Archive for the 'Candomblé' Category



SAUDAÇÕES MANAUENSES A IEMANJÁ PELO NOVO ANO

Joguei minha barca n’água

Eu quero ver navegar

Peço licença primeiro

A Nossa Mãe Iemanjá

Oh, Iemanjá! Oh, Iemanjá!

Quem manda nas ondas d’água

É Iemanjá…

Saudação a Iemanjá 01 por você.

Todos os anos os adeptos das religiões de matrizes africanas, em manifestações individuais ou acompanhados de seu ilê, assim como diversos populares em suas históricas crenças tradicionais sincréticas, vão à Ponta Negra para deitar barquinhas e demais oferendas à mãe de todos os orixás. Iemanjá. Odoyá!

Saudação a Iemanjá 02 por você.

Acima, Mãe Sandra de Iemanjá e Mãe Dóris de Oxum e seus filhos numa bonita homenagem à rainha das águas. As mães deixaram seus desejos para todas as pessoas de Manô:

Iemanjá é a mãe de todas as cabeças, mãe de todos os orixás, mãe dos 16 santos, e na passagem do ano a gente costuma fazer oferenda pra ela com milho branco, arroz, pescada, camarão, azeite, mel. E a gente espera o quê? Prosperidade, fartura, saúde, porque ela é mãe de todos os orixás e mãe senhora dos filhos peixes. Eu sou filha de Alexandre de Iemanjá, do bairro de São José e desejo para o meu pai e para todos os meus irmãos, e para  todos os irmãos de todas as casas muitas felicidades, muito axé para todos.” (Mãe Sandra de Iemanjá)

Saudação a Iemanjá 05 por você.

No momento eu estou na minha casa e não tenho nenhum zelador de santo, mas que Iemanjá nos traga fartura, dinheiro, amor, nos traga muita saúde no ano de 2010.” (Mãe Dóris de Oxum)

Saudação a Iemanjá 04 por você.

Como as religiões afro, assim como as manifestações populares autênticas, são livres de preconceitos e discriminações, a Moçada Mundo Gay comparece para agradecer às bençãos recebidas e falar sobre seus desejos para a Grande Mãe de todos, que não faz distinção de raça, sexo, religião, etc. E olha as lindas moças na areia da praia!

Saudação a Iemanjá 06 por você.

Esse ano foi bom. E que esse ano que chega seja cada vez melhor para nós, que sejamos cada vez mais belas! Que o povo tenha sempre mais respeito por nós! Que tenha muita fartura, muita bebida, muito dinheiro e muito homem, que sem isso não somos felizes. Para todas nós, as lindas monas de Manaus, felicidades para nós e para nossas famílias, para nossos namorados, nossos amores… Beijos pra todos!”

Mãe Sandra, que veio lá do Núcleo 15 da Cidade Nova, com seu belo Congá Tenda Cigana, chegou e acompanhamos sua magnífica oferenda, que estudou (no sentido de “prática”) várias religiões e cruza elementos comuns entre elas e que nos envolveu com sua fala ligeira, lúcidez e alegria…

Saudação a Iemanjá 07 por você.

Eu tenho meu próprio santo, eu tenho meu próprio congá. Eu trabalho. Eu vim da quimbanda, umbanda, candomblé, espiritismo e a última linha anjeologia. Eu cruzo Iemanjá com o símbolos dos arcanjos. O ano de 2010 vai ser Iemanjá, Oxum e Iansã, mas a principal linha vai ser Oxumaré. Não é questão de o ano ser bom, é continuação deste para o outro; o bom vai das atitudes que a gente quer, vencer ou não vencer. Então vai muito do negativo e do positivo das pessoas. Não existe magia sem um Sim ou um Não, o Talvez é as dúvidas. O outro diz: “Ah!, vai ser um ano bom, vai acontecer isso.” Não é bem assim. Acontece se o homem quiser, essa é que é a verdade. Não é a magia, a magia se faz pra ajudar, mas você com as suas virtudes é que consegue seus objetivos.

Saudação a Iemanjá 09 por você.

É isso que eu penso, é isso que eu acho, nós oramos a Deus, aos arcanjos de Deus e todos como nós cultuamos Iemanjá, Iansã, Oxum, como Nossa Senhora, que vem na minha casa, e Ogum, e o próprio Exu pra demandar e dispersar todos os males da vida. Não basta eu dizer que vou fazer um trabalho que vai melhorar minha vida daqui pra outro dia, não existe isso, existe a tua atitude de tu querer, é essa que é a verdade. Então as pessoas misturam muito. Ah!, eu vou conseguir isso, vou conseguir aquilo, vou amarrar amor, é tudo besteira porque amor não se amarra, amor se tem. A magia pode ser pra um casal pra iluminar através dum anjo, através dum guardião, dum mentor, tudo bem, mas dizer eu vou amarrar, eu vou prender, ninguém prende ninguém, o amor é livre.

Saudação a Iemanjá 08 por você.

Então eu vou sempre pelos quatro elementos: ar, terra, fogo e aguá. Mas o primordial é o amor que é o quinto elemento. Então esse besteirol todo, eu não vou muito assim pelas linhas afro só, porque, aqui pra nós, às vezes eu acho que eles tão muito atrasados no mental, tá entendendo? Eu classifico assim: os simplórios, os simples, os ricos e os milionários. O simples faz tudo pra buscar o melhor, o rico já é rico de si e de memória, porque hoje não adianta tu fazer uma faculdade porque hoje em dia tá banal. A melhor faculdade é a da vida, a escola da vida, como diz Ogum, “nem tudo o que reluz é ouro”. A vida é uma escola onde as lições tão muito caras, então tu aprende é no dia-a-dia, na verdade. Vamos dizer, eu vejo tu triste: “Ah!, eu tô mais rico” ou “tô mais ferrado”. Quer ser o mais ferrado e não é, porque tem muitas outras pessoas que não tem o de comer porque não buscam, porque tem pessoas que não gostam de buscar, gostam de esperar que venha até elas. Porque pra tudo se dá um jeito na vida, só não pra morte.”

Saudação a Iemanjá 10 por você.

No percurso pela Prainha, encontramos ainda manifestações familiares particulares muito bonitas que não quiseram falar sobre os motivos pessoais que levam às oferendas. No geral, estão os agradecimentos pelas graças recebidas, assim como os desejos de felicidades a todos nas novas águas que chegam…

Saudação a Iemanjá 13 por você.

Quem também veio trazer sua alegria a todos foi o caboco Zé Raimundo, na cabeça de Pai José dos Santos, lá do São Francisco, que deixou para todos sua graça de prosperidade na força dos orixás para todos…

Saudação a Iemanjá 23 por você.

O ano foi maravilhoso, graças a Deus, com muita prosperidade para o meu filho, seu José, e esses filhos que estão hoje presente aqui comigo , fazendo essa homenagem muito bonita, estão atrás de buscar a paz, prosperidade, saúde e muitas mudanças de bom na vida deles. E hoje eu estou dando o meu axé e as minhas forças para cada um desses filhos que precisam. E pra todas as pessoas da cidade, pela afirmação que nós fizemos, aquelas pessoas que puderam vim e que não vieram nós tamos dando aquela força, axé e a proteção para o ano que entra, que nele haja tudo de bom, como deve ser em cada ano novo que entra.”

Saudação a Iemanjá 25 por você.

Um filho de santo do Terreiro de Umbanda Anastácio Neves, localizado atrás do Cemitério São João Batista, no Centro da cidade, na cabeça de Dona Mariana, deixou seu axé.

Eu vou desejar um 2010 de fartura, felicidade, força, alegria. Que o ano de 2010 seja só de amor, porque o ano que passou foi um pouco cheio de turbulência, mas Mariana, na força e tranquilidade das águas, deseja para o povo manauense um feliz 2010, de abundância, de amor, de tranquilidade. Que todos possam realizar seus sonhos ou consolidá-los. Que todos fiquem na paz.

Finalmente chegamos ao nosso destino de todos os anos: a conversa com o caboco Sibamba, que, inconfundível na cabeça de Pai Geovano, com seu humor, sua alegria e energia, nos deixa suas impressões da vida pessoal do povo à política local, brasileira e mundial. A quem diga que é o caboco mais politizados destas terras, e por isso tal a proximidade com este bloguinho intempestivo.

Saudação a Iemanjá 15 por você.

Então, numa continuação da conversa do ano anterior, prosseguimos nessas temáticas e outras.

Eu sou é invocado, seu menino. Eu sou um caboco, eu não sou uma porcaria, não sou o que vocês tão acostumado a ouvir por aí e nem ver por aí. Eu sou um caboco, eu sou cretino e ordinário, quando eu falo eu falo mermo. Quando eu não falo, não quero falar não, vá pra porra. Pra eu, eu sou que nem as águas, se sopra o vento eu fico raivoso, se num sopra eu sou mansinho que só um cordeiro. Isso afeta o ser humano, não eu que sou um espírito.

Meu filho já jogou os búzio, já disse que é o Oxalá que vai reger o ano. Num sou eu, porque eu num jogo nem pedra na cruz. É meu fio que disse que Oxalá véio [Oxalufã] primeiro, na metade do ano Oxalá novo [Oxaguiã] e no finar do ano é mamãe Iemanjá que vai pegar. Então o ano é feito de muita paz, revolta, enchentes grandes e secura demais. Muito pior do que esse ano. Você vai ver.

Saudação a Iemanjá 19 por você.

Os políticos – isso aí vai ter um pau de guerra! Tu num viu nada, minino? Tu nunca viu piranha comer gente, viu? Pois é, tu vai ver esse ano. É, seu minino! Porque antes, antes dos antes. E o moço que voltou agora, esse moço é cretino, já tá ficando ‘probre’, voltou agora, começou a tirar devagarinho, só que os outro tão vendo, não são mais besta não. Na verdade o outro besta véio, careca, fio de uma puta, que entregou pra todo mundo governar por ele, tomou no rabo, foi passado pra trás. O olhe que eu não sou de politicage não, vice? Eu só digo a verdade. E o sinhô é a sabedoria, o sinhô tem a consciência boa. Pro povo vai ser bom, porque o povo vai ter que acordar pra num tomar no rabo.

As leis mudaro tudo e foi uma baitolage toda, foi muito bom para os bochola e só vai melhorar. Mas deixa eu buscar na minha burrice e tu sabe que burrice de bêbado é a pior coisa que tem, ninguém leva a crer. Pras mulher não é dessa vez, mas vai ter, vai ter aqui no Brasil vai ter a presidenta que todo mundo quer. Vai ter. Vai ser fulera, vai ser vagabunda, vai ser da gota serena e vice mais. Tu é doido, macho! Tu nunca viu mudança não, tu já viu frescura, e não mudança. E ela vai vim, vai vim e vai fazer.

Saudação a Iemanjá 18 por você.

Que o ano de 2010 seja um ano de consciência, de prosperidade, que o grande Deus do grande céu abençoe todo esse povo dessa terra, povo cretino, que tá precisando de misericórdia e que não se toca. Esse véio Sibamba pede, por misericórdia. Eu dou mais meus 300 anos nessa terra se o grande Deus tiver misericórdia de um dia desse povo. Que este ano do 2010 seja um ano com menas agressão e violência e seja um ano de mais alegria, mais tranquilidade pra este povo amazonense, não só pro povo amazonense, mas pro Brasil todo que merece e mais pro meu Ceará que tá precisando de chuvas, porque aqui tem fartura de chuva e no meu Ceará tem miséria de chuva. Esse, meu bom gradar. Que assim seja!

Dona Mariana, agora na cabeça de Mãe Valkíria, em qual congá já fomos a sua festa e lá conversamos com essa caboca que está sempre alegre e graciosa, sendo uma entidade das águas, deixou sua mensagem maravilhosa.

Pros pecadores eu peço assim que a minha mãe Iemanjá abençoe assim a todos, que ilumine a todos, que dê muitos anos de vida, que dê muita saúde e muita prosperidade, que ilumine os caminhos, que cada ano que se passa seja melhor. Que esse ano que vem lhe dê muito axé, muita prosperidade pra todos. Eu peço a minha mãe Iemanjá e a Oxalá também que abençoe pelas horas que são, pelas oferendas que nós estamos fazendo aqui nas águas e pedindo que Deus abençoe as oferendas do povo, dos pecadores, trazendo muita paz neste mundo do pecado. Eu desejo paz e muita prosperidade e axé, axé e axé.

UMA NOTA APENAS:

Estas e muitas outras manifestações de diversos congás e particulares, as que vimos e que não pudemos participar, com certeza foram magníficas, e não teriam como não ser quando o povo exerce seu direito à crença e a seus costumes autênticos de forma livre e sem discriminação. Mas não podemos deixar de dizer que houve discriminação pelo poder público. A descida para a Prainha – parte da Ponta Negra onde todo final de ano adeptos da religião afro e pessoas que cultuam credos sincréticos vão para entregar suas oferendas nas águas – tem acesso muito perigoso. No terreno íngreme, são alguns populares que, em sua benevolência, enfiam algumas estacas e fazem alguns degraus na terra para as pessoas descerem. Há quem diga que é por esse e outros motivos que os políticos da cidade estão sofrendo na pele o peso de seus crimes, apesar de todo ano eleitoral – como o ano que se inicia – quase na totalidade os candidatos procurarem os terreiros, inclusive os pastores. Claro que isso se dá não só pela crença, mas principalmente pelo dividendo eleitoral; pois este bloguinho, que é o maior registro jornalístico na cidade de Manaus, conhece cerca de 70 terreiros, mas segundo a FUCABEAM existem mais de 2 mil, fora manifestações individuais não catalogáveis.

Independente disso, todo acesso à Ponta Negra, já que ela é tão utilizada pelos marketings governamentais, deveria ser preparado satisfatoriamente com responsabilidade, para não colocar em risco a saúde dos cidadãos.

Mas os governos antidemocráticos, baseados nas supertições dos seu mandatários, nada podem contra os verdadeiros cabocos e orixás, por isso tudo foi maravilhoso, apesar dos des-governos…

Saudação a Iemanjá 26 por você.

Ê balanceia, balanceia, balanceia

Balanceia, balanceia

Eu quero ver balancear

OBRIGAÇÃO E SAÍDA DE OGANS NO TERREIRO DE MÃE VALKÍRIA

Wagner-Junior 01 por você.
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No sábado (11) e segunda-feira (13) tivemos uma obrigação de três anos, do garoto Wagner de Oxóssi, e uma saída, de Junior de Oxaguiã, no terreiro de Mãe Valkíria.

WAGNER DE OXÓSSI, ALAGBÊ DE IANSÃ

Wagner-Junior 02 por você.

Conversamos com o alegre garoto Wagner, que nos falou que desde os seis anos participa dos cultos afro no terreiro de Mãe Valkíria, que é sua avó carnal, e que aos sete anos fez sua saída como Alagbê de Iansã. Aqui ele, junto a Iansã, sendo conduzido por Pai Gilmar de Yemonjá, faz sua obrigação de três anos.



Mãe Valkíria acrescenta algumas histórias a respeito da trajetória do pequeno Wagner no Candomblé em seu terreiro:

Wagner-Junior 05 por você.

O Wagner é alagbê de Iansã. Ele é meu neto. Foi feito pelo Pai Gilmar de Iemanjá, confirmou ele pra minha Iansã. Ele é de Oxóssi. Então Oxóssi confirmou ele pra entregar pra minha Iansã. Sábado ele pagou obrigação de três anos. Apesar de ele ter dez anos de idade, ele já faz a obrigação de três anos, porque ele foi feito bem novo, com sete anos. Graças a Deus, hoje ele é uma pessoa sadia, é uma criança meiga, uma criança boa. Em vista do que ele era nós podemos dizer que tivemos um grande sucesso com o Wagner, que só no fato de que ele vivia doente, Oxóssi acolher ele e hoje ele não ter mais os problemas que ele tinha já é uma vitória.


Ele é filho do meu filho Nato, também de Oxóssi, também ogan confirmado. No dia que o pai dele tava fazendo sete anos de santo ele foi confirmado. Hoje ele tem três anos de santo, quando o pai dele fizer quatorze anos de santo ele faz sete. Vão dar obrigação juntos mais uma vez. Dentro da minha casa Oxóssi é tudo, por isso pra mim é uma satisfação.

Wagner-Junior 11 por você.

Wagner-Junior 10 por você.

Wagner com Brasinha, erê de Iansã.

JUNIOR DE OXAGUIÃ, AXOGUM DE IEMANJÁ

Na continuação na segunda-feira (13), houve a saída de mais um ogan da casa de Mãe Valkíria, Junior de Oxaguiã, axogum de Iemanjá, um rapaz ativo e envolvido em diversas atividades religiosas e comunitárias.

Wagner-Junior 21 por você.

Conversamos com Junior, que além de candomblecista, cultua outras religiões e outras práticas, faz parte de uma banda heavy metal, publica com outro parceiro um zine na zona Leste de Manaus e já tem publicada uma novela literária. Deixamos aqui esta conversa, entremeada com imagens de sua saídaWagner-Junior 18 por você.

Faz cinco anos que eu convivo com a religião, e faz alguns meses que eu aderi como minha religião. Mais uma religião que eu participo, não propriamente religiões, mas práticas. Eu ainda tenho ligação com o hinduísmo. Eu resolvi adentrar ao Candomblé pela paixão que eu comecei a sentir pelos orixás e a grandeza que é tudo isso. Então eu quis participar não só de fora, mas dentro da religião.

Wagner-Junior 12 por você.


Wagner-Junior 19 por você.

Afora isso, eu tenho um zine também que trabalha com heavy metal, no meio underground. Foi desse meio justamente que me veio a curiosidade de conhecer o Candomblé. Foi ao contrário do que geralmente o pessoal vê de fora, com preconceitos. Eu comecei a ver de outro lado. E eu vou continuar com a Umbanda, todas as minhas práticas, eu participo também de alguns rituais, como o Calendário da Paz, que é do Tizoco Maia. Uma coisa não impede a outra, o Candomblé é uma religião pagã, sem preconceitos.

Wagner-Junior 13 por você.

Wagner-Junior 16 por você.

Wagner-Junior 20 por você.

Vou procurar me desenvolver, porque eu gosto muito de ser radical, no sentido de na raiz das coisas, e misturar o que eu consigo, indo buscar os panteões de antigas religiões, um pouco de cada, procurando sempre ascender. Eu procuro conhecer um pouco e ver se tem alguma coisa a ver comigo. Eu conheço um pouco de Umbanda, e conheço um pouco de Candomblé, e pretendo conhecer mais ainda agora que eu confirmei a entrada na religião.

Wagner-Junior 22 por você.


Wagner-Junior 17 por você.

Mãe Valkíria falou-nos também de suas espectativas quanto à saída desse novo babá de corte de sua casa, Junior de Oxaguiã, axogum de Iemanjá:

Pra mim é uma satisfação eu ter o Junior como meu ogan, de minha Iemanjá. É uma honra ter mais um ogan na minha casa. Cada filho de santo que a gente tira na casa da gente é uma satisfação. O Junior, em especial, é uma pessoa muito cativa à religião, é uma pessoa muito sábia. Eu espero que ele leve à frente, com cada vez mais gosto. Esta é uma obrigação que ele fez com muito sacrifício, que todo mundo que passa pelo roncó sabe que é muito sacrificante. E ele venceu, e por isso eu espero que, por ele ser uma pessoa muito dedicada e sendo uma pessoa meiga, como ele é, uma pessoa boa, ele entenda que a lei do santo é essa. Às vezes a gente sofre um pouco, mas depois a gente vence e é recompensado. Tudo que a gente faz pros orixás, a gente tem recompensa. Orixá não é riqueza; “eu vou fazer um santo hoje, amanhã tô rico”. Ele dá luz, dá proteção, prosperidade, abre os caminhos da gente, e a gente trabalha e vai pra frente. Só desejo pra ele muita saúde, muita paz, prosperidade, caminhos abertos pra ele e pra todos que estiverem na minha casa.

Wagner-Junior 26 por você.


Wagner-Junior 29 por você.

Wagner-Junior 30 por você.

●●● MÃE VALKÍRIA DE IANSÃ ●●●

Rua Coiama, nº 20 — João Paulo II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9117-3545

PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN: 14 ANOS NA POTÊNCIA DO CANDOMBLÉ

14 Anos de Pai Geovano 01 por você.
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Essa festa, ocorrida no sábado trasado, foi a festa dos 14 anos de santo do babalorixá Pai Geovano de Ajagunnon, nesta casa que foi onde iniciamos estes trabalhos com as religiões afro, e mais uma vez esse respeitado pai de santo fala a este bloguinho com toda a singela e sabedoria que o acompanha sempre, numa entrevista longa que distribuímos com imagens do santificado ritual:

Essa festa foi uma das minhas obrigações, que no axé de Ketu nós temos primeiro a feitura, a iniciação, depois disso temos obrigações de 1, de 3, obrigação de 7, que quando recebe-se o ibaxé, que é chamado de decá, que quando nos tornamos pais ou mães de santo, zeladores de orixás. Depois disso as obrigações só serão repetidas de sete em sete anos, geralmente em uma festa só. Depende tanto da questão financeira quanto do tempo. Hoje em dia não dá mais pra se fazer um mês de festa, porque todo mundo trabalha, todo mundo tem seus afazeres. O Candomblé não é feito de pessoas desocupadas. São pessoas que trabalham, que estudam, que fazem faculdade, fazem cursinhos, pra um dia vencer na vida também, é um direito deles e que os orixás apoiam e ajudam, pois só assim eles irão progredir em suas vidas.

14 Anos de Pai Geovano 05 por você.


14 Anos de Pai Geovano 04 por você.

Essa festa foi de 14 anos. Já estava atrasada, eu já estou com 17 anos de santo, raspado, porque eu já havia passado mais de 4 anos de abiã, antes de iniciar, mas isso não conta. Já estava atrasada, uma porque é uma obrigação muito grande, tem de ser tudo muito certinho, tem de dar de comer aos santos todos, fazer todos os fundamentos da casa, a cumeeira, o entoto, os exus, os santos. A gente se prepara anos pra fazer uma obrigação destas. Graças a Deus foi uma obrigação muito bonita, não faltou nada. Com muita gente bonita, muita gente do axé, muita gente que veio prestigiar, me senti muito honrado. Agora vem a de 21, até lá da para a gente se preparar.

14 Anos de Pai Geovano 08 por você.


14 Anos de Pai Geovano 06 por você.

14 Anos de Pai Geovano 07 por você.

Eu vejo a minha trajetória como muito boa, porque com 14 anos de santo, eu já estou na terceira casa, uma casa mesmo e este é meu segundo barracão. Para quem conhece minha trajetória, pode dizer muito bem que da minha feitura de santo pra cá a minha vida foi simplesmente progresso visível ao olho de qualquer um. Pra mim é muito satisfatório, é muito reconfortável saber que meus santos me apoiam, meus santos me dão luz, meus santos me dão caminhos, me dão retorno de tudo que eu faço.

14 Anos de Pai Geovano 10 por você.

14 Anos de Pai Geovano 11 por você.

14 Anos de Pai Geovano 12 por você.

14 Anos de Pai Geovano 21 por você.

A COMPANHIA DE PAI RIBAMAR DE XANGÔ

O que me deu aquele tchan pra eu entrar mesmo na religião, saber que aquela era realmente a minha religião foi o simples fato da presença do orixá, principalmente no Seringal, onde é o axé do meu pai. Na primeira vez que eu fui lá, a primeira vez que eu entrei num terreiro de Candomblé, estava saindo um Oxalufã, de um irmão de santo meu, aquilo me tocou muito. Eu senti a presença do santo, eu senti a presença do orixá ali naquele instante. Então isso foi um incentivo muito grande. E foi a maior satisfação conhecer meu pai, que hoje em dia ele não é só meu pai, é um irmão, é uma pessoa que eu tenho muita consideração, a gente tem até nossas desavenças, que todo mundo tem, como em toda família tem, mas jamais eu lhe faltei com o respeito, nunca ocorreu algo que me impedisse de acrescentar deposi que ele é um grande amigo, em todos os sentidos. Se não fosse por ele, a minha obrigação não tinha saído, porque hoje em dia o comércio da religião é muito grande. Você tem que ter um amigo, uma pessoa que já vem contigo há muito tempo, uma pessoa que tu confie, que não te engane, da qual você conheça a índole, e isto eu tenho na minha família de santo, que é meu pai. E pretendo dar também a mionha obrigação de 21 com ele, enquanto ele tiver vida e eu também, eu espero estar com ele.

14 Anos de Pai Geovano 14 por você.


14 Anos de Pai Geovano 15 por você.

14 Anos de Pai Geovano 18 por você.

E Pai Ribamar de Xangô, em seu discurso no decorrer da festa, exalta a dedicação de Pai Geovano à religião, ele que o fez e sempre o auxiliou nessa jornada que os santos vem abençoando a cada dia com mais axé, porque a cada dia de devoção, de aprendizado, o babalorixá vai tornando especial sua forma de culto aos orixás.

Essa obrigação de meu filho Geovano de Oxaguiã. Pra mim é uma satisfação imensa, porque ele iniciou na minha casa, ficou muito tempo, depois fez o santo, deu a obrigação de 1, deu a de 3, a de 7, e hoje estamos na festa de 14 anos dentro do ilê dele. Aqui tem muitos filhos de santo dele, ogans, ekédis. Pra nós é muito motivo de satisfação acima de tudo ver uma casa dentro dos cultos afro prosperar.

14 Anos de Pai Geovano 19 por você.

14 Anos de Pai Geovano 17 por você.

14 Anos de Pai Geovano 24 por você.

14 Anos de Pai Geovano 25 por você.

14 Anos de Pai Geovano 26 por você.

O MAGNÍFICO RUM DE PAI LÍDIO DE OXAGUIÃ

Quando indagamos a Pai Geovano quem era o senhor que puxava o xirê com tanta simplicidade, leveza e alegria, ele explicou-nos ser nada menos do que o conhecido e respeitado bablorixá baiano Lídio de Oxaguiã:

14 Anos de Pai Geovano 42É meu avô de santo, Lídio de Oxaguiã. É pai de Pai Ribamar de Xangô, meu pai. Ele é do axé Opô Afonjá, e tem um dos maiores axés de Salvador, em Itaparica, onde ele mora. Um dos maiores axés de Salvador é o axé de Lídio de Oxaguiã, em Itaparica. Ele está aqui em Manaus dando obrigações de alguns irmãos de santo. Como era minha obrigação, ele veio dar uma volta aqui em casa, que foi uma surpresa muito grande pra mim, porque ele deixou de fazer o compromisso dele pra vir pra minha festa. Foi uma alegria muito grande. É difícil a gente ter uma pessoa vinda de longe, com o respaldo que ele tem, pra prestigiar nossas festas. Então, eu só tenho é a agradeceer a Oxaguiã e à presença dele na minha festa. O rum que ele deu no meu santo foi muito bonito, de muito bom gosto, ele é uma pessoa muito centrada no que faz. Então, eu só tenho a agradecer.

14 Anos de Pai Geovano 22 por você.

Pai Lídio de Oxaguiã, Pai Ribamar de Xangô, Pai Geovano de Oxaguiã e Pai James d’Ogum


14 Anos de Pai Geovano 29 por você.


ROBSON DE OXÓSSI, OGAN DE OXAGUIÃ

Também foi dada a obrigação do ogan Robson, segundo ogan da minha casa. Também estava atrasada, pois ele deu a de 3, e já está chegando a de 7. Dentro da religião o Robson tem sido muito bom, mas como ele é muito jovem é claro que às vezes ele não tem toda aquela responsabilidade que uma pessoa de 30, 40 anos tem. É um caminho árduo pra ele, mas ele vai se aperfeiçoando, tomando mais conhecimentos das coisas. É um ótimo ogan, um querido filho, eu tenho um apreço muito grande por ele. É uma pessoa que eu não meço esforços de ajuda para que ele continue na religião, continue o amor que ele tem pelo santo.

14 Anos de Pai Geovano 31 por você.

O Robson é meu filho. Eu crio ele desde 10 anos de idade, hoje em dia ele tem 26 anos, é uma pessoa que se eu estiver chorando ele chora comigo, se eu estou rindo ele tá rindo comigo, se eu estiver doente ele está perto de mim, e a mesma coisa eu faço por ele. Então é por isso que ele tem esse apreço grande por mim e eu também por ele. Agradeço muito a Oxalá por um dia ter aberto as portas da minha casa e ter adentrado o Robson pra dentro dela, que hoje em dia ele é um dos alagbês da minha casa que tem muito conhecimento, tem um aprendizado muito grande de atabaque, sem ele minha casa para de tocar porque ele é um incentivador, ele é o chefe dos atabaques da minha casa.


E conversamos com o próprio Robson sobre sua trajetória como ogan, sobre seu longo e contínuo aprendizado e sobre sua expectativa em tocar e cantar aos orixás, pois, como ele mesmo nos falou uma vez, a importância dos ogans é tão grande, na medida em que os próprios atabaques na África são cultuados como orixás.

Essa obrigação é de três anos, que estava atrasada, e já tem a outra de sete, que também está atrasada, e que eu pretendo pagar ano que vem. Eu estou muito contente. Eu comecei a participar do Candomblé desde criança, entre os 10, 11 anos. Desde quando eu morava em outro bairro eu já era simpatizante e frequentava terreiro de Umbanda, eu ia pra festas de Cosme e Damião, ia pegar bombom. Eu via o pessoal tocando e achava legal, o pessoal às vezes deixava eu tocar, eu não sabia muito, mas como deixavam eu fui aprendendo.

14 Anos de Pai Geovano 33 por você.

Eu ainda não conhecia o Candomblé, aí quando eu conheci melhor a religião, quando eu vim pra cá pro Geovano, que hoje é meu pai de santo, eu me interessei e até hoje estou aqui. Ele me ensinou a tocar, e eu comecei a frequentar outras festas, em casas pra ver como era o ritmo que eles tocavam. Fui prestando atenção e aprendi um pouco. Aqui é que nem a gente tá na escola, é um idioma, a cultura afro-brasileira, que a gente tem que aprender. Quando a gente vai vendo o que as rezas em yorubá querem dizer aí fica mais fácil. Dá pra eu tocar e cantar o básico de Exu a Oxalá, mas ainda não sei o bastante Porque há uma importância muito grande do ogan dentro do Candomblé, principalmente o alagbê, é ele que toca, que canta e anima as festas. Se o pai de santo não estiver por perto é o alagbê que tem de iniciar tudo.

14 Anos de Pai Geovano 34 por você.

A DESENVOLTURA DOS PEQUENOS OGANS

Foi a saída de mais dois ogans da minha casa, duas crianças, com a autorização da mãe e do pai. São crianças muito cobradas pelo santo, não pelo que eles fizeram, mas pelo que eles passaram, pelas promessas que a mãe fez para que eles vivessem, porque eram crianças muito doentes; então, chegou um momento que o santo em si queria a obrigação deles, fizemos. Tem um que tá com três anos, o outro vai fazer dois anos.

14 Anos de Pai Geovano 35 por você.

São jogados búzios para ver o que os orixás falam, se é pra iniciar, a gente inicia. (Todo o ritual, com toda a obrigação que por ventura se venha a fazer para uma pessoa, ela tem de ser autorizada automaticamente pelo orixá dela.) O menor é de Oxóssi e o maior de Oxaguiã. Não é porque sejam crianças que vai fugir da hierarquia, não foge, tem de ser como o orixá manda, tem de ser como o antigo. Se for um aleijado, a mesma coisa; se for um mudo, a mesma coisa; se for um rico, a mesma coisa; se for um pobre, também. O fundamento é um só. Pra ogan, por exemplo, são sete dias de recolhimento; pra ekédi, também; pra yaô, depende do orixá, tem orixá que faz com 21 dias, tem orixá que faz com 16, com 12, e assim vai.

14 Anos de Pai Geovano 36 por você.

Eles não apresentaram nenhuma dificuldade. Da limpeza de corpo deles, que eles tiraram ebó, aliás, todos nós, porque o Robson e eu também tiramos ebó. No caso deles, minha maior surpresa e alegria foi começar os preceitos e ver que parece que eles nasceram pra isso mesmo. Quando foram colocados os preceitos neles, no caso contra egun, pra evitar de espíritos ruins encostarem neles, eles aceitaram com a maior tranquilidade e, detalhe, quando um contra-egun desatava, eles corriam imediatamente pra eu amarrar de novo, pra que não ficasse caído, como se eles já soubessem que aquilo era uma proteção pra eles. Se fosse rezar de manhã, como aconteceu, eles acordavam, estavam caindo de sono, mas estavam ali, falando não sei o que, que eles não falam direito, só fazem escutar, na hora de bater palmas eles batiam. Quando terminava a reza, eles simplesmente viravam pro lado e dormiam. Na hora de tomar banho, eles iam tomar banho, tudo assim com uma maior naturalidade, como se eles já tivessem vivido essas experiências há tempos. E na festa, como todo mundo viu, eles estavam muito à vontade.

14 Anos de Pai Geovano 38 por você.

A IMPORTÂNCIA DA BANDEIRA DA NIGÉRIA PARA O CANDOMBLÉ

Eu quis fazer assim com essas bandeiras. É uma interligação, do Brasil para o Amazonas e à Nigéria, que é o berço dos nossos orixás, do Ketu, que foi lá a primeira cidade de Ketu. Então, esta bandeira nós temos de levantar, porque apesar de estarmos no Brasil, vivermos no Amazonas, mas é a África que nós cultuamos, é a África que nós temos em comum.

14 Anos de Pai Geovano 41 por você.

Então você vê, eu quis fazer uma homenagem também de história, você vê que na minha parede tem 16 orixás, todos muito bem desenhados. É uma homenagem que eu fiz, porque a gente está acostumado a ir pelos barracões, chega lá tem um monte de imagem de Santa Bárbara, de São Benedito, de São não sei que, São não sei de onde. E as nossas imagens, dos nossos orixás, por que não tem? Santa Bárbara é Santa Bárbara, não é Iansã. Quem diz isso está falando uma coisa muito errada. Tem sim uma ligação de se esconder atrás dessas imagens, mas isso foi no passado, hoje em dia nós temos mais porque nos esconder atrás de imagens que não sejam as dos nossos orixás. Então eu quis fazer uma homenagem a mais ao berço dos orixás, à Nigéria, por isso eu coloquei a bandeira da Nigéria.

14 Anos de Pai Geovano 39 por você.

Teve a presença de muitos pais de santo, que não deu pra gente olhar bem tudo, poRque numa obrigação grande assim, a gente fica meio atarantado, fica desnorteado, depois incorpora com o orixá, aí é que não se vê mais nada. Graças a Deus, o que deu para eu perceber, eu só não vou citar nomes para não ser injusto para com outros. Eu agradeço a todos, podem contar que nas festas na casa deles, sempre que for convidado, irei retribuir a presença deles aqui, porque eu fiquei muito honrado.

14 Anos de Pai Geovano 40 por você.

PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN ●●

Travessa Guape, nº 173 — Jorge Teixeira IV (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3682-5727 / 3638-7472 / 8111-5335

LANÇAMENTO DO CD “ALESSANDRO DE OGUM CANTA AOS ORIXÁS” E OUTROS EVENTOS LIGADOS À CULTURA E RELIGIÕES AFRO

CD Orixás 01 por você.Clique nas imagens para ampliá-las.

Além da importância político-cultural-religiosa do lançamento do CD Alessandro de Ogum Canta aos Orixás por ser a primeira gravação musical dos cultos afro no Amazonas, o evento, organizado numa parceria da Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (Abucabam) e a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Amazonas (Fucabeam), realizou-se como uma confraternização e fortalecimento dos laços afetivos entre as diversas vertentes dos cultos afro existentes em Manaus.

CD Orixás 12 por você.

Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá (presidente da Fucabeam), Babalorixá Alessandro de Ogum e Pai Lairton da Oxum.

O evento ocorreu na sede da Fucabeam, e quem falou a este bloguinho foi Pai Lairton de Oxum, presidente da Abucabam:

Hoje é um momento importante pra nós, porque estamos lançando, em parceria com a Fucabeam, o primeiro CD da religião, um CD com rezas da nação Ketu. O CD é do babalorixá Alessandro de Ogum. E hoje é especial também porque nós estamos aqui reunidos não somente a nação Ketu, estamos fazendo a reunião de várias nações: Angola, o Tambor de Mina, Mina Jêjo Nagô, babalorixás, yalorixás de várias nações estão se juntando hoje aqui nesse lançamento. Todas as religiões já gravaram CD’s com louvações, com rezas, orações; nós estamos lançando o primeiro hoje no estado do Amazonas. Hoje, no lançamento, a gente aproveita para mostrar um pouco da cultura afro-brasileira. Está sendo apresentada uma exposição do tambor de Mina, uma exposição de livros da coleção da editora Pallas, com livros referentes às religiões afro-brasileiras, e haverá ainda a apresentação do balé afro Mutalembê e de uma roda de capoeira. Tudo isso vai fazer parte desse evento em torno do lançamento do CD.

CD Orixás 14 por você.

Na alegria de ter realizado um feito singular e de fundamental importância para as religiões afro do Amazonas, o jovem babalorixá Alessandro falou-nos que desde pequenino vive na religião afro, cultuando-a sempre com devoção e responsabilidade, e nos disse dos motivos que o levaram a realizar este trabalho:

É o primeiro CD que tá sendo gravado aqui do Amazonas. A gente tá colocando aí para as pessoas ouvir e gostar da música dos orixás. De Exua a Oxalá, e um xirê completo. Foi um trabalho muito grande pra mim e pros meus irmãos que fazem parte do CD, mas graças a Deus, a Ogum e todos os orixás estamos aí de bom axé. O povo vai gostar…

CD Orixás 10 por você.

Para quem desejar ouvir o CD:

Alessandro Canta aos Orixás

Fones: (92)3645-9161 // 8133-7392 (Entrega a domicílio)

Disponível também em diversas cabanas de produtos afro.

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O povo gosta de tudo que auxilia na afirmação da cultura afro, e não apenas os filhos e pais de santo estão gostando, mas também os simpatizantes e todos que são contrários à intolerância religiosa, a qualquer forma de intolerância.

Com essa espiritualidade, saímos para dar uma olhada nas belas exposições presentes no amplo terreiro.

EXPOSIÇÃO TAMBOR-DE-MINA

CD Orixás 03 por você.
Roupa de Oxalá e Rosários (fios de contas, guias), acima alguns instrumentos musicais, como o gã (ferro) e o xequerê (cabaça)


Roupas das Tobossis (Princesas meninas do Daomé) e bengalas dos Voduns e Nagô Gentil

CD Orixás 06 por você.

E o Boi dos Encantados; aqui o Estrela do Oriente, que você já ouviu mugir aqui neste bloguinho.

CD Orixás 08 por você.

EXPOSIÇÃO DE LIVROS AFRO-RELIGIOSOS

CD Orixás 32 por você.

Havia ainda uma exposição/stand de obras da Pallas Editora, que tem um projeto desde 1980 de publicar livros privilegiando temas ligados às nossas origens étnicas e culturais, inclusive com linha infanto-juvenil, escritos por estudiosos e autoridades religiosas afrodescendentes.

APRESENTAÇÃO DE CAPOEIRA: LEGIÃO BRASILEIRA

CD Orixás 15 por você.

E quando entrou Mestre Cristiano e a moçada da Legião Brasileira o terreiro foi preenchido de toda a musicalidade, movimentos e dança da capoeira. Sentindo o axé, o Mestre passou a envolver todos os presentes e aquilo que seria uma demonstração passou a ser um ritual coletivo.

CD Orixás 18 por você.

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

Eu quero ver você bailar

No meu berimbau

E todo mundo é do embalo

Do meu berimbau

CD Orixás 19 por você.

Essa menina é danada

Do meu berimbau

Eu quero ver você tocar

No meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

CD Orixás 16 por você.

Foi então a hora de mostrar as habilidades com o cacetinho, em uma das mais vigorosas modalidades da capoeira: o Maculelê, que Mestre Cristiano, inicialmente explicou não se confundir com a popular Dança do Cacetinho, e falou de sua origem com o Mestre Popó, na Rua da Linha, há tantos passados lá em Salvador.

CD Orixás 21 por você.

Certo dia na cabana um guerreiro

Certo dia na cabana um guerreiro

Foi atacado por uma tribo pra valer

Pegou dois paus, saiu de salto mortal

E gritou pula menino, que eu sou Maculelê

CD Orixás 22 por você.

Então um pandeiro pulou pra roda, e não somente as garotas da Legião Brasileira caíram no samba, muitas das que estavam na platéia foram convidadas e não titubearam.

CD Orixás 24 por você.

Mulher bonita

Do cabelo enrolado

Da boca pequena

O nariz afilado

CD Orixás 25 por você.
Aqui, Flor, representando a Fucabeam.

CD Orixás 26 por você.

Homem para ser livre

Domina sua mente

E jamais será escravo

CD Orixás 17 por você.

DOCUMENTÁRIO SOBRE JORGE BABALAÔ

Na sequência, foi feita a reprodução de um documentário sobre o Babalaô Jorge da Fé em Deus (São Luís do Maranhão), pai de santo de Mãe Emília e um dos mais conhecidos e importantes babalorixás do Tabor-de-Mina do Brasil.

CD Orixás 27 por você.

Falecido em 2003, Pai Jorge era respeitado não apenas pelos conhecimentos das religiões afro, mas também pelo engajamento na luta pela preservação de todos os cultos afro no Maranhão, e assim, por suas atitudes, contribuiu, e contribui, com a resistência das religiões de matrizes africanas em todo o Brasil.

CD Orixás 31 por você.

BALÉ AFRO “MUTALEMBÊ”

CD Orixás 28 por você.

Eis que vieram as garotas do Balé Afro “Mutalembê”, formado em 2005 a partir dos movimentos da negritude em Manaus, com o objetivo de difundir através da dança a beleza, conhecimentos e posições da cultura afro para a comunidade de Manaus. Nesse evento, fizeram alguns números com músicas do cancioneiro popular ligadas à cultura e à religião de matrizes africanas, como a maravilhosa composição de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, Guerreira, conhecida na voz da guerreira Clara Nunes.

CD Orixás 29 por você.

Se vocês querem saber quem eu sou

Eu sou a tal mineira

Filha de Angola, de Ketu e Nagô

Não sou de brincadeira

Canto pelos sete cantos

Não temo quebrantos

Porque eu sou guerreira

Dentro do samba eu nasci,

Me criei, me converti

E ninguém vai tombar a minha bandeira.

CD Orixás 30 por você.

Com certeza esse evento foi fundamental para aproximações democráticas dentro dos diversos cultos afro e manifestações afro em Manaus. Uma verdadeira confraternização de todos aqueles que comungam a possibilidade de um mundo sem intolerância, onde todos possam compartilhar sua beleza cultural de forma plena e livre. Axé!

CD Orixás 33 por você.

CONVITE CANDOMBLEZÍSTICO

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A Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM) e a Associação de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM) convida a todos os adeptos das religiões afro para o lançamento do CD – Alessandro de Ogum Canta aos Orixás.

Local: Rua Pintassilgo,100 – Núcleo 2 – Cidade Nova 2, Manaus, AM – sede da Fucabeam

Data: 27.06.09

Horário: 20h

Colktail e apresentações culturais (balé afro e roda de capoeira)

TODOS SERÃO BEM VINDOS…

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Fonte: ArtFolk

FEIJOADA DE OGUM NO ILÊ ASÉ OMIM ABAOSÉ OKORO LONAN

Feijoada de Ogum 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Como sempre, o maravilhoso terreiro de Pai James d’Ogum e Mãe Vera d’Oxum estavam impecavelmente organizado para mais um ritual de fé e beleza dos cultos afro em Manaus.

Feijoada de Ogum 02 por você.

Feijoada de Ogum 08 por você.


Feijoada de Ogum 05 por você.

Pai Ribamar de Xangô (abaixo, à esquerda) veio puxar o xirê e Mãe Lucimar (abaixo, à direita) veio participar de mais uma festa na casa de Pai James.



E enquanto os atabaques soavam forte e as rezas eram entoadas com devoção, vários orixás vieram receber as oferendas e abençoar todos os presentes.


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Feijoada de Ogum 17 por você.


Feijoada de Ogum 22 por você.

Finalmente Ogum baixou no terreiro, e todos que o esperavam sentiram todo o seu vigor nos movimentos e seu cantar potente e vibrante vieram preencher o terreiro, a sua casa.

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Feijoada de Ogum 31 por você.



Feijoada de Ogum 36 por você.

Ogum, então, vestiu suas paramentas e retornou ao terreiro para o ritual central da festa, que a distribuição da feijoada.

Feijoada de Ogum 38 por você.

Quem explica a esse bloguinho é Clarisse de Yemanjá Ogunté, Yaquequerê (Mãe Pequena) da casa:

Essa é a festa do Ogum, na cabeça do Pai James. Há 19 anos que ele é feito, é a idade que ele tem de santo, que Ogum vem na cabeça dele, e ele faz essa festa, sempre na última semana de abril. Toda festa de Ogum é feita uma feijoada, faz-se o ritual no salão, lá no meio, enquanto Ogum está dançando, aí a gente reza, e depois da pro povo comer. Vêm outros orixás, que dançam com Ogum: Iemanjá, que é sua mãe, Oxóssi, Rei do Ketu, orixá das matas, rei da nação Ketu, Yansã, que foi uma das mulheres de Ogum…

Feijoada de Ogum 27 por você.

Feijoada de Ogum 28 por você.

Feijoada de Ogum 32 por você.


Feijoada de Ogum 34 por você.

E, após a abençoada feijoada, a festa prosseguiu com Pai Ribamar anunciando que Ogum traria ao terreiro algumas pessoas que receberiam dele cargo na casa, assim como vários outros orixás, como falou Clarisse de Yemanjá:

Feijoada de Ogum 43 por você.

Yalorixá Neura, filha de Pai James, que recebeu o cargo de YÁ MORO. Esse é o cargo de quem cuida dos Exus. Quando tem festa de Exu é ela que abre, é ela que cuida da casa do Exus.

Feijoada de Ogum 44 por você.

Yalorixá Gracilene, filha do babalorixá Marcelo da Oxum, de quem Pai James é Pai Pequeno. Ela recebeu o cargo de YÁ ABASÉ, cuja função é comandar a cozinha nas festas e rituais.

Feijoada de Ogum 54 por você.

O babalorixá Rafael, filho de Mãe Vera, que recebeu cargo de BABA EBÉ, que tem por função receber as pessoas, acomodar as mães de santo, pais de santo e convidados.

Nas fotos abaixo, Pai Rafael já está com Oxóssi, que veio participar da festa de Ogum.


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Além de Oxóssi, vieram também Yansã, em Pai Jeferson, e Yemanjá, na Yaquequerê Clarisse.

Feijoada de Ogum 46 por você.


Feijoada de Ogum 56 por você.

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Feijoada de Ogum 52 por você.

Feijoada de Ogum 49 por você.

E a festa foi efervescente até o final, quando a Dofona Lenita recebeu Yansão, e esta com Ogum realizaram a maravilhosa Dança do Fogo; pois, como nos explicou Clarisse, Yansã é a dona dos raios, é um ritual de quando eles estavam na guerra, no meio dos raios e trovões, por isso todo o vigor e velocidade da dança. Pela primeira vez o amplo terreiro quase fica pequeno diante de tanto axé de Ogum e Yansã, para o regozijo de todos que assistiram o fulgor de tão belo e abençoado ritual…

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Feijoada de Ogum 60 por você.

Feijoada de Ogum 61 por você.

PAI JOEL DE OGUM CONVIDA

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FESTA DE SEU ZÉ MALANDRO

No próximo sábado, Seu Zé Malandro completa 18 anos na cabeça de Pai Joel de Ogum, por isso ele convida babalorixás, filhos de santo, adeptos das religiões afro ou simpatizantes, enfim, a comunidade em geral para participar dessa maravilhosa festa.

Endereço: Rua São Marçal, nº 619 Cidade de Deus (Manaus-AM)

(Por trás da Pousada Laser)

Data: dia 21/03 (próximo sábado), às 20h

Telefones: (92)9155-3632 // 8146-8237

MPF/SP ENTRA COM REPRESENTAÇÃO CONTRA RECORD E GAZETA POR PRECONCEITO A RELIGIÕES AFRO

Como já foi dito aqui neste bloguinho pelo sapiente Pai Gilmar, as igrejas apocalípticas, que não alcançam o evangelho como “boa e nova notícia”, apresentam duas enunciações contraditórias entre si, ao mesmo tempo levando elementos próprios das religiões afro para sua prática (sal grosso, sessão descarrego, rosas, entre outros), principalmente as que usam espetaculares técnicas de tirar “espíritos malignos” até aí tudo bem para todos os pais e filhos de santo, todos são sempre muito abertos e solidários às outras religiões , mas, por outro lado, demonizando todas as entidades da Umbanda, Candomblé, Mina Nagô, Jeju, Umolocô, todas as religiões de matriz africana.

Na sua fantasia mirabolante, a maioria dos disangélicos provavelmente sequer sabia que existem tantas religiões afro, que elas são quase todas milenares, algumas muito mais antigas do que o Cristianismo paulino (não o de Cristo, o filho de Maria, que não carrega preconceitos e violentações), a maioria não sabe a mínima diferença entre Umbanda e Kimbanda, quase todos acreditam que Exu é o Diabo, que tudo é coisa do Diabo — não só os afro-religiosos, mas também os homossexuais, os ateus, as mulheres, não percebendo os incautos que ambos são religiões completamente distintas em sua origem. Os disangélicos não sabem que o próprio Satanás pertencia a uma seita que nada tinha a ver com a ainda seita cristã. E por aí vão desfiando o preconceito e a paranóia totalitários.

Quando as igrejas perceberam que a imagem não podia ficar somente na do Cristo pregado eternamente na cruz, muitos pastores, bispos despontaram na tonitruante tela total da televisão, e muitos passaram a utilizá-la como um  meio, acintosamente, para embrutecer ainda mais o preconceito a outras religiões, como ao próprio Catolicismo e principalmente às diversas religiões afro, denominadas, pejorativamente, de “macumba”. Enquanto a Constituição diz que o Brasil é um país laico, defendendo a pluralidade cultural e liberdade de credo.

Entre outras emissoras de Tv, a Record e a Gazeta, desde seus surgimentos, vêm desfiando esses preconceitos. Por isso, no ano passado, o Ministério das Comunicações aplicou às duas uma multa de R$ 1.012,32.

No entanto, como as discriminações continuaram, o Ministério Público Federal em São Paulo deu entrada na quinta-feira passada (5) numa ação civil pública, com o pedido de uma liminar, “para que as emissoras de televisão Record e Gazeta não exibam mais programas que ofendam às religiões de matriz africana”. A multa pedida, caso as emissoras descumpram a medida, é de R$ 10 mil diários.

Ao final da ação, o MPF pede que a Record e a Gazeta sejam condenadas a pagar, respectivamente, indenização por danos morais coletivos de 13,6 milhões de reais e R$ 2.424.300,00, correspondente a 1% do faturamento das emissoras, a ser revertido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.”

Na ação, a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Adriana da Silva Fernandes, autora da ação, destacou que a liberdade de comunicação deve andar em consonância com os direitos dos cidadãos, ficando, inclusive, as emissoras em questão responsabilizadas mesmo no caso de as produtoras serem independentes.

“O abuso praticado pelas rés contraria a dignidade da pessoa humana,(…) bem como os próprios objetivos de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Xangô, o orixá da Justiça, com seu machado de aço, com certeza movimentará os raios e trovões para que seus filhos possam cultuá-lo com livre devoção, e que, com a diminuição da estupidez dos preconceitos, outras pessoas, inclusive os cristãos, possam apreciar toda a musicalidade de uma reza batida no Tambor de Mina, o vigor dos movimentos do Candomblé, a energia positiva na alegria de estar num terreiro de Umbanda…

Veja aqui a íntegra da ACP nº 2009.61.00.005800-6, distribuída à 9ª Vara Federal.

BARQUINHAS PRA IEMANJÁ DE DONA DORA E PAI GEOVANO

Oi, oi, me dê licença mamãe

Vou me deitar na areia

Me banhar no mar

Oi, oi, me dê licença papai

Vou me deitar na areia

Me banhar no mar

Barca Iemanjá 01 por você.

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Sempre ao final de todo ano, os babalorixás e as yalorixás de Manaus pegam seus filhos e vão para a Ponta Negra para colocar as barquinhas nas águas do Negro para saudar Iemanjá, agradecendo pelos desejos realizados e deitando novos pedidos para o novo ano que vai entrar. Todo ano lá vão Pai Geovano de Ajagunnon e Mãe Dora de Obaluaê para fazer suas obrigações nas águas.

Barca Iemanjá 02 por você.

Rolou, rolou, rolou

Rolou água para o mar

Menino varre o terreiro

Pra caboco trabalhar

Barca Iemanjá 07 por você.

E quem baixou na areia para organizar a oferenda foi o bem-humorado, bom conversador, festeiro, mestre no catimbó, o caboco curandeiro Sibamba, que veio pra puxar ponto, beber sua cachaça e trazer alegria para os filhos à beira da praia. Velho conhecido deste bloguinho, Sibamba nos deixou um pouco de seu conhecimento e seu axé:

Isso aí é coisa boa que todo o povo da humanidade devia fazer pra mãe das águas para sempre ter prosperidade como a abundância desse rio. Muito peixe, muita fartura, muita prosperidade, muita felicidade, muita harmonia, porque o povo precisa. O povo, esse ano que nós vamos entrar — nós, eu digo “nós” porque eu sou uma entidade e vou entrar junto também —, vai padecer um bocado. Sabe por quê? Por falta de criatividade, por falta de discernimento de pessoas, por falta de vergonha do povo que governa esta porra desta terra, um povo burro de uma terra próspera.

Barca Iemanjá 05 por você.

DA CRETINICE DOS “POLÍTICOS”

Os governantes dessa terra são um bando de cretino e ordinário. Neste ano tu vai ver: no primeiro vai ser bom, o segundo ano vai ser ruim, terceiro ano vai ser péssimo, o quarto ano vai ser pior ainda. Esse ano que vem é um ano e um mês de prosperidade pra alguns e infelicidade para outros. Muita gente vai correr atrás dos terreiros pra se limpar, pra ver o que é que está acontecendo na sua vida, não escapa, porque vai ser um ano pesado, porque o dono que vai reger é um homem que não obedece, faz, um homem que não pede, mostra que tem, que pode.


DAS REGÊNCIAS DO ANO DE 2009

Oxóssi e Ossane, meu filho já jogou, já viu. No meio do ano o Oxóssi vai passar para Ossane. Vai ser um ano muito bom pros bocholas, os bocholas vão se sobressair durante esse ano. Oxóssi é orixá da fartura, da prosperidade, da certeza, das coisas boas. Ossane é deus da liturgia, esse ano a medicina vai se sobressair como tudo. Vai ter muita realização, o povo vai tá feliz na medicina. Não vão conseguir a cura pra Aids, mas vão chegar pertinho, pertinho, que até dois mil e poucos instantes vai lá, vão conseguir sim. Mas esse ano vamos ter, seu cabra, muita novidade na medicina. Vamos ter muita fartura logo no começo e vamos ter muita revolta das águas…

Barca Iemanjá 11 por você.

De touro, de cavalo brabo se amansa

Eu não tenho medo

De touro, de cavalo brabo se amansa

Eu não tenho medo

Eu não tenho medo

De sair pra mata de manhã bem cedo


PELO RESPEITO À NATUREZA

Seu menino, o povo tem que ter consciência que fazer obrigação não é fazer sujeira, oferenda é oferenda e, não, sujeira. A natureza, se você agredir a natureza ela se revolta. Se Iemanjá é natureza você vai agredir ela, jogando um monte de desperdício que não lhe serve mais, só porque você já utilizou aquilo, você joga lá na beira das águas? Tá doido, macho. Por causa disso que tá essa calamidade mundial. Por causa disso, porque não tem conscientização Nem de macumbeiro, nem de santo, nem de ogã, nem de ekédi, nem de cambono, de cambona e nem das próprias entidades que dizem vim no couro dos outros. Se fosse mesmo, preservariam muito bem esse rio tão bonito, que caboco se encanta, que caboco é encantado, que caboco tanto usa. Eu sou desse rio, sou um caboco, sou dessas bandas de cá. Tem que preservar pelo teu reino. Se eu venho pelas matas tem que preservar as matas. E é onde esse ano vão bater bastante, esse ano vai ter muita queda de negócio da mata, muita queimada, muito esses negócios que vocês fazem que eu não sei falar, porque eu sou meio destrambelhado da língua, eu não conheço esse negócio.

Barca Iemanjá 13 por você.

Barca Iemanjá 14 por você.

Um conselho que eu dou sabe o que é? É de sentar, meditar, olhar e ver. O que eu faço amanhã, o que eu digo amanhã vão falar pra eu. O melhor seria que o povo dessa terra e de todas as terras é meditar e procurar viver sua vida não agredindo a própria natureza porque senão ela se revolta sobre as pessoas. O que tá acontecendo hoje em dia é a revolta da própria natureza, da própria entidade se revoltando contra quem ofendeu. Qualquer coisa, a minha casa tá lá, você sabe onde é, e o povo deve conhecer.

Barca Iemanjá 15 por você.

Princesa

Ela é rainha daqui

Ela é rainha daqui

Ela mora longe daqui

Ela mora longe daqui

Princesa

Cadê rainha daqui

Cadê rainha daqui

Ela mora longe daqui

Ela mora longe daqui

Barca Iemanjá 17 por você.

FELICITAÇÕES AFRO-RELIGIOSAS DE PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN

Pai Geovano e suas entidades por você.

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Este ano pra mim, religiosamente, foi muito bom e, graças a Deus, está sendo bom porque cada vez mais eu creio na força da natureza, respeito. Então pra mim, quanto mais respeito à própria natureza, está sendo respeitado o próprio Orixá em si. Pra mim a religião é basicamente tudo, eu vivo pra religião, vivo na religião, vivo pra religião. Tenho meu sustento na base da religião. Então pra mim tá sendo ótimo e graças aos meus orixás e ao meu bom Deus, que rege o universo todo, que seja assim não só pra mim, mas pra todos os meus amigos, meus inimigos, meus filhos e meus parentes mais próximos e até mesmo pra quem não tem contato comigo. Então pra mim foi muito bom, está sendo bom.

Para o ano que vem, pedidos a gente tem que renovar sempre. O que nós já conseguimos nós devemos agradecer. O que nós pretendemos nós temos que perseverar, pedir mais e com mais força, que só assim a gente vai ser atendido. Eu costumo dizer uma coisa: se você tiver de gritar, grite alto pra que você possa ser ouvido e, não, baixo, num tom fraco, senão você vai passar batido.

Ah! pra todos os meus irmãos na religião eu desejo muita compreensão, muita humildade até mesmo pra que nós possamos seguir nossa religião com mais honestidade e com mais dignidade, sem muito interesse material e sim religioso, que é o que tá faltando muito: a humildade entre nossa religião. Que meus irmãos na religião analisem mais e procurem mais conhecimento, porque quanto mais conhecimentos tivermos melhor para todos nós…

Endereço: Rua Belforroxo, s/n — Jorge Teixeira IV (Manaus-AM)

Contato: (92)3682-5727 // 3638-7472 // 8111-5335

COMEMORAÇÃO DOS 100 ANOS DE UMBANDA — AMIGOS UMBANDISTAS DO ESTADO DO AMAZONAS

Umbanda 100 Anos 01 por você.

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Essa festa ocorreu no dia 15 de novembro de 2008, o dia em que se comemora por todo o Brasil os 100 anos da fundação da Umbanda, a religião de matiz africana genuinamente brasileira. A festa foi organizada por Pai André de Ogum no terreiro de Mãe Neura, que fica no Núcleo 14 da Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, e contou com a participação de vários zeladores, pais de anto, yalorixás, filhos de anto, numa comunhão que culminou com a fundação de um movimento denominado de Amigos Umbandistas do Estado do Amazonas.

Umbanda 100 Anos 02 por você.

Pai Luiz, Mãe Neura e Pai André

Este bloguinho, que também esteve presente, traz imagens e falas de umbandistas presentes na histórica festa, a começar pelo seu organizador, o afetuoso e sapiente Pai André de Ogum:

A gente está organizando o movimento dos Amigos Umbandistas do Estado do Amazonas. Começamos este movimento hoje, no dia em que a gente comemora o centenário da Umbanda. No dia 15 de novembro de 1908, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, a Umbanda foi fundada pelo caboco Sete Encruzilhadas. É uma religião genuinamente brasileira. Foi então aberta a tenda Nossa Senhora da Caridade, pelo médium Zélio Fernandino de Moraes, e depois propagou-se muito rápido. Depois de 55 anos de fundada a religião, já havia sido fundadas 10 mil tendas pelo Brasil inteiro. Em Manaus, hoje, há uma mistura nos terreieos, de Umbanda, Candomblé, houve uma vez que eu ouvi falar que aqui tinham mais de 2 mil terreiros de Umbanda.

Umbanda 100 Anos 03 por você.

A gente quer, com esse movimento, uma forma de reunir, de unir, de confraternizar, de falar mais sobre a religião. Tem alguns de nossos irmãos que não têm conhecimento da fundação, das origens da Umbanda. Então, é uma forma de passar mais esses conhecimentos e de marcar esse dia. Nós pretendemos agora todos os dias 15 de novembro fazer uma comemoração. A princípio nós somos um grupo de 18 zeladores de santo, de Umbanda, na cidade de Manaus. Queremos, sim, alcançar todo o nosso universo amazônico, mas isso é uma conquista que ainda vamos ter. Hoje a nossa maior dificuldade é o misticismo que as pessoas fazem da religião: que é um culto do demônio, vêem os umbandistas como feiticeiros, etc. A nossa realidade não é essa. Nós temos a nossa religião para dar orientação espiritual, para engrandecer a pessoa espiritualmente e destinar ela para o nosso Oxalá, para o nosso orixá maior, que é o nosso Deus.

Umbanda 100 Anos 13 por você.

A importância que a Umbanda tem para nós que somos umbandistas, para os filhos que freqüentam as nossas casas é a de ter um desenvolvimento espiritual que, às vezes, não encontram dentro da Igreja Evangélica, não encontram dentro da Igreja Católica. Algumas dessas pessoas encontram evolução espiritual dentro da casa de Umbanda. A importância maior é direcionar essas pessoas pelo caminho que leva ao Nosso Senhor. Ainda há muitos preconceitos, tanto umbandistas quanto candomblecistas são taxados de macumbeiros, feiticeiros, mas também o Candomblé tem ganhado muito espaço, a Umbanda tá buscando também os seu espaço. Eu acho que hoje, esse evento de hoje é um marco, é uma sementinha que a gente tá plantando pra ela crescer cada vez mais e buscar o seu espaço de verdade. Hoje no Rio de Janeiro está em festa, São Paulo está em festa, em Brasília tá tendo festa, em Curitiba tá tendo festa pelo centenário de fundação da Umbanda…

Umbanda 100 Anos 05 por você.

Para o chamado grande público, a Umbanda permanece misteriosa, mas o que se sabe, como se sabe de todas as manifestações dos negros todas as manifestações populares , é que sempre houve muitas perseguições da cultura que sempre se achou (se acha?) superior — o branco, europeu, masculino, heterossexual —, por isso as religiões afro sofreram até mesmo com as investidas policiais, e antes dos nobres senhores e capitães do mato. Quem fala, trazendo a força da história que sobreviveu por baixo da Historiografia, é Pai Luiz Queiroz de Ogum com Oxóssi e Oxum com Oxumaré:

Umbanda 100 Anos 10 por você.

A Umbanda é o trono de tudo. tudo começou na Umbanda, na época dos negros, dos escravos. Eles trabalhavam embaixo de uma árvore. Essa árvore se chamava macumbeira. Eles, com medo dos patrões, barões, eles se reuniam debaixo da macumbeira. Lá eles faziam os rituais, pros pretos velhos, e trabalhavam na cura. A Umbanda foi o nascimento de tudo. Depois foi aparecendo, com as descobertas, as pesquisas, os ensinamentos, os áfricos, aí foi aparecendo o pessoal das nações – Ketu, Angola, Candomblé. Na minha época, 50 anos atrás, que eu sou de 61, Candomblé era pé de dança, lá no Rio de Janeiro. Se catuava assim: “Vamos pro Candomblé”, aí desciam os cabocos cruzados com Oxóssi e Jurema, pra dançar o Candomblé. “Ai que Candomblé!” Aquele Candomblé bonito, então virou nação. Virou nação e foi crescendo, e hoje nós temos Ketu, Angola, da Umbanda saíram as sete linhas da Umbanda – Branca, Umolocô, a Umbanda Cruzada, Umbanda Jêju, Mina Jêju, Mina Vodum, Mina Vodunfã, Mina Nagô. Foram várias nações que foram nascendo através da nossa amada e querida Umbanda.

Umbanda 100 Anos 08 por você.

Entre os diversos presentes, ouvimos Pai Rogério Navê Oroalin com Badé, que na Umbanda seria Oxum com Xangô, que mostra em sua fala a riqueza e diversidade no culto da Umbanda:

Eu participo de um culto afro que pega muito a parte da Umbanda, onde eu me iniciei e tudo, que se chama Mina Jêju, que é cultuado no Maranhão, na minha casa eu cultuo Umbanda, encantados de Umbanda, com preto-velho, com exus, com crianças. A gente passa por fundamentos, obrigações, tem uma disciplina organizada, têm rituais secretos de iniciação, de complementos espirituais…

Umbanda 100 Anos 12 por você.

Finalmente trazemos a bem humorada e acolhedora dona do terreiro, Mãe Neura do Seu Sete Encruzilhadas, que chegou alegre e que deixou em suas vertiginosas falas as lutas da Umbanda, a sua beleza e a sua autenticidade enquanto crença religiosa. Ela, que veio do Rio de Janeiro, onde a Umbanda começou em sua fundação oficial, e demonstra as linhas que a Umbanda seguiu por estas paragens, consolidando-se por toda parte, assim como no Amazonas:

Umbanda 100 Anos 04 por você.

Eu sou a Mãe Neura, a louca do 14, o pessoal me chama assim, porque tem sempre um tempo em que a gente faz um giro, faz aquela caminhada, principalmente na época do afoxé. Na Bahia eles fazem o afoxé, aqui a gente não faz, estão tentando pra fazer agora ano que vem, e eu faço a caminhada, na sexta-feira do carnaval a gente faz aquela caminhada, e o exu vai, eu vou até o cemitério, dali eu volto, termino a gira em casa, isso tudo de dia, e depois a gente brinca o carnaval, aquela coisa toda, e eu aprendi com a minha mãe que a gente faz o prêmio, pra pedir proteção, e na quarta-feira de cinza as pessoas vem no barracão devolver pra queimar, tem todo um significado aí. Aí eles diziam que eu fazia procissão pra exu. Como também, a nossa parte de exu, o nosso trabalhador, a cada 3 meses a gente caminha com ele na estrada pra pedir progresso, prosperidade, cliente, luz, força, tudo. A gente corre em sete encruzilhadas, e leva as oferendas e vai colocando. Eu não me importo que tenha igreja Batista, Adventista, Universal, Assembléia, eu faço a minha religião, pra mim é a minha religião e acabou-se. Era procissão de exu também. Eu nunca me importei; quando eu passo eu sei que passo, foi para o bem eu estou junto. E por isso eles me chamam de “louca do 14, que faz procissão de exu”. Eu não tenho culpa; se eu tenho médium preparado, eu vou sair sozinha por quê? Eu tenho uma opinião que é o seguinte: se eu estiver bem, meus filhos vão estar, e o que eu puder fazer pelos meus filhos eu faço. Religião nenhuma dá riqueza a ninguém, ela dá força, saúde e caminhos abertos, desde que você faça por onde merecer. Que Deus diz, tá lido porque tá escrito: “Faz por ti, que eu te ajudarei.” Na nossa religião a gente faz pelos médiuns pra poder ser ajudado. Eu não posso ir no médico e o médico passar um remédio e o remédio ficar em cima da mesa, a gente deixar lá e ficar bom. Aí, mano, tá difícil milagre.

Umbanda 100 Anos 07 por você.

Na Umbanda, eu comecei em 70. Fui do Alan Kardec dos sete aos dezesseis, depois passei pra Umbanda, fiquei 12 anos no terreiro da minha mãe, no Rio de Janeiro, Terreiro de Umbanda Rei do Congo e Caboco Sete Lagoas. Benedita Anjo, que a yalorixá, continua trabalhando, com quase 90 anos. Vim pra cá em 82, mas fui primeiro para a Praça 14, na casa da minha mãe, na Dr. Machado, esquina com a Visconde, onde é uma locadora de carro hoje. Em 85 eu vim pra cá pra Cidade Nova, porque já tinha muita gente e lá era muito pequeno. Meu pai hoje é James Rios, James do Ogum. Eu tive que passar pro Candomblé não por vaidade, mas sim por necessidade, porque na casa da gente chega gente de todas as nações. Aí tu imagina a gente ter um filho bom, ma a nação dele é Ketu? Aí você não vai dar a ele o que ele precisa porque você só está na Umbanda. A minha vida é Umbanda, eu gosto dos cabocos, eu gosto dos pretos-velhos, dos exus, das rezas, das danças. O Candomblé pra mim foi um complemento, estou satisfeita também; mas eu acho assim, se você é burro velho não vai aprender uma nação como alguém que fala português e de repente vai falar inglês em uma semana. Mas a hora que eu preciso tem meu pai, tem meu irmão, Rafael de Oyá, que toca o Candomblé.

Umbanda 100 Anos 06 por você.

A Umbanda foi tudo pra mim, e é tudo; a gente quando passa de uma nação pra outra, se a gente não tiver estrutura a gente vacila muito, é como se você falasse uma língua diferente, porque espíritos pra mim todos são iguais, não existe diferença, o que muda é modo como você prepara. Eu tive uma experiência no Gêge não muito boa, com um pai de santo, que só não me derrubou mesmo porque abaixo de Deus os orixás, que graças a Deus me retiraram. As pessoas que viviam em minha casa presenciaram muita coisa desse pai de santo, que queria que eu desse a minha casa pra ele, eu perdi mais de cem filhos de santo. Eu passei uma dificuldade muito grande. Eu me vi só. Então, eu tenho uma filha de santo que é de Obá, Maria das Graças dos Anjos, ela e Ana de Oxum foi que me deram uma luz. disseram: “Você não vai cair. Um dia você deu a mão pra gente e hoje nós vamos lhe dar a mão.” Então elas me fizeram conhecer o seu Luiz, que é de Umbanda Umolocô. Seu Luiz pra mim é tudo, abaixo de Deus foi ele que me deu a mão. Depois que eu já tinha sarado, saído da enfermaria, ido pra casa me recuperar, aí eu conheci Rafael de Oyá e comecei a ter intimidade com Pai James de Ogum, e é ele que vai fazer minha obrigação de 14. Eu vou abrir a minha porta pra Manaus toda, porque o pessoal não me ver de orixá, me ver de preto-velho e exu, sou conhecida como a Neura de Seu Sete Encruzilhadas, mas eu vou fazer minha obrigação de Ketu, porque eu preciso, muitas pessoas da minha casa são de nação e eu preciso. Mas foi a Umbanda que me deu a mão, quem me suspendeu e me levantou. Ela foi meu início e foi o meu meio, não sei se será o meu fim, mas graças a Deus eu tenho só boas recordações da Umbanda. Pra mim foi uma surpresa [a comemoração dos 100 anos de Umbanda], porque não tinha muita intimidade com ele [Pai André de Ogum]. Eu conheço muita gente de nome, eu não vou não casa de ninguém, porque não tenho tempo. Eu fiquei feliz, principalmente agora que nós fomos alforriados, que nós deixamos de ser seita e somos uma religião. Quer queira quer não, a pessoa tem de respeitar, e eu faço valer isso, eu não tenho vergonha de dizer que eu sou umbandista, que eu sou espiritualista. Se eu tiver que sair de baiana na rua eu vou sair, e que fale mal de mim que eu vou ganhar é dinheiro, largo processo mesmo. É muito bom essa comemoração pra ver se o pessoal se junta mais, espero que a cada ano a gente comemore mais.

Umbanda 100 Anos 11 por você.

Na Umbanda, eu comecei em 70. Fui do Alan Kardec dos sete aos dezesseis, depois passei pra Umbanda, fiquei 12 anos no terreiro da minha mãe, no Rio de Janeiro, Terreiro de Umbanda Rei do Congo e Caboco Sete Lagoas. Benedita Anjo, que a yalorixá, continua trabalhando, com quase 90 anos. Vim pra cá em 82, mas fui primeiro para a Praça 14, na casa da minha mãe, na Dr. Machado, esquina com a Visconde, onde é uma locadora de carro hoje. Em 85 eu vim pra cá pra Cidade Nova, porque já tinha muita gente e lá era muito pequeno. Meu pai hoje é James Rios, James do Ogum. Eu tive que passar pro Candomblé não por vaidade, mas sim por necessidade, porque na casa da gente chega gente de todas as nações. Aí tu imagina a gente ter um filho bom, ma a nação dele é Ketu? Aí você não vai dar a ele o que ele precisa porque você só está na Umbanda. A minha vida é Umbanda, eu gosto dos cabocos, eu gosto dos pretos-velhos, dos exus, das rezas, das danças. O Candomblé pra mim foi um complemento, estou satisfeita também; mas eu acho assim, se você é burro velho não vai aprender uma nação como alguém que fala português e de repente vai falar inglês em uma semana. Mas a hora que eu preciso tem meu pai, tem meu irmão, Rafael de Oyá, que toca o Candomblé. A Umbanda foi tudo pra mim, e é tudo; a gente quando passa de uma nação pra outra, se a gente não tiver estrutura a gente vacila muito, é como se você falasse uma língua diferente, porque espíritos pra mim todos são iguais, não existe diferença, o que muda é modo como você prepara. Eu tive uma experiência no Gêge não muito boa, com um pai de santo, que só não me derrubou mesmo porque abaixo de Deus os orixás, que graças a Deus me retiraram. As pessoas que viviam em minha casa presenciaram muita coisa desse pai de santo, que queria que eu desse a minha casa pra ele, eu perdi mais de cem filhos de santo. Eu passei uma dificuldade muito grande. Eu me vi só. Então, eu tenho uma filha de santo que é de Obá, Maria das Graças dos Anjos, ela e Ana de Oxum foi que me deram uma luz. disseram: “Você não vai cair. Um dia você deu a mão pra gente e hoje nós vamos lhe dar a mão.” Então elas me fizeram conhecer o seu Luiz, que é de Umbanda Umolocô. Seu Luiz pra mim é tudo, abaixo de Deus foi ele que me deu a mão. Depois que eu já tinha sarado, saído da enfermaria, ido pra casa me recuperar, aí eu conheci Rafael de Oyá e comecei a ter intimidade com Pai James de Ogum, e é ele que vai fazer minha obrigação de 14. Eu vou abrir a minha porta pra Manaus toda, porque o pessoal não me ver de orixá, me ver de preto-velho e exu, sou conhecida como a Neura de Seu Sete Encruzilhadas, mas eu vou fazer minha obrigação de Ketu, porque eu preciso, muitas pessoas da minha casa são de nação e eu preciso. Mas foi a Umbanda que me deu a mão, quem me suspendeu e me levantou. Ela foi meu início e foi o meu meio, não sei se será o meu fim, mas graças a Deus eu tenho só boas recordações da Umbanda.

Umbanda 100 Anos 14 por você.

Pra mim foi uma surpresa [a comemoração dos 100 anos de Umbanda], porque não tinha muita intimidade com ele [Pai André de Ogum]. Eu conheço muita gente de nome, eu não vou não casa de ninguém, porque não tenho tempo. Eu fiquei feliz, principalmente agora que nós fomos alforriados, que nós deixamos de ser seita e somos uma religião. Quer queira quer não, a pessoa tem de respeitar, e eu faço valer isso, eu não tenho vergonha de dizer que eu sou umbandista, que eu sou espiritualista. Se eu tiver que sair de baiana na rua eu vou sair, e que fale mal de mim que eu vou ganhar é dinheiro, largo processo mesmo. É muito bom essa comemoração pra ver se o pessoal se junta mais, espero que a cada ano a gente comemore mais.

Umbanda 100 Anos 09 por você.

DONA CIGANA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TÓY LISSÁ AGBÊ MANJÁ

Deu meia-noite

tem coruja no telhado,

hoje é noite de magia

a Cigana vem aí.

.

Quando ela vem

Santa Sara é quem nos guia,

nesta noite de magia

o fluído é do amor.

.

Ela traz rosas,

fitas, velas perfumadas,

lá na capela o sino já bateu.

.

Na encruzilhada o galo já cantou,

vamos acender a chama

do fogo do amor.

.

Amor que hoje

está faltando nos terreiros,

está faltando em sua casa,

falta então no mundo inteiro.

Cigana Mãe Emilia 01 por você.

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O amplo e bonito terreiro de Nochê Hunjaí Emilia de Tóy Lissá estava maravilhosamente organizado com as mais variadas cores em belos adornos, a mesa estava posta com as mais deliciosas comidas e mais saborosas bebidas. Os convidados preenchiam o ambiente, tendo entre os presentes pais e mães de santo, filhos de santo de diversas casas, estudantes, professores, simpatizantes, todos que foram apreciar a tão famosa festa da Cigana.

Cigana Mãe Emilia 02 por você.


Cigana Mãe Emilia 08 por você.

Cigana Mãe Emilia 05 por você.

E quando zoaram os tambores, Mãe Emilia formou a roda, puxando as rezas e espalhando a mais a espiritualidade naquele espaço. Todos se regozijaram com o ritmo e as rezas cantadas para diversos cultos afro, pois como explicou a conhecida e respeitada Yalorixá, que também é presidente da FUCABEAM – Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas, estavam presentes numa comunhão diversas casas de santo, e, além de ser festa da Cigana, ali é a sede da Fucabeam e a Fucabeam é para todos, então todos tiveram vez de puxar suas rezas, seus pontos, seus magníficos cantos.

Cigana Mãe Emilia 12 por você.

Cigana Mãe Emilia 09 por você.


Tem coruja no telhado

Hoje é noite de magia

Quem trabalha com Exu

Não tem noite, não tem dia

Cigana Mãe Emilia 10 por você.

Cigana Mãe Emilia 13 por você.

Cigana Mãe Emilia 20 por você.


Entre os diversos ilustres convidados, e todos eram ilustres, pois nos cultos afro não existe discriminação de espécie alguma, estava a moçada do FOPAAM – Fórum Permanente Afrodescendente do Amazonas, que puxa a luta da negritude na cidade de Manaus e atua pela inclusão do negro e da igualdade racial.

Cigana Mãe Emilia 41 por você.

A companheira Dulci Batista, que é coordenadora do Fórum, assessora da Cáritas Arquidiocesana de Manaus e Militante do Movimento Negro, falou sobre a participação deles nessa noite na casa de Mãe Emilia:

Hoje nós estamos aqui na Fucabeam, enquanto Fórum, celebrando 100 anos da Umbanda, juntamente com esta festa Cigana, que é uma tradição daqui da casa, e celebrando também o 20 de novembro, que é o dia que nós temos como o Dia Nacional da Consciência Negra, no Brasil todo, então a nossa presença aqui faz parte das atividades do Fórum durante todo esse mês de Consciência Negra, dizer que estamos aqui, que somos solidários e defendemos a liberdade de culto.

Cigana Mãe Emilia 17 por você.

Cigana Mãe Emilia 14 por você.


Mandaram um recado para mim,

dizendo que Marabô ia chegar.

.

Também mandaram me dizer

que ele vem acompanhado de mulher.

.

É Maria Mulambo, cigana de fé,

É Maria Padilha, rainha do Candomblé.

Cigana Mãe Emilia 19 por você.

Cigana Mãe Emilia 16 por você.

Cigana Mãe Emilia 25 por você.

Pombogira é mulher de sete maridos

Pombogira é mulher de sete maridos

Ô, não mexa com ela, ela é um perigo

Ô, não mexa com ela, ela é um perigo

Cigana Mãe Emilia 26 por você.

Cigana Mãe Emilia 24 por você.

E finalmente eis que chegou Dona Cigana, trazendo ao terreiro seus cantos, suas rezas, seu perfume, suas flores e sua graça de dançar, recebendo o carinho e respeito de pais e mães de santo, filhos e convidados e distribuindo sua alegria contagiante e suas bênçãos a todos os presentes nessa noite de luar, noite de magia.

Cigana Mãe Emilia 28 por você.


Eu vinha numa longa madrugada

Numa longa estrada encontrei as cachoeiras

Eu vinha numa madrugada

Eu encontrei uma linda cachoeira.

.

Sentei naquela pedra

E procurei meu cigano Wladimir

Me banhei nas cachoeiras

E procurei meu cigano Wladimir.

.

Eu sou Cigana, ciganinha

Sou Cigana do Amor

Eu sou aquela Cigana

Protetora das mulheres.

Cigana Mãe Emilia 30 por você.


Conversamos com Mãe Emilia, que nos falou apaixonadamente dessa Cigana que veio à vida dela auxiliar as pessoas necessitadas de ajuda espiritual, curar, dar conselhos desde que ela muito jovem.

Ela é uma Cigana oriental, sempre que ela vem ela dança com qualquer um espírito que tiver, mas ela é uma Cigana oriental. Ela veio do Egito. Ela não trabalha somente como cigana, ela trabalha como aquela mulher maravilhosa, uma enfermeira, uma médica, que cura. Chegam pessoas aqui loucas, com câncer… Ela tá pronta pra ajudar. Vou pelos interiores, ela desce, faz cura, faz tudo. Ela cruza vinte e uma linhas, por onde ela passa, a linhagem dela, os fundamentos dela. Ela cura muito, trabalha também em desunião, uma pessoa que tá precisando de uma paz, um amor na vida, ela ajuda demais. E não é à custa disso [dinheiro], porque ela diz que tá desempenhando a missão dela aqui na terra. Por caridade. E eu trabalho por caridade. Cobro sim os meus búzios que eu boto, feitura, que o filho tem de comprar as coisas pra poder se preparar. Mas durante a minha vida, ela nunca, nenhum deles nunca cobrou nada de ninguém.

Cigana Mãe Emilia 43 por você.


Dizem que a Cigana é uma rosa

Que nasceu no meio dos espinhos

Dizem que a Cigana é uma rosa

A Cigana é uma rosa

Que vai iluminar os teus caminhos.

Cigana Mãe Emilia 31 por você.

Cigana Mãe Emilia 35 por você.

Veio até um babalaô que viu pela internet e veio aqui para comprovar se era aquela Cigana que ele encontrou na Turquia, e ele chegou aqui e comprovou que era ela. Eu nem sabia. Ele ficou no cantinho, escondido, pra ver se ela conhecia. E ela deu a volta todinha e foi lá com ele e deu o bauzinho dela, que ela ganhou, ela tinha ganhado um lindo baú, pois ela foi lá e deu pra ele: “Tá aqui pra provar que sou eu.” Impressionante. E ele disse: “Olhe, diga pra Mãe que eu quero vir aqui conversar com ela, porque eu encontrei. Ele é até turco. Sempre vinha gente turca na minha casa pra conversar com ela, porque ás vezes ela vinha como a Deusa do Sol, então ela se comunicava com eles, e eles me disseram que voltariam pra fazer um templo de mármore pra ela. Eu estou esperando que um dia possa acontecer. Esse eu não sei nem como é que ele estava, as moças que depois me falaram. Talvez quinta-feira eles vão vir…

Cigana Mãe Emilia 39 por você.


Então a roda foi formada para a distribuição da deliciosa e abençoada farofa. Os filhos viam de um em um para comer a farofa que Mãe Emilia e Mãe Maria colocavam em suas mãos, alguns convidados também foram provar, enquanto os da roda cantavam e dançavam…


Fa fa rô fê fa fa ró fá

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Coma a farofa que Exu vai lhe dar

Cigana Mãe Emilia 46 por você.

Cigana Mãe Emilia 47 por você.

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Levanta a farofa que Exu já comeu

Cigana Mãe Emilia 48 por você.

E chegou a hora de Dona Cigana receber os parabéns, cortar seu bolo e distribuir seus diversos presentes. Todos cantaram, comeram e ficaram felizes com o que receberam de Dona Cigana.

Cigana Mãe Emilia 49 por você.

Cigana Mãe Emilia 50 por você.


Mas os tambores continuaram a festa propagou-se pela noite, contagiando a todos por essa bela comemoração da Cigana, que veio através de Mãe Emilia cantar, bailar, distribuir suas palavras aos atentos ouvidos e todos a admiraram em beleza, graça, suavidade, ternura e sabedoria. Axé!


Cigana Mãe Emilia 53 por você.

Eu sempre digo assim pra Deus: “Meu Deus, botaste essa Cigana no mundo, essa mensageira?” Desde a minha infância eu sonhava com ela. A primeira vez eu fiz uma saia (na época só se usava comprido), e vesti a saia vermelha, com folho, e não sei como foi, eu senti assim que me rodaram. Ela veio: “Essa roupa me pertence.” Desde esse dia, pronto, lutar eu lutei muito. Eu perguntava pra Deus: “Como tu me botaste numa outra missão, eu, pura, pra me casar contigo, Senhor?” Mas hoje eu agradeço a Ele até o dia em que Ele quiser. Tô cumprindo a minha missão até quando Ele quiser. Peço que Deus e Eles dêem a benção a todos aqueles aflitos e desesperados, que Deus dê muita paz e muito amor pra todos.

Cigana Mãe Emilia 54 por você.

Cigana Mãe Emilia 57 por você.

Cigana Mãe Emilia 56 por você.

Sou Cigana bonita, que vem do Egito

Sou Cigana bonita, que vem do Egito

Meu pai é rei da Turquia

Meu pai é rei da Turquia

2ª REUNIÃO DA CARTOGRAFIA DOS CULTOS AFRO NO AMAZONAS

Cartografia 01 por você.

No domingo passado, (21) reuniram-se na sede da Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas, situada a rua Pintassilgo, nº 100 – Cidade Nova II (Manaus), representantes da Umbanda, Candomblé, Mina e outros cultos afro-brasileiros para sua segunda reunião de levantamento da quantidade de terreiros que existem em Manaus, para promover a integração destes terreiros e conhecimento das principais dificuldades encontradas cotidianamente nos terreiros e pelos adeptos das religiões afro-brasileiras.

Cartografia 18 por você.

Após as orações e as palavras de Mãe Emília de Toy Lissa, presidente da Fucabeam, os trabalhos começaram, puxados por Flor (da Fucabeam) e Gláucio da Gama, pesquisador da Ufam e membro do Fopaam, que lançaram três questões para serem discutidas pelos participantes.

Em seguida, foram formados vários grupos de discussão, que se espalharam pela ampla área verde de Mãe Emília, onde funciona a sede da Fucabeam, e conversaram acaloradamente entre si sobre as questões apresentadas, enquanto produziam painéis para apresentar sucintamente seus pontos de vista.

Cartografia 06 por você.

Enquanto os diversos grupos preparavam seus painéis, conversamos com Gláucio sobre esse trabalho com os cultos-afro.

Sou Glaucio da Gama Fernandes, estou como pesquisador da UFAM, do Departamento de Antropologia, e também pelo Fórum Permanente Afro-descendente do Amazonas – FOPAAM, sou membro da coordenação e estou ajudando a fazer esse trabalho junto à FUCABEAM. O trabalho tem um objetivo, que é trabalhar a questão da liberdade de culto religioso, como diz a própria lei, a liberdade de culto religioso, os locais de culto, as liturgias, despertar a consciência dos afro-religiosos sobre o direito que eles têm de manifestar a fé. Assim como o cristão católico e protestante tem a liberdade de se manifestar e fazer os seus cultos, suas cerimônias, os afro-religiosos também tem esse direito de fazer a sua religiosidade. E o projeto A Nova Cartografia também tem como objetivo fazer um mapa cartográfico, partindo dum ponto central, que é a Fucabeam, e mapeando onde estão as casas de santo na cidade de Manaus. Vai constar num mapa onde estão situadas as casas que são federadas pela Fucabeam. A gente sabe que não é só a Fucabeam que existe como federação de cultos afro, existe a Abucabam, a Fenecabi e o Carma. E estão aí justamente pra fazer um trabalho de valorização, de afirmação da identidade afro-religiosa.

Esse trabalho tem alguma representação em interiores ou por enquanto só em Manaus?

Esse projeto Nova Cartografia Social da Amazônia é feito em todo o Brasil, na região norte, nos estados do Amazonas e Pará, tem saído fascículos a respeito dos movimentos sociais e religiosos, tudo voltado pra outros estados. Será feito o lançamento na Universidade Federal do Amazonas, nos espaços públicos e também a própria Ufam leva pra outros estados pra apresentar os fascículos que foram produzidos em Manaus, no estado do Amazonas e no interior também. Na Fucabeam existem federados não só aqui de Manaus, tem em Itacoatiara, em Nhamundá, tem Manacapuru. E a Fucabeam é também federada a uma ordem nacional em São Paulo. Então o trabalho vai visibilizar não só aqui em Manaus, mas em todo o Estado brasileiro.

A partir desse trabalho gera um conhecimento muito grande da relação dos terreiros que vão ficar mais conhecidos e vão se fortalecendo. Mas tem algum dispositivo de intervir politicamente, como mudanças de legislações…?

Nesse sentido, a federação, pelo que eu sei, tem um projeto político que no caso trabalha com a questão social e diante dessas iniciativas ela faz a sua questão política com a comunidade, principalmente, e com os federados. É ela que muitas das vezes libera alvará de funcionamento, é ela que tem o poder de fechar alguma casa se tiver irregular, que tiver acontecendo coisas que é fora do normal do culto.

Pode defender também…

Isso, pode defender. Existe um conselho na federação de advogados, que, quando tem algum problema, se a comunidade cria algum problema com alguma casa de santo, tem os advogados pra responder por eles. Então, nesse sentido, eles estão bem amparados e isso é bom porque dá uma certa credibilidade. O que eu tenho observado como pesquisador: existe muito terreiro aqui em Manaus, porém eles não tem conhecimento, muitas vezes, e não querem se filiar às federações. Uma coisa que não acontece da noite pro dia. Eu ouço muito falar que tem pai de santo que não era pra ser pai de santo porque tem todo um processo de estudo, toda uma preparação, e se não faz a preparação a gente corre o risco de ver o charlatanismo que tem. Quantos e quantos não usam a fé pra se sobressair, pra se prevalecer. E isso é muito sério. Acabam também desqualificando o trabalho daqueles que fazem com coerência, com respeito, é uma questão sagrada.

Tu estudas antropologia?

Na realidade eu sou professor da rede municipal, de ensino religioso, atualmente eu estou fazendo uma especialização em história e cultura afro-brasileira, pela faculdade Tahiri, no São José e esse trabalho que eu tô fazendo aqui já vai me ajudar no meu trabalho final da especialização. Enquanto os meus colegas não querem fazer nada voltado pra religiosidade porque eles têm aquele tabu, aquele medo, eu tô de pé atolado nos terreiros. E é bom justamente pra desmistificar até que ponto aquilo que se diz na sociedade, que se fala: “Ah, porque é macumbeiro, porque despacha…”. Não. Tudo tem uma simbologia, tudo tem um significado. Que história é essa de dizer, de onde partiu essa idéia de dizer que o teu nome vai pra boca do sapo e vai ser amarrado? É preciso desmistificar essas coisas que se falam e que acabam sendo incutidas dentro da cabeça das pessoas e sendo veiculadas, transmitidas como preconceito, como discriminação, e não é. É preciso conhecer. Se a gente não conhece, a gente corre o risco de viver na ignorância, na intolerância religiosa, principalmente, que é tão forte aqui no Amazonas. Porque em outros estados a gente não percebe, eu pelo menos, a leitura que eu tenho, a gente não vê tantos conflitos em questão religiosa em outros estados. O Amazonas, eu não sei, a gente precisa ainda fazer um estudo sobre por que as coisas aqui são tão difíceis, por que as pessoas dificultam as coisas, principalmente nesse aspecto.

Com esse trabalho talvez diminua…

É justamente o trabalho, o projeto da Fucabeam no sentido da Cartografia é apresentar à comunidade e à sociedade manauara como é que é, como é que acontece a questão do culto e o que oferece pra comunidade. Porque a gente sabe que os terreiros são espaços públicos, a comunidade vem em busca de auxílio. E tem uma coisa muito séria que eu já percebi que as pessoas vivem doentes e a doença delas muitas vezes é espiritual. E quem é que vai tratar? É o médico, aquele formado na medicina? Não, porque nunca a medicina vai descobrir o que é doença espiritual. E quem é que vai cuidar disso? São os afro-religiosos, que são muito experientes nessa parte. Tem até um projeto de lei pra se reconhecer as casas de Umbanda, o culto, como o espaço de cura, porque não deixa de ser.

Então os grupos já haviam terminado os debates, todos voltaram para o interior do barracão, onde cada um passou a apresentar seus pontos de vista, analisando cada uma das questões e colocando problemas e sugestões, que serão incluídas no fascículo a ser produzido pela Cartografia. Colocamos aqui alguns trechos das falas de representantes de cada um dos terreiros presentes que se manifestaram.

do Terreiro de Santa Bárbara

do Terreiro de Santa Bárbara

Nós chegamos à conclusão que o preconceito, em primeiro lugar, muitas vezes parte de nós mesmos, dos próprios umbandistas, e também da falta de conhecimento dos próprios adeptos, de pessoas envolvidas na religião, para depois se generalizar. Esperamos que a Cartografia traga conhecimento para nós mesmos e para toda a sociedade.

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Pai Tota

Pai Tota

Nosso trabalho espiritual exige todo um aprendizado. Não é da manhã à tarde que se faz um pai de santo. A folha cura, mas depende de como é utilizada. Existe toda uma técnica. Eu estou feliz aqui e na minha religião, o preconceito, eu espero que não seja vulgarizado.

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do Terreiro de Mãe Maria

do Terreiro de Mãe Maria

Sobre os preconceitos que sofremos na nossa religião, são de duas formas: de discriminação e de exploração. Na primeira, ocorre a discriminação religiosa e social, que é a pior de todas, família, amigos, trabalho, política. Por exemplo, na roda de amigos ou no trabalho nós não podemos dizer que somos da Umbanda, porque sofremos preconceito. Nós esperamos nessa Cartografia, da sociedade em geral, das comunidades de outras religiões que as religiões afro são como outras religiões. No caso das ervas, nosso terreiro é pequeno, é uma pena que não possamos plantar as nossa plantas, precisamos ir a uma área rural para comprar nossas ervas.

da Casa de Mina Jeje Nagô

da Casa de Mina Jeje Nagô

Nós somos da Casa de Mina Jeje Nagô, Zé Pelintra. Nós sofremos muitos preconceitos de outras religiões, principlmente da evangélica, que sempre acha que nossa religião é coisa do demônio. Preconceito cultural perante a sociedade, nossa sociedade é preconceituosa não somente à nossa religião não, mas a tudo. Nós esperamos com essa Cartografia, o reconhecimento perante a soicedade como um todo. Eu espero que meu pai, minha mãe, que meu vizinho respeite a minha religião. Porque, por exemplo, às vezes eu tenho um marido e ele não valoriza a minha religião. Como, então, o meu vizinho vai valorizar? Também acredito que é papel dessa Cartografia ampliar a divulgação das religiões afro-brasileiras para melhorar o conhecimento sobre elas. Porque, se alguém é pastor, não é por isso que ele conhece tudo da bíblia. Nós não conhecemos tudo da nossa religião. Nós vamos parendendo um pouquinho a cada dia.

do Terreiro de Pai Joel de Ogum

do Terreiro de Pai Joel de Ogum

A discriminação é feita por muitos, que não nos respeitam, as nossas diferenças. Um dos papéis da Cartografia é divulgar a nossa religião, para sermos respeitados. No nosso barracão, nós também não temos espaço para fazer plantação, então nós compramos nos mercados e feiras.

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do Terreiro de Mãe Emilia, da Fucabeam

do Terreiro de Mãe Emília, da Fucabeam

Nós, da Fucabeam, enfrentamos uma resistência muito grande das próprias pessoas do culto em se filiar, em se envolver para dar uma opinião, a ajudar os próprios irmãos, e sobre os fundamentos da religião, temos um preconceito muito grande no interior da religião no que se refere à hierarquia, alguns porque tem dois, três anos não querem respeitar os mais velhos na religião. Nós temos muitas dificuldades também nas instituições, em acesso a hospitais. A pessoa às vezes precisa de uma visita espiritual; nós temos muitas pessoas da igreja católica, de igrejas evangélicas, mas não vemos pessoas das religiões afro, um pai de santo, um babalorixá. Um exemplo, faleceu um irmão de santo nosso aqui do terreiro da Mãe Emília, e quando ele ainda estava no hospital, ela pediu pra eu ir visitá-lo, como ele estava na UTI, a médica não quis passar nem informação sobre o estado em que ele se encontrava, pelo fato de eu dizer que era irmã de santo dele. Então ela achou que eu não tinha valor nenhum, que só a família biológica tinha direito de saber sobre a saúde dele. Foi um preconceito muito grande com a nossa religião. Outro exemplo, quando a Mãe Emília foi abrir uma conta na Caixa Econômica, o gerente, só de saber que a Mãe Emília estava abrindo para a Fucabeam, ele pediu 5 mil reais para abrir a conta. Esperamos que com essa Cartografia, as pessoas venham a conhecer e se envolver mais com a religião. Nós, da Fucabeam, esperamos um reconhecimento tanto dos governos quanto das outras pessoas de outras religiões. Esperamos há muito tempo para fazer uma área verde para os orixás, o projeto do Parque dos Orixás, que todos os pais de santo, mães de santo pedem para que sejam feitos os trabalhos. Como todos estão vendo, aqui no terreiro de Mãe Emília há uma área verde muito grande, de modo que a maioria das ervas que precisamos para cura, para obrigações são retiradas daqui mesmo. Quando nós temos aqui, compramos ou falamos com um irmão que tenha.

Pai Edson de Codoense

Pai Edson de Codoense

A sociedade conhece pouco da religião afro-brasileira. Então ela prejulga e julga. Acredito que grande parte do preconceito que sofremos vem do desconhecimento da sociedade. A partir do momento que a sociedade conhece, ela passa a quebrar com os preconceitos. Eu não quero apontar o dedo, mas quem fez esse preconceito, ele vem da época da colonização do Brasil. Com a chegada da reliugião católica. Com a chegada dos escravos, trazendo a religião africana para o Brasil, fomos atacados pela sociedade portuguesa da época, e até hoje isso vem se arrastando. Que a sociedade vá conhecendo um pouco da religião, para que vá diminuindo o preconceito e a discriminação. Não temos nenhum espaço na mídia, não tem um canal de televisão, uma emissora de rádio onde se mostre um programa sobre as religiões afro. O espaço na mídia é muito restrito, temos apenas algumas revistas, alguns sites. Por incrível que pareça, mas a mídia só procura um zelador de santo, um sacerdote, os babalorixás no final do ano para prever o futuro do ano seguinte, fora isso não temos espaço. Essa Cartografia vai servir como um meio de transporte, como um meio de divulgação, vai levar para outras pessoas o que realmente acontece nos cultos afro-brasileiros. A Cartografia deve servir de elo entre os cultos afro-brasileiros e a sociedade. Quanto às ervas que usamos, existem em quase todas as feiras e mercados boxes especializados nessas ervas curativas e para as obrigações. Mas sempre tem algumas ervas que nem é possível plantar na nossa região, devido ao nosso clima tropical. Colocamos aqui o nome de algumas ervas que utilizamos no dia-a-dia; elas tem o nome científico, mas colocamos aqui os nomes populares: a corama, a babosa, o crajiru, a fruta do abacaxi, o limão, o boldo, o pobre-velho, a canela, a papoula, sacaca, jurema, mastruz, o leite-do-amapá, a raiz do açaizeiro, a imbaúba e muitas e muitas outras ervas.

Cartografia 12 por você.

Ao final, várias pessoas fizeram suas considerações, e tomamos as sábias palavras de Mãe Emília, que fez a avaliação dessa segunda reunião da Cartografia.

Hoje foi um dia pra nós muito bom, muito aproveitável de tudo aquilo que foi feito. nós escrevemos, nós falamos sobre o preconceito e essas coisas, foi ótimo, maravilhoso. Então pra mim foi um grande dia, foi um grande objetivo que nós enfrentamos e tamos conseguindo, realmente a gente fez aquilo que a Fucabeam precisava fazer, sobre o preconceito, a luta, a batalha. Estamos mais de seis anos batalhando, estamos realizando exatamente tudo aquilo que a Fucabeam precisa fazer. Esse projeto que nós temos, já entregamos no governo, o nosso santuário sagrado, tudo isso a Fucabeam realiza. A escola das crianças que nós temos aqui de futebol, dos meninos de rua, tudo isso, dos colégios. Tudo isso a Fucabeam, nós estamos conseguindo botar tudo em dia, não só a vida espiritual, mas também a vida social do povo que procura esta casa em busca de tudo pros seus filhos, pras suas crianças. Tudo aquilo que nós pensamos nós estamos conseguindo.

FESTA DE YEMONJÁ NO YLÊ AXÉ SESU TOYÃN

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 por você.

BABALORIXÁ GILMAR TY YEMONJÁ

21 ANOS DE SANTO

Como sempre, e dessa vez mais ainda, o Ilê Axé Sesu Toyãn estava arrumado maravilhosamente. E não demorou para ficar repleto de babalorixás, yalorixás, familiares, filhos de santo, irmãos de santo, todos os convidados, amigos de Pai Gilmar, que no sábado passado fechou um ciclo de sua trajetória como pai de santo: 21 anos de santo, a maioridade do babalorixá.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 02 por você.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 01 por você.

E assim começaram as cinco saídas que houve na festa. Como Pai Gilmar explicou, duas particulares suas, como parte dos rituais de 21 anos de santo, e três saídas de Iemanjá. A primeira saída sua foi a saída de ebami (“o filho mais velho”), desde os sete anos ele se tornara ebami, mas nesse momento ele deixa definitivamente de ser yaô.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 09 por você.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 11 por você.

Então foi a vez da segunda saída de Pai Gilmar, a saída da quebra do quelê, que não vai mais precisar ser usado, somente se Iemanjá mandar, conforme falou Pai Gilmar.

E foi nessa hora que todos os presentes ouviram o carinho de Pai Ribamar para com esse filho que chega à maioridade de babalorixá:

Convidados, babalorixás, yalorixás, ekédis, ogans, orixás, todos aqui presentes, aqui no Axé Ilê Sesu Toyãn. Todo mundo já me conhece, não preciso me apresentar. Eu sou Ribamar, pai de santo do Gilmar, que hoje cumpre sua obrigação de 21 anos. Sendo assim, contamos com as presenças de babalorixás, yalorixás, com a presença também da mãe biológica dele, a irmã, a família do Gilmar aqui presente, também os filhos de santo, irmãos, irmãs de santo presentes aqui. O Gilmar é do meu segundo barco. Ele começou a tocar Candomblé lá no Seringal Mirim. Me ajudou muito, criou muitos yaôs lá em casa, nós temos uma trajetória divinal. Eu, mais uma vez insisto, aqui na obrigação de 21 anos do Gilmar, que é uma obrigação muito importante, é quando o filho toma finalmente a sua liberdade. E, com todo o amor, com todo o carinho, eu dou esta obrigação.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 17 por você.

Pai Gilmar, emocionado, também falou, agradecendo a todos, enquanto recebia fervorosamente as palmas de todos os presentes:

Muito boa noite a todos! Muito obrigado! Eu tenho três pessoas para agradecer. Uma é meu pai de santo, Pai Ribamar, que me raspou. Outra é o Dudu (à esquerda na foto acima), que me criou. E um, infelizmente não está mais aqui, que é o meu pai pequeno, que já foi, Olorum já levou. Que Odé esteja presente, que me abençoe, assim como Xangô e Obaluaê.

Finalmente Iemanjá veio, na primeira de suas três saídas, a saída obrigatória em homenagem a Oxalá.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 21 por você.

A segunda saída de Iemanjá, que não é obrigatória, quando Iemanjá veio para festejar, homenagear o orixá do pai de santo de Pai Gilmar, que é Xangô.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 27 por você.

A festa ainda contou com a presença de membros da Fucabeam, com sua presidente, Mãe Emília de Toy Lissá (à esquerda).

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 33 por você.

A terceira e última saída de Iemanjá, a saída de luxo, quando o orixá vem todo paramentado, com todas as suas vestes, suas jóias.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 34 por você.

Pai Miguel de Vondoreji, que pertence à Casa da Fé em Deus, no Maranhão, foi homenageado, recebendo dentro da casa de Pai Gilmar o cargo de Oju Obá (“Os Olhos do Rei”).

Eu estou tendo duas felicidades em estar recebendo um cargo nessa casa. O terreiro ao qual eu nasci faz 50 anos esse ano. Nós estamos com obrigações desde o dia 06 de janeiro e encerra no dia 15 de dezembro. O Pai Gilmar, há dois anos atrás, recebeu um cargo na casa de Iemanjá, à qual eu pertenço, dentro do tambor de Mina, no Maranhão. E Iemanjá me contemplou com um cargo dentro do terreiro de Pai Gilmar. Então, é uma felicidade em dobro: a nossa casa fazer 50 anos e ele ter um cargo dentro de nossa casa, e nos 21 anos de Pai Gilmar a gente receber um cargo em sua casa.

Ao final, Iemanjá entregou seus presentes aos babalorixás, yalorixás e outras pessoas das quais recebeu homenagens e às quais passou suas bençãos, nessa maravilhosa festa em Pai Gilmar completou os 21 anos de culto e devoção aos orixás, e chega à maioridade na religião, sendo conhecido e respeitado por toda a comunidade do Candomblé em Manaus e por todo o Brasil. Axé!

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 50 por você.

Pai Gilmar-Iemanjá 2008 53 por você.

PAI GILMAR TY YEMONJÁ: 21 ANOS, A MAIORIDADE DO BABALORIXÁ

Pai Gilmar 21 Anos Convite por você.

Clique nas fotos para ampliá-las.

Nesse momento que publicamos esse convite e a entrevista que fizemos com Pai Gilmar, ele se encontra recolhido no roncó, o quarto de santo, cumprindo suas obrigações e preparando-se para a festa do próximo sábado. É uma longa história, e é essa história, a trajetória desse conhecido babalorixá de Manaus, respeitado em todo o Brasil, que trazemos aqui, em suas sapientíssimas palavras, entremeadas com imagens que formam uma linha candomblezística contínua em todos esses anos.

Festa de Iemanjá (2006)

Festa de Iemanjá (2006)

Eu sou cearense, nasci no interior de Fortaleza chamado Jaguaruana, mas saí do Ceará eu tinha 2 anos de idade e fui morar no Rio de Janeiro com minha tia madrinha. Fiquei lá até os 13 pra fazer 14 anos e vim pra Manaus. Por coincidência, na mesma época, eu comecei a ter problemas com espírito, com os cabocos, com as entidades. E na rua onde a minha mãe morava, no Lírio do Vale, tinha um batuque, chamavam de batuque, não chamavam de terreiro de Candomblé, terreiro de Umbanda, era batuque. E tinha um batuque e eu, por curiosidade, fui bisbilhotar, fui pra ver e lá acabei me manifestando e no término da noite, da sessão, não recordo direito a que horas, e o dono da casa, que era o seu Flexeiro, na cabeça de dona Maria Dofona, dona da casa, me convidou pra fazer parte da corrente. Uma vez eu ia, outra não queria ir; era toda quinta-feira, começava às 7 da noite e terminava às 10. Às vezes eu ia, às vezes eu não ia, eu estudava à noite, às vezes tinha dia de prova e não dava pra sair mais cedo, não dava pra ir, e assim fui levando. A minha vida de santo, é muito melindrosa, é muito complexa, porque eu, mesmo morando fora de casa, não no seio familiar da minha mãe, morando com a minha madrinha no Rio de Janeiro, ela era umbandista, frequentante assídua. E eu vim me manifestar com o caboco com 7 anos de idade . No dia do meu aniversário o meu caboco me deu com a cara no bolo na hora de apagar as velas. Eu baixei a cabeça e já não era mais eu. Aí, no outro dia, febre, febre, febre. E a minha tinha tia madrinha me levou pra rezar, tinha muita rezadeira nessa época, pra eu ser rezado no terreiro porque eu também muito pouco ia porque era criança, mesmo adolescente, ela não me levava porque era a noite. Mas me levou pra rezar. E a dona da casa de nome Francisca, chamava de vó Chica, se atuou com a dona Mariana e a dona Mariana disse que ia afastar durante 7 anos, e calha que é o tempo que eu cheguei em Manaus, de 13 pra 14. E depois quando eu tava de 14 pra 15, adolescente, o caboco me pegou. E aí já ficou, começou a a desenvolver e eu tava recebendo esse caboco, esse marinheiro. Enterei 39 anos de idade, 39 menos 14, 25. 25 anos tá enterando o seu marinheiro, aliás, ano que vem tá enterando 25 anos.

Obrigação de 1 ano de Pai Gilmar de Iemanjá. Com seu padrinho de oroncó, Mauro de Oxóssi, filho da finada Ianitinha, e finado Pai Pequeno Wilson Falcão Real (Tata Mutalembê)

Obrigação de 1 ano de Pai Gilmar, de Iemanjá. Com seu padrinho de oroncó, Mauro de Oxóssi, filho da finada Ianitinha, e finado Pai Pequeno Wilson Falcão Real (Tata Mutalembê)

Eu me iniciei no culto nas mãos do pai Ribamar, dia 27 de agosto de 1987. Mas antes de eu ir pro Seringal fazer santo eu era abiã, iniciante, que é a primeira pessoa que entra na casa, sem ser yaô, sem ser formado, sem ser feito, na casa da Maria Dofona, que era filha de santo, na época, do meu finado Pai Pequeno, Mutalembê do Oxóssi, também ela era de Oxóssi. Hoje em dia ela filha de santo do Olegário. Ela tomou, tirou mão de vume com ele e fez as obrigações com ele e isso, isso no bairro do Lírio do Vale, começo de 80, 82, por aí. E, no final de 85, eu fui pro Seringal, até então era só seu Ribamar, conhecido, amigo, colega, pai de santo antigo da cidade, e meu encantado, meu

Obrigação de 3 anos de Iemanjá

Obrigação de 3 anos de Iemanjá

caboco, seu Marinheiro foi e me levou pra casa dele e entregou minha cabeça a ele e disse que a partir daquela data quem ia tomar conta de mim, da minha vida espiritual seria ele. E ele me acolheu na casa dele, passei dois anos oborizado, fiz o bori pra Iemanjá e em agosto de 87 fiz o santo com mais três pessoas, meu dofono, que é Oxóssi, que é o Frank, que mora no Rio de Janeiro, o Irã de Obaluaê, que mora em Manaus, no bairro do Lírio do Vale, e eu raspei Iemanjá. Entramos dia 02 de agosto, por coincidência, dia do meu aniversário, e o nome de Iemanjá com Oxóssi e Obaluaê do meu dofono, do meu dofonitinho e eu foram no dia 27 de agosto do mesmo ano. Eu passei os três meses com meu quelê no pescoço, e, no término do meu quelê, Iemanjá já começou a me experimentar, creio eu. Porque eu muito novo de santo, com mais ou menos quatro ou cinco meses de santo, já tinha passado o preceito do quelê e eu fui tirar o primeiro barco sem saber bem o que era. Tinha sido muito bem ensinado, meu pai criador, Dudureji, o Sílvio, do Tempo, que é meu amigo particular, que é pai de santo da ekédi, minha nora, mulher do Ogã da minha casa, de Iemanjá. E fui muito bem criado, aprendi muitas coisas muito rápido com ele e assim eu fui começando a criar os barcos do meu pai de santo, ou seja, o yaôs, depois de mim que entraram. Criei mais ou menos uns 18 barcos, pra não aumentar nem diminuir, mais ou menos nessa faixa. Criei muito yaô, cuidei de muito Ogã, de muita ekédi com o meu pai de santo, aprendi muita coisa com ele, tanto a teoria como prática, principalmente. Tomei minha obrigação de um ano, na mesma época, em agosto de 88, meu Pai Pequeno ainda era vivo, sem perder tempo, sozinho, meus outros irmãos de santo de barco não tomaram comigo, eu tomei só. Então aí eu comecei a me distanciar, a andar a minha vida espiritual só. Fui recolhido com

Pai Ribamar entregando o decá, 7 anos

Pai Ribamar entregando o decá, 7 anos

mais dois, mas depois de um ano tomei a minha vida espiritual sozinho, porque aí logo depois tomei a minha obrigação de 3 anos, infelizmente já sem a presença do meu Pai Pequeno, que ele havia falecido. Eu tomei em agosto de 90 e ele faleceu no dia 1º de abril de 90. E tomei minha obrigação de 7 anos em 94, dentro do Seringal, com o meu ainda atual pai de santo, que ainda é meu pai de santo. E abri casa no ano seguinte, em 95, aqui no bairro do Jorge Teixeira. Antes desse. Tomei minha obrigação de 14 anos. Abri casa e alguns anos depois tomei a minha obrigação de 14 anos, que ficava aqui mesmo no bairro Jorge Teixeira, no conjunto Artur Virgílio, na rua 3, casa 242. Após o término da minha obrigação, não era casa própria, era casa parcelada da construtora. E eu tive que entregar casa, mesmo porque lá não tinha quintal, não tinha espaço de terra, e eu queria um espaço maior de terra, tava no final do quintal e então a gente mudou pra cá. E por coincidência vou tomar minha obrigação de 21 anos numa casa nova. Estamos de reforma na casa, ajeitando a casa justamente pra isso, pra obrigação da festa de Iemanjá e pra minha obrigação de 21 aos de santo.

Pai Gilmar recebendo o decá

Pai Gilmar recebendo o decá

E minha história é basicamente essa: tomei minha obrigação de 1, com meu pai de santo, minha obrigação de 3 com meu atual pai de santo, a obrigação de 7 anos com o pai de santo, minha obrigação de 14 anos com meu pai de santo, vou tomar minha obrigação de 21 com meu atual pai de santo. Não deixará de ser meu pai de santo, que ainda é vivo, principalmente depois que morrer, porque a minha obrigação é a última, de 21 anos, fecha o meu ciclo espiritual como o filho dele, mas filho dele eu não vou deixar de ser, porque ele está vivo e pretendo que ele fique muitos anos, mas mesmo com a morte dele eu não dou mais a minha cabeça a pai de santo nenhum, porque não é mais necessário. Porque a obrigação de 21 anos é a alforria total de qualquer sacerdote. Meu pai de santo estará comigo depois da minha obrigação de 21 ano enquanto vida ele tiver ou eu, mas ele vindo a falecer primeiro do que eu, eu continuo sendo filho de santo dele porque não dou a minha cabeça a mais ninguém, não é mais necessário. Não que eu não queira, mas não é mais necessário. Só tive um pai de santo, minha feitura, minha obrigação de 1, 3, 7, 14 e 21 foram todas

Decá, Oxóssi tirando o tabuleiro de frutas

Decá, Oxóssi tirando o tabuleiro de frutas

com o meu mesmo pai de santo, tudo com seu Ribamar de Xangô. Tudo. Não mudei de casa, não mudei de axé, muito pelo contrário, eu só fiz crescer. Porque eu não tinha casa, eu era uma pessoa que vivia na casa dos outros, agora tenho minha casa particular, tenho meu barracão particular, a minha casa é cheia de gente, cheia de amigos, cheia de filhos de santo, meu pai de santo me visita sempre que pode, mora perto de mim, gosto muito dele, gosto de todos os meus irmãos de santo. Tenho uma família grande, meu avô de santo é de Salvador, vive na cidade, tenho muitos tios de santo que vivem na cidade dele. Eu tenho uma família enorme de santo. Pela minha família de santo eu acho que já é a quarta ou a quinta geração. Eu tenho avô, meu avô já tem bisneto, já tem tataraneto, porque que eu já tenho filho, já tenho neto, daqui a pouco eu já tenho bisneto. Então ele já vai ter tataraneto e nós já estamos na quarta ou na quita geração nessa trajetória de 21 anos.

Decá, levado por Pai Ribamar

Decá, levado por Pai Ribamar

Babalaô mesmo só se torna quem tem 50 anos ou pessoas formadas no oráculo de Ifá, que aí já é um outro ritual, um outro segmento religioso de dentro do Candomblé, que são os sacerdotes de Ifá ou chamados Babalaôs ou pessoas que já atingem a maioridade de 50 anos. Muita gente no Brasil já se considera babalaô quando faz as suas obrigações de 21 anos.

Decá, Oxumaré

Decá, Oxumaré

Eu sempre falo que a religião, seja ela qual for, puxando principalmente pro lado da minha, todas elas são maravilhosas, todas levam a um caminho só, a Deus e, principalmente, ao crescimento, seja ele pessoal, financeiro, amoroso e principalmente espiritual, no ciclo de amizades, no ciclo familiar

Formatura de uma das saidas do Decá

Formatura de uma das saídas do Decá

e etc. Mas eu já tive muitas decepções, não com a religião, mas com o povo que freqüenta a religião. Não por estar completando 21 anos de santo, não por me considerar mais velho, não é isso, tem gente na cidade mais velhas. No meu tempo de yaô a gente ficava de preceito, a gente tinha medo de virar no santo no meio da rua, a gente tinha medo ou vergonha das pessoas verem a gente de colar, que é as contas do Orixá, de bocã no pescoço que também não deixa de ser um colar, as senzalas são os búzios enfeitados na palha da costa, todo de branco ou com cabeça amarrada, os homens e as mulheres com boné na cabeça, obrigatoriamente branco. Então eu tinha medo de andar no meio da rua, das pessoas me reconhecerem, me puxar ou então bater na minha cabeça e eu acabar me manifestando por Iemanjá. O Orixá acabava me pegando, porque eu estava muito novo de preceito. Hoje em dia a gente vê muitos yaô na rua, de roupa vermelha, de calça jeans, de cabeça descoberta, sem conta no pescoço, quer dizer, muitas decepções com as pessoas que freqüentam a religião, não com a religião, muito pelo contrário, eu só tive prosperidade, eu só fiz crescer dentro do santo. Cresci espiritualmente, cresci financeiramente, cresci de amizade, porque, desde quando

Decá, Iemanjá

Decá, Iemanjá

eu vim do Rio de Janeiro pra Manaus, eu não saí de Manaus. Vim sair de Manaus depois de feito. Conheci São Paulo através do Santo, conheci novamente o Rio de Janeiro, porque quando eu saí era muito criança. Conheci já Brasília, Belém, Boa Vista, Acre, o Rio Grande do Sul, tudo por causa do santo. Por quê? Por outras pessoas me convidarem a ir nas suas casas, filho de santo dá obrigação fora, irmão de santo dá obrigação fora e me convidaram pra ir ajudar, quer dizer, só tive de prosperar. Fui agraciado com o título sacerdotal dentro da casa das minas da Fé em Deus , em São Luís do Maranhão, quer dizer, se não fosse a religião, se não fosse eu ser sacerdote, eu não tinha sido agraciado em uma outra casa de culto com um título muito nobre. Em yorubá se fala “Vodunó Adarusô”, que quer dizer em português “Grão Sacerdote da Casa de Kevê Osô”, porque Kevê Osô é uma família que também tem Xangô, como se fosse pra nós, só que pra eles são Badé, e quem me raspou foi Xangô, meu pai de santo é de Xangô. Então eu faço festa todos os anos a Itó e Vereketi, um vodum novo de dentro da casa de Jeju. aqui em Manaus ninguém louva esse Orixá, esse vodum já há muitos anos. E a cerca de 18 anos, dona Herondina, na minha cabeça, resgatou essa festa dentro do Seringal, que era uma festa muito grande que tinha lá. E eu fui agraciado por ser a única pessoa na cidade que ainda cultua Mina, mesmo sendo Ketu, mas que faz todo o ritual de Mina pra festejar Tó e Verekêti e a procissão de São Benedito, porque é o santo que Tó e Verekêti venera, no sincretismo religioso, e faz todo o ritual desde o começo, do sábado de aleluia, passando pelas nove noites de novena, até culminar com a carreata do santo, com a procissão e com o toque em homenagem a Verekêti, e todo o ritual é Mina, desde o imbarabô, passando pelo mokororó, que é uma comida de Itó e de Isá, comida pra Oxalá, que é distribuída no meio do barracão, até o toque em homenagem à família da Turquia, que a dona Herondina é filha de um rei da Turquia, é uma princesa e comanda o tambor.

Dona Herondina

Dona Herondina

Há muito tempo pra cá que eu sou envolvido nas questões político-religiosas. É, há alguns anos atrás, a cerca de uns 4 anos atrás eu me envolvi mais ainda. Nós temos um grupo seleto de amigos que luta fervorosamente já nesses 4, 5 anos e nós montamos um conselho que é o Carma (Conselho Amazonenses de Religiões de Matrizes Africanas), onde fazem parte as federações existentes, com seus representantes: o Pai Ribamar, que é o Coordenador da Fenecabi em Manaus, Pai Lair de Oxum, que é o presidente da Abucabam, onde eu faço parte como tesoureiro, o Pai Miguel de Vondoreji, que se encontra atualmente no Maranhão, pelo jubileu de ouro da casa da Fé em Deus, a mãe Nonata de Oxum, a mãe Emília de Itó e de Isá, que é a mãe Emília da Cidade Nova, o Pai Jean de Xangô. Nós somos seis ou sete, não me recordo de todas as pessoas. Isso é como se fosse uma comissão, um conselho, não tem uma nomenclatura certa. Cada um fala um tipo, mas o nome mesmo é Carma. EU sou secretário de promoções e eventos da Fenecabi, que é a coordenadoria que tem aqui em Manaus, que é da Federação Nacional de Cultos Afro, que tem a sede em salvador, no Pelourinho.

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O principal objetivo do CARMA é divulgar a religião. Nós estamos lutando junto com o governo, que foi uma grande luta, um grande reconhecimento com o atual presidente, com o Lula, da Lei 11.645, que obriga o estudo da cultura e costumes afro-descendentes no Brasil, na grade curricular.

Inauguração do antigo barracão

Inauguração do antigo barracão

Também estou sentado na cadeira do Conselho Permanente de Educação do Estado, empossado desde setembro de 2006. Faço parte, por freqüentar o FOPAAM (Fórum Permanente Afro-descendente do Amazonas), e o nosso objetivo é exatamente esse: divulgar a religião, que as pessoas se unam entre as religiões, porque é crime, No Brasil é crime discriminação religiosa, porque querer saber sobre a religião do seu próximo é uma coisa, querer denegrir a imagem da religião é outra coisa completamente diferente. É contra isso que a gente vem lutando, contra a discriminação religiosa, contra abuso contra as mulheres, abuso contra os negros, contra os afro-descendentes, contra os índios, os homossexuais, as pessoas com Aids. É por isso que a nossa religião dizem que tem muito homossexual, tanto masculino como feminino, mas a religião do Candomblé, a religião do culto aos Orixás ele não não vê sexo, ele não tem sexo, não tem cor, não tem raça. O Orixá é um ser divinatório da natureza, não é Deus. São divindades endeusadas; ou seja, elas são entidades supremas, não igualado a Deus, criador do universo, mas criados sim por ele, como patrono, como dono, como responsável, como curador de um certo domínio da natureza existente no mundo.

No Decá de um irmão de santo, em Boa Vista

No Decá de um irmão de santo, em Boa Vista

Ah, não. Pai de Santo não tem uma vida fácil. Muito pelo contrário. Primeiro que eu, pra mim já é uma coisa particular minha. Eu não tenho o costume e dormir cedo, eu só durmo meia-noite, 1h da manhã, tendo o que fazer ou não tendo. Quando a gente tem o que fazer tá procurando fazer, quando eu não tenho eu vou ler um livro, ligar pra um amigo, vai pra internet teclar com alguém ou procurar outros conhecimentos. Eu acordo muito cedo, principalmente quando tem alguma coisa envolvida com o Orixá, com a religião, com o santo. Porque tem muitas coisas que são feitas de madrugada, tem muitas coisas que são feitas pelo raiar do dia, tem muitas coisas que são feitas somente à noite, então tem que esperar dar 6h, 7h da noite pra começar a fazer e, principalmente, tem pessoas que vêm nos procurar pela manhã, pela tarde, pela noite. Algumas pessoas só podem vir no final de semana, no sábado ou no domingo. Algumas pessoas só podem vir pela parte da manhã cedo, antes de ir pro trabalho, porque só sai do trabalho 9h ou 10h da noite. Entendeu? Não é uma vida fácil não. Pras pessoas que fazem tudo certo, tudo correto, com humildade, com amor e com respeito ao santo são pessoas que prosperam. Eu falo por mim, são pessoas que prosperam e têm o que eu tenho. Eu tenho casa, comida e roupa lavada. Mas eu faço por onde. Eu não fico sentado na minha cadeira de balanço fumando cigarro.

Oferenda nas águas pra Iemanjá

Oferenda nas águas pra Iemanjá

Sou cozinheiro formado pelo Senac, já trabalhei muito em escritório. No meu último emprego, entrei como auxiliar de escritório e saí como gerente de RH da empresa e foi o tempo que eu mudei pra cá e a gente começou a fazer a construção de um barracão novo e começa uma coisa aqui,

Oxumaré, no Rio de Janeiro, quando foi ser padrinho de uma filha

Oxumaré, no Rio de Janeiro, quando foi ser padrinho de uma filha (2008)

aumenta uma coisa pra lá e foi ficando, ficando. O santo realmente me sustenta. Dona Maria Padilha trabalha e me sustenta, seu Marinheiro trabalha, me sustenta, Iemanjá me dá equilíbrio emocional de vida e me dá tudo o que eu quero. Não que eu fique esperando o santo bater na minha porta e me entregar. A gente trabalha justamente pra atender as pessoas que vêm procurar e achar pra poder ter a retribuição, seja ela financeira ou não, mas eu não vivo exclusivamente do santo. As pessoas que vivem exclusivamente do santo elas acordam de manhã sedo, despacham porta, segunda-feira fazem reza à Obaluaê, dá um agrado a Exu, terça-feira agrada Ogum, quarta-feira Xangô, quinta-feira Oxóssi, sexta-feira Oxalá, Sabado as iabás, domingo aos ibejis, os cabocos, pretos velhos e pombagiras. Eu não tenho o costume de fazer isso. Na minha casa eu faço sete tabuleiros durante o ano. Por coincidência ontem foi o último dos sete, já arrumando a casa pra obrigação e depois da obrigação virá o Olubajé, que será dia 26, sete dias depois da minha festa de 21 anos de axé, de consagração a Iemanjá, mas tem pessoas que fazem isso mesmo. Eu conheço muitas pessoas, elas vivem pro santo e vivem do santo, porque elas trabalham sete dias por semana, se acordando 5h, 6h da manhã, porque tem coisas pra fazer na porta de casa, cedo, sem ter muito barulho de cachorro, de trânsito, de carro, de gente conversando. Se acordam cedo e dormem tarde. Eles vivem junto com o santo, vivem pro santo e dependem do santo.

Maria Padilha das Almas

Maria Padilha das Almas

Olha, eu já formado no santo fui pra formatura de uma tia minha. E o Pai Lídio, ele é meu avô, eu chamo ele de pai, mas é meu avô. O pai de santo do meu pai de santo, mas eu chamo ele de pai. Não tenho costume de chamar ele de vô, só chamo ele de pai. As pessoas me vêem chamando ele de pai

Festa pra Iemanjá (2006)

Festa pra Iemanjá (2006)

e pensam que os meus tios são meus irmãos, então eles acabam se confundindo e me chamando de irmão. E eu fui pra formatura dela de mãe de santo, a Laíde de Xangô, no bairro da redenção. E pra mim foi uma surpresa, inclusive eu acho que pros demais que estavam presentes, que ele disse a ela que a partir daquele dia ele iria embora pra Salvador porque ele não mora em Manaus, roda o Brasil inteiro, ele não para mesmo. E que se ela precisasse dele, que ela mandasse uma carta ou ligasse, ou que se ela fosse fazer alguma coisa e se sentisse sozinha, que ela me chamasse, porque eu era irmão de santo dela. E não, eu sou sobrinho dela, mas mais velho do que ela, porque eu já era formado e ela ainda tava se formando, que eu era irmão de santo dela e muito capaz e competente pra ajudá-la a fazer as coisas. E foi isso que aconteceu, alguns meses depois, não me recordo, ela recolheu um barco, que como chamamos

Festa pra Oxumaré (julho/2007)

Festa pra Oxumaré (agosto/2007)

os yaôs que vão ser iniciados no culto na religião. E ela recolheu um barco e esse barco recolheram três pessoas, um menino de Obaluaê, que hoje em dia está dentro da minha casa, não está mais com ela, está comigo, sempre se deu comigo, que é o João, que, inclusive, já tomou a obrigação de sete anos, ele não é formado porque eu não dei baixa a ele, ou seja, não dei o decá, porque ele mesmo não quis, por ser uma pessoa muito ocupada, mora na estrada. E Obaluaê achou que eu não deveria dar, então ele se tornou um ebami, um filho mais velho, que significa em Iorubá; o Bosquinho, o pai Bosquinho de Oxum, que também era do barco, foi eu que raspei ele; e uma moça que eu não me recordo o nome dela agora, que raspou Oxóssi, não se é Conceição ou Socorro, salvo me engano, que eu não me recordo o nome certo. Eram as pessoas que tinham no barco e tirando, começando a iniciação, ou seja, os 21 dias de recolhimento, a primeira semana dos sete dias de Ebó, tirando primeiro o Ebó deles, eu cheguei no final da tarde na casa dela e os materiais já estavam todos prontos pra esfriar pra gente poder começar a fazer os trabalhos, ou seja, começar a fazer os Ebós do yaô propriamente dito, dos novatos, logo mais à noite. E ela estava manifestada com a dona Mariana. Lá vem de novo a dona Mariana na história, a dona Mariana é uma entidade, não por me perseguir pro mal, mas sempre está próxima, junto a mim, mesmo sem eu incorporar com ela, sempre ela está metida em alguma coisa pra me ajudar ou pra me mostrar . E tinha um senhora por nome Lourdes, que hoje é minha filha de santo, tá oborizada de Xangô, mora

Festa pra Oxumaré (agosto/2007)

Festa pra Oxumaré (agosto/2007)

em São Luís do Maranhão, é mãe carnal de duas filhas de santo que freqüentam a minha casa, uma de Xangô também, minha filha que tem obrigação de 3 anos e essa que eu vou comentar agora, que é a Lourdes que é essa que eu tô citando. Estava lá com a dona Mariana, e a dona Mariana estava esperando eu chegar e dizer pra mim que eu fizesse o favor de jogar pra senhora que estava ali presente, que até então eu não sabia quem era, e hoje em dia é minha filha de santo, que é a Lourdes, dona Lourdes, uma senhora mais velha do que eu. E eu jogando pra ela, mas o problema não era com ela, era com a filha que estava com um problema no seio. Ela tinha um tumor maligno no seio e o médico no Cecom iria cortar o seio dela e Iansã disse a mim que era ela, não a causadora da enfermidade, mas que ela tinha a solução, mas que a menina ou a mãe teria que ser iniciada no Candomblé, ou seja, o pagamento da troca de energia seria alguma pessoa da família adentrar à religião, ou seja, seria esse o sacrifício. E ela me perguntou se eu garantisse que se a filha dela tirasse um ebó, tomasse um bori, se ela ficava boa, e eu garanti. Porque Iansã tava dizendo pra eu falar isso. E eu garanti, e ela voltou pra casa, falou ao marido, que hoje em dia já é falecido. O marido foi no hospital, tirou a filha, levou pra mim na mesma noite e eu dei ebó na menina, e enquanto eu tava passando ebó no corpo dela o tumor estourou. Não era maligno, os médicos tinham se enganado. Ou, se era maligno, Iansã colocou pra fora porque estourou o tumor, ela se lavou toda de sangue. Inclusive eu fiquei muito nervoso, porque eu era mais novo. Ela tomou já a obrigação de 14 anos, eu tinha acabado de me formar. E ela dormiu pro santo. No amanhecer do dia, o pai veio a saber através da esposa, que o tumor da filha dele tinha sido estourado, estava interno, não aparecia nada. Mas eu não sei como aquilo estourou. Eu acredito muito nos espíritos, de trabalhar com eles, Iansã colocou pra fora, e ele veio a saber, e o próprio pai dela veio a obrigá-la a raspar a cabeça, porque a própria menina não queria saber disso de jeito nenhum, mas ela, obrigada pelos pais, principalmente pelo pai carnal, ficou. Ele comprou todo o material, ela foi raspada. Iansã dela é lindíssima, ela virou com o santo na noite de dá nome ao santo, o santo pegou ela, veio pra sala, se paramentou toda, dançou, e hoje em dia ela tá aí viva e pra contar a história. Eu não me esqueço nunca e tem muitas coisas, muita passagem, muito testemunho, mas essa eu não esqueço de nenhum detalhe. Eu troco uma palavra aumento alguma coisa, mas não invento nada. Era exatamente isso: ela tinha um tumor no seio e hoje em dia ela não tem nada, se tem dor de cabeça e febre eu nem sei, porque ela não me conta. Ela já tomou obrigação de 14 anos, já fez 14 anos de santo. Eu lembro que eu citei pra vocês, nas previsões dos búzios, na passagem de ano, que um político muito influente iria morrer, pra mim seria ou Gilberto Mestrinho ou Jefferson Péres ou Arthur Virgílio ou Amazonino Mendes, se eu me recordo bem. Pra mim foi um choque quando eu soube que o homem tinha morrido.

Olubajé de Obaluaê (agosto/2007)

Olubajé de Obaluaê (agosto/2007)

Eu digo que é pra as pessoas da religião se preservarem, que tenham mais respeito consigo próprios, que tenham mais repeito com o Orixá, que tenham mais respeito com a casa onde se foram iniciados, que tenham mais respeito com o sacerdote ou com a sacerdotisa que o iniciou. Mesmo que hoje em dia não estejam mais na casa, que tenham mudado de casa, já tenham mudado de mão e até de religião, mesmo que seja uma outra religião do segmento do Candomblé, que seja Ketu, Jeju, Nagô, Angola, mas que se preserve principalmente a humildade da espiritualidade, porque todos os orixás são humildes, todos eles. Orixá se veste de adorno de brilhantes, de diamantes, de ouro, de latão, de palha. Então se o orixá se veste de palha, de latão, de chitão, por que que nós só queremos nos vestir de Richelieu; ou seja, por que só nós que somos orgulhosos? Então que se preserve a religião. Atualmente a gente vê muita coisa, ouve muita coisa, fala muita coisa por ouvir bobagem e acaba interpretando errado e falando também errado. Mas o crescimento é exatamente esse, conforme a idade. As pessoas falam que os mais velhos não sabem fazer nada. Elas sabem. Elas podem até não ter mais forças pra fazer, mas elas têm a sabedoria. Então pergunte das pessoas mais velhas, pergunte das pessoas que tenham mais experiência. Às vezes tem umas pessoas mais novas, mas elas tem mais experiência por viver, entre aspas, 24 horas dentro do terreiro. Eu tenho filho de santo que já é sacerdote formado, com 7 anos, 8 anos, 9 anos, 10 anos. Eu tenho filho de santo que já tem 14 anos, como essa menina, a Lourdes. E eu tenho filho de santo que tem 1 ou 2 anos que sabe mais coisa do que ela. Por que? Ela é casada, mãe de família, ela trabalha fora, então ela não vive 24 horas dentro do terreiro, ela não vive todo final de semana no terreiro, ela não vem todo final de mês no terreiro. Ela vem uma vez ou outra quando tem realmente obrigações dentro da casa, que ela tem que se fazer presente. Mas tem pessoas mais jovens do que ela, que não é casado, é solteiro, são desempregados, que ainda é jovem, somente estuda, outros que nem estudam, quer dizer, tem mais tempo hábil pra fazer as coisas, pra aprender, porque além de ter a teoria, você tem que ter a prática, porque não adianta você saber que ebô é uma comida de Oxalá, que é feita de milho branco e que é cozido. Mas é cozido como? Na água com sal, na água com açúcar, somente com água, que horas que tem que cozinhar, se pode cozinhar no sol quente, arreia onde, se é na tigela de louça, se pode colocar num alguidá, se faz isso, se faz aquilo? Quais são as qualidades que faz? O que faz pra Oxalá além do ebô? Quer dizer, as pessoas que freqüentam, não todo dia, mas principalmente que freqüentam todo dia, elas aprendem mais rápido, porque além dela pegar a teoria ela principalmente pega a prática.

Festa pra Oxóssi (julho/2008)

Festa pra Oxóssi (julho/2008)

Que Iemanjá abençoe a nós todos. Eu já tô às vésperas de me recolher, eu já me recolho sábado e hoje é quarta-feira, então falta aí três dias, eu tô muito apreensivo, muito emocionado, mesmo porque não se faz 21 anos de santo todo dia, só se faz uma vez na vida, e que Olorum, Obatalá, Orumilá, Odudua, que Xangô Airá, que foi o santo que me raspou, patrono da cabeça do meu pai de santo, nos cubra de força, nos cubra de felicidade, nos cubra de energia e, principalmente, que nós tenhamos todos os dias o que comer na nossa mesa e saúde.

DONA MARIANA NO TERREIRO DO PAI SIDNEY DE OBALUAÊ

Olhei pro céu, vi uma estrela

Olhei pra terra, vi uma candeia

Olhei pro mar, eu vi maresia

Olhei pras matas, eu vi encantaria

Pai Batman de Dona Mariana 01 por você.

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Foi lá na rua São Carlos I, no bairro do Monte Sião, Zona Leste de Manaus, no simples e autêntico terreiro de Pai Sidney, que os convidados se aconchegaram para aguardar a chegada de Dona Mariana. Conversamos com Pai Sidney, conhecido popularmente como Pai Batman de Dona Mariana, que nos falou do seu longo caminho partilhado na Umbanda.

Sou Pai Sidney de Obaluaê. Sou amazonense. Tenho 37 anos de idade. De religião tenho 27 anos. Pra eu entrar nessas coisas, eu não gostava, mas eu caí muito doente, aí minha mãe não acreditava, porque minha família a maioria era crente. Eu entrei por causa de um sacrifício mesmo, por necessidade, eu já tinha passado por vários médicos, por São Paulo, Rio, pra me curar, e eu não ficava bom. Um dia, uma tia minha viu que não era coisa de médico e mandou minha mãe me levar. Ela não acreditava. Quando eu cheguei lá eu encontrei a Dona Padilha na cabeça de uma senhora, que já vai pra dezessete anos que ela rufou. Se chamava Dona Maria do Seu Jacaúna. O pessoal só me conhece mais pelo apelido. Não tem problema nenhum. Todo mundo aqui no Amazonas me conhece como Pai Batman de Dona Mariana, desde pequeno. Mas o primeiro caboco que baixou em mim foi o Seu Sibamba, em 1981, por causa que o meu pai tava dando uma surra na minha mãe. Ela tava com oito dias de resguardo. Eu dormia numa rede e eu tinha uns nove anos de idade. Ele chegou embriagado tamanha 2h da manhã e queria que ela fosse fazer uma comida pra ele. Ela disse que não ia fazer, porque ela tava naquelas condições. Ele pegou e deu umas tapas nela. Ela disse que eu arrastei ele na mão, como se fosse um boneco, e joguei lá de cima. Desde lá, ela ficou querendo acreditar, mas não gostava desse tipo de religião…

Pai Batman de Dona Mariana 05 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 06 por você.

E não demorou para que a dona da festa, caboca Mariana, baixasse e trouxesse sua alegria e seu axé para compartilhar com todos que vieram para receber suas bênçãos, saudando a todos:

Hoje é pra nós todos um arraiar que eu faço de ano em ano. As pessoas que vieram me prestigiar, muito agradecida. Aqui ninguém tem empregados; nós somos empregados. A casa é nossa. Podem se servir. Fiquem à vontade. Participem da louvação e da brincadeira. Vamos brincar até a hora que quisermos. Que seja assim sempre, sempre, sempre…

No Rio Negro, mururés viraram flores

Na mata virgem, sabiá cantou

Eu sou a caboca Mariana

A bela turca que aqui raiou

Pai Batman de Dona Mariana 08 por você.

A esta altura o terreiro já estava preenchido de filhos e convidados, adeptos das religiões afro e simpatizantes, que vieram participar do arraial de Dona Mariana.

Pai Batman de Dona Mariana 12 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 13 por você.

E também outros cabocos vinham compartilhar seus pontos e compartilhar sua sabedoria com os presentes, como Seu Constantino, baiano grande, com seu chapéu de couro:

Tô vendo ele por essa mata escura

Trazendo sua boiada

Ele se chama Constantino

Baiano grande, chapéu de couro

Pai Batman de Dona Mariana 19 por você.

Sou baiano, mas não sou da Bahia; sou do Maranhão. Quando eu canto baía, não canto Bahia, de Salvador, canto baía do Maranhão. Sou de Codó, do maranhão. Lá vivi, matei, esfolei, tive muitos filhos, meus parentes. Hoje, num me convidaram, mas estou aqui de enxerido (risos!)…

Enquanto a fila de pessoas crescia para conversar com Dona Mariana, entramos na fila e conversamos com o zelador de santo, Pai de Pai Sidney, Josué de Oxalufan:

Eu sou Pai de Santo do Sidney de Obaluaê. Ele é abiã, já oborizado, e se preparando pra fazer o santo dele. Daqui a três anos ele vai fazer a iniciação dele no Candomblé. Ele faz parte da família de Oxalá, é neto de Frank de Obaluaê. Por enquanto ele é zelador de Umbanda, trabalha há bastante tempo, trabalhando com esta Dona Mariana, uma caboca de tambor de Mina. A Mariana foi uma das fundadoras do tambor de Mina, pouco difundida aqui em Manaus. Cultua-se muito a Umbanda mesmo, alguns Umolocô, apenas uns raros cultuam tambor de Mina. Ele trabalha com as entidades de esquerda: Maria Molambo, Seu Zé Malandro, Maria Padilha das Almas; mas não por serem de esquerda são diabos. São entidades com uma outra carga energética. O nosso coração está do lado esquerdo. (…) Caboca Mariana está em muitas cabeças, em todos os lugares. A Mariana do Sidney, essa que está aqui, ela vem na linha de marinheira. Porque a Mariana é uma entidade que vem como turca, como marinheira, como cigana e como índia. Mariana é um espírito encantado, ela não morreu, antes de ela provar da morte, ela sofreu a experiência do encante, foi morar no invisível. Vez ou outra ela vem. Ela era chefe das adoradoras de Maria, por isso é que ela se chama Mariana. Uma moça portuguesa que foi adotada por um turco, que se encantou também na batalha de Alcácer-Quibir, uma batalha que teve entre os cristãos e os muçulmanos. Nessa batalha, Dom João de Marabaia, encantou-se, e sultão de Atalã, que é o rei chefe dos turcos encantados, deu ordem para Dom João de Marabaia recolhesse essas entidades. Dentre essas entidades, estava Mariana, e ela se encantou com Dom João de Marabaia. Ela ensinou a ele as leis do Cristianismo, e ele, por sua vez, deu a ela riquezas e o sobrenome da Turquia. Por isso ela se chama Mariana de Alexandria. Na tribo dela tem muitas outras entidades nobres, fidalgas, baronesas, condessas, que vem á terra para praticar caridade, curar, jogar conversa fora, beber. Mariana é essa: é amor, é esperança, é caridade. Para quem precisa de ajuda, Mariana está sempre disposta a ajudar…

Pai Batman de Dona Mariana 18 por você.

Caboca linda é a caboca Mariana

Ela é a caboca mais formosa do lugar

É no luar que ela sai a passear

Ela flutua numa pedra que tem lá no alto mar

Pai Batman de Dona Mariana 16 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 09 por você.

FESTA DE OXÓSSI E OBRIGAÇÕES NO BARRACÃO DO PAI GILMAR

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O barracão estava ornamentado com diversas ramas de palmeiras silvestres, um altar no centro composto de variadas frutas regionais, principalmente milho, tudo isso porque era a festa de Oxóssi, o orixá caçador. Por isso “tenta-se reproduzir uma pequena mata dentro do barracão”, explica-nos Pai Gilmar.

A festa de Oxóssi é uma obrigação que a gente faz todos os anos, que é pra louvar o deus da nação Ketu, sempre ao final de junho ou começo de julho, aqui nessa casa, por ser um calendário litúrgico. Em Salvador, por exemplo, é festejado geralmente no dia de Corpus Christi.

E quando os jovens e crianças fizeram soar os atabaques, a potente e melodiosa voz de Pai Gilmar faz movimentar a roda de mais um magnífico xirê que se iniciava no abençoado barracão.

A prestigiada festa conta com a presença de vários babalorixás renomados na cidade de Manaus e em outros estados do Brasil. Todos logo participaram, incorporando seus orixás no salão.

Pai Ribamar de Xangô ———— Pai James de Oxóssi

Mãe Valkíria e Mãe Jô de Iansã ———– Pai Júlio de Oxóssi

Pai Antônio de Oxóssi e do Caboco Risca

Os convidados assistem a tudo com alegria e devoção, enquanto os adeptos da autêntica religião do Candomblé rezam e dançam para seus orixás, que sempre lhes ajudam, abençoando-os por toda a vida.

Pai Gilmar nos relata que esse ano a festa de Oxóssi foi mais complexa, pois aproveitando-a, filhos e netos fizeram com respeito e responsabilidade suas obrigações.

Primeiro foram dois netos fazendo sua primeira obrigação:

Mário de Iemanjá

Léa de Oxaguiã

E enquanto seus netos iam progredindo no culto da religião, os atabaques continuavam a impulsionar os rituais de crença que predominavam nos adeptos e na admiração dos simpatizantes presentes no barracão.

E então Pai Ribamar trouxe Oxóssi ao salão para demonstrar ao povo presente que no barracão de Pai Gilmar ele sempre come bem e em abundância. E Oxóssi compartilhou com os presentes sua comida e abençoou o milho distribuído aos presentes.

Oxóssi veio primeiro para o ritual de distribuição da carne (erã), da caça que ele comeu, que foi um coelho, um cabrito e um porco. E o milho (abadô), que é um ritual que Oxóssi distribui o milho, que as pessoas levam e penduram na porta, e serve contra qualquer influência negativa, ou colocam dentro de uma panela de alimento, pra assegurar fartura o ano inteiro. E tinham também outros tipos de frutas, que são alimentos muito preferidos por Oxóssi. Menos tangerina. A quizila de Oxóssi é tangerina. Não entra tangerina em casa de orixá.

Em seguida Oxóssi retornou, agora portando suas paramentas de caçador, inclusive trazendo uma ave como demonstração de seu poder de caçador, abençoando seus filhos na sobrevivência necessária de todo dia.

Foi assim que ele trouxe seus dois ogans e suas duas ekédis que também cumpriram suas obrigações no decorrer da festa.

Os ogans Jobson e Sérgio, ambos de Oxóssi, fazendo, respectivamente, obrigações de um e três anos.

E as ekédis Nilda e Elen, ambas de Oxóssi e fazendo obrigação de três anos.

É um ciclo. É bom que eles façam suas obrigações, cumprindo o ciclo, porque aí não fica uma coisa morosa nem pra pessoa, nem pra casa, porque aí o santo não fica cobrando aquela etapa na vida espiritual da pessoa, que ela tem que passar.

E Pai Ribamar trouxe ao salão Pai Miguel, que foi o homenageado da festa. E todos o saldaram com alegria e amizade do culto comum.

Na conversa que tivemos com Pai Gilmar, aproveitamos ainda para pedir suas palavras enquanto cidadão a respeito das eleições que se aproximam. O respeitado babalorixá mostrou todo seu entendimento lúcido, analisando os fatos ocorridos durante a campanha e a distância que tomam da população quando eleitos.

Que eles [os políticos] realmente cumpram o que prometem. Eles falam muito. “Quem tem boca vai a Roma”, como diz o ditado. Mas isso serve para as pessoas que perguntam o que querem saber. Não serve para as pessoas que falam o que querem, mas não cumprem o que prometem, que as pessoas precisam e ficam esperando, principalmente as pessoas humildes, que precisam de asfalto nas ruas, de coleta de lixo, de água encanada, de esgoto, pra não ficar a céu aberto, como é do lado da minha casa. A gente reivindica isso há muito tempo, e eles só prometem e não fazem, como seu Gilmar Nascimento, que na eleição passada era candidato, hoje é vereador, prometeu, prometeu, prometeu e até hoje não voltou aqui na rua. Eu estava viajando, e soube que o prefeito veio aí inaugurar o poço de água, fogos e mais fogos, carro de som, aplausos e vaias, prometeu que vai canalizar o esgoto e fazer rip-rap. Vamos ver!

A FUCABEAM CONVOCA…

A FUCABEAM — Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas, em nome de sua presidente, Maria Emilia Borges, e a O.E.A.B — Ordem das Entidades Afro-Brasileiras convocam todos os senhores sacerdotes para uma reunião de cunho extraordinário na sede da Federação.

Rua Pintassilgo, nº 100, Quadra 2, Núcleo 2 — Cidade Nova (Manaus-AM)

Data: Amanhã (12 de julho) …… Horário: 18:30h

Fone: (92)3088-1254 // 3645-8722

NOITE DE CURA COM SEU ZÉ PELINTRA NO TERREIRO DE MÃE GRAÇA DE XANGÔ

Eu vou falar pra vocês

Quem chegou no congá

É Zé Pelintra das Almas

Que veio de longe para trabalhar…

Segunda-feira à noite fomos até o terreiro de Mãe Graça de Xangô, que fica lá na rua Visconde de Utinga, no Parque das Laranjeiras, em frente ao Conj. São Judas Tadeu. Era mais uma noite de cura. Mãe Graça e os filhos da casa haviam trabalhado muito, os banhos estavam preparados, as comidas para os ebós estavam prontas e arrumadas. E logo bem mais de uma dezena de pessoas já se faziam presentes para pedir e receber as bênçãos de Seu Zé Pelintra, que baixou no terreiro alegre, cantando e dançando, para ajudar todos que buscavam o seu auxílio. E vieram também outros cabocos, como Seu Boiadeiro, que baixa em um dos filhos de Mãe Graça.

E como a noite já ia alta, Seu Zé Pelintra começou os trabalhos. Primeiro, ajudado por um de seus filhos, ele preparava um banho para cada uma das pessoas que iam ter com ele. Após o banho, ele ouvia atenciosamente a pessoa, aconselhava, apontando caminhos ou advertindo de passos falsos que a pessoa anda cometendo, depois rezava e finalmente mandava que a pessoa fosse com Deus, dando a ela um banho ou recomendando outros trabalhos.

E aproveitamos um dos poucos momentos possíveis, enquanto os últimos preparativos dos ebós estavam sendo realizados, para ouvir as sábias palavras de Seu Zé Pelintra, sobre sua história na cabeça de Mãe Graça, sobre seu trabalho e sobre as curas que ali estavam sendo efetivadas:

Eu sou um caboco, nasci pequenininho na África, vim pro Brasil, me criei em Pernambuco. Em Pernambuco eu fui um homem muito mau, fui malandro, fui pilantra, cachaceiro, mas fui médico, e hoje em dia na cabeça dessa filha eu sou advogado. E sou médico, médico do catimbó. Rei do catimbó. Pelintra quer dizer “malandro”, por causa da minha malandragem. Na cabeça de Dona Graça eu vou fazer, dia 10 de dezembro, 49 anos que eu trabalho na coroa dela.

Hoje eu estou nesta casa atendendo, você viu a quantia de gente que eu já atendi, só fazendo o bem, não peço dinheiro. Peço só o material, porque eu não posso tirar… Eu sei que a Dona Graça é uma médica, mas eu não posso tirar o dinheiro dela pra dar o material; dou trabalho de graça, mas o material a pessoa tem que assumir.

Hoje eu estou fazendo dois ebós importantes: um é de um homem que tem mais de 20 anos que não arranja emprego, e eu estou abrindo os caminhos dele para arranjar um emprego. Com o ebó que eu estou fazendo hoje, com o poder de Nosso Senhor do Bonfim, o poder das minhas almas, porque eu sou um espírito que já morri. Sou um anjo decaído, não sou salvo. Ando atrás, buscando a minha salvação, porque eu fiz muita coisa errada. Hoje em dia, quando eu estou em cima da cabeça de uma sacerdotisa, eu peço a ela que reze, reze e procure fazer o bem, pra mim evoluir e ela também; porque se uma mãe de santo faz o bem, ela só tem a ganhar de Deus. Agora, se faz o mal, tanto vai destruindo o meu espírito e a pouca luz que eu tenho, e destruindo também as outras pessoas.

Aqui nessa casa de Xangô, Obá Tundegi, minha filha é filha de Xangô, com Oxum, feita no Candomblé, na nação Keto. Eu venho na Umbanda, que foi dada pelo babalorixá que fez ela. Ela já foi batizada na Umbanda, Umolocô, Mina Nagô, e hoje em dia ela é raspada no Candomblé. Ela está fazendo no dia 10 de dezembro 49 anos de santo raspado e que eu abaixo na coroa dela. Eu sou na vida de Dona Graça um guardião, o chefe da coroa dela é José Rei Tupinambá. Ela foi raspada com 7 anos de idade na África, e morava em Fortaleza, lá ela teve um terreiro, em Santarém ela teve um terreiro, todo mundo conhece ela como Graça de Xangô. Em Santarém ela curou muita gente, tem prova, tem jornal meu, eu já tive em várias televisão, já passei até pelo Fantástico. Já dei muitas entrevistas. Agora, é como eu digo, quem sou eu pra falar de mim a não ser meus clientes. Faço tudo pra agradar todo mundo, já curei paraplégico, já curei cego, e tenho prova disso. Hoje eu tô tirando a chave de uma pessoa que tem todos esses anos sem trabalhar. Você já pensou o que é um ser humano ficar tantos anos sem trabalhar? E daqui a 21 dias o senhor pode passar aqui que o senhor vai receber a notícia de que esse moço arranjou um emprego. Vou hoje abrir os caminhos dele, porque essa casa não faz o mal, só faz o bem. Quem vier aqui pedir pra eu fazer o mal, eu mando se levantar da minha mesa…

Com a mesa dos ebós já completamente preparadas, não havia mais tempo para conversa.

Logo os chumaços de pólvora foram acesos, as três linhas dadas ao cliente e as comidas despejadas em seu corpo para abrir seus caminhos, trazer emprego e tudo mais necessário a lhe trazer uma vida melhor.

E depois dos ebós os banhos e rezas continuaram, como no caso de M. P. S., que há mais de 10 anos recebe bênçãos de Seu Zé, resolvendo seus problemas conjugais curando de doenças que estavam destruindo seu corpo, arrumando trabalho, melhorando sua situação financeira, tanto que ela entrou para a religião e hoje, com um novo marido, que também é da religião, vive feliz com a ajuda de Seu Zé Pelintra.

E a madrugada já ia embora quando ele atendeu Ana Cláudia, uma jovem e bonita moça que havia ido a primeira vez no terreiro, apenas para acompanhar uma amiga, mas admirada com a sabedoria de Seu Zé, também resolveu ouvir suas palavras. Ele esclareceu algumas situações amorosas, familiares, financeiras e outras mais que andam atordoando a moça, que, vendo a força e a verdade de suas palavras, agora também irá ser tratada com seus trabalhos.

Saímos do terreiro gratificados de ver a autenticidade da religião e Seu Zé Pelintra, esse caboco festeiro, alegre e curandeiro, continuava, incansável, a distribuir suas bênçãos, como ele mesmo diz, até a última pessoa que acredite e necessite de seus serviços…

A FUCABEAM CONVIDA…

A Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas – FUCABEAM, em nome de sua presidente, Mãe Emília de Souza Borges, convida todos os sacerdotes de Umbanda, Candomblé e demais cultos afro-brasileiros e todos os adeptos de forma geral para uma conferência que ocorrerá na sede da FUCABEAM, e que tratará sobre “OS DIREITOS DOS SACERDOTES E DOS ADEPTOS DOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS PERANTE A SOCIEDADE”. No decorrer do encontro ocorrerá ainda um cocktail para todos os presentes.

!!! A FUCABEAM aguarda o comparecimento de todos e agradece desde já a participação nesta conferência de importância religiosa, política e social para todos que comungam ou simpatizam com as religiões afro-brasileiras.

ENDEREÇO: Rua Pintassilgo, nº 100, quadra 2, II Cidade Nova (Manaus-AM)

PONTO DE REFERÊNCIA: Próximo ao Cruzeiro

DATA: 15 de junho (próximo domingo) HORÁRIO: 18:30h

CONTATOS: (92)3645-8722 // 3088-1254 // 8119-9398


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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