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DILMA E LULA VÃO AO CINEMA “PELA PRIMEIRA VEZ”

O ex-presidente Lula retornou à Brasília depois do tempo em que passou em tratamento contra um câncer na laringe. Desta vez, ele voltou em tom estético. Junto com sua companheira a presidenta Dilma Vana Rousseff, foi assistir no auditório do Museu da República o lançamento do documentário Pela Primeira Vez, que tem na direção o fotógrafo de seu tempo na Presidência, Ricardo Stukler.

Produzido em 3D, o filme narra os últimos dias de Lula como presidente da República e os primeiros dias do governo de sua companheira, a presidenta Dilma. Apresenta cenas em que ele passa a faixa presidencial à presidenta Dilma, sua saída do Palácio do Planalto, sua despedida do povo postado na Praça dos Três Poderes, a diplomação de Dilma no Tribunal Superior Eleitora (TSE), o primeiro discurso dela no Congresso Nacional, e sua visita ao amigo ex-vice presidente, José Alencar, no Hospital Sírio-Libanês.

Na saída Lula comentou sua relação com Dilma e suas perspectivas sobre seu governo.

“Tudo que a gente falava da companheira Dilma antes da campanha era pouco diante do que ela está fazendo”, afirmou Lula.

Por sua vez, falando sobre o filme, a presidenta, disse estar “muito emocionada”.

3 ANOS DO MOVIMENTO CRIANÇA KINEMASÓFICO

No último domingo o Kinemasófico, movimento criança que acontece todo os domingos no Bairo Novo Aleixo da não-cidade de Manaus, estava em um clima festivo comemorando os 3 anos deste encontro dominical.

O kinemasófico é como todas atividades da Afin, um trabalho gratuito que pretende trazer outros tipos de imagens e percepções diferentes das imoveis imagens existentes na mídia e muitas vezes na escola e na casa das crianças.

A comemoração começoucom uma conversa sobre esta experiência dos três anos em um trabalho com cinema, passando pelo curso de cinema, atividades de leitura, apresentações de dança e muitas outras atividades.Na fala das crianças percebe-se que o cinema já é uma realidade para as famílias e para o bairro e que cada domingo que passa participam mais criançase pais.

Outro fator importante levantado pelas crianças é que eles percebem a diferença das imagens que são assistidas na televisão e em alguns filmes que eles assistem em casa. Na foto acima Eduardo, Michael e Biel comentam sobre estas novas percepções que tiveram com o cinema e o que auxiliou em suas vidas.

Depois da conversa filosofante kinemasófica, chegou o momento onde as crianças deixam seu papel de apenas expectadores e se vêem como atores. Isto pois durante o ano são tiradas fotos das sessões de kinemasófico e alguns vídeos são feitos pelas crianças, então chega a hora destas imagens e videos se tornar um photo kinema. Desta vez o video de 50 minutos engoblou uma retrospectiva dos 3 anos do Kinemasófico, mostrando também a produção do ano de 2011.

Após a projeção do vídeo algumas crianças decidiram mostrar alguns passos de dança do hip-hop, envolvendo vários estilos com o break. A criança afinada Bia deu a idéia de se criar um concurso de dança com os interessados, e a calçada da Afin que recebe o cinema, virou o palco da dança.

E para continuar a alegria criadora do kinemasófico durante todo ano de 2012, tem que se recuperar as energias com o delicioso mata-broca que teve vatapá, bola, bolo de chocolate, maria mole e o delicioso sorvete do afinado Nelson Noel que também esteve celebrando esta festança.

E hoje, logo mais, na boca da noite tem mais cinema na Rua Rio Jaú com a projeção de um novo cinema, trazendo novas imagens para os pais, jovens e crianças presente.

COMISSÃO DA ANISTIA HOMENAGEIA MULHERES QUE RESISTIRAM À DITADURA MILITAR

 Como comemoração da passagem do Dia Internacional da Mulher a Comissão da Anistia decidiu homenagear as mulheres que resistiram à ditadura militar nos dias 8 e 9 com um evento muito especial.

       Segundo o presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abraão, a comissão resolveu homenagear as mulheres que resistiram à ditadura militar em duas etapas. A primeira ontem, dia 8, com o pré-lançamento, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, do documentário, dirigido pela diretora e atriz portuguesa Maria de Medeiros, Repare Bem. A projeção cinematográfica faz parte do projeto Marcas da Memória, do Ministério da Justiça que financia iniciativas de memorialização por parte da sociedade civil.

      “É um filme dirigido pela cineasta portuguesa Maria de Medeiros e que conta a história de três gerações de mulheres que foram perseguidas durante a ditadura: a mãe, Ercanación Lopes; a filha, Denise Crispim; e a neta, Eduarda Crispim.

        A Denise foi esposa de Bacuri (Eduardo Leite), que foi morto durante a ditadura militar. A Denise estava grávida e Eduarda não conheceu o pai”, narrou Abraão.

       A segunda parte ocorre hoje, dia 9, com uma sessão de julgamento de sete mulheres que foram perseguidas políticas na ditadura. São elas,Maria Niedja de Oliveira, Maria Nadja Leite de Oliveira, Maria Angélica Santos Bacellar, Gilda Fioravanti da Silva, Ida Schrage, Hilda Alencar Gil e Darci Toshiko Miyaky.

         Haverá um ato público pela passagem do Dia Internacional da Mulher, antes da sessão de julgamento e a exibição do documentário Vou Contar Para Meus Filhos, que faz parte, também, do projeto Marcas da Memória.    

      O documentário conta o encontro das mulheres que foram presas na colônia penal de Recife entre os anos de 1969 a 1979, 40 anos depois.

        “Vamos assinar um acordo de cooperação entre a Comissão de Anistia e a Cinemateca para reunir todo o acervo audiovisual e de multimídia, que foi acumulado nesses dez anos da Comissão de Anistia”, considerou Abraão.

EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO

Assista o curta completo de Daniel Ribeiro e baixe

ZEITGEIST – O Filme

O 44° FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO ESCOLHEU COMO VENCEDOR O FILME DE TATA AMARAL, “HOJE”

O filme que trata dos anos tenebrosos que passou o Brasil quando da implantação da ditadura militar que vigorou entre 1964 e 1985, através da luta de uma mulher torturada que vive com a dor da prisão e desaparecimento de seu marido, foi o grande vencedor do 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Hoje, de Tata Amaral, o filme vencedor chega com seu prêmio em um momento importante da história política brasileira, que tenta no Congresso Nacional aprovar o projeto de lei da criação da Comissão da Verdade, que irá apurar os casos de sequestros, prisões, torturas e assassinatos de militantes políticos no período da ditadura.

O filme mostra os personagens tentando, na névoa das lembranças do tempo irracional, construir suas vidas assimiladas em projetos futuros, mas sem levar o público a aceitação passiva do que ocorreu no passado. Nas relações apresentadas pelos personagens vão saltando medos, desesperanças, traumas, e perspectivas desafiantes.

Hoje foi premiado pela crítica com o Candango de Ouro de melhor filme. E ainda ganhou as estatuetas de melhor direção de arte, melhor direção de fotografia, melhor roteiro e melhor atriz, que coube à atriz Denise Fraga.

Na cerimônia de premiação, a atriz Denise Fraga, ao receber seu prêmio, desejou que não haja mais tortura no Brasil.

Espero que nunca mais haja tortura em nosso país”, desejou Denise.

Um bom desejo, visto que a tortura no Brasil, para ser a única inteligência para investigar e castigar. Como diz a pastoral penitenciária, principalmente sobre os pobres e os excluídos.

Tratando dos truques e simulações dos parentes, o filme de André Ristum, Meu País, ganhou os prêmios de melhor montagem, melhor direção, melhor trilha sonora e melhor ator, que foi para Rodrigo Santoro.

Os melhores atores coadjuvantes escolhidos dos longas foram Gilda Nomacce, por sua interpretação em Trabalhar Cansa, e Ramon Vane, por seu desempenho em O Homem Que Não Dormia.

Na categoria documentário, o filme Hiper Mulheres, de Leonardo Sette e Takumã Kuikuro, ganhou o prêmio de melhor som.

O curta-metragem da amostra competitiva escolhido pela crítica foi o filme de Thais Fuginaga, L., que também ficou com o prêmio de melhor direção e melhor atriz para Sofia Ferreira.

Já o melhor curta-metragem de animação do júri oficial ficou para Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo.

PRÊMIO EXIBIÇÃO TV BRASIL VAI PARA O FILME “MEU PAÍS”

A TV Brasil, participando do 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, escolheu como melhor longa-metragem o filme de André Ristum, Meu País. O filme, que vai receber R$ 25 mil de prêmio foi o escolhido pelo público.

A TV Brasil ainda escolheu como o melhor curta-metragem de animação o filme de Thomate, Rái Sossaith, que abiscoitou R$ 10 mil mangos. Já o curta escolhido pelo júri popular foi A Fábrica, de Aly Muritiba, que também vai abiscoitar R$ 10 mil mangos.

Durante a entrega dos prêmios aos vencedores, a presidenta da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel, falou sobre a participação da emissora pública no festival.

A TV Brasil, a nossa TV Pública, está aqui para demonstrar sua aliança indiscutível com o cinema brasileiro”, disse Cruvinel.

ARTISTAS QUE ATUAM NO FILME “HOJE”, de TATA AMARAL, NÃO QUEREM QUE OS CRIMES DA DITADURA SEJAM ESQUECIDOS

Artistas que atuam no filme “Hoje”, de Tata Amaral, exibido ontem, dia 29, no 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, declararam que os crimes ocorridos durante a ditadura militar “não dá para esquecer”.

As declarações dos artistas mostram o quanto eles estão preocupados com as discussões que ora ocorrem no Congresso Nacional sobre a criação da Comissão da Verdade, que vai apurar os crimes ocorridos durante o período da ditadura no Brasil, fato que alguns parlamentares não pretendem levar à frente o tema.

Contrário do que pretendem os que são contra a criação da Comissão da Verdade, o filme de Tata Amaral, que começará a ser exibido no ano que vem no circuito comercial, conta histórias de personagens que durante a ditadura foram presos, torturados, mortos e desaparecidos. Chamando atenção para que a sociedade brasileira debata esse período atroz vivido pela história do Brasil para que nunca mais essa barbárie se repita.

Vivendo uma ex-militante política que foi presa, torturada e teve o marido desaparecido, a atriz Denise Fraga defendeu a necessidade de não esquecer as atrocidades da ditadura.

Não dá para simplesmente fechar o baú. Além disso, é necessário ter acesso à história. Não dá para trancar a história, ter um parente desaparecido e não ter direito de saber o que aconteceu com ele.

Talvez seja a mais complexa personagem que eu tenha feito. É um filme cheio de camadas de sentimentos. Vera é uma ex-militante política, que passou por tortura, teve o marido desaparecido e está tentando se refazer. O filme ajuda a gente a ver, rever e pensar sobre as pessoas que passaram por esse período”, analisou Fraga.

Para o ator uruguaio Cesar Troncoso, lembrando que em seu país a sociedade vem sofrendo da mesma angústia, porque não tem acesso às informações sobre o período de ditadura uruguaia, o filme não estimula apenas lembrar o passado, mas oferecer oportunidades de “construir um futuro” sem erros.

Quando há uma coisa terrível em sua vida, não dá para esquecê-la. Lembrar não significa olhar para trás e sim olhar adiante. Eu tenho uma filha de 13 anos. Quando ela tiver 20 anos, as pessoas podem querer repetir o que já foi feito e ela precisará saber o que não se pode aceitar.

Para mim, a importância das coisas está no olhar, está no silêncio. O silêncio tem a possibilidade de ser uma coisa muito pesada. Um filme como Hoje, que tem tanta sensibilidade, tem muitas coisas que não são ditas, mas estão ali. Não sei se isso vai ser dito no filme, espero que sim. É um filme de olhares”, examinou Troncoso.

Comungando com as posições dos artistas, assim como também as posições de grande parte da sociedade brasileira, o Comitê Paulista Pela Memória, Verdade e Justiça estará promovendo hoje, dia 30, às 16:30h, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, uma manifestação para pressionar o Senado a apresentar modificações no projeto que cria a Comissão da Verdade.

“CUBA NÃO ERA OBAMA” É APRESENTADO NO 68º FESTIVAL DE CINEMA DE VENEZA

O documentário do jornalista televisivo italiano Gianni Miná está dividido em duas partes, tendo cada uma a duração de duas horas. Apresenta – além das mínimas mudanças das relações do governo cubano com os Estados Unidos depois da chegada de Obama ao poder -, a história dos últimos anos de Cuba, a proposta de Estado após a revolução comandada por Fidel Castro, e a participação dos jovens em atividades acadêmicas, tanto jovens cubanos como jovens de outros países.

O documentário analisa o Centro de Detenção de Guantánamo, apresentando testemunho de um dos três cubanos que trabalham para o governo dos Estados Unidos, jovens prestando o serviço militar em Cuba vigiando a fronteira com a base americana, além dos testemunhos dos personagens famosos de Cuba como o ministro de Cuba Abel Pietro, e Alicia Alonso, diretora do Balé Nacional de Cuba.

GLAUBER ROCHA, “UMA CÂMARA NA MÃO E UMA IDÉIA NA CABEÇA”, É CANTADO POR SUA MÃE NOS 30 ANOS DEPOIS

A senadora Lídice de Matos (PSB/BH) propôs para hoje, dia 23, uma sessão de homenagem ao revolucionário cinegrafista/filósofo, o baiano Glauber Rocha, cujo corpo perdeu sua função bio/química/física/epistemológica há exatamente 30 anos passados. Ou, para quem quer números fixos, 1981.

Como convidada para falar sobre o inquieto e renovador ser da arte cinematográfica, ninguém mais quer àquela que o acompanhou desde sua fecundação até o momento da parada da matéria-corporal-homem-Glauber. Dona Lúcia Rocha, sua mãe, que, na potência de sua beatitude dos 92 anos, conta e canta a existência de seu filho, o artista que nunca morreu.

Pela obra de Glauber muita gente se interessa. Um professor francês de cinema vem aqui todos os anos. Ele passa três meses pesquisando depois volta para casa.

Enquanto todas as crianças da idade dele estavam na rua, brincando de peteca ou bola de gude, ele ficava dentro de casa, lendo e escrevendo. Aquilo me chamava atenção. “Minha mãe, minha cabeça é um vulcão”, ele explicava. Eu entendi que, lendo e escrevendo, ele dava um jeito de expelir todas as ideias que tinha dentro da cabeça. O curioso é que Glauber detestava a escola. Uma vez ele brigou com a professora e veio para casa dizendo que não queria mais voltar. Ele achava a professora fraca. Queria que eu o ensinasse a ler e escrever. E, de fato, fui eu que o alfabetizei.

Meu (filme) favorito é Barravento. Sabia que ele planejou esse filme quando tinha sete anos. Estávamos passeando na praia de Buraquinho, na Bahia, e ele, criança, disse: “Quando crescer vou fazer um filme aqui”. Anos mais tarde ele voltou lá para fazer Barravento. O filme é muito bonito. Eu participei de todos os filmes que Glauber fez no Brasil. Eu costurava as roupas, fazia comida para os atores… Ajudei com dinheiro também. Eu era rica e, por causa do cinema, fiquei pobre. Mas não me arrependo. Valeu a pena. Se outro filho quisesse fazer cinema, ajudaria do mesmo jeito.

Eu comecei a juntar o material quando ele tinha nove anos. O primeiro documento é o roteiro de uma peça de teatro que ele encenou no colégio. Tenho até anotações que ele fazia em papel, amassava e jogava fora. Eu corria ao lixo, pegava o papel, passava com ferro, e guardava. Minha missão, hoje, é reunir, conservar e divulgar toda a produção do Glauber. Tenho fotos, poemas, cartas, entrevistas publicadas, desenhos, roteiros que nunca chegaram a ser filmados.

As pessoas vêm aqui, interessam-se pelos roteiros, mas ninguém tem coragem de fazer os filmes. Seria muita responsabilidade. Quando Glauber Rocha foi morar na Europa, ele me pediu que eu cuidasse de todo material dele. Jurei que cuidaria de tudo, e que, assim, ele nunca morreria. E, de fato, ele nunca morreu – porque o artista nunca morre.

O conteúdo da entrevista com dona Lúcia Rocha foi realizado por Ricardo Westin, da Agência Senado.

LULA VA PRODUZIR DOIS DOCUMENTÁRIOS E UM LIVRO SOBRE SEUS GOVERNOS

Em encontro realizado no Sindicato dos Bancários, em Osasco, São Paulo, o ex-presidente Lula, antes de viajar com a delegação brasileira para a Assembleia Geral da União Africana, na Guiné Equatorial, que chefiará, falou com os sindicalistas sobre seus planos futuros ligados diretamente às suas ações durantes seus dois governos.

Lula pretende realizar dois documentários e um livro, cujos conteúdos serão sustentados por suas políticas de realizações ocorridas durante seus governos. O livro deverá ter a participação de 50 a 60 representantes dos vários setores da sociedade brasileira, que relatarão as mudanças ocorridas no Brasil entre os anos de 2003 e 2010. Ele pretende também criar o memorial da Democracia, para contar as lutas sociais do país.

Lula afirmou ainda que pretende se dedicar a colaborar com os países africanos e as nações sul-americanas.

Depois de descarnar por um tempo, vou me meter menos no Brasil, porque aqui tem governo. Vou tentar cuidar da integração da América do Sul e da África sem a ideia colonizadora, mas de levar ideias de políticas públicas que funcionaram aqui e que podem dar certo lá”, disse Lula.

O primeiro documentário tratará do tipo de gente que entrou no Palácio da Alvorada durante seus mandatos. A gente que aparecerá não será apenas a representada por reis, rainhas, empresários, diplomatas, mas também pelo povo, sindicalistas, estudantes, líderes dos movimentos sociais, entre outros.

Continuaram entrando presidentes reis e rainhas, mas entrou também um monte de gente que não era levada em conta nesse país”, disse.

Já o segundo documentário será centrado na democracia, mais precisamente nas 73 conferências setoriais realizadas durante os oito anos de seus governos com temas como meio ambiente, direitos humanos, diversidade sexual, mulheres, comunicação, etc.

Se a gente não fala disso, as pessoas se esquecem. Devo ter participado de umas 50 delas, e as pessoas faziam todo tipo de desaforo, e a gente tinha de ouvir”, afirmou.

Lula disse também que pretende organizar um livro sobre a participação na Presidência, e, como sempre, gozador, disse que não pretende redigir porque não é escritor. Uma ironia para os ex-presidentes que logo que deixaram o carpo se puseram a escrever suas estadas no cargo.

Primeiro, porque não sou escritor. Depois, tem coisas na Presidência que você não pode contar. Então, o livro já sai mentiroso daí”, disse irônico.

SIDNEY LUMET E O CINEMA QUE NÃO SE OCULTA

O “cinema” para os americanos sempre foi uma indústria, dificilmente pode ser algo que se movimenta. Ao contrário da noção de “uma invenção ciêntifica sem futuro” como propunha os seus criadores, os irmãos Lumière, diversos americanos já viam o cinema como uma forma de entretenimento imobilizante, hipnotizador dos olhares e corpos e movimentador apenas de dinheiro para os grandes estúdios.

Por este motivo Thomas Alvin Edison foi por um bom tempo dono de um monopólio das patentes que regulava o direito de exibição de todos os filmes dos Estados Unidos. A Edison Film Manufacturing Company (posteriormente Thomas Edison Inc.) , Biograph Company Motion Picture Patents se uniram em um monopólio cooperativo para haver uma dominação da indústria cobrando taxas de licenciamento dos filmes de todos produtores, distribuidores e exibidores. Um caso de amor pelo capital. Este monopólio só foi quebrado graças ao aparecimento em 1909 dos produtores “foras da lei sem licença” (unlicenced outlaws) que usavam equipamentos ilegais e estocavam filmes (celuloide) que importavam. Edison e os monopolizadores criaram a “General Film Company” que confiscava equipamentos e filmes ilegais, além de não permitirem salas exibirem estes filmes. Dentre os que lutavam contra o monopólio estavam: Carl Laemmle (Independent Motion Picture Company ou IMP), Harry E. Aitken (Majestic Films), e Adolph Zukor (Famous Players).

Mesmo com o apoio do governo norte-americano os monopolizadores não resistiram aos independentes e aos estrangeiros que entraram com seus cinemas no solo norte-americano. Os independentes rumaram para o Oeste em direção a California onde criaram seus estúdios e que tinham um sistema de integração e distribuição com o Leste americano. Estes estúdios vieram a se tornar posteriormente os Estudios de Hollywood enquanto o monopólio de Edison terminava. Deste tempo em diante o cinema americano cresceu ainda mais e veio a se tornar um negócio muito lucrativo. A partir de então a indústria passa a ser difundido e logo se torna um glamour dos valores burgueses do imperialismo norte-americano passando a ser difundido como os filmes (enlatados) da indústria hollywoodiana e criando uma noção de que aquela é a única forma de “cinema”: o entretenimento gastronômico para a classe média ignara.

 

ERA UMA VEZ NA AMÉRICA: MAS HÁ CINEMA NOS ESTADOS UNIDOS !

 

Hoje em dia a indústria cinematográfica é a segunda maior e mais rica indústria dos Estados Unidos só perdendo para a indústria bélica. Porém antes de os americanos entrarem nos paises com seus armamentos, eles entram com sua subjetividade capitalística e sua cultura massificadora presente em seus produtos, músicas, e filmes. Neste caso, mesmo a maioria dos filmes não sendo produzido nos Estados Unidos (há Bollywood) a indústria utiliza de seu grande capital e da alienação existente a partir das relações do capitalismo para colocar seus produtos em todo o mundo no maior número de locais possiveis. A produção destes encontros com os filmes americanos diminue a capacidade de entendimento de pessoas do mundo inteiro de sua forma de estar no mundo e das relações produzidas com outras pessoas. Neste caso o cinema prende o olhar que não consegue mais abrir-se em novas realidades uma vez que passa a compor afetos tristes com o mundo.

Porém assim como os independentes, os Estados Unidos e sua subjetividade linha dura, não conseguiram conter as brechas, rachaduras que houveram nos embricamentos históricos e que fizeram surgir diretores, realizadores, produtores e roteiristas que não compõe com esta tristeza da indústria de filmes e liberam fluxos de kinemas. Estes homens e mulheres são frutos de seu tempo e de seu povo, mostrando que a subjetividade americana não tem força alguma contra o kinema.

No fim dos anos 40, vários destes diretores, produtores e roteiristas de Hollywood tiveram sua liberdade de expressão recusada pelo “Comitê de atividades anti-americanas (HUAC)” do Congresso Americano, uma vez que foram acusados de estar associados ou serem simpatizante do comunismo. Mais uma vez houve censura na produção esquizo do cinema americano. Houve uma lista negra dos chamados “Os 10 de Hollywood” que continham o nome de 10 pessoas que não deveriam ser aceitas em nenhum estúdio americano. Nesta lista consta Alvah Bessie (roteirista), Herbert Biberman (roteirista e diretor), Lester Cole (roteirista), Edward Dmytryk (diretor), Ring Lardner Jr. (roteirista), John Howard Lawson(roteirista), Albert Maltz (roteirista), Samuel Ornitz (roteirista), Adrian Scott (produtor e roteirista) e Dalton Trumbo (roteirista). A maioria destes não conseguiram mais trabalho na criação cinematográfica e a lista só foi quebrada quase 20 anos depois quando Dalton Trumbo escreveu o roteiro para Spartacus e Exodus. Esta foi apenas uma lista que pretendia conter não o comunismo mas o kino-pradva (cinema verdade) proposto pelos soviéticos. Era o pavor de deixar o olho livre para novas imagens.

Porém outros cineastas posteriormente trabalharam com um entendimento cinematográfico bem diferente e racharam com a linha dura da indústria: John Ford, Tod Browning, Frank Borzage, Orson Welles, Stanley Kubrick, Roger Corman,Stan Brakhage, Robert Aldrich, Robert Altman, Sam Peckinpah, Martin Scorcese, Francis Ford Coppola, John Cassavetes, Jim Jarmuch, David Lynch, Oliver Stone, Todd Solondz, Richard Kern, Os Irmãos Coen, Nicolas Gessner, Michael Moore, Larry Clark, Gus Van Sant, Godfrey Reggio, Errol Morris, Clint Eastwood, Douglas Sirk, Ida Lupino, Ida Lupino, Mike Michols, Nicholas Ray, Samuel Fuller, Sidney Pollack, Todd Haynes e Sidney Lumet.

 

SIDNEY LUMET- O cineasta que capturou a subjetividade suja da “América”

 

Sidney Lumet e Treat Williams

Um destes cineastas que trabalhou com um olhar crítico e social dos valores e subjetividade norte-americanas foi Sidney Lumet. Nascido na cidade de Philadelphia no estado americano da Pennsylvania em 1924, Lumet foi um diretor de um vasto conhecimento técnico de direção e que começou sua carreira na televisão. Homem de várias mulheres, Lumet foi um homem de diversos gêneros cinematográficos. Começou sua carreira em séries televisivas de ação e além de programas de cunho históricos como “You are there” onde reencenou cenas históricas como A morte de Sócrates, A conquista do México e o descobrimento da anestesia, além de Don Quixote entre outros.

Seu primeiro longa “Doze homens e uma sentença” foi um grande sucesso ganhando o urso de ouro do festival de Berlin. Encenado por grandes atores como Henry Fonda, Lee J. Cobb e Martin Balsam, este drama filmado em sua maioria em uma sala conta a história de um juri que deve julgar o assassinato de uma família cujo o suspeito é o próprio filho. Embora inicialmente todos parecem certos da culpa do acusado, um jurado vai tentar convencer os outros do contrário, a partir da fragilidade dos argumentos dos que querem acusar o réu.

Vidas em Fuga

O homem do Prego

A partir anos 60 Lumet decide trabalhar apenas com o cinema e realiza diversas produções louvaveis que tratavam de vários temas incomuns como: não aceitação da moral burguesa-cristã e o adultério de Vidas em Fuga (The Fugitive Kind- 1960) com Marlon Brando e Anna Magnani; o drama dos sobrevivente do holocausto em O Homem do Prego (The Pawnbroker-1964); o sadismo militar na guerra em A Colina dos Homens perdidos (The Hill- 1965); a ameaça nuclear da guerra fria em Limite de Segurança (Fail-safe-1964); a moral burguesa do casamento em The appoitment (1969); a corrupção policial e o mundo do crime em Sérpico (1973); a instabilidade familiar e produção de loucuras em Um dia de cão (Day dog afternoon-1975).

Rede de Intrigas

Porém os cinemas que viriam a abalar as certezas existente dentro da subjetividade americana. Rede de Intrigas (Network- 1976) onde mostra a manipulação das redes de televisão americana e a passividade alienante dos telespectadores. É notavel como esta produção ainda seja tão atual sendo um reflexo do que ocorre nas grandes mídias de todo mundo.

 

Equus

Em Equus (1977), Lumet trata do delírio social e da produção da loucura dentro da família e sociedade, além da falsa resolução do problema pela psiquiatria. Este cinema conta a história de Martin, um jovem considerado problemático e cujo a única paixão são os cavalos. Ao ser empregado um estábulo, fura os olhos de seis cavalos com um metal pontiagudo e é enviado para o psiquiatra para tentar uma cura. O problema é que o controle social da loucura que a psiquiatria tenta exercer é parte do enlouquecimento social.

Inspeção Geral

Sua carreira continuou a produzir diversos cinemas ligados a temas socialmente importantes. Em 2004, em plena invasão americana no Afeganistão e Iraque, Sidney Lumet produziu um cinema sobre a paranoia produzida pelos governos imperialistas para que se justifiquem suas guerras maculadas, as sessões de torturas, devastação populacional e ações terroristas “para o bem de todos ?¿”. “Inspeção Geral” mostra uma americana detida na China e um árabe detido nos EUA. Os dois paises são os mesmos. Ambos detidos estudam ciências políticas e estão presos sem acusação formal. O interrogatório e os discursos também são os mesmo.

Em seu último trabalho, “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (Before the Devil Knows You’re Dead) de 2007, Lumet conta a história de um viciado em drogas cuja carreira de executivo está desmoronando. Para se livrar da falência, convence o irmão para assaltar a joalheria dos pais. Porém a ilusão de um roubo fácil mostra que a família já é uma roubada.

Logo depois Lumet descobriu que tinha um linfoma, cancêr presente no sistema linfático. Porém Lumet nunca se preocupou com a morte, pois assim como nós ele sabia que um dia ela o tiraria para dançar. Ele sabia que não morreria e que seus entendimentos e filmagens seguem como imagem em movimento.

O CONCORRENTE MAIOR DO FILME BRASILEIRO É O ESTRANGEIRO

In memoriam de Sidney Lumet

O tipo de filme que acho que vai um passo além obriga o expectador a examinar uma outra faceta de sua própria consciência, estimula o pensamento e faz fluir a criatividade.” Sidney Lumet

No entendimento estético de cinema como arte de criação de novas imagens, até que o Brasil tem tido ilustres cinegrafistas, mas tratando-se de filme, onde as imagens são apenas a exibição do mesmo para recognição do público, vê o já visto no cotidiano, o Brasil é um celeiro de muitas produções.

Enquanto é raro realizar cinema, fácil é repetir filmes. Aí estão os Tropa de Elite, os Cidade de Deus, e congêneres, meras filmagens que não possuem nada de cinema e, o pior, são continuação do que já é visto na televisão, principalmente na TV Globo, o berço brasileiro da alienação.

Mas não é isso que preocupa Roberto Farias, Conselheiro da Associação Brasileira de Cineastas (Abraci). Sua preocupação maior é a concorrência dos filmes estrangeiros que impõem prejuízos aos filmes brasileiros, o que o leva a afirmar “que o problema não é a distribuição. O problema é o espaço na exibição”. O que o leva a acreditar que a solução seria a criação de um adicional de renda para os filmes produzidos e exibidos no Brasil.

O adicional de renda atrai o investidor privado, porque ele tem a renda do filme mais um adicional. Quer dizer, ele aumentaria o mercado, atrairia investidor privado. E é um incentivo dado depois do investimento privado. Diferente do que é hoje, que tem um investimento subsidiado antes”, entende Roberto Farias.

Mas o conselheiro Roberto Farias não fica só nesse entendimento sobre cinema que não diferencia de filme. Ele aponta até de onde pode vir o financiamento.

O fundo setorial tem 80 milhões, mais ou menos, que estão parados, que as pessoas não conseguem atingir por causa da burocracia. Com metade disso dá para fazer um adicional de renda substancial para o cinema brasileiro”, afirma.

Ainda perseguindo sua crença de que é dinheiro que cria cinema, Roberto Farias sugere que haja revisão na cota de tela, que obriga o número de exibição de filmes nacionais, para ele outra solução.

É preciso uma reforma no mercado, mais incentivos para exibição. Se o exibidor tem uma disponibilidade de filmes estrangeiros com maior força no mercado que os filmes brasileiros, como ele é um comerciante. vai procurar quem lhe dê mais.

O mercado é tão difícil para o cinema brasileiro que obriga o cineasta nacional a só fazer blockbuster. Quando há blockbuster, não há nenhuma dificuldade de explorar o filme”, assevera Roberto Farias.

As posições do conselheiro Roberto Farias são inconfundíveis como exaltação do filme de mercado, onde exatamente não se pode fazer cinema. O enredamento reducionista do cinema como seja uma questão financeira é tamanha que Roberto Farias acredita que os diretores dos Tropa de Elite só fazem esses filmes porque não tem outra forma de conseguir plateia a não ser com esses filmes de apologia à violência banalizada. Querendo dizer que esses diretores são uns Antonionis, que da feita que sejam bem protegidos financeiramente realizarão cinema, a estética da imagem-devir.

Nesse entendimento mercadológico, Roberto Farias não desconfia que o cinema brasileiro não dispõe de espaço apenas porque o que se estimulou durantes estes mais de quarenta anos foi sempre o filme, e não o cinema. O filme como imagem confirmadora da indiferença de um público específico, que, em seu emburguesamento, procura apenas o que lhe é agradável. E o que é agradável para ele é o que esses diretores lhes oferecem. O filme como sua continuação alienada. O que o mercado adora e cultua.

Por isso, o conselheiro da Abraci Roberto Farias pretende tanto o adicional de renda que atrai o investidor privado.

KINEMASÓFICO: 2 ANOS DE FESTA-CORTE NO OLHAR

Todas as Crianças Kinefilosofantes
e
Associação Filosofia Itinerante – AFIN

apresentam

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= KINEMASÓFICO =

2 Anos de Produções Alegres e Novas Imagens

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Há dois anos, sem exceção, todos os domingos à boquinha da noite a moçada da Afin entra numa proximidade artística, filosofante, educativa do olhar com crianças que chegam até sua sede – à rua Rio Jaú, nº 43 – Novo Aleixo – para realizar o Kinemasófico.


O Kinemasófico é uma experiência óptico-sonora que tenta realizar corte imagéticos existenciais para que as crianças – e também os adultos, pois cada vez mais aparecem pais, amigos e vizinhos nas sessões – tenham alternativa de perceber novas imagens. Assim, nada de Disney e Hollywood.

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Para dar uma olhada na seleção de cinemas apresentada durante esses dois anos, basta dá uma olhada no outro espaço virtualizante da Afin, o bloguinho Esquizofia.


Mas rola pipoca? Claro. Tem doce e tem salgada. Mas só após a apresentação da fita. Afinal cada criança precisa se envolver e experimentar a imagem, e isso sem as imposições intelectualoides, mas também sem as interferências alienantes dos filmes shopipocola.

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Como no ano passado, este ano produzimos um Kinemasófico especial, contendo fotos das sessões, imagens dos cinemas projetados, com a trilha sonora dos filmes e depoimentos de pais das crianças presentes. Confira algumas destas falas…

Olha! Dois anos do cinema! Eu nem me lembrava! Dois anos do cinema, é legal, é muito bacana porque ocupa nossas crianças, todas crianças gostam. Servem para todos nós, crianças e adultos. Eu acho muito bacana, uma iniciativa muito legal. Eu assisto o cinema, eu gostei daquele do peixinho. Ah!, Ponyo. É muito bom e eu acho que tem que repetir.Kelly

fotoTambém os craques do Novo Aleixo estavam lá para ver.

Nos 2 anos eu sempre vou lá. É pai d´égua lá! Gostei! Os meninos também gostam de lá. Pedem demais para ir pra lá: “Papai, eu vou pra lá!” Agora eu é porque não tenho ido, fiquei preguiçoso. Mas é bom, tá inteirando 2 anos e é muito bom pra vocês, para os meninos. Lá eles aprendem muita coisa; mas coisas boas, não coisas más. E se Deus quiser vai mais pra frente, cada ano que passa vai melhorando mais, depende do pessoal ser unido também. Mas vocês trabalham muito bem, gostei de ver o trabalho de vocês!Silvio

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Eu acho muito bom que é um investimento para as crianças para tirar um pouco elas da rua. Eu assisto os cinemas, é um divertimento muito bom pra gente.Dona Antônia

Eu acho muito importante o cinema aí da Afin porque trabalha com a garotada da comunidade e eu acho que isso dá uma maior aprendizagem e também porque são filmes selecionados por pessoas que tem algum conhecimento na área.Miriam Colares

fotoA chuva chegou, e foi preciso mudar a projeção para o pátio coberto, que fica ao fundo. Nesses dois anos, a sessão sempre continua…

É muito importante o cinema com a garotada aí, um programa interativo para eles durante o final de semana, no domingo. Eles aprendem o que acontece por trás das câmaras e até mesmo a fazer filme e gravações. E além disso é um aprendizado para vida deles. Em vez deles estarem correndo aí pela rua, eles estão aqui no domingo, no final da tarde, assistindo um filme. E esses dois anos aí para criançada é muito importante porque são de aprendizado e eles sabem que todo final de semana eles podem contar com a Afin que tem um filme aí para eles assistirem.Failo Alves

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Oi, eu sou a Bárbara, eu moro aqui há dez anos e eu nunca tinha tido essa oportunidade para os meus meninos, de estudar. Gosto muito que eles vão para lá. Eles aprendem, eles se desenvolvem mais. Principalmente para as meninas. A gente tem medo, eu assim como mãe. Quando elas dizem assim: “Mãe, eu vou lá para o professor. Lá, a Afin.” “Tá, quem é que tá lá?” Eu conheço as pessoas que estão lá, que trabalham lá. Então eu acho assim que se tivesse mais oportunidade, para eles terem mais conhecimento. Hoje, se você não tiver uma sabedoria, um estudo profundo, porque hoje tudo é através do digital e cada vez mais vai se prolongando mais e tendo mais coisas. E eu queria assim, que se precisasse também a gente corre atrás para ver se vocês tem mais coisas para eles. E eu gosto muito desse negócio aí e a gente vai ajudar sim, para a gente ter coisas para os nossos filhos. Eu, como mãe, quero que eles vão do além do além, que eles sejam bem informados. É por isso também que eu peço para eles irem pra lá…
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O cinema é muito bom, eles chegam e contam: “Mãe, eu vi esse filme, aquele assim”. Então eles veem lá uma coisa e eles falam aqui para mim e eu acho muito interessante e eu digo para eles: “Vão aprendendo mais”. Eu gosto também do dia de carnaval e eles vão brincar lá. E eu digo: “Vão, vocês são criança, tem que aprender mesmo e façam bom proveito que isso daí é para vocês”. E eles batalham pra isso. O Kiriku foi o primeiro que eles assistiram. Aí uma vez eu tava vendo um jornal e tinha esse negócio do Kiriku. Aí os meus dois sobrinhos são doidos para vir, só que eles moram lá pra Cidade Nova e não tem como. Eles pedem. E eu digo que é só eles virem que o pessoal lá tá pronto para atender vocês. Aí a mãe deles acha um pouco distante, mas nada que é para o saber do nosso filho a gente não pode pôr dificuldade, não é. Eu, como mãe, eu me dedico a eles, e se é isso que eles querem, então vamos lá que eu tô aqui para ajudar.Bárbara (ao centro na foto acima)
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E como era um dia especialíssimo, de muita festa de corte do olhar, além da pipoca, também era preciso cortar os deliciosos bolos e compartilhar o desbrocante.
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O Kinemasófico é uma atividade que está associado a outros trabalhos que a Afin realiza com as crianças das adjacências de sua sede, como técnicas de cinema, cursos de línguas estrangeiras, fantoche, entre outras.

Além das sessões ordinárias todos os domingos na sede, também são realizadas extraordinariamente sessões em escolas e outros estabelecimentos, conforme convites.

Assim como todas as atividades que a Afin realiza, o Kinemasófico é gratuito. Sendo gratificante assim o encontro propiciador da criação de novas formas de comunidade. Ver!

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CAPITALISMO – UMA HISTÓRIA DE AMOR, DE MICHAEL MOORE

O capitalismo é um mal e não se pode regulamentar o mal. Você tem que eliminá-lo e construir algo que seja para o bem de todos. Isso se chama democracia.”

Finalmente este bloguinho assiste ao último documentário do cineasta, escritor, ativista político Michael Moore, que tem por título o mesmo que leva esse texto. Lembra-nos que no primeiro semestre do ano passado, um crítico de cinema, desses que assistem às avant premier, aliado ao coro dos que chamam Moore de “manipulador”, até chega a elogiar algumas cenas de Capitalismo – Uma história de amor, mas diz que o cineasta “extrapola” e chega ao ridículo ao pegar um carro forte e ir até as maiores agências bancárias exigir a devolução do dinheiro do contribuinte que foi parar, em um “golpe de mestre”, às mãos dos banqueiros.

Como Capitalismo não teve sessões nas salashopipocolas do Brasil, onde só se projetam as grandes bilheterias norte-americanas, e, principalmente – já que de qualquer modo jamais iríamos até essas salas -, não pudemos piratear pela internet, com uma conexão discada que mal chega a 40k – alô, Dilma, urgente banda-larga em Manô! -, tivemos que esperar ser liberado para as locadoras, e, mais ainda, aparecer na única locadora da malfadada “Princesinha do Norte” que aloca às vezes tais cinemas… Assistimos.

Como ocorre desde aquele Roger e Eu no ‘finzinho’ da década de 1980, a primeira coisa que chama a atenção nos documentários de Moore é a presença do cineasta como um dos personagens principais. “Personagem”? Sim, pois como ele mesmo disse a respeito de Fahrenheit 11 de Setembro, “a não-ficção também pode ser uma forma de escrever para cinema, tal como a ficção”.

E não é só nesse sentido que os documentários de Moore são inovações cinematográficas. Moore não só se torna personagem, como parece levar adiante o enunciado de Dante Alighieri, que diz que “os lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que em época de grande crise moral se mantiveram na neutralidade”. Ou talvez atualize aquela questão lênin colocada n’O Vento do Leste por Godard e Gorin: Que fazer para realizar um cinema que escape à montagem imagem/som dominante? Moore toma partido. Não fica preso à chamada imparcialidade documental do documentário. Muito menos faz cinema para quem quer entretenimento reto ou confirmação moral do status quo. Também não reduz a sua linguagem a mero aprofundamento dos noticiários de televisão. Pode-se ver isso em todos os seus cinemas. Por exemplo, Tiros em Columbine, no qual ele leva adiante outras questões para além dos assassinatos cometidos por adolescentes em Columbine, como a facilidade de se conseguir armas de fogo nos Estados Unidos, que tem como ponto alto o encontro de Moore com o garoto-propaganda de armas, o já octogenário Charlton Heston. É um embate no plano existencial e no plano estético. As perguntas de Moore, mais do que desmascarar os sentimentos petrificados nazistas de Heston, mostram que este é na verdade um produto hollywoodiano explosivo e perigoso, formador de subjetividades embrutecidas e potencialmente assassinas. Hiperrealidade.

A essa forma de fazer cinema-documentário de Moore chamaremos aqui neste bloguinho de dokinema para diferenciá-lo dos documentários tradicionais. Assim como em Godard não há separação entre cinema e documentário, em Moore não há separação entre documentário e cinema. Não há separação entre estética e existência.

O dokinema de Michael Moore

Em Capitalismo, a partir da crise financeira e imobiliária dos Estados Unidos, Moore aproveita para aprofundar as verdadeiras causas da crise, ou das crises, assim como fazer uma avaliação da política e da subjetividade norte-americana, não apenas no plano do sentido (significado), mas também no das imagens (significante), fundindo as cenas filmadas por ele com filmes, discursos presidenciais e outros registros da “vida americana”. E vai além…

Para não deixar dúvidas quanto à ironia do subtítulo, logo no início um ator esclarece que Capitalismo não é para pessoas sensíveis e sugere para que estas saiam do cinema. Logo em seguida vem as imagens de assalto a um banco filmadas por câmeras de segurança, que instauram logo a questão brechtiana: “Qual a diferença entre fundar um banco e roubar um banco?”

Como tudo que aparece como novo, há uma tentativa extremada de rotular Moore. Alguns autores comunistas chamam-no de liberal; enquanto outros, liberais, chamam-no de comunista ou mesmo de anarquista.

Os liberais não o aceitam como liberal, uma vez que ele parece arremeter sozinho contra a Goldman Sachs ou o Citybank, por exemplo, assim como fez contra Bush; mas não de forma individualizada liberal, mas justamente contra os valores defendidos pelos liberais e neoliberais. Moore vai como uma potência ativa de resistência e revolução.

Já alguns comunistas não o aceitam como comunista porque não está filiado a um partido ou não desfralda abertamente a bandeira de grupos comunistas. Outra questão é que ele, assim como fazem Toni Negri e Michael Hardt, funda sua posição em autores não necessariamente comunistas ou revolucionários, principalmente vozes discordantes; no caso de Moore, entre economistas e mesmo pessoas que lucram dentro dos crimes capitalistas, como o rico corretor de imóveis que explora as desapropriações e especialistas de Wall Street.

Por falar em Negri e Hardt, Moore diferencia sua análise da perspectiva revolucionária tradicional ao perceber nos Estados Unidos não um polo imperialista dominante, mas as características de centro nervoso imperial, principalmente o Império Romano, observando logo nas primeiras imagens como ele se constitui e como entra em colapso. Ele intercala para isso não tanto, ou não apenas, o discurso, mas as imagens dos tiranos romanos com os magnatas modernos, dos escravos romanos com trabalhadores assalariados e do pão e circo aos cassinos de Las Vegas e o vale-tudo.

A partir daí a questão fundamental do cinema é colocada: como será julgado no futuro o Capitalismo americano? Pela antropomorfização besteirol fantasiosa de um desenho animado onde um gato puxa uma descarga ou pela tensão real de uma família na Carolina do Norte que vê inúmeras viaturas chegando, sendo a casa invadida brutalmente, a família covardemente despejada e a casa selada friamente.

Há durante todo o cinema, que não segue uma estrutura linear, inúmeras facetas da violentação capitalística, que vão desde a internação em centros de reabilitação de crianças e adolescentes para enriquecer juízes corruptos, passando pela situação perigosa que faz com que pilotos de aviação nos Estados Unidos venham a ter um segundo emprego – garçonete ou podador de cães, por exemplo –, até os seguros de vida secretos que empresas e bancos americanos fazem de seus funcionários, sem autorização e conhecimento destes. Como diz Juraildes da Cruz na música Desatando nó, “no capitalismo quem tem água nos olhos quando vai no enterro se não lhe pagar não chora”. Neste caso, não chora e ainda ri-se por ganhar com isso.

Mas tais demonstrações não ocorrem para apelar-se “para a filantropia dos corações e bolsos burgueses”, como diriam Marx e Engels sobre os objetivos dos comunistas utópicos. Também não tenta inculpar a classe média por ter acreditado e creditado o “sonho americano”. Ao contrário, quando alguns governantes, como Roosevelt e Jimmy Carter, a despeito de conhecidas incongruências de suas gestões, já haviam alertado para sua falácia, é que o sentido de “sonho americano” é catexizado, justamente quando não existe mais sequer sua poeira onírica. 4 de novembro de 1980. O dia em que o cowboy Ronald Reagan salta da tela diretamente para a cadeira presidencial americana. Washington passa a ser uma superprodução de Wall Street. Para além do monopólio e da oligarquia, funda-se a plutocracia (“governo dos ricos”).

Mas não são apenas as ligações espúrias do Senado com os bancos hipotecários, tampouco o Departamento do Tesouro como uma divisão de Wall Street, completamente preenchido pela Goldman Sachs. Auxiliando a obnubilação pela hiperrealidade hollywoodiana, há uma linguagem despótica incompreensível criada para não ter sentido, que são os chamados “derivativos” que operam nas maiores bolsas de valores do mundo, e que nem seus criadores conseguem explicar de forma lógica e racional.

Neste “cassino louco” das bolsas de valores e dos bancos de investimento, aquele que foi presidente do Federal Reserve (FED), o banco central americano, por 18 anos, Alan Greespan, aproveitou para comandar o jogo, dizendo para que as pessoas investissem no valor de sua casa; ou seja, que a hipotecassem. Todos os americanos se tornam jogadores em uma mesa viciada. Greenspan já é há muito conhecido deste bloguinho intempestivo por ter dito que a crise faz parte da natureza humana. Humano Demasiado Humano!

Neste momento, Moore dá uma aula de roteiro cinematográfico. Ele traz novamente uma família do início da película, que se coloca agora numa situação abjeta de receber um cheque para promover seu próprio despejo. Assim, na sua fabricação contínua de crises, onicrises, no enunciado de Deleuze e Guattari, o sistema capitalista vai criando seus próprios coveiros, como afirmavam Marx e Engels, ou seus próprios abutres, no dizer mooreano. É uma situação limite. Enquanto no Imperialismo o trabalhador era alienado, no Império ele desaparece. Uma questão lênin: Que fazer? Ou se pega uma arma e arremete paranoicamente contra os outros, como ocorreu ontem mais uma vez nos Estados Unidos, ou se engaja num processual revolucionário de transformação do mundo. Michael Moore pega sua câmera e se coloca a tarefa de eliminar o sistema capitalista.

O manifesto democrático de um cidadão-cineasta

Em apenas um momento Moore refere-se ao socialismo, quando conversa com um senador socialista, que lhe explica o que é o socialismo, e ele diz alguma frase em concordância. Seu movimento, no entanto, é para criar outra coisa que não o capitalismo. Mas não há utopia em Moore, ele é todo movimento intensivo e real. A ambiguidade do subtítulo – uma história de amor – remete diretamente como paródia das historietas de amor dos filmes americanos. Além disso, as fantasias de uma história de amor não permitem uma relação real e acabam de forma desastrosa e estúpida qualquer relacionamento. Mas o subtítulo pode ser visto também a partir do profundo amor que Moore nutre por seus personagens – todos nós! – nesse planeta errante.

Após acompanhar as pessoas em situações abjetas e humilhantes, o cineasta acompanha incansavelmente greves de ocupação em fábricas, a solidariedade de donas de casas com os grevistas, protestos de movimentos sociais contra os mega bancos, pessoas e entidades que se lançam na luta contra os despejos, deputados que denunciam os crimes do sistema financeiro e pregam a desobediência civil às violentações impostas por um governo sem métodos e sem regras… Moore também apresenta várias formas de organizações alternativas, como fábricas pertencentes a uma coletividade de operários, agricultura comunitária e até bancos alternativos… (Aqui, comunistas que criticam a chamada autogestão – palavra que surge após o Maio de 68 na França – como sendo ainda uma forma capitalista, devem observar que elas apontam ao menos para uma possibilidade quando no Estado foi dado um “Golpe de Estado financeiro”.)

Politicamente, Moore vê como um ponto de convergência de todas essas lutas a eleição de Barack Obama… Mas não vê isso como o ponto final, mas na necessidade de que todos percebam não apenas suas questões individuais, mas o mal – mal não no sentido moral maniqueísta, mas mais no sentido de moléstia, de doença – maior e causador de todas as sequelas: o Capitalismo. O Capitalismo que suplantou o idealismo da Constituição norte-americana com o hedonismo brutal – embora com luvas de pelica – da “livre iniciativa”.

Já que, para além da dominação imperialista, o Império age no plano da biopolítica, individualizando a todos a partir da planificação subjetiva, Moore percebe que é preciso romper as grades do egocentrismo. É por isso que Moore é chamado de manipulador, porque não acredita na defesa dos individualismos, no “eu” psicológico burguês, e se lança ao Outro como resistência e criação. É aí que começa realmente o papel do personagem Moore. Se Reagan salta da tela para fundar a hiperrealidade, Moore percebe que é preciso lutar lá onde a luta se trava. Na tela. Se o Capitalismo individualizou a todos, e isso ocorre a partir da desrealização do Mundo, Moore se lança ao dokinema para realizar a Imagem-Mundo. Talvez Moore tenha percebido o papel de seu dokinema quando um xerife decide não despejar uma família devido às câmeras. O que pode uma câmera transformada em máquina de guerra (Deleuze e Guattari)? Alguém pode objetar que é pouco, já que a família foi despejada no dia seguinte. Não é pouco. Sabe o que é um sistema, com toda a sua insensibilidade, toda a sua truculência, toda a sua arrogância ter que recuar um dia por causa de que ali está um Michael Moore com a sua câmera?

É talvez essa cena que vai dar origem aquela outra cena do carro forte que falamos no início desse texto. Não só nos opomos à visão daquele crítico – e todo crítico é um artista frustrado! – como acreditamos que a supracitada cena é, na verdade, uma das maiores desse cinema de Moore. De quantos analisam há um ano o Capitalismo no Brasil, ninguém observou que a cena toda – que ocorre com uma versão em inglês da música socialista, a Internacional, cantada por Tony Babino – é uma sátira aos típicos heróis brutamontes hollywoodianos. Mas Moore está mais para um Dom Quixote ou um Brancaleone… Mas Moore não está com a cabeça refestelada de aventuras western. (Perdoe-nos a forçação comparativa, Amadis de Gaula!) Moore brinca, brechtianiza farsescamente, arruinando a moral e a empáfia dos homens mais ricos da América das Américas.

É uma história de crime, mas é também uma história de guerra sobre a luta de classes”. Assim fala Moore sobre Capitalismo. Podemos dizer que Moore atualiza a questão de Dziga Vertov, que chega até ele a partir de Godard – e não é à toa que no mesmo ano passado Godard lançou o seu Film Socialisme, o qual também ainda não chegou em Manô, mas vai chegar aqui no bloguinho… -, de que o cinema deve ser sincrônico com a luta de classes. E embora o Capitalismo de Moore apresente questões localizadas, elas estão em todo o mundo globalizado (como todos sabemos, a crise forjada pelo sistema financeiro norte-americano só chegou ao Brasil uma marolinha devido à pujança do governo Lula). Mas Moore não é nacionalista, ele se lança à “construção de uma luta comum contra o poder imperial” (Negri e Hardt).

Moore diz também sobre o Capitalismo: “Fiz esse filme como se fosse o último filme que eu estaria autorizado a fazer.” Foi nele onde Moore elevou ao máximo sua técnica e entendimentos cinematográficos. Se nos outros, embora às vezes questões amplas fossem abordadas, como no Fahrenheit, elas eram mais específicas. Aqui é todo um sistema que é colocado sob suspeição e ataque. E se esse sistema é um Império, é preciso miná-lo por todos as fissuras. É preciso fazer fissuras. É esse o convite de Moore no final. Não é nenhuma revolução bolchevique. Mas é. Michael Moore encontra o WikiLeaks, encontra a blogosfera, e encontra todos que inventam todos os dias lutas para afirmar um outro mundo possível. E Moore não é nenhum burguês a “servir de língua”, para usar a expressão de Cervantes, para o operariado. Ao contrário, ele se põe na luta, tornando-se o que podemos chamar doravante de cineasta-cidadão. O que Moore demonstra é que não existe heroísmo individual, pois a luta é sempre coletiva, sempre comum. Comunismo. A revolução de Cantona, ex-jogador de futebol, na França, contra os bancos não causaria medo nenhum aos banqueiros, mas acontece que em poucas horas milhares de pessoas afirmaram que também retirariam seu dinheiro dos bancos. Precisamos nos unir a Moore. Se a bilheteria de Capitalismo foi pequena e sua difusão dificultada, precisamos levá-lo a escolas, fazer sessões em ruas, sindicatos, igrejas, associações comunitárias…

No prefácio da edição italiana do Manifesto Comunista, Engels diz que “o fim da Idade Média feudal e o início da era capitalista moderna são marcados por uma figura gigantesca: a de um italiano, Dante, que foi ao mesmo tempo o último poeta da Idade Média e o primeiro poeta moderno”. Um dia, quando os eventos que estão ocorrendo agora estiverem cristalizados como passado, Michael Moore será conhecido como um dos personagens que, a partir da revolução cinematográfica, lutou para eliminar o capitalismo e afirmar a democracia. E por democracia compreendemos o comunismo, o socialismo. Democracia e capitalismo são antagônicos. O capitalismo só existe soterrando a democracia.

O dokinema Capitalismo – Uma história de amor, do cineasta-cidadão Michael Moore, é, em sua totalidade, um formidável manifesto democrático.

O INCRÍVEL SALTO DO COMPANHEIRO MARIO MONICELLI

Ontem, 29 de novembro de 2010, da janela do hospital San Giovanni, em Roma, o cineasta italiano Mario Monicelli resolveu dar o salto que ata a corda ao outro lado do abismo em 15 de maio de 1915, em Viareggio, na Toscana.

Assinando a direção de mais de seis dezenas de películas, mais algumas dezenas de roteiros para outros cineastas, além da participação como ator em alguns cinemas, Monicelli, na commedia all’italiana, trabalhou com os mais talentosos atores do cinema italiano, como por Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Totò e Claudia Cardinale, que estavam naquele Os Eternos Desconhecidos (I soliti ignoti, de 1958).

Em toda a sua longa trajetória o que se vê é consolidação da linha contínua do humor desconcertante, a cine-comédia como linha de fuga para além da náusea da degradação por todos os tipos de miséria e violentação.

No Brasil, tornou-se emblemática a luta daquele professor desempregado de Os Companheiros que resolve organizar a luta dos trabalhadores. Sendo de 1963, chegando ao Brasil em 1964, ano em que explode a ditadura militar.

Em todo o mundo O Incrível Exército de Brancaleone (1966) é citado toda vez que se fala na resistência dos pobres, dos pequenos, de todas as minorias exploradas e excluídas.

E o que dizer de Parente… é serpente (1992), onde Monicelli revela com ironia mordaz o que há de fato e sem ocultação, apenas camuflado na pompa da família burguesa? Só ambição, medo, dissimulação, repulsa, aversão, indiferença…

A cada cena um riso… A casa riso uma fissura que nos faz saltar para a construção de um outro mundo. Foi assim que Mario Monicelli, nessa pontuação 95 anos, atou a corda que nos permite saltar sobre o abismo da náusea da existência malograda – às vezes sem saber bem como, sem uma inteligentzia, mas sem lamentar e sem recapitular -, e entrar todos na composição da potência do desmedido e eterno cômico.

Valeu, companheiro Monicelli!

COMEÇA EM MANAUS A 5ª MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO SUL

Programação Manaus – De 29 de novembro a 05 de dezembro

Centro Cultural Palácio da Justiça – Av. Eduardo Ribeiro – Centro

www.cinedireitoshumanos.org.br

ENTRADA FRANCA

29/11 – SEGUNDA-FEIRA

19h – Sessão de Abertura

CARNAVAL DOS DEUSES – Tata Amaral (Brasil, 9 min, 2010, fic)

MEU COMPANHEIRO – Juan Darío Almagro (Argentina, 25 min, 2010, doc)

LEITE E FERRO – Claudia Priscilla (Brasil, 72 min, 2010, doc)

Classificação indicativa: 16 anos

30/11 – TERÇA-FEIRA

13h
A VERDADE SOTERRADA – Miguel Vassy (Uruguai/ Brasil, 56 min, 2009, doc)

ROSITA NÃO SE DESLOCA – Alessandro Acito, Leonardo Valderrama (Colômbia/ Itália, 52 min, 2009, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

15h
KAMCHATKA – Marcelo Piñeyro (Argentina/ Espanha/ Itália, 103 min, 2002, fic)

Classificação indicativa: livre

17h
A BATALHA DO CHILE II – O GOLPE DE ESTADO – Patricio Guzmán (Chile/ Cuba/ Venezuela/ França, 90 min, 1975, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

19h
VIDAS DESLOCADAS – João Marcelo Gomes (Brasil, 13 min, 2009, doc)

PERDÃO, MISTER FIEL – Jorge Oliveira (Brasil, 95 min, 2009, doc)

Classificação indicativa: 14 anos

01/12 – QUARTA-FEIRA

13h – Audiodescrição

AVÓS – Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic)

ALOHA – Paula Luana Maia, Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc)

CARRETO – Marília Hughes, Claudio Marques (Brasil, 12 min, 2009, fic)

EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO – Daniel Ribeiro (Brasil, 17 min, 2010, fic)

* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual.

Classificação indicativa: 12 anos

15h
HÉRCULES 56 – Silvio Da-Rin (Brasil, 94 min, 2006, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

17h
DIAS DE GREVE – Adirley Queirós (Brasil, 24 min, 2009, doc)

PARAÍSO – Héctor Gálvez (Peru/ Alemanha/ Espanha, 91 min, 2009, fic)

Classificação indicativa: 12 anos

19h
ABUTRES – Pablo Trapero (Argentina/ Chile/ França/ Coréia do Sul, 107 min, 2010, fic)

Classificação indicativa: 16 anos

02/12 – QUINTA-FEIRA

13h – Audiodescrição

PRA FRENTE BRASIL – Roberto Farias (Brasil, 105 min, 1982, fic)

* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual.

Classificação indicativa: 14 anos

15h
A CASA DOS MORTOS – Debora Diniz (Brasil, 24 min, 2009, doc)

CLAUDIA – Marcel Gonnet Wainmayer (Argentina, 76 min, 2010, doc)

Classificação indicativa: 14 anos

17h
ALOHA – Paula Luana Maia / Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc)

AVÓS – Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic)

CINEMA DE GUERRILHA – Evaldo Mocarzel (Brasil, 72 min, 2010, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

19h
GROELÂNDIA – Rafael Figueiredo (Brasil, 17 min, 2009, fic)

MUNDO ALAS – León Gieco, Fernando Molnar, Sebastián Schindel (Argentina, 89 min, 2009, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

03/12 – SEXTA-FEIRA

13h
ENSAIO DE CINEMA – Allan Ribeiro (Brasil, 15 min, 2009, fic)

108 – Renate Costa (Paraguai/ Espanha, 91 min, 2010, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

15h
VLADO, 30 ANOS DEPOIS – João Batista de Andrade (Brasil, 85 min, 2005, doc)

Classificação indicativa: 14 anos

17h
A HISTÓRIA OFICIAL – Luis Puenzo (Argentina, 114 min, 1985, fic)

Classificação indicativa: 12 anos

19h
XXY – Lúcia Puenzo (Argentina/ França/ Espanha, 86 min, 2006, fic)
Classificação indicativa: 16 anos

04/12 – SÁBADO

13h
MÃOS DE OUTUBRO – Vitor Souza Lima (Brasil, 20 min, 2009, doc)
JURUNA, O ESPÍRITO DA FLORESTA – Armando Lacerda (Brasil, 86 min, 2009, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

15h
HALO – Martín Klein (Uruguai, 4 min, 2009, fic)

ANDRÉS NÃO QUER DORMIR A SESTA – Daniel Bustamante (Argentina, 108 min, 2009, fic)

Classificação indicativa: 12 anos

17h
MARIBEL – Yerko Ravlic (Chile, 18 min, 2009, fic)

O QUARTO DE LEO – Enrique Buchichio (Uruguai/ Argentina, 95 min, 2009, fic)

Classificação indicativa: 14 anos

19h
O FILHO DA NOIVA – Juan José Campanella (Argentina/ Espanha, 124 min, 2001, fic)

Classificação indicativa: livre

05/12 – DOMINGO

13h
DOIS MUNDOS – Thereza Jessouroun (Brasil, 15 min, 2009, doc)

AMÉRICA TEM ALMA – Carlos Azpurua (Bolívia/ Venezuela, 70 min, 2009, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

15h
CARRETO – Marília Hughes, Claudio Marques (Brasil, 12 min, 2009, fic)

BAILÃO – Marcelo Caetano (Brasil, 17 min, 2009, doc)

DEFENSA 1464 – David Rubio (Equador/ Argentina, 68 min, 2010, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

17h
O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS – Cao Hamburger (Brasil, 110 min, 2006, fic)

Classificação indicativa: 10 anos

19h
EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO – Daniel Ribeiro (Brasil, 17 min, 2010, fic)

IMAGEM FINAL – Andrés Habegger (Argentina, 94 min, 2008, doc)

Classificação indicativa: 12 anos

* O formato de exibição dos filmes é DVCAM.

“LULA, O FILHO DO BRASIL”, FOI ESCOLHIDO PARA CONCORRER COM OUTROS FILMES ESTRANGEIROS PARA IR AO OSCAR

Por unanimidade, o júri escolheu o filme de Fábio Barreto, Lula, o Filho do Brasil, como a película que vai representar o Brasil na disputa com outros filmes estrangeiros para ver quem vai representar seu país na categoria filme estrangeiro no Oscar do ano de 2011, que acontecerá em 27 de fevereiro. A divulgação dos filmes que irão concorrer ocorrerá no dia 25 de janeiro.

O júri, composto por nove pessoas, que divulgou o resultado na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, teve quatro membros da Academia Brasileira de Cinema, uma instituição da sociedade civil, dois membros da Agência Nacional de Cinema (Ancine), dois indicados pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e um indicado pelo gabinete do ministro da Cultura.

Falando sobre a escolha do filme Lula, o Filho do Brasil, o cineasta Roberto Farias, presidente da Academia Brasileira de Cinema, disse: “Nossa posição não tem nenhuma ligação política. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida.”

O filme tem grandes chances, o Brasil está em momento de visibilidade internacional. Isso vai somar e o Oscar gosta disso. A gente está num momento em que estão interessados em nosso país.

Temos um filme emotivo, bem construído dramaticamente, no estilo em que os americanos compreendem. Acho que eles podem se interessar. Temos grandes esperanças de concorrer e ganhar”, afirmou o secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, Newton Cannito.

BENÍCIO DEL TORO COM MST, LULA E DILMA

Afetuoso, alegre e muito falante, o ator de cinema Benício Del Toro, nascido em Porto Rico, acompanhado pelo escritor Fernando Moraes, visitou o acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e aceitou o convite de João Pedro Stédile para plantar um jambeiro na companhia da atriz e contadora de história Priscila Camargo, também militante do Movimento Humanos Direitos.

O sonho de Che está vivo aqui”, afirmou Del Toro, no momento em visitava a Escola Nacional Florestan Fernandes, em conversa com estudantes e militantes latinos americanos. Um centro que é mantido pelo MST, em Guararema, São Paulo. Enquanto falava sobre militância e sua preparação para fazer o filme Che, Del Toro disse que tem planos para fazer um filme sobre o MST.

Nesse processo pude voltar às minhas origens. Descobri que, como todos aqui, tenho muito de Che”. Dizendo que quando olha as fotos de Che chega a acreditar que são primos, arrancou gargalhadas dos presentes.

Nessa sua terceira viagem ao Brasil, Benício Del Toro vai encontrar-se com cineastas brasileiros para falar sobre o cinema brasileiro, como também suas realizações. Fã de Lula, Del Toro tem encontro marcado com o presidente que sua popularidade junto ao povo se assemelha ao seu entendimento de democracia necessária para América Latina. O mesmo pensa da candidata Dilma, candidata de Lula, que poderá dar continuidade ao projeto da democracia popular, com quem também irá se encontrar.

CINEASTA OLIVER STONE GRAVA VÍDEO PARA DILMA

Olive Stone e Dilma

O cinegrafista engajado no cinema e documentário político, o norte-americano Oliver Stone, autor de filmes como Platoon, Nascido em 4 de julho, JFK, além de documentários como o do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, lançado na semana passada, aproveitou sua estada no Brasil, e sua amizade com o presidente Lula, e sua admiração pela candidata do governo, Dilma Rousseff, e gravou um vídeo para a campanha política dessa mulher de “mente brilhante”, como afirmou.

Oliver Stone não poupou adjetivos qualificadores da pessoa de Dilma. Aproveitou sua ligação política e a admiração por Lula para afirmar: “Ela é dedicada ao desenvolvimento e continuidade do projeto Lula.”

Sem sequer lembrar da inveja da direita, que cultua um ódio biliar contra todas as personagens famosas que se aproximam de Lula, Stone esbanjou reconhecimento de grandeza sobre Dilma: “Muito inteligente, mente brilhante, focada, sabe tudo de energia e economia”, disse.

Stone aproveitou para comentar a participação de seu amigo Lula na política exterior referente ao Irã e seu programa de energia nuclear que redundou no acordo entre o Brasil, a Turquia e o próprio Irã.

A situação do Irã poderia se tornar outro caso como o Iraque. Me parece que os Estados Unidos estão interessados em outra marcha para a guerra. Eu adoro o que o Lula e o Brasil estão fazendo”, sentenciou.

Até nesse encontro de Dilma com o cineasta Oliver Stone se percebe com clareza a diferença dela para os outros candidatos da direita, Marina e Serra. Enquanto Dilma se envolve com um cineasta respeitado por sua obra e sua posição política em luta pela liberdade internacional dos povos oprimidos, Marina e Serra se envolvem com o produtor de filmes virtuais que fragmentam a percepção e capturam a inteligência do público, James Cameron. O produtor de filmes vazios desativados do real.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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