícios de crimes, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, novamente tentou explicar os motivos.

Diante da impossibilidade do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, se recusar a prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o mafioso Carlinhos Cachoeira, membros da CPMI compuseram cinco perguntas para ele responder. Entre as perguntas havia uma que indagava por que ele não acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para denunciar as relações de parlamentares com o contraventor, visto que esse caso estava apresentado na Operação Vegas.

Na noite de ontem, dia 23, Roberto Gurgel, respondeu a pergunta afirmando que não procurara o STF porque a Operação Vegas detectou somente desvios no “campo ético”.Elementos insuficientes para abertura de ação no STF. Ele disse ainda que se os dados fossem enviados ao STF ele teria que pedir o arquivamento do inquérito. O resultaria em publicidade desnecessária do assunto.

Para ele, a suspensão do resultado da Operação Vegas foi acertada, porque ela era restrita apenas a exploração de jogos ilegais. Já a Operação Monte Carlo, que foi realizada posteriormente, trouxe outras revelações como a corrupção a lavagem de dinheiro envolvendo políticos.

“Constatei que não havia fato penalmente relevante que pudesse ensejar a instauração de inquérito no Supremo Tribunal Federal, especialmente rigoroso na exigência de indícios concretos de prática de crime para autorizar a formalização de procedimento investigatório e diligências invasivas da privacidade do cidadão”, respondeu Roberto Gurgel.

Ele informou também, em suas respostas, que os quatro inquéritos que correm no STF estão embasados exclusivamente nas informações colhidas na Operação Monte Carlo. Os contextos da Operação Vegas serviram tão somente para contextualizar os fatos.

Algumas pessoas acreditavam que Roberto Gurgel não responderia ao questionário composto de cinco perguntas, já que ele havia se negado a falar na CPMI. Entretanto ele respondeu. Mas será que ele respondeu mesmo conseguindo satisfazer as questões que a sociedade pretendia sobre a paralisação da Operação Vegas? E dizer que só havia desvios no “campo ético” levar para outros questionamentos. Entre eles o que Roberto Gurgel entende por ética?

Jornalistas na CPMI, por que não?

Há relatos de que ações de bastidores foram realizadas por altos executivos dos grupos Globo e Abril junto a partidos políticos e parlamentares, inclusive com ameaças de retaliação política, caso fossem convocados os suspeitos de relações promíscuas com o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Venício Lima

(*) Publicado originalmente no Observatório da Imprensa.

A possibilidade de convocação de jornalistas e/ou empresários de mídia para depor na CPMI do Cachoeira provocou uma unânime reação contrária da grande mídia brasileira. O argumento principal é de que jornalistas e/ou empresários de mídia não poderiam se submeter ao constrangimento de serem questionados publicamente por deputados e senadores. Afinal, políticos constituem alvo permanente do “jornalismo investigativo”. E, claro, a convocação representaria uma perigosa ameaça às liberdades de expressão e da imprensa.

Da relação inicial de pessoas convocadas a depor na CPMI, aprovada na reunião do dia 17 de maio, não constam jornalistas nem empresários de mídia.

Há relatos de que ações de bastidores foram realizadas por altos executivos dos grupos Globo e Abril junto a partidos políticos e parlamentares, inclusive com ameaças de retaliação política, caso fossem convocados os suspeitos de relações promíscuas com o esquema criminoso. Dois dos principais grupos de mídia brasileiros considerariam inaceitável a convocação de jornalistas e/ou empresários – independente das comprometedoras conversas telefônicas já conhecidas – entendida como “um precedente perigoso para o futuro” e “uma verdadeira humilhação para toda a classe” (ver aqui).

Estarão corretos os argumentos e será que os temores alegados se justificam?

Última Hora e TV Globo
Em países de tradição democrática consolidada, a convocação de jornalistas e/ou empresários de mídia para esclarecer suspeitas relativas a atividades empresariais e ao exercício profissional, em comissões no parlamento e em inquéritos policiais, não só tem sido feita como não é considerada constrangimento ou ameaça. Ao contrário, a convocação é entendida como servindo ao interesse público e à democracia e é aplaudida, inclusive, pela mídia tradicional.

O melhor exemplo disso é o que está acontecendo na Inglaterra em relação à investigação do grupo News Corporation, tanto na Câmara dos Comuns, quanto no Inquérito Levinson (ver “As diferenças entre Brasil e Inglaterra”).

Aqui mesmo na Terra de Santa Cruz, ao contrário do que alega a grande mídia, há pelo menos dois precedentes importantes: a CPI da Última Hora, em 1953 e a CPI Globo x Time-Life, em 1966.

Na CPI da Última Hora, sugerida ao presidente Getúlio Vargas pelo próprio Samuel Wainer com o objetivo de investigar as operações de crédito realizadas entre o Grupo Wainer e o Banco do Brasil, foram convocados os jornalistas Samuel Wainer e Carlos Lacerda, que prestaram dois depoimentos transformados, respectivamente, nas publicações Livro branco contra a imprensa amarela e Preto e branco (ver aqui).

Na CPI Globo x Time-Life, criada “para apurar os fatos relacionados com a organização Rádio e TV e jornal O Globo com as empresas estrangeiras dirigentes das revistas Time e Life”, foram convocados, dentre outros, Rubens Amaral, ex-diretor geral da TV Globo; Joseph Wallach, assessor técnico de grupo Time-Life junto a TV Globo; Robert Stone, correspondente do grupo Time-Life no Brasil; Walter Clark, diretor-geral da TV Globo; João Calmon, dos Diários Associados e presidente da Abert; e o diretor presidente da TV Globo, “doutor” Roberto Marinho, que além de prestar depoimento por duas horas ininterruptas, submeteu-se ainda a longuíssimo questionamento (cf. Projeto de Resolução nº 190 de 1966 [Relatório Final], publicado no Diário do Congresso Nacional I, Suplemento B, em 12/1/1967, pp. 1-79; ver ainda, neste Observatório, “Para ver a TV Globo”).

Interesse público e democracia
É verdade que lá se vão várias décadas, as circunstâncias políticas, a composição da Câmara dos Deputados, a identidade doutrinária dos partidos e as motivações eram outras. De qualquer maneira, não se justifica o argumento do “precedente” alegado pelos executivos da grande mídia: no passado, o Congresso Nacional convocou e tomou depoimentos de jornalistas e empresários de mídia em Comissões Parlamentares de Inquérito.

Quando se trata de esclarecer práticas, identificar autores e propor medidas de proteção para salvaguardar o interesse público e a democracia, os únicos critérios que devem prevalecer para a convocação ou não de qualquer cidadão para depor em uma CPI são a existência fundada de suspeitas de atividades criminosas.

A observância desses critérios é o que se espera dos membros da CPMI do Cachoeira na medida em que o trabalho avance e que, eventualmente, surjam informações complementares confirmando a necessidade de convocação de jornalistas e/ou de seus patrões. Por que não?

Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.

CACHOEIRA SAIU DO PRESÍDIO, DEU UM ROLER POR BRASÍLIA, CHEGOU NA CPMI, CALOU E VOLTOU AO PRESÍDIO

Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, denunciado pelas investigações realizadas pelas operações Vegas e Monte Carlo dirigidas pela Polícia Federal convocado que fora pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para depor sobre as acusações que pesam sobre si, saiu do presídio da Papuda, deu um roler pelo Distrito Federal, chegou a CPMI, calou e voltou ao presídio. Tudo pontuado como era esperado.

O mafioso diante dos parlamentares fez valer o direito que a Constituição lhe concede: ficou calado. Diante de sua mudez, os parlamentares se sentiram ofendido e alguns lançaram invectivas, contra o chefe da quadrilha composta por bicheiros empresários, políticos e agentes públicos e privados.

O mafioso ao chegar à sessão onde deveria ocorrer seu depoimento não emudeceu de chofre. Ainda pronunciou breves palavras explicando porque iria manter-se calado. Sempre acompanhado de seu advogado, Marcio Thomas Bastos, ex-defensor de presos políticos na ditadura, ex-ministro da Justiça, no governo Lula, ex-defensor de Toninho Malvadeza, e agora defensor do mafioso Carlinhos Cachoeira, tudo em nome da justiça. Ou melhor, para que a justiça prevaleça.

“Estou aqui como manda a lei para responder o que for necessário. Constitucionalmente, fui advertido por meus advogados para não dizer nada e não falarei nada aqui. Somente depois da audiência que eu terei com o juiz, se eu, por ventura, achar que eu devo contribui, eu virei aqui para falar”, desafiou o contraventor preso desde o dia 29 de fevereiro juntamente com membros de seu bando.

Alguns deputados ainda tentaram fazer algumas perguntas, mas o meliante só respondia, “Calado, senhor”. Uma atitude que enfureceu muito dos presentes. Ainda mais quando o mafioso chegou a culpar os próprios parlamentares pela presença dele no recinto.

“Houve um pedido para que os senhores reavaliassem nossa vinda aqui. Quem forçou foram os senhores”, rebateu o mafioso.

Já o senador Álvaro Dias (PSDB) não quis deixar barato a afronta do preso contra os parlamentares e a população. Chamou o mafioso de marginal e rechaçou sua arrogância.

“Não imaginamos que imagem estamos passando para a população. Que estamos aqui diante de um marginal, que sai da Papuda para vir para cá e mantém-se com a arrogância dos livres. Não cheio que devemos continuar com esse depoimento. Da minha parte, formulei algumas perguntas, mas as reservarei para outra oportunidade. Não farei indagação alguma, porque resposta não há”, protestou Dias.

Com a mudez estratégica de Cachoeira a sessão foi suspensa com a promessa de uma nova convocação do meliante na próxima semana.

Cachoeira se manteve calado, pode até, como diz seu advogado Marcio Thomas Bastos, nunca falar, mas levou para o presídio da Papuda a frustrada visão das ruas de Brasília, ao saber que a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, por 3 a 1, seu pedido de liberdade. Deve continuar preso. Também lhe foi negada a liberdade pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília.

      Cachoeira está fazendo o que todo homem fracassado faz: negar a realidade. Ele tenta de toda forma fazer com que o real, que ele mesmo construiu, desapareça. Sendo uma realidade insuportável, ele tenta escamotea-la. Tudo que ele não pode destruir em vista da crueldade que a suficiente realidade lhe mostra. Ou melhor, lhe captura. Não há como escapar. Nenhum homem escapa de si, mesmo sendo um covarde.   

CACHOEIRA AVISA AO SEU COMPARSA DEMÓSTENES QUE ELE VAI TER QUE SE VIRAR SOZINHO NO CONSELHO DE ÉTICA. ELE TÁ FORA.

É “cada um por si e Deus contra todos”, como diz o filme do cinegrafista alemão Werner Herzog . Ou “cada um por si e o Diabo que leve o último”, como diz a sabedoria popular. Negócio de meliante quando começa a degringolar tudo que parecia amizade torna-se miragem escafedida.

O amicíssimo e comparsa de bravas lutas trapaceiras do senador Demóstenes Sem Partido Torres, Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, mandou que seus advogados entregassem ao presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Antonio Carlos Valadares (PSB/SE), um ofício comunicando que ele, Cachoeira, não iria comparecer ao seu depoimento marcado no Conselho de Ética.

Segundo a defesa do mafioso, Carlinhos Cachoeira, não irá falar no Senado antes da audiência marcada para o dia 31 de maio na 11ª Vara Criminal Federal, em Goiânia, onde se encontra respondendo processo por inúmeros crimes como lavagem de dinheiro e corrupção, entre tantos.

“As duas testemunhas arroladas decidiram não comparecer. O relator afirma que vai trabalhar com as provas que ele dispõe. E tem o depoimento do senador que é muito importante. Ele vai ter que convencer”, sentenciou Valadares.

Antes da decisão do contraventor em não ir ao conselho defender seu amicíssimo comparsa, o advogado Rui Cruvinel, não compareceu no conselho para depor em defesa de seu amigo Demóstenes Sem Partido Torres.

Diante do “cada um por si”, o presidente do Conselho de Ética decidiu transferir a data do depoimento do senador, que seria hoje, dia 23, para a próxima semana.

A sociedade brasileira aguarda com precisão democrática.        

CONFIRMADO O DEPOIMENTO DO CONTRAVENTOR CARLINHOS CACHOEIRA HOJE NA CPMI

Depois de suspender o depoimento do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no dia 14 de maio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, liberou ontem, dia 21, o contraventor para comparecer àquela comissão.

O ministro Celso de Mello havia concedido uma liminar para suspender o depoimento do contraventor na CPMI respondendo ao pedido feito pela defesa que argumentava que o seu constituinte não havia tido acesso aos documentos do inquérito. Diante do argumento, o ministro concedeu a liminar afirmando que depois que a comissão entregasse os documentos à defesa de Carlinhos Cachoeira, e depois informasse oficialmente a entrega, ele iria rever sua decisão.

Por sua parte, os membros da CPMI entregaram os documentos aos advogados de defesa e depois, oficialmente, comunicaram ao ministro. Consumados os atos oficiais eles resolveram marcar a nova data para o depoimento do mafioso no dia 22, hoje, mas os advogados do amicíssimo do senador Demóstenes Sem Partido Torres, usaram a mesma jogada para impedir que o mafioso depusesse. Pediram novamente que o depoimento fosse adiado argumentando que ainda não tinham tido tempo para estudar os documentos. Só que desta vez, a trama jurídica não funcionou. O ministro liberou o chefe do bando que hoje pode ver Brasília além das grades. Uma liberação de certa forma com sabor menos amargo para ele.

Por sua vez, o ministro Celso de Mello, condenou a jogada dos advogados de defesa do contraventor, ao pedirem adiamento para o depoimento. Para o ministro a defesa não mostrou interesse em acessar as provas. Ele também falou sobre o direito que o mafioso tem de se manter calado durante a sessão de seu depoimento. Um recurso que já tinha sido aventado pelos advogados de defesa.

“Se propiciou, aos ora impetrantes, mesmo nesse fim de semana, amplo acesso a todos os elementos e documentos probatórios existentes (…), não havendo notícia, contudo, de que tenham eles se utilizado de tal faculdade.

Como se sabe, assiste, a qualquer pessoa regulamente convocada para depor perante a comissão parlamentar de inquérito, o direito de se manter em silêncio, que representa direta consequência fundada na prerrogativa constitucional contra a autoincriminação”, disse o ministro.

Que Carlinhos Cachoeira não use a fonação para responder as perguntas que lhes serão endereçadas, que ele não verbalize oralmente, isso não tem qualquer importância diante das provas irrefutáveis colhidas pelas operações Vegas e Monte Carlo realizadas pela Polícia Federal. Uma mudez que fala.

PARLAMENTARES SE UNEM PARA DEFENDER O JORNALISTA POLICARPO DA VEJA AMIGO ÍNTIMO DE CACHOEIRA

O jornalista Policarpo Junior, diretor da sucursal da revista nazifascista Veja, em Brasília, que aparece em mais de 200 gravações da Operação Monte Carlo realizada pela Polícia Federal, em conversas íntimas com o mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, vem conseguindo marcar bons pontos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

O senador e ex-presidente, Collor de Mello, que vem pedindo juntamente com outros parlamentares que o jornalista conspirador seja convocado pela CPMI para prestar depoimento vem mostrando uma face cruel da comissão. Alguns parlamentares, como o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ) passaram a tomar partido pela não convocação do jornalista aético. Miro Teixeira, longe dos tempo em que mirava bem, afirmou  que o interesse de Collor é um atentado à imprensa e tem um caráter “persecutório”. Uma vingança, porque a Veja publicou uma entrevista com o irmão de Collor, cujo conteúdo serviu para fomentar o impeachment de Collor quando o mesmo era presidente.

“A função do jornalista é investigar. Jornalista de investigação conversa sim com pessoas próximas ao crime”, disse Miro Teixeira, defendendo o jornalista.

Se irmanando partidariamente no tema o senador Pedro Taques (PDT/MT) afirmou, para engrossar o coro “desmirado”, disse que Collor estava querendo fazer “um acerto pessoal” com a imprensa. Taques se referindo ao requerimento que Collor expediu à comissão para que se tenha acesso às gravações telefônicas entre Carlinhos Cachoeira e Policarpo, afirmou que “o requerimento tem inconstitucionalidade chapada.

Collor, em discurso no Senado, lembrou que Policarpo já havia prestado depoimento em outra CPI e no Conselho de Ética da Câmara, em 2005. No primeiro caso, na CPI da Loterj, e no segundo no processo de cassação do deputado André Luiz.

“É necessário que pincemos esses trechos para que fique comprovado um conluio entre Policarpo Junior e Carlinhos Cachoeira”, observou Collor.

Mas Policarpo tem ameaças aos seus bons pontos, comandados por Miro Teixeira. Deputados e senadores do Partido dos Trabalhadores se irmanaram com Collor que o agente conspirador da Veja seja convocado a depor na CPMI.

Para o deputado Paulo Teixeira (PT/MG), o pedido de Collor não tem a intenção  “de investigar a imprensa”, mas sim apurar a possível conduta inadequada de Policarpo. Aí o deputado mostra consciência democraticamente reflexiva. As gravações mostram que Policarpo é íntimo do mafioso. E além de que, como jornalista policarpo trabalho fora dos princípios de um jornalismo disciplina ética. Tem currículo de jornalista de mercado que só entende a lei do lucro da empresa de seu patrão Civita.

Por sua vez, o senador Humberto Costa (PT/PE), disse que integrantes da comissão estão considerando Policarpo “intocável”.

“Parece que têm intocáveis aqui, mas não se enganem, tudo virá à tona”, refletiu o senador.

No final das contas o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT/MG) não aceitou o requerimento de Collor para teracesso à todas informações dos colóquio íntimos entre o mafioso e o representante da mídia acéfala.      

Policarpo não é imprensa, e se encontra longe de ser um jornalista isento democraticamente, já que seu “jornalismo” é puro capitalismo de mercado. Tem que ir à CPMI.

CONLUIO NA CPMI DO CONTRAVENTOR, CACHOEIRA, LIVRA GOVERNADORES E A DELTA COM DIREITO A MENSAGEM EM CELULAR

Durante as reuniões da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no dia de ontem a sociedade viu com temor e tremor a fragilidade dessa comissão. Requerimentos que pediam a convocação dos três governadores dos estados de Goiás, Marconi Perillo do PSDB, Agnelo Queiroz do PT, e Sérgio Cabral do PMDB, foram simplesmente todos frustrados.

Um conluio entre parlamentares da chamada oposição e da chamada situação simplesmente mostrou a fragilidade desta CPMI que vinha se mostrando com fôlego capaz de apresentar uma cor clara de democracia. Parlamentares advogaram em causa própria para livrar seus pares com direito a mensagens celulares como mostra a cena protagonizada pelo deputado petista Cândido Vaccarezza que candidamente mandou uma mensagem ao governador Sergio Cabral mostrando que suas relações não iam “azedar”. O que para o bem da democracia foi filmado pelas câmaras da TV SBT e foi ao ar para que a população saiba como anda a democracia de alguns políticos que simulam ter o que não tem: o princípio democrático.

“A relação vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso, e nós somos teu”, dizia a mensagem enviada pelo petista ao governador do Rio de Janeiro, amicíssimo do dono – ou ex – da Empresa Construtora Delta, Fernando Cavendish, cuja empresa encontra-se envolvida com as tramas corruptoras do mafioso Carlinhos Cachoeira.

A relação azedou com alguns petistas, mas não azedou com outros petistas e membros da oposição que também votaram pela não convocação do governador do Rio de Janeiro, porque também já se encontravam de olho no próximo conluio que era também salvar os governadores Perillo e Queiroz. Um conluio com peso mais petista e psdbista.

Salvos os governadores, foi a vez da Empresa Delta, cujo diretor Cláudio Abreu, aparece em várias gravações realizadas pela Policia Federal em conversas íntimas tramando negócios. A Delta que foi colocada à venda depois que apareceu nos braços de Cachoeira, é acusada de superfaturamento em obras do PAC, e obras no Rio de Janeiro. Daí a suspeita do envolvimento do governador Sérgio Cabral com a empresa. Cabral que já apareceu em vídeos aos festejos com a família Cavendish.

O requerimento que pedia a quebra de sigilo da Delta em todo o país foi negado pelo relator Odair Cunha (PT/MG) que afirmou que ainda não existem indícios suficientes para quebra de sigilo da empresa. A investigação vai se concentrar apenas na empresa na Região Centro-Oeste

“Há indícios evidentes de que essa empresa, a Delta, sob o comando do senhor Cláudio Abreu, serviu à organização criminosa. Na minha opinião, não há ainda indícios suficientes para quebra de sigilos, além de suas filiais no Centro-Oeste”, opinou Cunha.

Mas não é o que entende o senador Randolfe Rodrigues (POSL/AP) que tentou impedir a derrubada dos requerimentos da pauta.

“É um mal começo se nós aprovarmos esse sobretestamento”, observou lucidamente Rodrigues.

ALGUNS PROFISSIONAIS DA IMPRENSA E A ABI NÃO QUEREM QUE A VEJA E SEU SERVIL POLICARPO COMPAREÇAM À CPMI

O caso do contraventor Carlinhos Cachoeira e sua força de penetração em vários espaços da vida brasileira, principalmente no espaço político (?) vem excitando na sociedade uma necessidade de punição para todos os personagens envolvidos nesse episódio mais sórdido na esfera pública do Brasil contemporâneo.

Por isso, a sociedade espera uma punição que alcance todos os envolvidos e que alcance também a mídia representada, principalmente, pela revista Veja, do grupo Civita, e mui representada comprometidamente na pessoa de seu jornalista Policarpo. Agente jornalístico de intrigas cujas gravações da Polícia Federal pontuaram mais de 200 conversas com o contraventor. Dois amigos de tramas contra o governo federal e outras entidades.

Carlinhos Cachoeira abastecia Policarpo, seu garoto de recados, na mídia nazifascista, para que conturbasse áreas do governo. O objeto do desejo da mídia conspiradora que em nenhum segundo cansou de conspirar contra o governo Lula, e, agora, contra o governo Dilma.

Há uma chamada da população para que Policarpo e o proprietário da revista compareçam para depor na CPMI. Mas há também um corporativismo montado para que isso não aconteça comandado por jornalistas comprometidos com a desrazão-ética e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) na pessoa de seu presidente, Mauricio Azedo. Maurício durante participação no programa Observatório da Imprensa, na terça-feira, na TV Brasil, não cansou, azedamente, de defender essa ideia, afirmando que jornalista faz serviço público, e a ida de jornalista à CPMI seria colocar o profissional em situação vexatória.

O azedume corporativo de Maurício usa como argumento, para que o jornalista não compareça à CPMI, o fato de que um dos parlamentares que pretendem a convocação da revista gordurosa e seu funcionário, Policarpo, é o senador Collor de Mello. Azedamente, Maurício, afirma que Collor quer vingança, porque foi a Veja quem publicou a entrevista com o irmão do ex-presidente que serviu, em parte, para seu Impeachment.

O presidente da ABI, em sua posição reacionária, não percebe, ou não quer perceber, que o fato é outro, e muito comprometedor. Trata-se da prática de uma revista inescrupulosa sem qualquer comprometimento com o jornalismo disciplina ética e serviço democraticamente público. O Sr: Maurício confunde jornalismo serviço público de um Mino Carta, com um serviço privado que a Veja pratica. Ele também falha no raciocínio quando esquece que todo cidadão tem obrigação, quando convocado, prestar esclarecimento ao órgão público singular que o convocou. E falha, também, ao não entender que todo profissional com sua força de trabalho, que o faz sujeito de produção, em uma democracia, presta serviço público. Por isso, é sujeito da práxis no espaço público da aparência, como afirma a filósofa judia/alemã Hannah Arendt.

Portanto, que a Veja e seu servil, Policarpo, compareçam à CPMI, posto que o jornalismo como disciplina ética, como diz Rommanet, não é o que é praticado por esse folhetim de consultório. Convocá-los, de forma nenhuma vai atingir o ético-jornalista como Leandro Fortes, Nassif, Boaventura, Benício Lima, Lalo Leal, Inez Nassif, tantos outros que não podem ser assemelhados pelo presidente Maurício Azedo com qualquer Policarpo. 

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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