Archive for the 'Candomblé' Category



Assista o vídeo de apresentação do Curso On-line Clãs Ciganos na Umbanda

OFERENDAS E BARQUINHAS PARA IEMANJÁ POR UM BOM ANO NOVO

As margens deste novo ano em uma bela noite se reuniram na Prainha da Ponta Negra diversas famílias, frequentadores das religiões afro e simpatizantes para fazer oferendas para a rainha das águas Iemanjá e a dona das aguas doces Mamãe Oxum.

Eu fui na beira da praia pra ver
O balanço do mar
Eu vi o retrato da areia
Me lembrei da sereia
Começei a chamar

O Janaina vem ver, O Janaina vem cá
Receber estas flores
Eu vim lhe ofertar!

As barquinhas repletas de flores e oferendas tomaram a areia enquanto se cantava e faziam as homenagens a Iemanjá. Em toda a praia as famílias e religiosos agradeciam as bençãos recebidas e pediam um novo ano de bastante realizações.

Vindo se juntar aos presentes diversas entidades espirituais afro como caboco, preto velho, ciganas, erês para também fazer oferendas para Iemanjá e trazer axé para o este mundo e mensagens de novo ano.

A cigana Rosa da linhagem deAngola deixou uma mensagem para todos os praticantes da religião afro.

Na lua de hoje, eu Cigana Rosa, rainha dos ciganos não está aqui como exú, está aqui como ciganas na qual fizemos esta mesa com ajuda dos filhos para trazer fartura, caminhos abertos, pra felicidade e pros amores que é o que se tá faltando neste mundo de pecado, no mundo da religião. Pai de santo quer ser melhor que pai de santo, casa de santo quer ser melhor que outra casa e isto não existe. Espirito nenhum é melhor o problema é a mentalidade dos filhos, e este é o nosso pensamento de cigana aça pedinto isto: paz, felicidade e união. Por que a união faz a força; uma corrente quando se quebra um elo não se tem força. E é isto que nós invisíveis, pé-de-vento cobramos deste povo do santo ultimamente. União, fé e humildade por que a humildade e a fé está acima de tudo. Não existe religião, candomblé sem fé, humildade e união.

Caminhando pela Prainha encontramos Pai Anderson que estava junto com alguns outros trazendo algumas oferendas e cantando em seus pontos para Iemanjá o desejo de muito axé para todos .

Olha o navio é negreiro nas ondas do mar

Vamos Saravá nossa mãe Iemanjá

Azul e Branco minha mãe é a cor do céu

Aí quem me dera senhora mãe o seu lindo véu 

“Odoya Odocia minha mãe abençoe todos seus filhos com esta água pura e cristalina assim tirando a impureza deste mundo, a malevolência, a perseguições dos inimigos carnais e espirituais. Odoya mãe Iemanjá, venha trazer paz espiritual para todos. Traga realizações a todos”

Nosso bloguinho conheceu Pai Belmiro de Oxossi que realizou uma portentosa oferenda para sua mãe Oxum e pedindo um ano própero.

Ogum mora na lua

Xangô lá na pedreira

Oxossi na mata virgem

Mamãe Oxum na cachoeira

“Hoje fizemos uma homenagem a minha senhora Oxum Iapondá que é dona das águas doces. Nós festejamos todos os anos Iemanjá, mas na verdade nossa referência tem que ser a Oxum que é dona de nossas águas. Mas como já é tradição trazemos um presente pra Iemanjá, um pra Oxum que é a minha mãe pedindo prosperidade, caminhos abertos, sorte, que ela nos traga paz para o Mundo”

Encontramos também as entidades ligadas ao mar como o seu Joãozinho que também dançaram, cantaram pontos para  e fizeram oferendas a Rainha das águas Janaina.

Eu quero ver quem vem.

Eu quero ver quem é.

Eu quero ver caboco bom.

É no balanço da maré.

Ela não tem medo de andar no mar

Ela só tem medo senhor meu pai

Desta barca virar.

Oh que barco tão lindo que vem

Sobre as ondas do mar  

Ele traz as vibrações de nossa

Mãe Yemanjá    

Yemanjá ,Yemanjá

Ela é a rainha do mar

A beleza da festa continou durante toda a noite com uma grande diversidade de grupos ligados a religiões afros e outros simpatizantes que se uniram em pedir um novo ano melhor.

Caboca Mariana que também estava presente, na cabeça de Mãe Valkíria, deixou uma mensagem de fé e axé para  o mundo inteiro.

“Que este ano que faz 2012 ilumine a gente o caminho dos pecadores, que dê muitos anos de vida, que traga muito axé, muita prosperidade,  muita paz e compreensão, que é o que o povo não tá tendo no mundo do pecado. Nós cabocos estamos oferecendo nossas oferendas e pedindo muita paz e que este ano seja de muito axé, axé e axé. Nós pedimos isto por que todos estes anos que nós passamos foi muita tragédia no mundo do pecado, muita violência. Eu, Caboca Mariana deixo um voto aos pecadores que pecam a Deus que busquem primeiro a Deus, que o resto a gente leva aqui em baixo. E também pedir muita paz, prosperidade, caminhos abertos, muito axé, dinheiro.”

Pai Geovano de Oxagiã também estava presente com os filhos de sua casa e recebeu diversos cabocos. Com muito entusiasmo e vibrações os ogans levaram os pontos nos tambores e atabaques que eram entoados por todos da casa que se refestelavam na alegria de Iemanjá.

Até que no alto da festa recebeu o caboco Sibamba que sempre com sua alegria e bom humor também conversou que este bloguinho sobre o próximo ano.

Este ano que vem vai ser de muita confusão, de muita falsidade, de um se jogando pro outro pra ser a mesma merda. As crianças vão tentar passar um doce, um bom pro povo, pros políticos, principalmente pra estes safados. O Amazonas está fudido por todo mundo. Quem manda ser burro e fuder o Amazonas assim. Mas vai ter muita coisa boa, mas também tem bastante coisa ruim que o povo faz. Quase tudo vai dar certo se o povo saber quem escolhe os políticos e se eles souberem escolher tudo vai dar certo. A política é que nem amor: se você souber escolher com certeza vai certo. Caboco Sibamba

 E pela madrugada as barquinhas foram sendo trazidas ou arrastadas para o rio e entrege a Iemanjá como gratidão e pedido por um ano melhor

Joguei minha barca n’água
Eu quero ver navegar
Peço licença primeiro
A Nossa Mãe Iemanjá.
Oh, Iemanjá! Oh, Iemanjá!
Quem manda nas ondas d’água

Sibamba também abençoou os presentes com seus banhos e com chapagne para passar um ano bom de muitas realizações, e muito axé

E a festa continuou durante a madrugada toda com diversos cantos à Iemanjá, mas também aos invisíveis cabocos, preto-velhos e ciganas, para que este novo ano seja construtor de novas formas de existência na transformação do mundo.


Sentinela das águas do mar
A mãe d’água mandou avisar
Que hoje não pode pescar
Pois hoje tem festa no mar

Iemanja ela é a rainha do mar

No mar tem flores

 Tem rosário de Nossa Senhora 

Aroeira de São Benedito 

Cabocla Herondina, chegou nesta hora

Oh embala, embala, embalaô, cabocla Herundina embala se só,

Ela embala se na rede cipó,


Ela não tem amor na terra,

Ela não tem por quem chorar,

A sua mãe foi muito ingrata,

Atirou-lhe em alto mar

PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ FAZ PRE-VISÕES PARA 2012

Estivemos ontem junto de Pai Geovano de Oxaguiã que atendeu a equipe da Afin para fazer as previsões para o ano vindouro através dos búzios. Um ano de muitas mudanças e algumas surpresas para alguns. Mas um ano novo com vários acasos para todos. Oxalá 2012.

A REGÊNCIA DO ANO

A regência do ano começa com os erês e quem vai receber o ano são as crianças. Passando para Oxalá ou na forma Oxaguiã ou Oxalufã e no final do ano entregando a Oxum. Por isso que muitas concretizações vão ser ruins de serem feitas  no começo, vai se tornar uma brincadeira para as pessoas que tem responsabilidade e vão levar as coisas muito assim a la vonté por que as crianças vão estar regendo no começo do ano, no meio do ano Oxalá rege e passando pra Oxum no fim do ano. Estes são os orixás que vão reger neste ano de 2012.

AS ELEIÇÕES DE 2012

Haverá uma grande mudança na política do Amazonas, mudança pra melhor mas as caras vão ser quase as mesmas só que com tendência a melhor. Os políticos estão caindo na real e parece que este ano vai ser um ano de eleições limpas, de uma moral digna pra todos, principalmente para os políticos. Uma eles estão visando outra coisa, algo maior e a política vai ser boa. Vai ter mudanças radicais aqui no Amazonas, as caras a gente já conhece, vão sair de um partido pra outro, alguns vão se reeleger de novo e outros políticos vão trocar de cargo ou coisa deste gênero.Na prefeitura há mudança sim. Tem candidatos que vão querer se recandidatar de novo e vão perder. Há mudanças boas e o que já temos vai ficar melhor. Não vejo uma mudança radical na prefeitura.

AS OLIMPÍADAS

As Olimpiadas deste ano que vêm vai ser boa, mas não como as pessoas esperam. Haverá muita decepção no atletismo amazonense, há muita decadência e sem apoio de quase nada. Então a expectativa que as pessoas querem não vai ter, vai ser bem notável que os atletas precisam de ajuda, e o Amazonas precisa de ajuda neste contexto. Vai ter bons resultados, mas não com a perspectiva que esperam.

O PELADÃO BRASILEIRO

O futebol brasileiro vai continuar em decadência; cada ano que passa torna-se decadente, os outros países se destacam visivelmente à frente do Brasil que era uma potência futebolística. Vejo que o futebol continua só financeiramente deixando os jogadores ricos sem fazerem quase nada. E o titulo de campeão olímpico de futebol não virá. E continuará na decadência se as pessoas não se tocarem que o esporte é um divertimento, um lazer, um amor e não uma máquina de fazer dinheiro, uma máquina de exploração financeiro.

AS MULHERES

As mulheres este ano vão estar em destaque, mas não de crédito bom. Vai ser um ano de pouca perspectiva para mulheres, e mais voltado para os homens. Vai acontecer muitas coisas boas para algumas outra vão cair como manga madura do pé. O ano para presidente Dilma vai ser difícil e não vai ser bom, vai ser um governo de muitas críticas e reclamações.

AS RELIGIÕES AFROBRASILEIRAS

A questão das religiões afrobrasileiras se estabilizou. Foram anos que vencidas etapas significantes, mas no momento vão se estabilizar. Vamos ter dentro da religião vitórias importantíssimas, mas também haverão derrotas significantes. É um ano de renovação e pra nossa religião afro vai caminhar lento. A perspectiva que vemos é esperar e aguardar que as pessoas entendam que religião é religião seja ela católica, afro, ameríndios, então é muita consciência que as pessoas ainda não tem para mudar. Mas a força de Oxalá há de conseguir.

DAS MORTES

Neste ano que vem os políticos pode se esbanjar de energia por que este ano vai morrer poucos políticos. Para os atores, atrizes e o pessoal da sociedade alta tem uma baixa muito pouca, morrendo pouca gente. Pelo contrário vai ser um ano de reiniciação para atores, atrizes, cantores principalmente, vai surgir bastante. Não vejo muitas mortes de alguém muito famoso, vejo sim bastante doenças, mas poucas mortes.

A CIDADE DE MANAUS

Realmente estaremos em um ano de renovação, de crescimento e Manaus e parece que neste ano as coisas vão alavancar e incrementar uma nova diretriz pra Manaus. Manaus no ano que vem vai estar mais bonita, mais forte, com um Pólo Industrial mais firme, empregos bons e melhores e esta é a previsão que tenho pra Manaus.

AFIN

O que precisa neste próximo ano pra Afin  é uma boa diretriz, um bom ponto de vista que tem de vir calçado de inteligência e força de vontade. As vezes não se precisa só da força de vontade, a inteligência tem de vir junto. Isto que está deixando a faltar, o que alguns tem não estão querendo dividir com o outro e aí que enfraquece o elo de amizade e de força da própria instituição. A previsão que faço pra Afin é que vai demorar um pouco mais de tempo pra se tornar algo forte, uma coisa concreta, é muito sonho para vocês. Mas vai se tornar realidade por que tem coisas boas vindo pra afin  que vai surpreender vocês.


A ABERTURA DO ILÈ MAROKETÙ BABA MI ASÈ POSSÙN

fotoClique nas imagens.

E os cultos afro em Manaus estão cada vez mais bem representados, principalmente agora que babá mi Jefferson ti Òsáàguíán, realizou a esperada abertura de seu Ilè Maroketù Babá Mi Asè Possùn, a mais nova casa de Candomblé e Umbanda da cidade.

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Residindo em São Paulo, tendo já vários filhos na casa de sua mãe, Pai Jefferson construiu em Manaus amizade com outros axés da cidade, como a casa de Mãe Isabel Oyá, onde outra vez realizou uma festa para Xangô, e a casa de Pai Frank de Obaluaê, entre outras. Finalmente ele veio fazer o assentamento de sua casa para engrandecer ainda mais a comunidade do santo manauense e brasileira.
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Descendente de uma linhagem nobre dentro do santo, Pai Jefferson é neto de Mãe Minininha do Cantuá. A mãe de santo dele, Mãe Juju, é filha carnal do Babá Tobé Nezinho do Portão, o homem que dava comida à Insã de Mãe Minininha. Foi também Pai Nezinho do Portão que abriu o terreiro da conhecida Mãe Cacho e, em São Paulo, o Ilê Maroketù Oxum, de Mãe Juju. Agora Pai Jefferson aumenta a família do Cantuá e do Moritiba.
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Pai Jefferson explica que embora ele more oficialmente em São Paulo, a casa vai ficar aberta não apenas para o Candomblé, e que serão feitas outras atividades e obrigações regulares no Maroketù. E apresentou como padrinho de axé da casa seu Aloizio, o famoso Pai Lulu, que ficará responsável pela casa em sua ausência e que presidirá os rituais de Umbanda.


Agora que a casa foi aberta, eu tomei uma providência, porque eu moro em São Paulo, mas a casa tem que ficar aberta para outros trabalhos, e não só quando eu estiver aqui. A casa tem que tocar pro seus catiços, seus encantados, seus guias, quem eles quiserem chamar. Então meus filhos poderão tocar aqui quando quiserem e o tempo que quiserem. Então eu chamei uma pessoa, Pai Lulu, que é pai carnal da Jacqueline aqui, para que quando vocês ouvirem dizer que o meu terreiro tocou sem minha presença, é porque tem um padrinho, que eu estou dando autorização pra ele. Ele vai tocar Umbanda nesta casa quando eu não estiver, e eu vou tocar Candomblé quando eu estiver.

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Então alguém pode dizer que o Xandeco tá batendo o tambor aqui. Não. O responsável é esse senhor aqui que todos sabem que tem muitos e muitos anos de Umbanda. A mãe carnal dele já era da Umbanda. Algumas pessoas que foram na casa dela me falaram do respeito que esse senhor tem e a mediunidade bonita que ele tem. Isso é muito bonito, porque se nós do Candomblé tivéssemos o axé que a Umbanda tem, pelo menos lá em São Paulo, isso já seria uma vitória. Não seria essa briga de igreja que há com a gente. Então esse senhor vai poder tocar quando ele quiser, e fazer as obrigações que ele quiser dentro da Umbanda.”
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E o Moroketù já começa com a obrigação de três filhos de santo de Pai Jefferson e mais a saída de dois filhos novos. Bem humorado e bom conversador, o babalorixá falou das singularidades dessas saídas.

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Temos aqui cinco yaôs para esta casa. Fui eu que os fiz. Então, eles irão poder dizer que são filhos de Jefferson ti Òsáàguíán. Jacqueline aqui foi feita na casa de um outro pai de santo daqui, mas hoje é ekédji do meu Òsáàguíán. Algumas pessoas aqui me perguntaram, quando eu disse que esse filho dela aqui era “abíasè”. “Abíasè” é quem nasce dentro do roncó. Está aqui esse menino, filho dela. Graças a Deus eu tenho tempo para fazer isso e idade. Ele se chama Vinicius e tem três anos de idade. A idade dele é a idade dele no santo. A Jaqueline recolheu-se grávida.
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Alexandre, mais conhecido como Xandeco, todo mundo conhece aqui. Foi feito aqui em Manaus. Foi feito yaô, mas sem o santo baixar na cabeça dele. Foi pra São Paulo, achou um pai de santo mais abusado. Trouxe o santo à cabeça dele. Fui eu. Ele está fazendo três anos. E, graças a Deus, por opção dele, ele tá respeitando a idade dele como yaô. E vai continuar como um yaô até tomar o ‘odu igé’ (sete anos) dele.”
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Além destas três obrigações, houve também as saídas dos yaôs dofonitinho Roberto de Oxóssi e dofono Afrânio de Ogum. Quando estava levando os yaôs para a primeira saída, Pai Jefferson falou que seus orixás saíam acordados, e citou vários exemplos. Depois o ogan Betinho de Oxalá, axogun do Maroketù (foto acima), explicou-nos com mais detalhes esse procedimento.

No terreiro de Pai Nezinho, assim como no Axé Cantuá, no Axé Moritiba não se tira o yaô logo de saída incorporado, porque a gente acredita que nasce a pessoa e não o orixá. O orixá já existia há nove mil anos antes de Cristo. O orixá está apenas nascendo para a pessoa, mas ele já existe, você só tira da natureza. Então o yaô sai acordado, como axé régi, dança todo o ‘xirê’ acordado, quando chega na hora de dançar pra Xangô, que é o rei, que tem a coroa e que trouxe os demais orixás do ‘orun’ (céu) para o ‘ayê’ (terra), através do baobá, a árvore sagrada. Então o orixá vira em Xangô justamente por isso. Então, sai acordado, dança o xirê inteiro acordado, quando chega na hora de dançar pra Xangô, é que o orixá vem e chega no yaô, que sai então para dar o oruncó, e depois sai para o ‘run’.”

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Então foram escolhidos os padrinhos dos yaôs, que os levaram para revelar o oruncó. Dessa parte, Pai Jefferson ordenou que não podíamos fotografar nem gravar, por isso só assistimos. Mas em seguida, devidamente paramentados, os orixás vieram para fazer suas apresentações de luxo, e já podíamos registrar suas grandiosidades.



Então o ogan Alex puxou o xirê enquanto, enquanto sua esposa, Lenita, tendo na cabeça a bela Oyá, fazia seus desenvolvimentos no salão, enquanto Mãe Isabel abençoava a alegria de seus filhos no salão.

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Em seguida, Omulù, na cabeça do já citado Xandeco, veio distribuir suas conchas, fazendo seu ritual de cura contra a doença e a morte e distribuir suas pipocas, suas bênçãos a todos os presentes.

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Tinha também Iemanjá, que, com todo seu esplendor e sabedoria, dançou no salão, recebendo as saudações dos presentes e estendendo suas bênçãos a todos.
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Finalmente, como não podia faltar numa magnífica festa como essa, a comida do santo foi distribuída e estava deliciosa, e assim a festa foi bonita até a madrugada…

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●●● ILÈ MAROKETÙ BABA MI ASÈ POSSÙN ●●●
– Bàbálórisá Jefferson ti Òsáàguíán –
Rua Rouxinol, nº 1040 – Campos Sales (Manaus-AM)
Tel: (92)9609-3636 // 8132-4446

ABERTURA DO ILÈ MAROKETÙ ASÈ POSSÙN – CONVITE

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PELA LIBERDADE DE CULTO ÀS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Seu doutorzinho quer que chame de doutor
Seu doutorzinho quer que chame de doutor
É duvidoso, cativeiro acabou
É duvidoso, cativeiro acabou
Branco sabe ler, também sabe escrever
Só não sabe dia em que morre
O preto é quem vai dizer!

Em memória ao Pai Francisco do Morro da Catita, com seu Umbandão pé no chão, que foi para o Orun no início desse ano.

Uma das principais questões hoje no Brasil, como ficou visível nas últimas eleições, é a defesa da liberdade religiosa, é a defesa constitucional do Estado laico que é o Brasil, onde se pode, segundo a lei, desde que não se ofenda a outrem, cultuar a religião que se quiser: Cristianismo, Budismo, Hinduísmo, Xamanismo, Agnosticismo, Espiritismo, Candomblé, Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô…

É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” (Constituição, Art 5º-VI)

Quem não quiser também estará livre para não cultuar nenhuma: Ateísmo. E há no Brasil até quem invente novas formas de religião a partir do que venha a ser religião e da importância de se cultuar uma religião. No emaranhado de interesses mesquinhos em que se consagram todos os sistemas de todas as eras, praticamente todas as religiões se jogam na busca pela Verdade, seja para auto-aperfeiçoamento, seja como direcionador de ações. Atualizemos filosoficamente a questão em Aldous Huxley, quando ele trata a religião como sendo um filtro para conhecimento da realidade, ou no sentido de “ver o íntimo das coisas”, como diz Nietzsche sobre a poesia. Assim, mesmo alguém que se diz ateu pode estar imbuído de religiosidade.

Que lindo! Poderíamos até dizer que foi assim que Jesus Cristo, o palestino, sonhou. Mas por que a intolerância gera tantos conflitos que até se gerou um leniente ditado que diz que “religião e política não se discute” quando, ao contrário, quando a religião sai da esfera do foro íntimo – crença individual – e adentra à esfera da coletividade – persuasão política -, tem-se que se discutir? Elementar: é que grande parte das religiões, principalmente as chamadas Grandes Religiões, se emaranharam a mesquinhos interesses. Por isso que, no Brasil, dentre as inúmeras formas de discriminação que constituem o racismo está a intolerância religiosa aos cultos afro.

Para se perceber as discrepâncias que daí resultam sobre as religiões afro, basta observar um fato ocorrido numa das escolas onde a AFIN, de quem este bloguinho é vetor virtualizante, foi fazer sua explanação com o tema que vai no título deste texto. Acontece que se um adepto de uma religião cristã procura uma escola, fato corriqueiro em Manaus, para “pregar a palavra do Senhor”, ninguém chega sequer a aventar uma falta de “interesse público”, como prevê a Constituição, de catequização religiosa em espaços públicos; agora se o pessoal da AFIN aparece com um pai de santo, e neste caso com “interesse público” comprovado, e sem catequização, mas sim discutir a autenticidade das religiões afro e desfazer certas estigmatizações, há professores que protestam e ameaçam se retirar. Daí se percebe que a laicidade do Estado não está sendo observada por parte de muitos cristãos.

Não fazemos aqui uma crítica ao Cristianismo em si, que acreditamos uma religião autêntica, mas à irracionalidade de adeptos individuais e de vis interesses que subvencionam essa religião desde pelo menos sua oficialização no Império Romano, quando tendências distintas, à época de Santo Agostinho, se engalfinhavam com palavras esdrúxulas, pedras e armas, até que uma dessas tendências prevaleceu pela força física mais do que ideológica ou de fé. Desde aí, passando pelas Cruzadas, pela Reforma Protestante, pela Contra Reforma, pela Caça às Bruxas, chegando até os dias atuais com a deprimente divisão do mundo entre Ocidente cristão e Oriente islâmico, vê-se uma epopeia sangrenta que pouco tem a ver com a simplicidade e ternura do filho de Maria.

Como o Cristianismo é a maior religião no Brasil, muitas igrejas e manifestações individuais demonizam outras religiões, julgando-as violentamente segundo seus dogmas irredutíveis. Em Manaus conhecemos budistas que se queixam do preconceito que sofrem. Quer dizer, não são apenas os cultos de matriz africana, mas como os adeptos dos cultos afro, tendo o Brasil nos negros uma das etnias de nossa formação, as condenações sumárias para estes é muito mais abundante e frequente, sabendo-se que só em Manaus há cerca de 3 mil lugares, entre terreiros, barracões e bancas, onde se cultua alguma religião de matriz africana.

Talvez isso não ocorra em todo o Brasil. Ouvimos seu Baianinho do Tambor de Mina, na cabeça de Pai Miguel de Vondoreji, do Terreiro da Fé em Deus, contar que no Maranhão há padres que rezam a missa e que depois vão ao terreiro e incorporam aí suas entidades. Mas em Manaus, e provavelmente em muitos outros lugares, a lista de estigmatizações é imensa. Semana passada ouvimos uma jovem dizer que “nos terreiros de macumba as pessoas bebem sangue”. É muito comum ouvirmos que os orixás, cabocos e voduns são demônios e que todos os macumbeiros vão para o inferno.

Com argumentos rápidos e certeiros, mesmo para nós deste bloguinho, que não somos diretamente adeptos dessas religiões nem antropólogos especializados, é fácil derrubar tais preconceitos aberrantes. Esses três anos de trabalho incansável, desde que num domingo à tarde baixamos no terreiro de Pai Jeovaņo de Ajagùnnọn, já nos levaram a entrar em contato com cerca de uns 100 terreiros e barracões e nos deram algumas informações necessárias para isso, ao que juntamos nossa filosofante vontade de amor e comunhão. “Os homens são diferentes, mas não desiguais, nem separados: são como os dedos da mão. Iká ko dogbá, os dedos não são iguais, diz um aforismo nagô”, declara o filósofo candomblecista Muniz Sodré.

Para começar, vulgarmente se utiliza a palavra “macumba” de forma pejorativa e generalizada. As pessoas que assim o fazem não sabem sequer que não existe apenas uma religião afro, mas diversas, entre elas o Candomblé, a Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô. Sem falar que os cultos afro congregam na verdade vários outros credos e entidades que não são propriamente de matriz africana, como as pombogiras, como os cabocos indígenas, o povo cigano, santos, anjos e até bruxas.

No Brasil, o caso mais curioso é a aproximação de santos católicos com orixás dos cultos afro, o que se denomina sincretismo. Como os escravos não tinham permissão para cultuar seus orixás, eles escondiam uma imagem deles entre os santos ou cultuavam algum santo que de alguma forma tinha característica que se aproximava de um orixá. Por exemplo, como a entidade por assim dizer maior católica era Jesus Cristo, então os negros relacionavam-no a Oxalá, seu orixá maior. Assim foi que Nossa Senhora da Conceição virou Oxum, São Sebastião virou Oxóssi, São Jorge virou Ogum, São Lázaro virou Obaluaê, Santa Bárbara virou Iansã e por aí vai.

Uma das maiores polêmicas ocorre na aproximação vulgarizada de Exu com o Diabo. Mas se percebe que essas aproximações são apenas providenciais; mas não, essenciais. Enquanto no Cristianismo o Diabo, o Satanás é tido como uma entidade terrível com a qual nenhum acordo deve ser feito, a não ser que se queira vender a alma ao capiroto, nos cultos afro Exu é o primeiro orixá a se louvar, sendo que é ele quem abre os bons caminhos e fecha a soleira da porta do barracão para o mau olhado. Hoje há também quem diga que Exu é na verdade o Espírito Santo. De qualquer modo, todos os adeptos dos cultos afro com os quais conversamos foram sempre unânimes de não levar a sério essa história de sincretismo, que, para eles mais auxiliaria na demonização de suas religiões, uma vez que prevaleceria, embora o Brasil sendo laico, a religião dominante.

Se observamos que uma religião como o Candomblé é muito mais antiga do que o Cristianismo, mais antiga até que o Judaísmo, e originada em uma outra realidade geográfico-política, como que ela poderia ser julgada por este? Só há uma forma: até hoje, muitos cristãos – não todos, claro – tendem a querer impor à força para as outras nações, para outras pessoas o seu credo como único e verdadeiro. Já houve muitos casos em que meios de comunicação usaram de truculência contra as religiões de matriz africana, e é por isso que existem hoje leis contra racismo e intolerância religiosa para punir as manifestações violentas e agressivas.

Em Manaus há entidades que lidam diretamente com a questão, como a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM), presidida pela querida Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, e a Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM), presidida por Pai Lairton da Oxum. A luta dessas entidades se faz também na medida de modernizar as práticas nos terreiros, como já explicou em entrevista neste bloguinho Pai Ribamar de Xangô, coordenador no Amazonas da Federação Nacional dos Cultos Afro-Brasileiros no Amazonas (FENACABI). Há ainda a Associação Movimento Orgulho Negro do Amazonas (AMONAM), presidida pelo companheiro Luiz Costa, que faz um trabalho diretamente nas escolas.

Mas há pessoas que, embora estando no “mais baixo grau de entendimento”, repetem estigmatizações ofensivos às religiões afro apenas por medo e falso misticismo, mas que merecem alguns argumentos que lhes faça abrir os olhos. “Ter os olhos abertos é derrubar as paredes divisórias das ditas raças, classes, crenças e conceitos. Apertar o Outro contra o coração como se fosse um membro de sua própria família é coisa digna só de gente” (Muniz Sodré).

Como já dissemos, as religiões afro congregam vários outros credos. E se há preconceitos de muitos cristãos contra as afro-religiões, não os há destas para com aqueles. “Agradeço a todos os orixás e a Nosso Senhor Jesus Cristo…”, é o que dizem praticamente todos os pais de santo. Em Manaus há vários centros que realizam festas católicas, mormente os que praticam Mina Jeje-Nagô, com direito a novenas, terços e cânticos hagiográficos. Transparece que o preconceito é mais arraigado entre os chamados evangélicos, mas também estes, além de não estarem acima das leis, devem aprender a con-viver com a diferença e perceber o Outro sem as barreiras extremistas do fanatismo.

Deixamos a melhor parte para o final. Como não somos adeptos, não estamos fazendo nenhum estudo antropológico sistemático, não ganhamos nada a não ser a bênção dos orixás, cabocos, voduns e outras entidades, uma pergunta sempre recorrente nos é colocada: “Você acreditam nisso?” O filósofo da Feira de Santana citado acima, numa entrevista de 2003, falando sobre Pierre Verger, explica que a palavra “acreditar” tem vários sentidos, entre eles “aceitar”, “confiar” e “dar crédito”. Um dos motivos que causam o medo que provoca o preconceito de muitos é o vigor das religiões afro e sua autenticidade. Para quem observou fotos e conversas que tivemos, alguém que nunca foi num terreiro, se souber olhar, verá uma pequeníssima demonstração de toda a beleza que vimos nessas noites inteiras acompanhando esses rituais. Sabe quanto conhecimento e ternura há numa conversa com um preto velho? Você já viu alguém mais alegre do que aquela pombogira? Onde já se viu cigana tão linda? Que harmonia no gingado das baianas! Tantos pontos, tantas rezas maravilhosas! E o que é para os ouvidos toda a musicalidade do tambor de mina? A voz daquele caboco lembra uma história que não foi contada pela História oficial…

O papel que nos propomos não é convencer ninguém, mas não nos repitam mais aquela pergunta tola. Lutar pela liberdade de culto às religiões afro-brasileiras é hoje no Brasil a principal luta contra o racismo e, ainda mais, é a defesa constitucional do Estado laico.

Nosso papel também não é convidar ninguém para ir ao terreiro, mas se quiser ir com certeza lá nos encontraremos, porque, livres de todos os medos e preconceitos, lá sempre nos sentiremos bem e completos de corpo e alma. Axé!

INAUGURAÇÃO DO ILÊ AXÉ ARAWÉ AJÚNSÚN NOS 14 ANOS DE PAI FRANK DE OBALUAÊ AJAGÚN

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Esta foi a festa ocorrida na inauguração do novo barracão de Pai Frank de Obaluaê Ajagún, o Ilê Axé Arawé Ajúnsun. Em Yourubá, da nação Ketu, “Ilê Axé” pode ser traduzido como “Casa de Força”, enquanto “Arawé” é o nome verdadeiro de Obaluaê, e “Ajúnsún” é um título que ele ganhou na África por ter vencido a morte. Significa “dorme e acorda”. “Obaluaê sempre vai acordar, sempre vai vencer a morte”, quem explica é Pai Frank, que também estava pagando sua obrigação de 14 anos de Candomblé.

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À frente dos trabalhos o reconhecido e respeitado Pai Ribamar de Xangô. Pai Frank agradece especialmente àquele que sempre esteve com ele: “Pai Ribamar é um homem que me deu muito axé. A mão desse homem me deu muito axé. Me tirou da rua. Quando eu cheguei na casa dele eu morava na rua. Então, saber que eu saí do nada e hoje sou dirigente de uma casa de santo dessas, isso é ter axé. E isso foi através de meu pai e de Obaluaê. Eu acho muito importante ter começado com ele e está até hoje com ele. E vou fazer com ele meus 21 anos. Vê-lo hoje nesta casa é muito gratificante.”

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Já Pai Ribamar, fez, com emoção, os agradecimentos e boas-vindas aos que estavam na Casa de Obaluaê: “Ogans, ekédis, babalorixás, toda a comunidade do candomblé, boa noite! Muito obrigado pela presença de todos! Todos aqui me conhecem. Sou Pai Ribamar de Xangô e estou aqui para realizar a obrigação do Pai Frank de Obaluaê, que por mim foi raspado, ocultado, catulado, levado pra sala pra dar o nome, rodado na sala. Eu estou aqui na festa dele de 14 anos e espero também estar presente na de 21 anos, principalmente que eu já estou com 75 anos de idade. Peço a Deus e todos os orixás muito axé, muita paz, muita saúde, muita prosperidade para todos os adeptos do culto afro-brasileiro. O momento é de alegria, satisfação e paz a todos, porque Deus abençoa a todos nós. Que Xangô, patrono do nosso axé, dono da minha cabeça, Oxaguiã, nosso pai, que nos ilumine, que nos dê força e prosperidade. Axé para todos!”

Acima, Pai Lairton de Oxum e, á esquerda, Ekédi Silvana de Obá, segundo Pai Frank, uma grande amiga, juntamente com Marcos de Odé, filho de Coifá.

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A sempterna elegância de Pai Raul da Oxum, juntamente ao Ogan Alessandro de Ogum e Ogan William de Oxalufã.

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Tivemos uma grande e importante conversa com Pai Frank sobre essa maravilhosa festa, à qual deitamos aqui para os adeptos e simpatizantes dos cultos afro apreciar a beleza das imagens e a sabedoria desse jovem, mas já experiente babalorixá.

Fiquei muito contente com todas as pessoas que vieram, meus irmãos de santo, outros sacerdotes que vieram, o próprio Obaluaê que veio em minha cabeça. Pela primeira vez em Manaus Obaluaê se vestiu, trazendo a qualidade dele, Ajagun, que é seu traje de guerreiro. As pessoas só veem Obaluaê como aquele que vem pra curar, e que também traz a doença, porque ele é muito rígido, castigador, é muito temido por todos nós, mas ele também é um guerreiro, e traz o luxo dele, porque Obaluaê é um dos orixás mais ricos, se não o mais, da nossa religião. Então nós trouxemos ele como ele deve ser tratado, como um rei, um guerreiro que luta pelos filhos, pra todos.

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Aqui a Dofona Lenita de Oyá (á direita), junto a uma irmã de santo e Mãe Isabel de Oyã. Pessoas importantes, influentes e respeitadas dentro da religião, e que Pai Frank diz ter se sentido muito satisfeito e orgulhoso com suas presenças.

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Eu escutei comentários de alguns irmãos de santo, do meu pai, que é um dos babalorixás mais conceituados no Amazonas, reconhecido em outros estados, como Bahia e Rio de Janeiro, que Obaluaê estava muito bem vestido. Porque muita gente veste Obaluaê com um pouquinho de palha aqui, um pouquinho ali e está bom. Eu peço que dá para o orixá é bom, porque receber dele é melhor ainda. A casa de Obaluaê tá bonita, e é porque nós ainda não finalizamos ela. Nós ainda temos mais coisas a fazer, por ordem dele mesmo, pois ele dirige a casa dele, manda as mensagens. Nós hoje pertencemos à família Opô Afonjá e consultamos o orixá pra tudo. Nada em uma casa de orixá, principalmente nessa casa, é feito sem autorização dele. As pinturas, os detalhes nas paredes, o que vai ser feito ainda lá em cima. Tudo é por ordem dele.

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Se você observa, não há um lugar pra ser humano morar. Tudo é dele. Acabam-se os rituais, a Casa de Obaluaê é fechada por fora e só é aberta às segundas-feiras e quartas-feiras pra consultas com outras entidades, para o comparecimento do público. No restante dos dias fica fechada, a não ser se Obaluaê ordenar alguma obrigação no sábado e domingo. Foi Obaluaê que fez a casa dele de um modo que eu realmente não esperava. Ele me mostrou o que ele queria, e ele pode, e ele fez. Foram seis meses sacrificantes, mas valeu muito a pena. O importante de tudo é que Obaluaê veio, mostrou pra todos a história dele através das rezas que meu pai Ribamar entoou, meus amigos, como o ogan Alex de Oxaguiã, que é do terreiro da Mãe Isabel.

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O Candomblé tem que ser isso. União. Não interessa de que casa você é, de que nação você é, de que orixá você é. O que interessa é que nós nos reunimos para louvar o orixá. É assim que deve ser. É o que nós tentamos fazer na Casa de Obaluaê, tentando que as outras casas que venham sejam muito bem recebidas, se sentirem bem com o orixá, com a gente. Mostrar que o Candomblé é uma religião e fazer valer a palavra, porque religião significa re-ligar. Nos ligar ao que está lá em cima, maior que a gente, mas também nos liga aqui em baixo para que os orixás fiquem satisfeitos conosco. Eu sou meio exagerado em vestir Obaluaê, mas se colocar só uma palhinha nele ele também fica satisfeito, desde que seja com amor e devoção.

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A incansável pequena Ekédi Cassiana de Oyá, sobrinha carnal de Pai Frank, puxa a entrada do ponto central do ritual.

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O Ogan Alex de Oxalá, filho de Mãe Isabel de Oyá, que também é da família Opô Afonjá e, na hierarquia do Candomblé, é tio de santo de Pai Frank, sendo irmão de santo de Pai Ribamar. Segundo Pai Frank, uma pessoa muito especial, de muito entendimento e luta pela religião. Alex assumiu com energia uma parte do ritual.

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Obaluaê é um orixá daomeano. Ele não é da Nigéria. Ele é da família de Famã. Ele é filho de Nanã e irmão de Oxumaré. Como ele nasceu com doença de pele, Nanã abandonou ele na praia. Os caranguejos vieram e morderam, machucaram a pele dele. Iemanjá, compadecida, criou ele e curou ele com mel e pipoca. Iemanjá criou ele, mas ensinou ele a amar também a sua mãe biológica. Então ele cresceu amando as duas, tanto Iemanjá quanto Nanã. E como ele aprendeu a se curar, ele passou a dominar todas as outras doenças. Tanto ele tem o poder de causar essas doenças, como de curá-las. Obaluaê é o médico dos pobres. Obaluaê é humilde. A representação dele é o sol. Aquelas palhas não são mais pra esconder perebas, feridas, mas sim para esconder o brilho do sol, porque reza a lenda que ele é o próprio sol, e, portanto, brilha tanto. Se a gente ficar olhando muito pro sol a gente fica cego, a mesma coisa Obaluaê.

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Ritual da morte. O ogan Marcos de Oxóssi cobre Obaluaê com um alá branco. Depois ele volta da morte, esticando o nome Ajúnsún, mostrando o poder dele sobre a morte.

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Ao final Pai Frank agradeceu a todas as pessoas que compareceram, aos filhos da casa e também a este bloguinho.

Eu agradeço a todos que vieram, porque pra mim fazer esse Candomblé foi um presente vindo do Orun pra mim. Obaluaê é nosso Pai, independente de qualquer casa, independente de que nação, de que cor ou posição social, Obaluaê vai estar sempre com todos nós.

Agradeço também ao Afinsophia. Afinsophia é o nosso búzio virtual, por onde passa mensagem pra todo mundo, pra que todo mundo saiba que existe Candomblé dentro de Manaus de qualidade, de respeito, de amor, e, principalmente, Candomblés luxuosos.

Eu agradeço a todos os meus filhos de santo, à minha mãe carnal, que não é da religião, mas me ajudou em todos os momentos. A todos que me auxiliaram, não tinha hora, não tinha dia. E a Casa de Obaluaê está aberta pra todos. Não só a minha casa, mas todas as casas de santo estão aí abertas para serem visitadas.”

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●●● ILÊ AXÉ ARAWÉ AJÚNSÚN ●●●
Pai Frank de Obaluaê Ajagún
Rua 26, nº 78 — São José II, Etapa B (Manaus-AM)
Telefone: (92) 9119-4364
E-mail: baba_frank@hotmail.com

USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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