Archive for the 'Candomblé' Category

Festa dos Ogans

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FESTA DO BLOCO AFRO

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Praticantes da umbanda, candomblé, macumba e ativistas da defesa da cultura afro-brasileira, se reuniram em uma festa de exaltação às cores, sons, danças e iguarias da África em cada um de nós. O objetivo, além de realizar parte do calendário, foi expressar junto à comunidade manauara a potência dos elementos culturais afro.IMG_7645 IMG_7649 IMG_7650 IMG_7651 IMG_7652 IMG_7653 IMG_7654 IMG_7656 IMG_7659 IMG_7661 IMG_7663 IMG_7664

O blog Afinsophia.com esteve presente com seus representantes cibernéticos e ouviu os enunciados de alguns presentes sobre suas atuações e a importância do culto as expressividades negras. IMG_7670 IMG_7672 IMG_7687 IMG_7689 IMG_7694 IMG_7696 IMG_7705 IMG_7714 IMG_7717 IMG_7721 IMG_7729 IMG_7733 IMG_7734

Segue as falas cada um do grupo.

“Eu trabalhei no MEC [Ministério da Educação] como diretora de diversidade, junto a lei 10639 com a educação etnoracial. Depois fui para presidência onde trabalhei na SEPPIR- Secretaria de Políticas de Promoção  da Igualdade Racial e agora voltei para o meu estado, o Espirito Santo, onde sou secretária de estado trabalhando na gestão. Dentro da minha secretaria tem a gerência de políticas públicas de igualdade racial. Nós temos umas coisas que o Amazonas ainda não tem como o Conselho estadual de promoção da igualdade racial, e umas políticas que avançaram um pouco mais. A gente veio fazer um diálogo com todos para ver se as coisas andam por que está tudo muito parado. Ontem viemos fazer uma conversa com as meninas do hip-hop e da capoeira e hoje viemos prestigiar o bloco, ver como as coisas vão andar para ver o que podemos articular , fazer as coisas acontecerem para poder ver as pautas de políticas públicas se instituírem. O que estamos vendo em Manaus é a pauta sendo tocada pelos movimentos sociais por que o governo não tem tocado nesta pauta etnoracial e o governo só anda sobre pressão. É muito importante que haja uma instucionalidade e vire política pública senão é muito difícil. E é lei, o Ministério Público tem que vir também fazendo a parte dele de cobrança, multa. O evento deste é importante para a questão da auto-estima, para as pessoas se reconhecerem, conviver melhor com sua negritude, ter este diálogo necessário por que geralmente as pessoas ficam muito separadas e também é o início de uma atividade coletiva que pode levar a outras atividades necessárias.” Leonor Franco de Araújo Sub-Secretária dos Movimentos Sociais do Espirito Santo.

“Sou mestrando em sociologia, professor de capoeira afastado, coordenador da Rede Amazônia Negra no Amazonas e estamos nos organizando hoje politicamente nesta discussão sobre o que se refere a cultura negra. Trabalhamos isto há tempos numa luta, onde nós precisamos mais do que nunca nos organizar, não só politicamente mas até religiosamente. Há lutas religiosas para que exista o Espaço sagrado dos Orixás para que haja nosso direito de ir até a natureza pra fazer o nosso culto que precisamos mas com preservação.  Eu concordo que Manaus cresceu, explodiu 30 anos pra cá, mas em sua maioria o povo de santo não acompanhou a explosão e a cidade engoliu as casas de terreiro, assim como engoliu os lugares sagrados,  tribos indígenas… Hoje queremos ter um espaço para que as pessoas possam fazer suas oferendas, o Espaço Sagrado ligado a sustentabilidade. Em 2006, eu e vários babalorixás e ialorixás fechamos a câmara municipal brigando por um espaço nosso, o Parque dos Orixás e o projeto não entrou em tramitação por que o estado pensa que ele não pode dar espaço algum pra entidade religiosa que é nosso caso, sendo que o que mais tem é áreas públicas sendo invadidas por pessoas de outras religiões“ Balalorixá Marlon Seabra.IMG_7674

“Fui feita no Rio de Janeiro, mas hoje sou filha de santo do Pai Geovano de Oxaguiã. Acho importante aqui esta renovação, tem muita coisa acontecendo . Vejo que as práticas também tem que ser preservadas por que hoje a tradição está sendo estilizado de acordo com que as pessoas pensam. O candomblé não tem que se adequar ao comportamento, o comportamento é que tem que se adequar ao candomblé por que é lá que a gente aprende a respeitar os ensinamentos que o candomblé passa e isto está sendo deturpado.  Eu quero resgatar as paramentas originais, com o tempo que você tem pra confeccionar e preparar um Yaô, as roupas de ração tem que ser caracterizadas pela tradição. Eu sou a favor da construção das paramentas no momento em que você vai recolher. Ai como psicóloga confronto esta produção com a questão da terapia ocupacional. Além disso quero pesquisar o comportamento do filho de santo na sua casa.

Também, se nós estamos preocupados com a sustentabilidade e meio ambiente cabe as pessoas de todos os terreiros discutimos as práticas e oferendas, mas também fiscalizar. O que é preciso? Vamos discutir o que é preciso. Cada barracão tem que ter sua comissão formada pela hierarquia. Eu não tenho medo por que eu sei a raiz que eu vim, eu sei da importância da religião, da descendência desta ancestralidade, eu sei exatamente o que eu quero dentro do axé e o que a partir dele quero tentar desenvolver. Mas não sei das brigas que vão vir pois tudo é momento e oportunidade. Acho que o primeiro passo é este encontro e antes de tudo temos que congregar.”

 Ialorixá Jhett Frota esposa do babalorixá Antônio D’andeú. IMG_7710

“Sou de Recife e vim trazer minha força junto ao Ganga Zumba quando fui convidado. Faço trabalho social e faço parte da casa Ilê Axé Oxum Agemum Iá Lê Mim de Mãe Nete e Pai Léo, e lá fazemos trabalho com cultura como coco de roda, oficina de costura, de corte de cabelo, dança afro, Bloco do viramundo (que sai agora dia 16),grupo de coco Chinelo de Iaiá, Coco de umbigada, e lá a casa não para, sempre agitando e tentando resgatar as raízes. Lá toda terça-feira tem a terça negra com grupos de afoxé, maracatu, hip-hop no pátio de São Pedro. Vim aqui compartilhar experiências e presenciar e ver. Percebi que o racismo aqui está mais forte que lá, tem racismo até dentro das casas de terreiro que tem aqui. Um evento deste fortalece muito e mesmo sendo trabalho de formiguinha, é um começo que o pessoal tem que insistir. E tem que começar dentro da casa mesmo, fazer com que os tomates podres não estraguem a caixa toda. Mas aqui se eles lutarem, criando eventos“ Jurandir de Recife IMG_7722

Grafiteiros participantes dos dois dias de eventos: Tiao da Bahia, Denis, Vanderlan, Sub, Brook, Atena, Kizy, Ina, Arab, Nois, as crews 3R, UDS (Usuários do Spray), GF (Guerreiros de fé), VAN (Violência Artística Nacional).

GAMGA ZUMBA-INSTITUTO DE MOBILIZAÇÂO E ESTUDOS AFRO AMZONICO BLOCO AFRO GAMGA ZUMBA

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Missão

Desenvolver trabalhos para a promoção da cultura afro-brasileira. Tendo como objetivos resgatar a autoestima e o orgulho dos afro-brasileiros, valorizar e divulgar a cultura do povo negro, Cidadania defender e lutar para assegurar os direitos civis e humanos dos marginalizados.

Na visão de conscientizar, trabalhar a autoestima, a nossa cultura nas comunidades e levar o resultado dessas oficinas para serem apresentados no processo do carnaval.

Trabalhar oficinas de percussão dentro de programações, no intuito de desenvolver educação e qualificação para o mercado de trabalho. Onde a comunidade possa aprender a brincar, restaurar instrumentos percussivos que são fundamentais para os ensaios e profissionalizar pessoas

Justificativa

Por muito tempo os seguimentos Afros permaneceram dispersos em sua atuação no Amazonas: Capoeira, Hip Hop, Grafite, Rap, Samba, Maracatu, Tambor de Crioula, Maculêlê, movimento das religiões de matrizes africanas, etc. A criação do Bloco Afro tem a intenção de unir todos esses, que trabalham para propagar e difundir a cultura Afra Brasileira e Africana, numa noite cultural, com apresentações de dança e musica. O Bloco se estabelecerá Na escola de Samba Vila da Barra ( Bairro da Compensa-Avenida Brasil) e trabalhará em conjunto com o Projeto Gamga Zumba, trazendo e trabalhando com a comunidade, durante o ano inteiro, com oficinas, seminários e encontros comemorativos e formativos. Através da Lei 12, que estabelece maior equidade entre os seguimentos artístico, cultural e desenvolver a cidadania para uma sociedade mais justa e respeitosa, garantido pelo estatuto da igualdade racial.

Objetivo Geral

Da maior visibilidade e resgatar a cultura Arfo Brasileira e Africana no estado do Amazonas

Objetivo específico

  • Trabalhar oficinas de percussão
  • Trabalhar Dança Afro
  • Realizar oficinas de Grafite e Hip Hop
  • Formar lideranças do Movimento negro em relação à temática
  • Realizar rodas de conversa sobre educação étnica Racial
  • Trabalhar em parceria com as escolas públicas por meio da Lei 10.639/03

Dia:09/03/2014.

Horário: A partir das 14h00min.

Contatos: India Neves (92) 94400080-Email:nathivadanny@hotmail.com.br

Luiz Fernando: (92) 9212-3564

 

FESTA DAS TOBOSSIS NA CASA DA MÃE EMÍLIA

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Mãe Emília mais uma vez ritualizou a Festa das Tobossis em sua casa de acordo com os afetos das Tobossis, meninas Voduns infantis cheias de energia, alegria e pujança. Mãe Emília segue o caráter cultuado nas Casas das Minas de São Luiz do Maranhão.

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Na festa não falta o dialeto africano. Não podia ser para menos, as Tobossis são descendentes da nobreza africana e como nobres se manifestam em singeleza e espírito superior, o que determina sua ludicidade infantil. Essas meninas brejeiras e cativantes, diferentes de outros Voduns, não erram: são perfeitas. Essas qualidades sustentam a festa da Feitura das Tobossis.

Videos só clicar nos links

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FESTA DE YEMANJÁ, A RAINHA DO MAR, NA CASA DE MÃE EMÍLIA

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MÃE D´ÁGUA  

Mãe D´Água

Rainha das Ondas

Sereia do Mar

Mãe D´Água

Teu canto é bonito

Quando faz luar

Auê, auê, Yemanjá

Auê, auê, Yemanjá

Rainha das Ondas

Sereia do Mar

Como é lindo o canto de Yemanjá

Faz até p escador chorar

Quem escuta Mãe D´Água cantar

Vai com ela pru fundo do mar.

20140202_14082920140202_14090920140202_14172620140202_143312 20140202_145929 20140202_151650 20140202_152537A festa da Rainha do Mar, Yemanjá. A festa é uma forma de cerimônia para homenagear a rainha protetora natural dos mares. Nas regiões de rios, como no Amazonas, a rainha da água doce. Com uma tênue semelhança com Iara, a deusa dos rios. É uma cerimônia ligada diretamente à potência das águas e sua influência boa na vida dos seres humanos. É uma festa umbandista e muito bem expressada quando da passagem do ano.

SAUDAÇÃO A YEMANJÁ

Noche huntái Emília Táy Lissá.

Roteiro:

Yamalá dos Orixás

Preparação do Furá – Feita Naná esposa de Oxalá.

Oração do Pai Nosso e de Ave Maria e oração aos Filhos de Santo.

Entrada no terreiro, e saída de Yemanjá.

Chegada das tobossis. As moças executam a dança das tobossis.

Festa de Caboco.

PONTO

Mãe da Casa

Junta seu povo

Hoje é dia

De Louvar Senhora.

P1050686 P1050692 P1050695 P1050703 P1050712 P1050713 P1050714 P1050716 P1050717Originada da Bahia, e com prática há mais de 40 anos, no Rio de Janeiro, a  cerimônia é efetivada através de cantos, danças, jogos de capoeira, flores, oferendas, e, como não poderia deixar de faltar, pedidos. Em Manaus, parte da festa ocorre timidamente, por razão administrativa municipal, na Praia da Ponta Negra, mas de forma mais alegre e livre em alguns centros, como no caso do Centro da Mãe Emília.

MÃE YEMANJÁ

Mamãe, mamãe, mamãe

Mamãe, mamãe, Yemanjá

Vim fazer um pedido

Muitas flores vou lhe dar

Dia dois de fevereiro

Faz a gente recordar

Que é o dia da Rainha

Da nossa Mãe Yemanjá.

P1050718 P1050721 P1050726 P1050727 P1050728 P1050732 P1050736 P1050749 P1050762 P1050767Como se mostra tradicionalmente, membros do vetor-jornalístico da Associação Filosofia Itinerante (Afin) se fizeram presentes, posto trata-se de um dos enunciados antropológico-filosófico-religioso trabalhado pelo devir-afinado. Responsáveis pela documentação da festa da Rainha do Mar, os afinados Alci Madureira e Ana Cristina, na intimidade publica, “Meu Bichinho”, fotografaram a cerimônia e conversaram com Mãe Emília que na ocasião os convidou a lhe acompanharem até São Luiz do Maranhão, para um encontro dos representantes das entidades.

SEREIA DO MAR

Odoié! Odoié!

Salve a Rainha do Mar!

Salve a Sereia do Mar!

Tarimã, tarimã, tarimã

Tarimã tá no fundo do Mar!

Ó gente, cadê Sereia?

A Sereia tá no fundo do Mar!

Que maicaral

Virou zi caçamba

De fundo pru ar!

Odoié! Odoié!

Salve a Sereia e Rainha do Mar!

P1050768 P1050776P1050805 P1050820 P1050830 P1050823Durante a cerimônia, Mãe Emília, sempre cortês e atenciosa, desenvolveu os trabalhos como pede o ritual de dedicação à Yemanjá.

FESTA DO CABOCO ROMPE MATO NO CENTRO DA IALORIXÁ IZABEL

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Mais uma fervorosa festa ao Caboco Rompe Mato foi realizada no Centro da Ialorixá Izabel, na Alameda dos Frances, esquina com a Rua 14, do Bairro da Alvorada. Izabel é ialorixá do terreiro de Ilê Axé Opô Oyá Tope. A Ialorixá Izabel, há 28 anos, produz suas obrigações em Manaus. Iniciou a prática com Urunkô e também efetivou a obrigação de 7 anos de Odun Eje, e a obrigação de 14 anos de Odun Ika. A grandeza da  festa cumpriu o objetivo para que foi realizada: abrir o calendário festivo do ano de 2014, no centro.

Clique em baixo e veja o video.

docs.google.com/file/d/0B5MZqhG0SlB1LURqUmk3bkxCV3c/edit?pli=1

CABOCO ROMPE MATO DA JUREMA

É um Rei! É um Rei!

É um Rei do Panaiá e de Jurema (bis).

Lá na Jurema

Rompe Mato é um Rei.

É um Rei do Panaiá e da Jurema.

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O Caboco Rompe Mato é da linha dos cabocos da umbanda cujo nome simbólico é Caboco Rompe Mato da Jurema. Com sua vestimenta verde e vermelha se manifesta nos afetos rigoroso, austero, mas caridoso, amoroso e aconselhador seguindo com dedicação o cruzeiro da luz dirigindo seus seguidores a evolução espiritual na luz de Cristo. É caboco Ogum na potência do Orixá Oxossi. É um caboco cuja singularidade é indígena.

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As fotos e os vídeos permitem o internauta, seguidor ou não dos princípios da umbanda, fazer uma inferência sobre o quanto foi encantadora a festa realizada pela Ialorixá Izabel, seus filhos, filhas e também os convidados que se fizeram presentes. A Ialorixá Izabel tem os afetos fundamentais para a realização festiva das obrigações. Os membros da Associação Filosofia Itinerante (Afin) se fizeram presentes, como fator jornalístico, e puderam constatara grandeza do trabalho. Onde não faltou sinceridade e dedicação.

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Uma nota importante da festa do Caboco Rompe Mato, nesse fim de janeiro, é que pela primeira vez a Afin faz um trabalho na Casa da Ialorixá Izabel. E pela primeira vez, divulga suas observações em forma de expansão no ciberespaço. O que torna, para a Afin, um importante fato-indígena-afro-religioso.

VEREADOR BAHIANO QUER PROIBIR A MANIFESTAÇÃO AFRORELIGIOSA NA TRADIÇÃO DE SACRIFÍCIO DE ANIMAIS

Na Bahia, terra de São Salvador e do Nosso Senhor do Bonfim, o vereador Marcell Moraes, do PV soteropolitano criou um projeto de lei baseado em sua própria concepção de mundo onde deve ser proibido o  sacrifício de animais em rituais de candomblé e em outros culto afrobrasileiros. Ele chamou o sacrifício de animais no candomblé de “tortura” e afirma que ainda um dia pretende lançar um projeto de lei que proiba comer carne.

Aceitar um projeto deste é aceitar a irracionalidade. Com um discurso pautado  na imbecilidade o projeto preve uma escolha pessoal sobre o coletivo. Falar mal sobre sacrificar animais é algo que envolve uma discussão mais ampla sobre a própria presença humana como ser carnívoro na terra. Estudos históricos/antropológicos/fisiológicos como  “As condições da evolução sexual” de Robin Fox mostra que o cérebro humano só cresceu e deu a funcionalidade como conhecemos graças ao abate e consumo de carne cozida pelo Homo Sapiens.

Este projeto enfoca no quesito religioso apenas, visto que o sacríficio de animais também ocorre (e neste caso violentamente e em grande quantidade) em criadouros, granjas, frigoríficos e outros locais que levam a carne ao prato da população.Por este motivo uma série de antropólogos e estudiosos se posicionaram contra o projeto, já que a carne do animal oferecida aos orixás é sacrificada sem maltratar e também serve de alimento para a comunidade que frequenta os terreiros.

Ao comentar seu projeto Marcell ainda mostrou um desconhecimento de sua função como vereador e da legislação brasileira que defende os cultos, querendo ele próprio propor mudanças nas práticas afro: Não tenho nada contra terreiros de candomblé. Eu apoio as religiões afro, mas essa oferenda precisa mudar. A própria religião prega que os orixás são bons e puros. Então, elas (entidades religiosas) vão compreender se trocar a oferenda e oferecermos folhas ou plantas no lugar dos bichos sacrificados”.

A legislação brasileira defende em vários lugares a prática e tradições religiosas. A Constituição Federal no Art. 5.º inciso VI afirma “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”. Já o Códico penal no Artigo 208 diz que “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena – detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.”.

Este projeto de lei além de não permitir o “livre exercício” desta tradição, não pretende discutir estes valores, já que se impõe como única verdade impedindo com que a sociedade bahiana e das religiões afro possam analisar suas formas culturais provenientes do povo negro que veio da África. De qualquer modo a mudança deve ocorre se os praticantes sentirem necessidade dela para sua manutenção.

Assim a opinião individual deste vereador não pode deixar o fluxo livre das matrizes africanas em se expressar, não por ser garantido por lei, mas pelo respeito as diferenças humanísticas dos negros que são brasileiros como nos fazemos a cada dia.

OFERENDAS E BARQUINHAS PARA IEMANJÁ POR UM BOM ANO NOVO DE 2013

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Em uma bela noite de cruviana a Prainha da Ponta Negra em Manaus recebeu diversas famílias, frequentadores das religiões afro e simpatizantes para que vieram fazer oferendas e pedir um bom ano para a rainha das águas e mãe de todos orixás Iemanjá e a dona das aguas doces Mamãe Oxum.

E a areia ficou enfeitada com o colorido das flores, das velas, dos pratos, da fé, dos pontos cantados e das barquinhas que foram oferecidos para Iemanjá. E na festa a nossa mães das águas todos se purificam e renovam assim como o ano novo que logo mais chega.

Eu fui lá na beira da praia,
Para ver o balanço do mar,
Eu vi um retrato na areia,
Me lembrei da Sereia,
Comecei a chamar,…
O Janaína, vem, vem,
O Janaína, vem cá,
Receber estas flores,
Que eu venho te ofertar.

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ele jurou bandeira
ele tocou clarim
com seu exercito branco
ele lutou por mim
na beira da praia
ogum sete ondas
ogum beira-mar

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Caminhando pela prainha vimos alguns babalorixás e ialorixás conhecidos deste bloguinho como a mãe Valkíria e o pai Belmiro, e nestes encontros praianos descobrimos a ausência de algumas casas que não estiveram pelas areias da Ponta Negra neste ano.

Mesmo assim os tambores e os pontos cantados pelos presentes mostraram toda a força que este encontro com oferendas  e agradecimentos possui. E para deixar a festa ainda mais bonita diversas entidades como o Caboclo Ubirajara, Cabocla Herondina, seu Joãozinho, Dona Mariana estiveram presente para oferendar Yemanjá.

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Meus amoriê, Meus amoriá
 
Na linha de umbanda

quem versa, quem manda

são os orixás

Ogum mora na lua

Xangô lá na pedreira

Oxossi na mata virgem

Mamãe Oxum na cachoeira

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Os pontos e orações se renovavam e eram cantados com a força das entidades presentes. Assim as oferendas para Yemanjá presente em cestas, barquinhas, buquê de flores eram enfeitadas e recebiam as velas, presentes e essências destinadas a rainha do mar.

Eu vi chover, eu vi relampejar
Mas mesmo assim o céu estava azul!
Firma seu ponto na folha da jurema
Que oxóssi é bamba no maracatu!

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Os pontos continuaram durante toda a noite, e com o cair da madrugada as barquinhas estavam prontas para levar as oferendas para Mamãe Oxum e Iemanjá.  Os pedidos, graças, e oferecimentos  também foram feitos para que o ano novo seja repleto de muito axé e que Iemanjá nos banhe com suas águas.

Aos poucos os barquinhos que estavam com na areia foram arrastado para as águas e cada grupo presente levava aos poucos suas preces e objetos para os braços das duas mães, dágua  doce e d’água salgada.

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Oh que barco tão lindo que vem

Sobre as ondas do mar  

Ele traz as vibrações de nossa

Mãe Yemanjá    

Yemanjá ,Yemanjá

Ela é a rainha do mar

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Odoyá Odociá minha mãe Yemanjá, Ai-iê-ieu mamãe Oxum

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E assim o mar ficou repleto de oferendas que coloriram e iluminaram um ano novo repleto de bençãos, realizações e muita fé para todos, e ainda um caminho onde a intolerância e preconceito religioso, que acontece muitas vezes com as religiões afro, possam ser superados.

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Após as oferendas a alegria continuou na areia e os tambores continuaram durante a madrugada prenunciando um bom ano novo de 2013 com muita paz, saúde, realizações e com as bençãos de nossa mãe Iemanjá.

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Os únicos que tentaram macular esta bela festa foi o prefeito Amazonino Mendes e a prefeitura de Manaus que não se contentam em terminar este (des)governo com as ruas cheias de buracos, e deixaram a escada, atualmente o único meio de acesso a Prainha, sem manutenção e cheia de burados,o que coloca a vida de centenas de idosos e crianças, religiosos e visitantes em risco fatal.

A prainha, que fica a uma grande altura da rua, poderia ser palco de alguma fatalidade, mas pela força de Iemanjá e dos orixás, tudo ocorreu bem.

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Assista o vídeo de apresentação do Curso On-line Clãs Ciganos na Umbanda

OFERENDAS E BARQUINHAS PARA IEMANJÁ POR UM BOM ANO NOVO

As margens deste novo ano em uma bela noite se reuniram na Prainha da Ponta Negra diversas famílias, frequentadores das religiões afro e simpatizantes para fazer oferendas para a rainha das águas Iemanjá e a dona das aguas doces Mamãe Oxum.

Eu fui na beira da praia pra ver
O balanço do mar
Eu vi o retrato da areia
Me lembrei da sereia
Começei a chamar

O Janaina vem ver, O Janaina vem cá
Receber estas flores
Eu vim lhe ofertar!

As barquinhas repletas de flores e oferendas tomaram a areia enquanto se cantava e faziam as homenagens a Iemanjá. Em toda a praia as famílias e religiosos agradeciam as bençãos recebidas e pediam um novo ano de bastante realizações.

Vindo se juntar aos presentes diversas entidades espirituais afro como caboco, preto velho, ciganas, erês para também fazer oferendas para Iemanjá e trazer axé para o este mundo e mensagens de novo ano.

A cigana Rosa da linhagem deAngola deixou uma mensagem para todos os praticantes da religião afro.

Na lua de hoje, eu Cigana Rosa, rainha dos ciganos não está aqui como exú, está aqui como ciganas na qual fizemos esta mesa com ajuda dos filhos para trazer fartura, caminhos abertos, pra felicidade e pros amores que é o que se tá faltando neste mundo de pecado, no mundo da religião. Pai de santo quer ser melhor que pai de santo, casa de santo quer ser melhor que outra casa e isto não existe. Espirito nenhum é melhor o problema é a mentalidade dos filhos, e este é o nosso pensamento de cigana aça pedinto isto: paz, felicidade e união. Por que a união faz a força; uma corrente quando se quebra um elo não se tem força. E é isto que nós invisíveis, pé-de-vento cobramos deste povo do santo ultimamente. União, fé e humildade por que a humildade e a fé está acima de tudo. Não existe religião, candomblé sem fé, humildade e união.

Caminhando pela Prainha encontramos Pai Anderson que estava junto com alguns outros trazendo algumas oferendas e cantando em seus pontos para Iemanjá o desejo de muito axé para todos .

Olha o navio é negreiro nas ondas do mar

Vamos Saravá nossa mãe Iemanjá

Azul e Branco minha mãe é a cor do céu

Aí quem me dera senhora mãe o seu lindo véu 

“Odoya Odocia minha mãe abençoe todos seus filhos com esta água pura e cristalina assim tirando a impureza deste mundo, a malevolência, a perseguições dos inimigos carnais e espirituais. Odoya mãe Iemanjá, venha trazer paz espiritual para todos. Traga realizações a todos”

Nosso bloguinho conheceu Pai Belmiro de Oxossi que realizou uma portentosa oferenda para sua mãe Oxum e pedindo um ano própero.

Ogum mora na lua

Xangô lá na pedreira

Oxossi na mata virgem

Mamãe Oxum na cachoeira

“Hoje fizemos uma homenagem a minha senhora Oxum Iapondá que é dona das águas doces. Nós festejamos todos os anos Iemanjá, mas na verdade nossa referência tem que ser a Oxum que é dona de nossas águas. Mas como já é tradição trazemos um presente pra Iemanjá, um pra Oxum que é a minha mãe pedindo prosperidade, caminhos abertos, sorte, que ela nos traga paz para o Mundo”

Encontramos também as entidades ligadas ao mar como o seu Joãozinho que também dançaram, cantaram pontos para  e fizeram oferendas a Rainha das águas Janaina.

Eu quero ver quem vem.

Eu quero ver quem é.

Eu quero ver caboco bom.

É no balanço da maré.

Ela não tem medo de andar no mar

Ela só tem medo senhor meu pai

Desta barca virar.

Oh que barco tão lindo que vem

Sobre as ondas do mar  

Ele traz as vibrações de nossa

Mãe Yemanjá    

Yemanjá ,Yemanjá

Ela é a rainha do mar

A beleza da festa continou durante toda a noite com uma grande diversidade de grupos ligados a religiões afros e outros simpatizantes que se uniram em pedir um novo ano melhor.

Caboca Mariana que também estava presente, na cabeça de Mãe Valkíria, deixou uma mensagem de fé e axé para  o mundo inteiro.

“Que este ano que faz 2012 ilumine a gente o caminho dos pecadores, que dê muitos anos de vida, que traga muito axé, muita prosperidade,  muita paz e compreensão, que é o que o povo não tá tendo no mundo do pecado. Nós cabocos estamos oferecendo nossas oferendas e pedindo muita paz e que este ano seja de muito axé, axé e axé. Nós pedimos isto por que todos estes anos que nós passamos foi muita tragédia no mundo do pecado, muita violência. Eu, Caboca Mariana deixo um voto aos pecadores que pecam a Deus que busquem primeiro a Deus, que o resto a gente leva aqui em baixo. E também pedir muita paz, prosperidade, caminhos abertos, muito axé, dinheiro.”

Pai Geovano de Oxagiã também estava presente com os filhos de sua casa e recebeu diversos cabocos. Com muito entusiasmo e vibrações os ogans levaram os pontos nos tambores e atabaques que eram entoados por todos da casa que se refestelavam na alegria de Iemanjá.

Até que no alto da festa recebeu o caboco Sibamba que sempre com sua alegria e bom humor também conversou que este bloguinho sobre o próximo ano.

Este ano que vem vai ser de muita confusão, de muita falsidade, de um se jogando pro outro pra ser a mesma merda. As crianças vão tentar passar um doce, um bom pro povo, pros políticos, principalmente pra estes safados. O Amazonas está fudido por todo mundo. Quem manda ser burro e fuder o Amazonas assim. Mas vai ter muita coisa boa, mas também tem bastante coisa ruim que o povo faz. Quase tudo vai dar certo se o povo saber quem escolhe os políticos e se eles souberem escolher tudo vai dar certo. A política é que nem amor: se você souber escolher com certeza vai certo. Caboco Sibamba

 E pela madrugada as barquinhas foram sendo trazidas ou arrastadas para o rio e entrege a Iemanjá como gratidão e pedido por um ano melhor

Joguei minha barca n’água
Eu quero ver navegar
Peço licença primeiro
A Nossa Mãe Iemanjá.
Oh, Iemanjá! Oh, Iemanjá!
Quem manda nas ondas d’água

Sibamba também abençoou os presentes com seus banhos e com chapagne para passar um ano bom de muitas realizações, e muito axé

E a festa continuou durante a madrugada toda com diversos cantos à Iemanjá, mas também aos invisíveis cabocos, preto-velhos e ciganas, para que este novo ano seja construtor de novas formas de existência na transformação do mundo.


Sentinela das águas do mar
A mãe d’água mandou avisar
Que hoje não pode pescar
Pois hoje tem festa no mar

Iemanja ela é a rainha do mar

No mar tem flores

 Tem rosário de Nossa Senhora 

Aroeira de São Benedito 

Cabocla Herondina, chegou nesta hora

Oh embala, embala, embalaô, cabocla Herundina embala se só,

Ela embala se na rede cipó,


Ela não tem amor na terra,

Ela não tem por quem chorar,

A sua mãe foi muito ingrata,

Atirou-lhe em alto mar

PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ FAZ PRE-VISÕES PARA 2012

Estivemos ontem junto de Pai Geovano de Oxaguiã que atendeu a equipe da Afin para fazer as previsões para o ano vindouro através dos búzios. Um ano de muitas mudanças e algumas surpresas para alguns. Mas um ano novo com vários acasos para todos. Oxalá 2012.

A REGÊNCIA DO ANO

A regência do ano começa com os erês e quem vai receber o ano são as crianças. Passando para Oxalá ou na forma Oxaguiã ou Oxalufã e no final do ano entregando a Oxum. Por isso que muitas concretizações vão ser ruins de serem feitas  no começo, vai se tornar uma brincadeira para as pessoas que tem responsabilidade e vão levar as coisas muito assim a la vonté por que as crianças vão estar regendo no começo do ano, no meio do ano Oxalá rege e passando pra Oxum no fim do ano. Estes são os orixás que vão reger neste ano de 2012.

AS ELEIÇÕES DE 2012

Haverá uma grande mudança na política do Amazonas, mudança pra melhor mas as caras vão ser quase as mesmas só que com tendência a melhor. Os políticos estão caindo na real e parece que este ano vai ser um ano de eleições limpas, de uma moral digna pra todos, principalmente para os políticos. Uma eles estão visando outra coisa, algo maior e a política vai ser boa. Vai ter mudanças radicais aqui no Amazonas, as caras a gente já conhece, vão sair de um partido pra outro, alguns vão se reeleger de novo e outros políticos vão trocar de cargo ou coisa deste gênero.Na prefeitura há mudança sim. Tem candidatos que vão querer se recandidatar de novo e vão perder. Há mudanças boas e o que já temos vai ficar melhor. Não vejo uma mudança radical na prefeitura.

AS OLIMPÍADAS

As Olimpiadas deste ano que vêm vai ser boa, mas não como as pessoas esperam. Haverá muita decepção no atletismo amazonense, há muita decadência e sem apoio de quase nada. Então a expectativa que as pessoas querem não vai ter, vai ser bem notável que os atletas precisam de ajuda, e o Amazonas precisa de ajuda neste contexto. Vai ter bons resultados, mas não com a perspectiva que esperam.

O PELADÃO BRASILEIRO

O futebol brasileiro vai continuar em decadência; cada ano que passa torna-se decadente, os outros países se destacam visivelmente à frente do Brasil que era uma potência futebolística. Vejo que o futebol continua só financeiramente deixando os jogadores ricos sem fazerem quase nada. E o titulo de campeão olímpico de futebol não virá. E continuará na decadência se as pessoas não se tocarem que o esporte é um divertimento, um lazer, um amor e não uma máquina de fazer dinheiro, uma máquina de exploração financeiro.

AS MULHERES

As mulheres este ano vão estar em destaque, mas não de crédito bom. Vai ser um ano de pouca perspectiva para mulheres, e mais voltado para os homens. Vai acontecer muitas coisas boas para algumas outra vão cair como manga madura do pé. O ano para presidente Dilma vai ser difícil e não vai ser bom, vai ser um governo de muitas críticas e reclamações.

AS RELIGIÕES AFROBRASILEIRAS

A questão das religiões afrobrasileiras se estabilizou. Foram anos que vencidas etapas significantes, mas no momento vão se estabilizar. Vamos ter dentro da religião vitórias importantíssimas, mas também haverão derrotas significantes. É um ano de renovação e pra nossa religião afro vai caminhar lento. A perspectiva que vemos é esperar e aguardar que as pessoas entendam que religião é religião seja ela católica, afro, ameríndios, então é muita consciência que as pessoas ainda não tem para mudar. Mas a força de Oxalá há de conseguir.

DAS MORTES

Neste ano que vem os políticos pode se esbanjar de energia por que este ano vai morrer poucos políticos. Para os atores, atrizes e o pessoal da sociedade alta tem uma baixa muito pouca, morrendo pouca gente. Pelo contrário vai ser um ano de reiniciação para atores, atrizes, cantores principalmente, vai surgir bastante. Não vejo muitas mortes de alguém muito famoso, vejo sim bastante doenças, mas poucas mortes.

A CIDADE DE MANAUS

Realmente estaremos em um ano de renovação, de crescimento e Manaus e parece que neste ano as coisas vão alavancar e incrementar uma nova diretriz pra Manaus. Manaus no ano que vem vai estar mais bonita, mais forte, com um Pólo Industrial mais firme, empregos bons e melhores e esta é a previsão que tenho pra Manaus.

AFIN

O que precisa neste próximo ano pra Afin  é uma boa diretriz, um bom ponto de vista que tem de vir calçado de inteligência e força de vontade. As vezes não se precisa só da força de vontade, a inteligência tem de vir junto. Isto que está deixando a faltar, o que alguns tem não estão querendo dividir com o outro e aí que enfraquece o elo de amizade e de força da própria instituição. A previsão que faço pra Afin é que vai demorar um pouco mais de tempo pra se tornar algo forte, uma coisa concreta, é muito sonho para vocês. Mas vai se tornar realidade por que tem coisas boas vindo pra afin  que vai surpreender vocês.


A ABERTURA DO ILÈ MAROKETÙ BABA MI ASÈ POSSÙN

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E os cultos afro em Manaus estão cada vez mais bem representados, principalmente agora que babá mi Jefferson ti Òsáàguíán, realizou a esperada abertura de seu Ilè Maroketù Babá Mi Asè Possùn, a mais nova casa de Candomblé e Umbanda da cidade.

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Residindo em São Paulo, tendo já vários filhos na casa de sua mãe, Pai Jefferson construiu em Manaus amizade com outros axés da cidade, como a casa de Mãe Isabel Oyá, onde outra vez realizou uma festa para Xangô, e a casa de Pai Frank de Obaluaê, entre outras. Finalmente ele veio fazer o assentamento de sua casa para engrandecer ainda mais a comunidade do santo manauense e brasileira.
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Descendente de uma linhagem nobre dentro do santo, Pai Jefferson é neto de Mãe Minininha do Cantuá. A mãe de santo dele, Mãe Juju, é filha carnal do Babá Tobé Nezinho do Portão, o homem que dava comida à Insã de Mãe Minininha. Foi também Pai Nezinho do Portão que abriu o terreiro da conhecida Mãe Cacho e, em São Paulo, o Ilê Maroketù Oxum, de Mãe Juju. Agora Pai Jefferson aumenta a família do Cantuá e do Moritiba.
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Pai Jefferson explica que embora ele more oficialmente em São Paulo, a casa vai ficar aberta não apenas para o Candomblé, e que serão feitas outras atividades e obrigações regulares no Maroketù. E apresentou como padrinho de axé da casa seu Aloizio, o famoso Pai Lulu, que ficará responsável pela casa em sua ausência e que presidirá os rituais de Umbanda.


Agora que a casa foi aberta, eu tomei uma providência, porque eu moro em São Paulo, mas a casa tem que ficar aberta para outros trabalhos, e não só quando eu estiver aqui. A casa tem que tocar pro seus catiços, seus encantados, seus guias, quem eles quiserem chamar. Então meus filhos poderão tocar aqui quando quiserem e o tempo que quiserem. Então eu chamei uma pessoa, Pai Lulu, que é pai carnal da Jacqueline aqui, para que quando vocês ouvirem dizer que o meu terreiro tocou sem minha presença, é porque tem um padrinho, que eu estou dando autorização pra ele. Ele vai tocar Umbanda nesta casa quando eu não estiver, e eu vou tocar Candomblé quando eu estiver.

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Então alguém pode dizer que o Xandeco tá batendo o tambor aqui. Não. O responsável é esse senhor aqui que todos sabem que tem muitos e muitos anos de Umbanda. A mãe carnal dele já era da Umbanda. Algumas pessoas que foram na casa dela me falaram do respeito que esse senhor tem e a mediunidade bonita que ele tem. Isso é muito bonito, porque se nós do Candomblé tivéssemos o axé que a Umbanda tem, pelo menos lá em São Paulo, isso já seria uma vitória. Não seria essa briga de igreja que há com a gente. Então esse senhor vai poder tocar quando ele quiser, e fazer as obrigações que ele quiser dentro da Umbanda.”
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E o Moroketù já começa com a obrigação de três filhos de santo de Pai Jefferson e mais a saída de dois filhos novos. Bem humorado e bom conversador, o babalorixá falou das singularidades dessas saídas.

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Temos aqui cinco yaôs para esta casa. Fui eu que os fiz. Então, eles irão poder dizer que são filhos de Jefferson ti Òsáàguíán. Jacqueline aqui foi feita na casa de um outro pai de santo daqui, mas hoje é ekédji do meu Òsáàguíán. Algumas pessoas aqui me perguntaram, quando eu disse que esse filho dela aqui era “abíasè”. “Abíasè” é quem nasce dentro do roncó. Está aqui esse menino, filho dela. Graças a Deus eu tenho tempo para fazer isso e idade. Ele se chama Vinicius e tem três anos de idade. A idade dele é a idade dele no santo. A Jaqueline recolheu-se grávida.
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Alexandre, mais conhecido como Xandeco, todo mundo conhece aqui. Foi feito aqui em Manaus. Foi feito yaô, mas sem o santo baixar na cabeça dele. Foi pra São Paulo, achou um pai de santo mais abusado. Trouxe o santo à cabeça dele. Fui eu. Ele está fazendo três anos. E, graças a Deus, por opção dele, ele tá respeitando a idade dele como yaô. E vai continuar como um yaô até tomar o ‘odu igé’ (sete anos) dele.”
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Além destas três obrigações, houve também as saídas dos yaôs dofonitinho Roberto de Oxóssi e dofono Afrânio de Ogum. Quando estava levando os yaôs para a primeira saída, Pai Jefferson falou que seus orixás saíam acordados, e citou vários exemplos. Depois o ogan Betinho de Oxalá, axogun do Maroketù (foto acima), explicou-nos com mais detalhes esse procedimento.

No terreiro de Pai Nezinho, assim como no Axé Cantuá, no Axé Moritiba não se tira o yaô logo de saída incorporado, porque a gente acredita que nasce a pessoa e não o orixá. O orixá já existia há nove mil anos antes de Cristo. O orixá está apenas nascendo para a pessoa, mas ele já existe, você só tira da natureza. Então o yaô sai acordado, como axé régi, dança todo o ‘xirê’ acordado, quando chega na hora de dançar pra Xangô, que é o rei, que tem a coroa e que trouxe os demais orixás do ‘orun’ (céu) para o ‘ayê’ (terra), através do baobá, a árvore sagrada. Então o orixá vira em Xangô justamente por isso. Então, sai acordado, dança o xirê inteiro acordado, quando chega na hora de dançar pra Xangô, é que o orixá vem e chega no yaô, que sai então para dar o oruncó, e depois sai para o ‘run’.”

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Então foram escolhidos os padrinhos dos yaôs, que os levaram para revelar o oruncó. Dessa parte, Pai Jefferson ordenou que não podíamos fotografar nem gravar, por isso só assistimos. Mas em seguida, devidamente paramentados, os orixás vieram para fazer suas apresentações de luxo, e já podíamos registrar suas grandiosidades.



Então o ogan Alex puxou o xirê enquanto, enquanto sua esposa, Lenita, tendo na cabeça a bela Oyá, fazia seus desenvolvimentos no salão, enquanto Mãe Isabel abençoava a alegria de seus filhos no salão.

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Em seguida, Omulù, na cabeça do já citado Xandeco, veio distribuir suas conchas, fazendo seu ritual de cura contra a doença e a morte e distribuir suas pipocas, suas bênçãos a todos os presentes.

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Tinha também Iemanjá, que, com todo seu esplendor e sabedoria, dançou no salão, recebendo as saudações dos presentes e estendendo suas bênçãos a todos.
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Finalmente, como não podia faltar numa magnífica festa como essa, a comida do santo foi distribuída e estava deliciosa, e assim a festa foi bonita até a madrugada…

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●●● ILÈ MAROKETÙ BABA MI ASÈ POSSÙN ●●●
– Bàbálórisá Jefferson ti Òsáàguíán –
Rua Rouxinol, nº 1040 – Campos Sales (Manaus-AM)
Tel: (92)9609-3636 // 8132-4446

ABERTURA DO ILÈ MAROKETÙ ASÈ POSSÙN – CONVITE

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PELA LIBERDADE DE CULTO ÀS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Seu doutorzinho quer que chame de doutor
Seu doutorzinho quer que chame de doutor
É duvidoso, cativeiro acabou
É duvidoso, cativeiro acabou
Branco sabe ler, também sabe escrever
Só não sabe dia em que morre
O preto é quem vai dizer!

Em memória ao Pai Francisco do Morro da Catita, com seu Umbandão pé no chão, que foi para o Orun no início desse ano.

Uma das principais questões hoje no Brasil, como ficou visível nas últimas eleições, é a defesa da liberdade religiosa, é a defesa constitucional do Estado laico que é o Brasil, onde se pode, segundo a lei, desde que não se ofenda a outrem, cultuar a religião que se quiser: Cristianismo, Budismo, Hinduísmo, Xamanismo, Agnosticismo, Espiritismo, Candomblé, Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô…

É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” (Constituição, Art 5º-VI)

Quem não quiser também estará livre para não cultuar nenhuma: Ateísmo. E há no Brasil até quem invente novas formas de religião a partir do que venha a ser religião e da importância de se cultuar uma religião. No emaranhado de interesses mesquinhos em que se consagram todos os sistemas de todas as eras, praticamente todas as religiões se jogam na busca pela Verdade, seja para auto-aperfeiçoamento, seja como direcionador de ações. Atualizemos filosoficamente a questão em Aldous Huxley, quando ele trata a religião como sendo um filtro para conhecimento da realidade, ou no sentido de “ver o íntimo das coisas”, como diz Nietzsche sobre a poesia. Assim, mesmo alguém que se diz ateu pode estar imbuído de religiosidade.

Que lindo! Poderíamos até dizer que foi assim que Jesus Cristo, o palestino, sonhou. Mas por que a intolerância gera tantos conflitos que até se gerou um leniente ditado que diz que “religião e política não se discute” quando, ao contrário, quando a religião sai da esfera do foro íntimo – crença individual – e adentra à esfera da coletividade – persuasão política -, tem-se que se discutir? Elementar: é que grande parte das religiões, principalmente as chamadas Grandes Religiões, se emaranharam a mesquinhos interesses. Por isso que, no Brasil, dentre as inúmeras formas de discriminação que constituem o racismo está a intolerância religiosa aos cultos afro.

Para se perceber as discrepâncias que daí resultam sobre as religiões afro, basta observar um fato ocorrido numa das escolas onde a AFIN, de quem este bloguinho é vetor virtualizante, foi fazer sua explanação com o tema que vai no título deste texto. Acontece que se um adepto de uma religião cristã procura uma escola, fato corriqueiro em Manaus, para “pregar a palavra do Senhor”, ninguém chega sequer a aventar uma falta de “interesse público”, como prevê a Constituição, de catequização religiosa em espaços públicos; agora se o pessoal da AFIN aparece com um pai de santo, e neste caso com “interesse público” comprovado, e sem catequização, mas sim discutir a autenticidade das religiões afro e desfazer certas estigmatizações, há professores que protestam e ameaçam se retirar. Daí se percebe que a laicidade do Estado não está sendo observada por parte de muitos cristãos.

Não fazemos aqui uma crítica ao Cristianismo em si, que acreditamos uma religião autêntica, mas à irracionalidade de adeptos individuais e de vis interesses que subvencionam essa religião desde pelo menos sua oficialização no Império Romano, quando tendências distintas, à época de Santo Agostinho, se engalfinhavam com palavras esdrúxulas, pedras e armas, até que uma dessas tendências prevaleceu pela força física mais do que ideológica ou de fé. Desde aí, passando pelas Cruzadas, pela Reforma Protestante, pela Contra Reforma, pela Caça às Bruxas, chegando até os dias atuais com a deprimente divisão do mundo entre Ocidente cristão e Oriente islâmico, vê-se uma epopeia sangrenta que pouco tem a ver com a simplicidade e ternura do filho de Maria.

Como o Cristianismo é a maior religião no Brasil, muitas igrejas e manifestações individuais demonizam outras religiões, julgando-as violentamente segundo seus dogmas irredutíveis. Em Manaus conhecemos budistas que se queixam do preconceito que sofrem. Quer dizer, não são apenas os cultos de matriz africana, mas como os adeptos dos cultos afro, tendo o Brasil nos negros uma das etnias de nossa formação, as condenações sumárias para estes é muito mais abundante e frequente, sabendo-se que só em Manaus há cerca de 3 mil lugares, entre terreiros, barracões e bancas, onde se cultua alguma religião de matriz africana.

Talvez isso não ocorra em todo o Brasil. Ouvimos seu Baianinho do Tambor de Mina, na cabeça de Pai Miguel de Vondoreji, do Terreiro da Fé em Deus, contar que no Maranhão há padres que rezam a missa e que depois vão ao terreiro e incorporam aí suas entidades. Mas em Manaus, e provavelmente em muitos outros lugares, a lista de estigmatizações é imensa. Semana passada ouvimos uma jovem dizer que “nos terreiros de macumba as pessoas bebem sangue”. É muito comum ouvirmos que os orixás, cabocos e voduns são demônios e que todos os macumbeiros vão para o inferno.

Com argumentos rápidos e certeiros, mesmo para nós deste bloguinho, que não somos diretamente adeptos dessas religiões nem antropólogos especializados, é fácil derrubar tais preconceitos aberrantes. Esses três anos de trabalho incansável, desde que num domingo à tarde baixamos no terreiro de Pai Jeovaņo de Ajagùnnọn, já nos levaram a entrar em contato com cerca de uns 100 terreiros e barracões e nos deram algumas informações necessárias para isso, ao que juntamos nossa filosofante vontade de amor e comunhão. “Os homens são diferentes, mas não desiguais, nem separados: são como os dedos da mão. Iká ko dogbá, os dedos não são iguais, diz um aforismo nagô”, declara o filósofo candomblecista Muniz Sodré.

Para começar, vulgarmente se utiliza a palavra “macumba” de forma pejorativa e generalizada. As pessoas que assim o fazem não sabem sequer que não existe apenas uma religião afro, mas diversas, entre elas o Candomblé, a Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô. Sem falar que os cultos afro congregam na verdade vários outros credos e entidades que não são propriamente de matriz africana, como as pombogiras, como os cabocos indígenas, o povo cigano, santos, anjos e até bruxas.

No Brasil, o caso mais curioso é a aproximação de santos católicos com orixás dos cultos afro, o que se denomina sincretismo. Como os escravos não tinham permissão para cultuar seus orixás, eles escondiam uma imagem deles entre os santos ou cultuavam algum santo que de alguma forma tinha característica que se aproximava de um orixá. Por exemplo, como a entidade por assim dizer maior católica era Jesus Cristo, então os negros relacionavam-no a Oxalá, seu orixá maior. Assim foi que Nossa Senhora da Conceição virou Oxum, São Sebastião virou Oxóssi, São Jorge virou Ogum, São Lázaro virou Obaluaê, Santa Bárbara virou Iansã e por aí vai.

Uma das maiores polêmicas ocorre na aproximação vulgarizada de Exu com o Diabo. Mas se percebe que essas aproximações são apenas providenciais; mas não, essenciais. Enquanto no Cristianismo o Diabo, o Satanás é tido como uma entidade terrível com a qual nenhum acordo deve ser feito, a não ser que se queira vender a alma ao capiroto, nos cultos afro Exu é o primeiro orixá a se louvar, sendo que é ele quem abre os bons caminhos e fecha a soleira da porta do barracão para o mau olhado. Hoje há também quem diga que Exu é na verdade o Espírito Santo. De qualquer modo, todos os adeptos dos cultos afro com os quais conversamos foram sempre unânimes de não levar a sério essa história de sincretismo, que, para eles mais auxiliaria na demonização de suas religiões, uma vez que prevaleceria, embora o Brasil sendo laico, a religião dominante.

Se observamos que uma religião como o Candomblé é muito mais antiga do que o Cristianismo, mais antiga até que o Judaísmo, e originada em uma outra realidade geográfico-política, como que ela poderia ser julgada por este? Só há uma forma: até hoje, muitos cristãos – não todos, claro – tendem a querer impor à força para as outras nações, para outras pessoas o seu credo como único e verdadeiro. Já houve muitos casos em que meios de comunicação usaram de truculência contra as religiões de matriz africana, e é por isso que existem hoje leis contra racismo e intolerância religiosa para punir as manifestações violentas e agressivas.

Em Manaus há entidades que lidam diretamente com a questão, como a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM), presidida pela querida Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, e a Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM), presidida por Pai Lairton da Oxum. A luta dessas entidades se faz também na medida de modernizar as práticas nos terreiros, como já explicou em entrevista neste bloguinho Pai Ribamar de Xangô, coordenador no Amazonas da Federação Nacional dos Cultos Afro-Brasileiros no Amazonas (FENACABI). Há ainda a Associação Movimento Orgulho Negro do Amazonas (AMONAM), presidida pelo companheiro Luiz Costa, que faz um trabalho diretamente nas escolas.

Mas há pessoas que, embora estando no “mais baixo grau de entendimento”, repetem estigmatizações ofensivos às religiões afro apenas por medo e falso misticismo, mas que merecem alguns argumentos que lhes faça abrir os olhos. “Ter os olhos abertos é derrubar as paredes divisórias das ditas raças, classes, crenças e conceitos. Apertar o Outro contra o coração como se fosse um membro de sua própria família é coisa digna só de gente” (Muniz Sodré).

Como já dissemos, as religiões afro congregam vários outros credos. E se há preconceitos de muitos cristãos contra as afro-religiões, não os há destas para com aqueles. “Agradeço a todos os orixás e a Nosso Senhor Jesus Cristo…”, é o que dizem praticamente todos os pais de santo. Em Manaus há vários centros que realizam festas católicas, mormente os que praticam Mina Jeje-Nagô, com direito a novenas, terços e cânticos hagiográficos. Transparece que o preconceito é mais arraigado entre os chamados evangélicos, mas também estes, além de não estarem acima das leis, devem aprender a con-viver com a diferença e perceber o Outro sem as barreiras extremistas do fanatismo.

Deixamos a melhor parte para o final. Como não somos adeptos, não estamos fazendo nenhum estudo antropológico sistemático, não ganhamos nada a não ser a bênção dos orixás, cabocos, voduns e outras entidades, uma pergunta sempre recorrente nos é colocada: “Você acreditam nisso?” O filósofo da Feira de Santana citado acima, numa entrevista de 2003, falando sobre Pierre Verger, explica que a palavra “acreditar” tem vários sentidos, entre eles “aceitar”, “confiar” e “dar crédito”. Um dos motivos que causam o medo que provoca o preconceito de muitos é o vigor das religiões afro e sua autenticidade. Para quem observou fotos e conversas que tivemos, alguém que nunca foi num terreiro, se souber olhar, verá uma pequeníssima demonstração de toda a beleza que vimos nessas noites inteiras acompanhando esses rituais. Sabe quanto conhecimento e ternura há numa conversa com um preto velho? Você já viu alguém mais alegre do que aquela pombogira? Onde já se viu cigana tão linda? Que harmonia no gingado das baianas! Tantos pontos, tantas rezas maravilhosas! E o que é para os ouvidos toda a musicalidade do tambor de mina? A voz daquele caboco lembra uma história que não foi contada pela História oficial…

O papel que nos propomos não é convencer ninguém, mas não nos repitam mais aquela pergunta tola. Lutar pela liberdade de culto às religiões afro-brasileiras é hoje no Brasil a principal luta contra o racismo e, ainda mais, é a defesa constitucional do Estado laico.

Nosso papel também não é convidar ninguém para ir ao terreiro, mas se quiser ir com certeza lá nos encontraremos, porque, livres de todos os medos e preconceitos, lá sempre nos sentiremos bem e completos de corpo e alma. Axé!

INAUGURAÇÃO DO ILÊ AXÉ ARAWÉ AJÚNSÚN NOS 14 ANOS DE PAI FRANK DE OBALUAÊ AJAGÚN

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Esta foi a festa ocorrida na inauguração do novo barracão de Pai Frank de Obaluaê Ajagún, o Ilê Axé Arawé Ajúnsun. Em Yourubá, da nação Ketu, “Ilê Axé” pode ser traduzido como “Casa de Força”, enquanto “Arawé” é o nome verdadeiro de Obaluaê, e “Ajúnsún” é um título que ele ganhou na África por ter vencido a morte. Significa “dorme e acorda”. “Obaluaê sempre vai acordar, sempre vai vencer a morte”, quem explica é Pai Frank, que também estava pagando sua obrigação de 14 anos de Candomblé.

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À frente dos trabalhos o reconhecido e respeitado Pai Ribamar de Xangô. Pai Frank agradece especialmente àquele que sempre esteve com ele: “Pai Ribamar é um homem que me deu muito axé. A mão desse homem me deu muito axé. Me tirou da rua. Quando eu cheguei na casa dele eu morava na rua. Então, saber que eu saí do nada e hoje sou dirigente de uma casa de santo dessas, isso é ter axé. E isso foi através de meu pai e de Obaluaê. Eu acho muito importante ter começado com ele e está até hoje com ele. E vou fazer com ele meus 21 anos. Vê-lo hoje nesta casa é muito gratificante.”

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Já Pai Ribamar, fez, com emoção, os agradecimentos e boas-vindas aos que estavam na Casa de Obaluaê: “Ogans, ekédis, babalorixás, toda a comunidade do candomblé, boa noite! Muito obrigado pela presença de todos! Todos aqui me conhecem. Sou Pai Ribamar de Xangô e estou aqui para realizar a obrigação do Pai Frank de Obaluaê, que por mim foi raspado, ocultado, catulado, levado pra sala pra dar o nome, rodado na sala. Eu estou aqui na festa dele de 14 anos e espero também estar presente na de 21 anos, principalmente que eu já estou com 75 anos de idade. Peço a Deus e todos os orixás muito axé, muita paz, muita saúde, muita prosperidade para todos os adeptos do culto afro-brasileiro. O momento é de alegria, satisfação e paz a todos, porque Deus abençoa a todos nós. Que Xangô, patrono do nosso axé, dono da minha cabeça, Oxaguiã, nosso pai, que nos ilumine, que nos dê força e prosperidade. Axé para todos!”

Acima, Pai Lairton de Oxum e, á esquerda, Ekédi Silvana de Obá, segundo Pai Frank, uma grande amiga, juntamente com Marcos de Odé, filho de Coifá.

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A sempterna elegância de Pai Raul da Oxum, juntamente ao Ogan Alessandro de Ogum e Ogan William de Oxalufã.

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Tivemos uma grande e importante conversa com Pai Frank sobre essa maravilhosa festa, à qual deitamos aqui para os adeptos e simpatizantes dos cultos afro apreciar a beleza das imagens e a sabedoria desse jovem, mas já experiente babalorixá.

Fiquei muito contente com todas as pessoas que vieram, meus irmãos de santo, outros sacerdotes que vieram, o próprio Obaluaê que veio em minha cabeça. Pela primeira vez em Manaus Obaluaê se vestiu, trazendo a qualidade dele, Ajagun, que é seu traje de guerreiro. As pessoas só veem Obaluaê como aquele que vem pra curar, e que também traz a doença, porque ele é muito rígido, castigador, é muito temido por todos nós, mas ele também é um guerreiro, e traz o luxo dele, porque Obaluaê é um dos orixás mais ricos, se não o mais, da nossa religião. Então nós trouxemos ele como ele deve ser tratado, como um rei, um guerreiro que luta pelos filhos, pra todos.

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Aqui a Dofona Lenita de Oyá (á direita), junto a uma irmã de santo e Mãe Isabel de Oyã. Pessoas importantes, influentes e respeitadas dentro da religião, e que Pai Frank diz ter se sentido muito satisfeito e orgulhoso com suas presenças.

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Eu escutei comentários de alguns irmãos de santo, do meu pai, que é um dos babalorixás mais conceituados no Amazonas, reconhecido em outros estados, como Bahia e Rio de Janeiro, que Obaluaê estava muito bem vestido. Porque muita gente veste Obaluaê com um pouquinho de palha aqui, um pouquinho ali e está bom. Eu peço que dá para o orixá é bom, porque receber dele é melhor ainda. A casa de Obaluaê tá bonita, e é porque nós ainda não finalizamos ela. Nós ainda temos mais coisas a fazer, por ordem dele mesmo, pois ele dirige a casa dele, manda as mensagens. Nós hoje pertencemos à família Opô Afonjá e consultamos o orixá pra tudo. Nada em uma casa de orixá, principalmente nessa casa, é feito sem autorização dele. As pinturas, os detalhes nas paredes, o que vai ser feito ainda lá em cima. Tudo é por ordem dele.

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Se você observa, não há um lugar pra ser humano morar. Tudo é dele. Acabam-se os rituais, a Casa de Obaluaê é fechada por fora e só é aberta às segundas-feiras e quartas-feiras pra consultas com outras entidades, para o comparecimento do público. No restante dos dias fica fechada, a não ser se Obaluaê ordenar alguma obrigação no sábado e domingo. Foi Obaluaê que fez a casa dele de um modo que eu realmente não esperava. Ele me mostrou o que ele queria, e ele pode, e ele fez. Foram seis meses sacrificantes, mas valeu muito a pena. O importante de tudo é que Obaluaê veio, mostrou pra todos a história dele através das rezas que meu pai Ribamar entoou, meus amigos, como o ogan Alex de Oxaguiã, que é do terreiro da Mãe Isabel.

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O Candomblé tem que ser isso. União. Não interessa de que casa você é, de que nação você é, de que orixá você é. O que interessa é que nós nos reunimos para louvar o orixá. É assim que deve ser. É o que nós tentamos fazer na Casa de Obaluaê, tentando que as outras casas que venham sejam muito bem recebidas, se sentirem bem com o orixá, com a gente. Mostrar que o Candomblé é uma religião e fazer valer a palavra, porque religião significa re-ligar. Nos ligar ao que está lá em cima, maior que a gente, mas também nos liga aqui em baixo para que os orixás fiquem satisfeitos conosco. Eu sou meio exagerado em vestir Obaluaê, mas se colocar só uma palhinha nele ele também fica satisfeito, desde que seja com amor e devoção.

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A incansável pequena Ekédi Cassiana de Oyá, sobrinha carnal de Pai Frank, puxa a entrada do ponto central do ritual.

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O Ogan Alex de Oxalá, filho de Mãe Isabel de Oyá, que também é da família Opô Afonjá e, na hierarquia do Candomblé, é tio de santo de Pai Frank, sendo irmão de santo de Pai Ribamar. Segundo Pai Frank, uma pessoa muito especial, de muito entendimento e luta pela religião. Alex assumiu com energia uma parte do ritual.

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Obaluaê é um orixá daomeano. Ele não é da Nigéria. Ele é da família de Famã. Ele é filho de Nanã e irmão de Oxumaré. Como ele nasceu com doença de pele, Nanã abandonou ele na praia. Os caranguejos vieram e morderam, machucaram a pele dele. Iemanjá, compadecida, criou ele e curou ele com mel e pipoca. Iemanjá criou ele, mas ensinou ele a amar também a sua mãe biológica. Então ele cresceu amando as duas, tanto Iemanjá quanto Nanã. E como ele aprendeu a se curar, ele passou a dominar todas as outras doenças. Tanto ele tem o poder de causar essas doenças, como de curá-las. Obaluaê é o médico dos pobres. Obaluaê é humilde. A representação dele é o sol. Aquelas palhas não são mais pra esconder perebas, feridas, mas sim para esconder o brilho do sol, porque reza a lenda que ele é o próprio sol, e, portanto, brilha tanto. Se a gente ficar olhando muito pro sol a gente fica cego, a mesma coisa Obaluaê.

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Ritual da morte. O ogan Marcos de Oxóssi cobre Obaluaê com um alá branco. Depois ele volta da morte, esticando o nome Ajúnsún, mostrando o poder dele sobre a morte.

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Ao final Pai Frank agradeceu a todas as pessoas que compareceram, aos filhos da casa e também a este bloguinho.

Eu agradeço a todos que vieram, porque pra mim fazer esse Candomblé foi um presente vindo do Orun pra mim. Obaluaê é nosso Pai, independente de qualquer casa, independente de que nação, de que cor ou posição social, Obaluaê vai estar sempre com todos nós.

Agradeço também ao Afinsophia. Afinsophia é o nosso búzio virtual, por onde passa mensagem pra todo mundo, pra que todo mundo saiba que existe Candomblé dentro de Manaus de qualidade, de respeito, de amor, e, principalmente, Candomblés luxuosos.

Eu agradeço a todos os meus filhos de santo, à minha mãe carnal, que não é da religião, mas me ajudou em todos os momentos. A todos que me auxiliaram, não tinha hora, não tinha dia. E a Casa de Obaluaê está aberta pra todos. Não só a minha casa, mas todas as casas de santo estão aí abertas para serem visitadas.”

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●●● ILÊ AXÉ ARAWÉ AJÚNSÚN ●●●
Pai Frank de Obaluaê Ajagún
Rua 26, nº 78 — São José II, Etapa B (Manaus-AM)
Telefone: (92) 9119-4364
E-mail: baba_frank@hotmail.com

AS ÁGUAS E O PILÃO DE OXALÁ NO BARRACÃO DE PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN

Pai Geovano Oxalá 01 por você.

Mais uma vez o magnífico Ilê Axé Ajagùnnọn, conhecido como o barracão do inconfundível Pai Geovano de Ajagùnnọn, que estava lá pra receber com sua característica alegria, ternura e vitalidade os filhos e convidados que compareceram aos dois dias de ritual de abertura dos trabalhos da casa para o ano de 2010.

Pai Geovano Oxalá 06 por você.

Pai Geovano Oxalá 05 por você.

Quem também estava lá era o lendário Pai Ribamar de Xangô para puxar o ilê com seu ritmo em cantar as rezas e a harmonia de seus movimentos em dançar para os orixás.

Conversamo com Pai Geovano, que explicou o significado desta festa fundamental para a abertura dos barracões de Candomblé.

A festa significa as águas de Oxalá. O retorno do asilo de Oxalá pra casa. Reza-se a lenda, uma lenda muito conhecida, que, resumidamente, diz que Oxalá ficou preso sem que ninguém soubesse, no reino de Xangô, e por isso o reino de Xangô passava por grande miséria. Muita seca, as mulheres ficaram estéreis, os bichos morreram todos, porque Oxalá tava preso. Quando Xangô descobriu que era Oxalá, o próprio pai que estava no cárcere, ele deu como que um feriado para a cidade toda, e todo mundo teria que ir buscar água na fonte pra lavar Oxalá, pois ele estava muito sujo. Fizeram isso e depois fizeram uma procissão, carregando Oxalá para o castelo dele, e assim trazendo com ele prosperidade, paz, saúde.

Pai Geovano Oxalá 04 por você.

Pai Ribamar distribui as varinhas para o início da Guerra de Atori.

Pai Geovano Oxalá 08 por você.

Pai Geovano Oxalá 09 por você.

É isso que nós fazemos hoje em dia. Fazemos as águas de Oxalá, representando o que aconteceu, derramando a água dentro do assentamento de Oxalá e derramando no próprio Oxalá. A água simboliza a calma, a pureza do próprio orixá Fazemos uma procissão, representando a vinda de Oxalá pra casa. E fazemos também o pilão de Oxalá, que já é da parte de Oxaguiã, trazendo também prosperidade e caminhos abertos pro povo.

Pai Geovano Oxalá 10 por você.

E Pai Ribamar, auxiliado por Mãe Valkíria, comandou a distribuição da deliciosa e santificada comida de Oxalá.

Pai Geovano Oxalá 13 por você.

Essa comida é inhame com frango desfiado, é aluá, é canjica de milho branco, acaçá doce, arroz com camarão. Só comida de Oxalá mesmo. Comida branca, sem dendê. A gente faz o que dá pra fazer, porque a variação de comida de Oxalá é meio curta. No Candomblé, geralmente as comidas são bem apimentadas. No caso de Oxalá, não. Tem de ser comida fria, sem dendê. Se tiver azeite, sim o português, não o de dendê. Mas tinha o bolo de inhame e tinha o inhame pilado com frango, que são comidas de Oxaguiã batata portuguesa cosida e amassada feito bolas, tinha arroz com camarão, tinha arroz doce, que são também comidas de Oxalá.

Pai Geovano Oxalá 16 por você.

Pai Geovano Oxalá 17 por você.

Pai Geovano Oxalá 18 por você.

Pai Geovano Oxalá 21 por você.

Todos os terreiros deveriam fazer isso. Todos os terreiros deveriam abrir a casa, abrir os trabalhos da casa com esta festa. As pessoas ainda não estão muito acostumadas a louvar orixá como deve ser. É uma festa que por aí fora acontece o mesmo todinho, pra poder chegar a etapa das Águas de Oxalá, Pilão de Oxalá, a Guerra de Atori. Não estão muito acostumados ao estilo Candomblé mesmo. Estão acostumados a misturar o Candomblé com a Umbanda, e a gente não sabe mas nem o que é. Devemos fazer uma coisa de uma forma que depois os outros não possam dizer que estamos misturando tudo. Candomblé, Candomblé. Umbanda, Umbanda. A mesma coisa os umbandistas, cultuar Umbanda sem misturar o Candomblé no meio. Ou então misturar o Candomblé, porque eles tentam misturar, mas não sabem muitas vezes o que estão fazendo.

Pai Geovano Oxalá 24 por você.

Trazido por Pai Ribamar e Oxaguiã, Jadilson de Oxalá, ogan de Oxalá, em sua obrigação de três anos.

Pai Geovano Oxalá 25 por você.

À esquerda, Carlos Jorge, que é filho de Obaluaê e Oxalufan e, à direita, o yaô Everton de Oxalufan em sua obrigação de 3 anos.

Pai Geovano Oxalá 26 por você.

Pai Geovano Oxalá 29 por você.

À esquerda, o salto de Oxaguiã na yaô Léa, também em sua obrigação de 3 anos.

E Oxaguiã passou a distribuir as flores de Oxalá para os convidados da casa, que se regozijaram ao receber a rosa branca e as bênçãos de Oxalá.

Pai Geovano Oxalá 31 por você.

A festa foi ótima, foi muito boa, muito farta, com se viu. Teve pessoas convidadas que não foram por motivo de doença, outras não foram porque não quiseram, e todo mundo tem a sua variação de vontade. Então a gente não pode condenar ninguém. Só pode muito é agradecer as pessoas que foram. A paciência de todo mundo, as pessoas que ajudaram, principalmente. Pra mim foi maravilhosa. Do meu ponto de vista, foi uma das melhores festas que eu dei na minha casa, muito cheia de axé, muito cheia de paz, de tranquilidade, onde você uma alegria em tudo e todos. Eu só tenho agradecer a todo o povo de Candomblé, dos cultos afro que participou e constatou as Águas de Oxalá. E também aos simpatizantes, porque tinha muita gente simpatizante, essa é a verdade, muita gente que está querendo entrar pra casa, gente que quer ver como é, muitas pessoas que ouvem falar da casa e querem também ver como são as festas. E foram, confirmaram, comprovaram, não tem bagunça, todo mundo com seriedade fazendo a parte que lhe toca. E no fianl todo mundo come, todo mundo bebe, se diverte e vai pra casa satisfeito com energia renovada, com a benção dos santos.

Pai Geovano Oxalá 35 por você.

Da direita para a esquerda, Pai Ribamar de Xangô, Jair de Xangô, Emerson de Oxóssi, Kinamê de Xangô e o Pejigan Ivo da casa de Pai Gilmar.

Pai Geovano Oxalá 34 por você.

E como não ficar atingir essa serenidade de que fala Pai Geovano, com todo esse ritual maravilhoso de fé, vigor e alegria nas rezas, nas danças, em todas as partes do ritual, e, finalmente, terminando com esse maravilhoso, delicioso jantar de comunhão com toda a pujança daqueles que comungam dos cultos afro-brasileiros, que, além de uma religião, é uma manifestação cultural e histórica autêntica de nosso povo? Ainda mais com todo esse axé da casa de Ajagùnnọn…

Exu Onã e Exu Oritá, respectivamente da esquerda para a direita, exus guardiões, que estiveram desde o início e que continuarão durante todo o ano guardando o Ilê Axé Ajagunnon.

Pai Geovano Oxalá 38 por você.

●●●PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN●●●

Travessa Guape, nº 173 — Jorge Teixeira IV (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3682-5727 / 3638-7472 / 8111-5335

TODAS AS OBRIGAÇÕES DO YLÊ AXÉ SESU TOYÃN

Mãe Valkíria 14 Anos 01 por você.

Clique nas fotos para vê-las de perto.

Mais uma vez Ylê Asé Sesu Toyãn, o terreiro de Pai Gilmar, estava em todo o seu esplendor, com todos os filhos da casa preparados para receber os convidados em mais uma grandiosa festa. Ao todo foram cinco obrigações, que ocorreram em dois dias, domingo e segunda passados, no qual quase todos os orixás passaram pelo ilê, recebendo suas homenagens e deitando suas graças aos presentes.

Mãe Valkíria 14 Anos 02 por você.

No domingo, vê-se o pilão de Oxalá posto na sala, conforme explica Mãe Valkíria, porque o Mauro César, que estava fazendo três anos, vestiu Oxalá, no caso o Oxalá velho, Oxalufã, então Pai Gilmar arriou o pilão, que ficou durante todo o ilê, completo, só saindo no final da festa.

A saída de Oxalá de Mãe Valkíria de Iansã, fazendo suas obrigações de 14 anos, eIgor de Ogum Xoroquê, na sua primeira obrigação.

Abaixo o reconhecido e respeitado Pai Gilmar, Fômu de Iemanjá, levando Iansã pelo salão.

Mãe Valkíria 14 Anos 05 por você.

Ogum Xoroquê, carregando dois falos. Mãe Val explica que “Ogum Xoroquê é uma qualidade de Ogum cruzado com Exu. Ele é mais Exu do que Ogum. Você vê que todas as paramentas que ele carrega são de Exu, ele sai com tridente, ele sai com esses falos, porque as ferramentas dele são ferramentas de Exu”.

Mãe Valkíria 14 Anos 06 por você.

Abaixo, à esquerda,Carla da Oxum, também na primeira obrigação, em sua saída de luxo.

E conversamos com Mãe Valkíria de Iansã, que fala sobre sua obrigação, da satisfação na amizade com seus irmãos e do carinho e dedicação de Pai Gilmar, entre outros temas que demonstram o seu zelo e responsabilidade pelos cultos afro-brasileiros.

“Eu tô fechando meu ciclo, com minha obrigação de 14 anos, então eu tenho um grau mais alto dentro da vida espiritual. Dentro do Ilê Axé Sesu Toyãn, que é do meu pai, Gilmar. Meu oyê eu dei dentro da minha casa, e minha obrigação eu tô dando dentro da casa dele, junto com meus irmãos de santo: o César, a Carla, o Mateus e o Igor. Três com obrigação de 1 ano e um com com obrigação de 3 anos. Nós fizemos todos juntos também pra dá menos trabalho pro meu pai, mas pra mim foi uma satisfação ter dado minha obrigação junto com meus irmãos e dentro da casa dele.

Mãe Valkíria 14 Anos 09 por você.

Pai Odair acompanhando Iansã ao redor do pilão.

À direita acima e abaixo, Mateus de Xangô, o orixá da Justiça, com suas machadinhas, seus raios, trovões, tempestades e suas pedreiras.

Mãe Valkíria 14 Anos 12 por você.

“Eu comecei no Candomblé com o Pai Ribamar de Xangô, com quem fiz a minha feitura, dei a minha obrigação de 1 ano e recebi um cargo na casa dele de aquequerê. Aí eu saí da casa dele, e foi quando eu fui para a mão de Pai Gilmar, e aí dei a minha obrigação de 3 anos, dei o meu oyê e agora a minha obrigação de 14 anos. Peço a Olorum que abençoe ele, que dê muitos anos de vida pra ele, pra que ele seja sempre esse pai. Sem Pai Gilmar o que seria de mim? Pra mim foi muito bom está até hoje na mão dele. Eu estou alegre, satisfeita, pois eu entrei doente pra dar minha obrigação e hoje eu tô com saúde. Eu só tenho a agradecer ao meu pai.

Abaixo, Oxalufã na cabeça de Mauro César da Oxum, na sua obrigação de 3 anos.

Mãe Valkíria 14 Anos 15 por você.

E na segunda-feira a festa continuou com a mesma força nos orixás que vieram regozijar-se das oferendas oferecidas e deixar suas bênçãos a todos, sendo mais um dia em que a espiritualidade reinou no Ylê Axé Sesu Toyãn.

Mãe Valkíria 14 Anos 16 por você.

“Faz 10 anos que eu tenho terreiro aberto, casa feita. Eu vim da Umbanda. Eu tô fazendo 14 anos de feitura no Candomblé, mas na Umbanda eu tenho bem mais. Com a Dona Mariana, faz mais de 20 anos que eu trabalho com ela. Meus orixás, eu sou de Iansã com Iemanjá, e sou feliz com meus orixás. Eu amo meus santos. Eu gosto muito da minha vida espiritual e vivo da minha vida espiritual. Dou a minha alma à minha espiritualidade, então pra mim é uma satisfação. Tenho êxito em tudo o que faço pela minha Iansã, pela minha Iemanjá, com o meu Ogum. Toda a minha vida eu tive êxito com os santos. Pra mim todo o tempo é vitória. Não tem quem faça eu sair da minha religião, a minha religião é essa e acabou-se.

Mãe Valkíria 14 Anos 19 por você.

Pai Olegário, acima, com alguns filhos de seu bonito ilê, e abaixo, levando Iemanjá, na cabeça de Mãe Valkíria, para mostrar seu luxo no salão. Mãe Val explica: “Ele sendo um babalorixá, ele é padrinho do meu pai, e também porque ele era um dos mais velhos na casa, há muitos anos dentro da religião, por isso o pai deu preferência pra ele dançar pra homenagear os santos”.

Mãe Valkíria 14 Anos 20 por você.
Mãe Valkíria 14 Anos 21 por você.
Pai Augusto de Oyá recebe de Mauro da Oxum, na sua segunda saída, o apeté, constituído, segundo Mãe Val, de “umolocum, que é uma comida feita com feijão fradinho, camarão, azeite, português, cebola, ovo, entre outros ingredientes, que Oxum distribui na sala para as pessoas comerem, pedindo axé, pedindo saúde, pedindo emprego, amor, o que você deseja receber nas graças”.

Mãe Valkíria 14 Anos 22 por você.
Mãe Valkíria 14 Anos 23 por você.
E Iemanjá, acima, e Oxum, abaixo, tomam seus banhos de rosas, perfumes e outros maravilhosos  aromas.
Mãe Valkíria 14 Anos 26 por você.

“A festa foi maravilhosa, muita paz. Não tivemos problemas nas nossas obrigações, mesmo sendo várias ao mesmo tempo. Foi ótimo, meu pai está de parabéns. Eu só tenho que agradecer a Deus por ele ser esse pai caprichoso, humilde, e valorizar a religião. Ele dá muito valor à religião. Ele dá muito valor ao santo, ao que ele faz, ele é muito dedicado ao santo, ele vive pro orixá. Tudo o que ele faz ele faz com dedicação, com amor, com carinho. Pelas fotos você já vê que é Gilmar. Você percebe o que é Gilmar dentro da vida espiritual da gente. Então eu só tenho que agradecer a ele, agradecer ao Olegário, às pessoas que estiveram na festa e também às que não foram.”

Depois que os orixás se foram, chegaram os erês brincalhões e fotogênitos. Atrás de todos, Brasa, erê de Iansã, na cabeça de Mãe Valkíria.
Mãe Valkíria 14 Anos 29 por você.
A afetuosa Mãe Valkíria, ou apenas Mãe Val, como carinosamente lhe chamam seus irmãos, agradeceu os trabalhos desse bloguinho junto aos cultos afro em Manaus:

“Agradeço a você também por sair da sua casa pra tá cobrindo a nossa religião, que é tudo pra nós. Agradeço, por isso, do fundo do coração. Que Iansã, que Iemanjá sempre lhe abençoe e abra seus caminhos, lhe dando muita força, muita luz, muita prosperidade, que elas lhe deem muito axé!”

Nem precisa agradecer Mãe Val, a posição deste bloguinho é que manifestações religiosas autênticas como essas devem ser respeitadas e respaldadas em sua beleza e integridade. Por tal, nosso empenho em entrar em proximidade com os cultos afro na cidade de Manaus.

Por sua vez, agradecemos ao fotógrafo Melo,  que é filho de santo de Mãe Val, que cedeu a maioria das fotos postadas nesse trabalho (como se pode observar nas referências das fotos), uma vez que não pudemos comparecer no domingo devido a atividades na sede da AFIN.

Além de ser fotógrafo profissional, para casamento, batizado e outros eventos, sendo adepto dos cultos afro-brasileiros, Melo tem facilidade de capturar as imagens essenciais de um ilê, de uma festa de caboco, exu e outras dos cultos afro-brasileiros.

A quem necessitar, fica o celular (92)9105-6134.

Mãe Valkíria 14 Anos 30 por você.

●●● YLÊ AXÉ SESU TOYÃN ●●●

(Pai Gilmar, Fômu de Yemonjá)

Rua Bom Jesus, nº 09 — Jorge Teixeira (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9176-2290

SAUDAÇÕES MANAUENSES A IEMANJÁ PELO NOVO ANO

Joguei minha barca n’água

Eu quero ver navegar

Peço licença primeiro

A Nossa Mãe Iemanjá

Oh, Iemanjá! Oh, Iemanjá!

Quem manda nas ondas d’água

É Iemanjá…

Saudação a Iemanjá 01 por você.

Todos os anos os adeptos das religiões de matrizes africanas, em manifestações individuais ou acompanhados de seu ilê, assim como diversos populares em suas históricas crenças tradicionais sincréticas, vão à Ponta Negra para deitar barquinhas e demais oferendas à mãe de todos os orixás. Iemanjá. Odoyá!

Saudação a Iemanjá 02 por você.

Acima, Mãe Sandra de Iemanjá e Mãe Dóris de Oxum e seus filhos numa bonita homenagem à rainha das águas. As mães deixaram seus desejos para todas as pessoas de Manô:

Iemanjá é a mãe de todas as cabeças, mãe de todos os orixás, mãe dos 16 santos, e na passagem do ano a gente costuma fazer oferenda pra ela com milho branco, arroz, pescada, camarão, azeite, mel. E a gente espera o quê? Prosperidade, fartura, saúde, porque ela é mãe de todos os orixás e mãe senhora dos filhos peixes. Eu sou filha de Alexandre de Iemanjá, do bairro de São José e desejo para o meu pai e para todos os meus irmãos, e para  todos os irmãos de todas as casas muitas felicidades, muito axé para todos.” (Mãe Sandra de Iemanjá)

Saudação a Iemanjá 05 por você.

No momento eu estou na minha casa e não tenho nenhum zelador de santo, mas que Iemanjá nos traga fartura, dinheiro, amor, nos traga muita saúde no ano de 2010.” (Mãe Dóris de Oxum)

Saudação a Iemanjá 04 por você.

Como as religiões afro, assim como as manifestações populares autênticas, são livres de preconceitos e discriminações, a Moçada Mundo Gay comparece para agradecer às bençãos recebidas e falar sobre seus desejos para a Grande Mãe de todos, que não faz distinção de raça, sexo, religião, etc. E olha as lindas moças na areia da praia!

Saudação a Iemanjá 06 por você.

Esse ano foi bom. E que esse ano que chega seja cada vez melhor para nós, que sejamos cada vez mais belas! Que o povo tenha sempre mais respeito por nós! Que tenha muita fartura, muita bebida, muito dinheiro e muito homem, que sem isso não somos felizes. Para todas nós, as lindas monas de Manaus, felicidades para nós e para nossas famílias, para nossos namorados, nossos amores… Beijos pra todos!”

Mãe Sandra, que veio lá do Núcleo 15 da Cidade Nova, com seu belo Congá Tenda Cigana, chegou e acompanhamos sua magnífica oferenda, que estudou (no sentido de “prática”) várias religiões e cruza elementos comuns entre elas e que nos envolveu com sua fala ligeira, lúcidez e alegria…

Saudação a Iemanjá 07 por você.

Eu tenho meu próprio santo, eu tenho meu próprio congá. Eu trabalho. Eu vim da quimbanda, umbanda, candomblé, espiritismo e a última linha anjeologia. Eu cruzo Iemanjá com o símbolos dos arcanjos. O ano de 2010 vai ser Iemanjá, Oxum e Iansã, mas a principal linha vai ser Oxumaré. Não é questão de o ano ser bom, é continuação deste para o outro; o bom vai das atitudes que a gente quer, vencer ou não vencer. Então vai muito do negativo e do positivo das pessoas. Não existe magia sem um Sim ou um Não, o Talvez é as dúvidas. O outro diz: “Ah!, vai ser um ano bom, vai acontecer isso.” Não é bem assim. Acontece se o homem quiser, essa é que é a verdade. Não é a magia, a magia se faz pra ajudar, mas você com as suas virtudes é que consegue seus objetivos.

Saudação a Iemanjá 09 por você.

É isso que eu penso, é isso que eu acho, nós oramos a Deus, aos arcanjos de Deus e todos como nós cultuamos Iemanjá, Iansã, Oxum, como Nossa Senhora, que vem na minha casa, e Ogum, e o próprio Exu pra demandar e dispersar todos os males da vida. Não basta eu dizer que vou fazer um trabalho que vai melhorar minha vida daqui pra outro dia, não existe isso, existe a tua atitude de tu querer, é essa que é a verdade. Então as pessoas misturam muito. Ah!, eu vou conseguir isso, vou conseguir aquilo, vou amarrar amor, é tudo besteira porque amor não se amarra, amor se tem. A magia pode ser pra um casal pra iluminar através dum anjo, através dum guardião, dum mentor, tudo bem, mas dizer eu vou amarrar, eu vou prender, ninguém prende ninguém, o amor é livre.

Saudação a Iemanjá 08 por você.

Então eu vou sempre pelos quatro elementos: ar, terra, fogo e aguá. Mas o primordial é o amor que é o quinto elemento. Então esse besteirol todo, eu não vou muito assim pelas linhas afro só, porque, aqui pra nós, às vezes eu acho que eles tão muito atrasados no mental, tá entendendo? Eu classifico assim: os simplórios, os simples, os ricos e os milionários. O simples faz tudo pra buscar o melhor, o rico já é rico de si e de memória, porque hoje não adianta tu fazer uma faculdade porque hoje em dia tá banal. A melhor faculdade é a da vida, a escola da vida, como diz Ogum, “nem tudo o que reluz é ouro”. A vida é uma escola onde as lições tão muito caras, então tu aprende é no dia-a-dia, na verdade. Vamos dizer, eu vejo tu triste: “Ah!, eu tô mais rico” ou “tô mais ferrado”. Quer ser o mais ferrado e não é, porque tem muitas outras pessoas que não tem o de comer porque não buscam, porque tem pessoas que não gostam de buscar, gostam de esperar que venha até elas. Porque pra tudo se dá um jeito na vida, só não pra morte.”

Saudação a Iemanjá 10 por você.

No percurso pela Prainha, encontramos ainda manifestações familiares particulares muito bonitas que não quiseram falar sobre os motivos pessoais que levam às oferendas. No geral, estão os agradecimentos pelas graças recebidas, assim como os desejos de felicidades a todos nas novas águas que chegam…

Saudação a Iemanjá 13 por você.

Quem também veio trazer sua alegria a todos foi o caboco Zé Raimundo, na cabeça de Pai José dos Santos, lá do São Francisco, que deixou para todos sua graça de prosperidade na força dos orixás para todos…

Saudação a Iemanjá 23 por você.

O ano foi maravilhoso, graças a Deus, com muita prosperidade para o meu filho, seu José, e esses filhos que estão hoje presente aqui comigo , fazendo essa homenagem muito bonita, estão atrás de buscar a paz, prosperidade, saúde e muitas mudanças de bom na vida deles. E hoje eu estou dando o meu axé e as minhas forças para cada um desses filhos que precisam. E pra todas as pessoas da cidade, pela afirmação que nós fizemos, aquelas pessoas que puderam vim e que não vieram nós tamos dando aquela força, axé e a proteção para o ano que entra, que nele haja tudo de bom, como deve ser em cada ano novo que entra.”

Saudação a Iemanjá 25 por você.

Um filho de santo do Terreiro de Umbanda Anastácio Neves, localizado atrás do Cemitério São João Batista, no Centro da cidade, na cabeça de Dona Mariana, deixou seu axé.

Eu vou desejar um 2010 de fartura, felicidade, força, alegria. Que o ano de 2010 seja só de amor, porque o ano que passou foi um pouco cheio de turbulência, mas Mariana, na força e tranquilidade das águas, deseja para o povo manauense um feliz 2010, de abundância, de amor, de tranquilidade. Que todos possam realizar seus sonhos ou consolidá-los. Que todos fiquem na paz.

Finalmente chegamos ao nosso destino de todos os anos: a conversa com o caboco Sibamba, que, inconfundível na cabeça de Pai Geovano, com seu humor, sua alegria e energia, nos deixa suas impressões da vida pessoal do povo à política local, brasileira e mundial. A quem diga que é o caboco mais politizados destas terras, e por isso tal a proximidade com este bloguinho intempestivo.

Saudação a Iemanjá 15 por você.

Então, numa continuação da conversa do ano anterior, prosseguimos nessas temáticas e outras.

Eu sou é invocado, seu menino. Eu sou um caboco, eu não sou uma porcaria, não sou o que vocês tão acostumado a ouvir por aí e nem ver por aí. Eu sou um caboco, eu sou cretino e ordinário, quando eu falo eu falo mermo. Quando eu não falo, não quero falar não, vá pra porra. Pra eu, eu sou que nem as águas, se sopra o vento eu fico raivoso, se num sopra eu sou mansinho que só um cordeiro. Isso afeta o ser humano, não eu que sou um espírito.

Meu filho já jogou os búzio, já disse que é o Oxalá que vai reger o ano. Num sou eu, porque eu num jogo nem pedra na cruz. É meu fio que disse que Oxalá véio [Oxalufã] primeiro, na metade do ano Oxalá novo [Oxaguiã] e no finar do ano é mamãe Iemanjá que vai pegar. Então o ano é feito de muita paz, revolta, enchentes grandes e secura demais. Muito pior do que esse ano. Você vai ver.

Saudação a Iemanjá 19 por você.

Os políticos – isso aí vai ter um pau de guerra! Tu num viu nada, minino? Tu nunca viu piranha comer gente, viu? Pois é, tu vai ver esse ano. É, seu minino! Porque antes, antes dos antes. E o moço que voltou agora, esse moço é cretino, já tá ficando ‘probre’, voltou agora, começou a tirar devagarinho, só que os outro tão vendo, não são mais besta não. Na verdade o outro besta véio, careca, fio de uma puta, que entregou pra todo mundo governar por ele, tomou no rabo, foi passado pra trás. O olhe que eu não sou de politicage não, vice? Eu só digo a verdade. E o sinhô é a sabedoria, o sinhô tem a consciência boa. Pro povo vai ser bom, porque o povo vai ter que acordar pra num tomar no rabo.

As leis mudaro tudo e foi uma baitolage toda, foi muito bom para os bochola e só vai melhorar. Mas deixa eu buscar na minha burrice e tu sabe que burrice de bêbado é a pior coisa que tem, ninguém leva a crer. Pras mulher não é dessa vez, mas vai ter, vai ter aqui no Brasil vai ter a presidenta que todo mundo quer. Vai ter. Vai ser fulera, vai ser vagabunda, vai ser da gota serena e vice mais. Tu é doido, macho! Tu nunca viu mudança não, tu já viu frescura, e não mudança. E ela vai vim, vai vim e vai fazer.

Saudação a Iemanjá 18 por você.

Que o ano de 2010 seja um ano de consciência, de prosperidade, que o grande Deus do grande céu abençoe todo esse povo dessa terra, povo cretino, que tá precisando de misericórdia e que não se toca. Esse véio Sibamba pede, por misericórdia. Eu dou mais meus 300 anos nessa terra se o grande Deus tiver misericórdia de um dia desse povo. Que este ano do 2010 seja um ano com menas agressão e violência e seja um ano de mais alegria, mais tranquilidade pra este povo amazonense, não só pro povo amazonense, mas pro Brasil todo que merece e mais pro meu Ceará que tá precisando de chuvas, porque aqui tem fartura de chuva e no meu Ceará tem miséria de chuva. Esse, meu bom gradar. Que assim seja!

Dona Mariana, agora na cabeça de Mãe Valkíria, em qual congá já fomos a sua festa e lá conversamos com essa caboca que está sempre alegre e graciosa, sendo uma entidade das águas, deixou sua mensagem maravilhosa.

Pros pecadores eu peço assim que a minha mãe Iemanjá abençoe assim a todos, que ilumine a todos, que dê muitos anos de vida, que dê muita saúde e muita prosperidade, que ilumine os caminhos, que cada ano que se passa seja melhor. Que esse ano que vem lhe dê muito axé, muita prosperidade pra todos. Eu peço a minha mãe Iemanjá e a Oxalá também que abençoe pelas horas que são, pelas oferendas que nós estamos fazendo aqui nas águas e pedindo que Deus abençoe as oferendas do povo, dos pecadores, trazendo muita paz neste mundo do pecado. Eu desejo paz e muita prosperidade e axé, axé e axé.

UMA NOTA APENAS:

Estas e muitas outras manifestações de diversos congás e particulares, as que vimos e que não pudemos participar, com certeza foram magníficas, e não teriam como não ser quando o povo exerce seu direito à crença e a seus costumes autênticos de forma livre e sem discriminação. Mas não podemos deixar de dizer que houve discriminação pelo poder público. A descida para a Prainha – parte da Ponta Negra onde todo final de ano adeptos da religião afro e pessoas que cultuam credos sincréticos vão para entregar suas oferendas nas águas – tem acesso muito perigoso. No terreno íngreme, são alguns populares que, em sua benevolência, enfiam algumas estacas e fazem alguns degraus na terra para as pessoas descerem. Há quem diga que é por esse e outros motivos que os políticos da cidade estão sofrendo na pele o peso de seus crimes, apesar de todo ano eleitoral – como o ano que se inicia – quase na totalidade os candidatos procurarem os terreiros, inclusive os pastores. Claro que isso se dá não só pela crença, mas principalmente pelo dividendo eleitoral; pois este bloguinho, que é o maior registro jornalístico na cidade de Manaus, conhece cerca de 70 terreiros, mas segundo a FUCABEAM existem mais de 2 mil, fora manifestações individuais não catalogáveis.

Independente disso, todo acesso à Ponta Negra, já que ela é tão utilizada pelos marketings governamentais, deveria ser preparado satisfatoriamente com responsabilidade, para não colocar em risco a saúde dos cidadãos.

Mas os governos antidemocráticos, baseados nas supertições dos seu mandatários, nada podem contra os verdadeiros cabocos e orixás, por isso tudo foi maravilhoso, apesar dos des-governos…

Saudação a Iemanjá 26 por você.

Ê balanceia, balanceia, balanceia

Balanceia, balanceia

Eu quero ver balancear

OBRIGAÇÃO E SAÍDA DE OGANS NO TERREIRO DE MÃE VALKÍRIA

Wagner-Junior 01 por você.
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No sábado (11) e segunda-feira (13) tivemos uma obrigação de três anos, do garoto Wagner de Oxóssi, e uma saída, de Junior de Oxaguiã, no terreiro de Mãe Valkíria.

WAGNER DE OXÓSSI, ALAGBÊ DE IANSÃ

Wagner-Junior 02 por você.

Conversamos com o alegre garoto Wagner, que nos falou que desde os seis anos participa dos cultos afro no terreiro de Mãe Valkíria, que é sua avó carnal, e que aos sete anos fez sua saída como Alagbê de Iansã. Aqui ele, junto a Iansã, sendo conduzido por Pai Gilmar de Yemonjá, faz sua obrigação de três anos.



Mãe Valkíria acrescenta algumas histórias a respeito da trajetória do pequeno Wagner no Candomblé em seu terreiro:

Wagner-Junior 05 por você.

O Wagner é alagbê de Iansã. Ele é meu neto. Foi feito pelo Pai Gilmar de Iemanjá, confirmou ele pra minha Iansã. Ele é de Oxóssi. Então Oxóssi confirmou ele pra entregar pra minha Iansã. Sábado ele pagou obrigação de três anos. Apesar de ele ter dez anos de idade, ele já faz a obrigação de três anos, porque ele foi feito bem novo, com sete anos. Graças a Deus, hoje ele é uma pessoa sadia, é uma criança meiga, uma criança boa. Em vista do que ele era nós podemos dizer que tivemos um grande sucesso com o Wagner, que só no fato de que ele vivia doente, Oxóssi acolher ele e hoje ele não ter mais os problemas que ele tinha já é uma vitória.


Ele é filho do meu filho Nato, também de Oxóssi, também ogan confirmado. No dia que o pai dele tava fazendo sete anos de santo ele foi confirmado. Hoje ele tem três anos de santo, quando o pai dele fizer quatorze anos de santo ele faz sete. Vão dar obrigação juntos mais uma vez. Dentro da minha casa Oxóssi é tudo, por isso pra mim é uma satisfação.

Wagner-Junior 11 por você.

Wagner-Junior 10 por você.

Wagner com Brasinha, erê de Iansã.

JUNIOR DE OXAGUIÃ, AXOGUM DE IEMANJÁ

Na continuação na segunda-feira (13), houve a saída de mais um ogan da casa de Mãe Valkíria, Junior de Oxaguiã, axogum de Iemanjá, um rapaz ativo e envolvido em diversas atividades religiosas e comunitárias.

Wagner-Junior 21 por você.

Conversamos com Junior, que além de candomblecista, cultua outras religiões e outras práticas, faz parte de uma banda heavy metal, publica com outro parceiro um zine na zona Leste de Manaus e já tem publicada uma novela literária. Deixamos aqui esta conversa, entremeada com imagens de sua saídaWagner-Junior 18 por você.

Faz cinco anos que eu convivo com a religião, e faz alguns meses que eu aderi como minha religião. Mais uma religião que eu participo, não propriamente religiões, mas práticas. Eu ainda tenho ligação com o hinduísmo. Eu resolvi adentrar ao Candomblé pela paixão que eu comecei a sentir pelos orixás e a grandeza que é tudo isso. Então eu quis participar não só de fora, mas dentro da religião.

Wagner-Junior 12 por você.


Wagner-Junior 19 por você.

Afora isso, eu tenho um zine também que trabalha com heavy metal, no meio underground. Foi desse meio justamente que me veio a curiosidade de conhecer o Candomblé. Foi ao contrário do que geralmente o pessoal vê de fora, com preconceitos. Eu comecei a ver de outro lado. E eu vou continuar com a Umbanda, todas as minhas práticas, eu participo também de alguns rituais, como o Calendário da Paz, que é do Tizoco Maia. Uma coisa não impede a outra, o Candomblé é uma religião pagã, sem preconceitos.

Wagner-Junior 13 por você.

Wagner-Junior 16 por você.

Wagner-Junior 20 por você.

Vou procurar me desenvolver, porque eu gosto muito de ser radical, no sentido de na raiz das coisas, e misturar o que eu consigo, indo buscar os panteões de antigas religiões, um pouco de cada, procurando sempre ascender. Eu procuro conhecer um pouco e ver se tem alguma coisa a ver comigo. Eu conheço um pouco de Umbanda, e conheço um pouco de Candomblé, e pretendo conhecer mais ainda agora que eu confirmei a entrada na religião.

Wagner-Junior 22 por você.


Wagner-Junior 17 por você.

Mãe Valkíria falou-nos também de suas espectativas quanto à saída desse novo babá de corte de sua casa, Junior de Oxaguiã, axogum de Iemanjá:

Pra mim é uma satisfação eu ter o Junior como meu ogan, de minha Iemanjá. É uma honra ter mais um ogan na minha casa. Cada filho de santo que a gente tira na casa da gente é uma satisfação. O Junior, em especial, é uma pessoa muito cativa à religião, é uma pessoa muito sábia. Eu espero que ele leve à frente, com cada vez mais gosto. Esta é uma obrigação que ele fez com muito sacrifício, que todo mundo que passa pelo roncó sabe que é muito sacrificante. E ele venceu, e por isso eu espero que, por ele ser uma pessoa muito dedicada e sendo uma pessoa meiga, como ele é, uma pessoa boa, ele entenda que a lei do santo é essa. Às vezes a gente sofre um pouco, mas depois a gente vence e é recompensado. Tudo que a gente faz pros orixás, a gente tem recompensa. Orixá não é riqueza; “eu vou fazer um santo hoje, amanhã tô rico”. Ele dá luz, dá proteção, prosperidade, abre os caminhos da gente, e a gente trabalha e vai pra frente. Só desejo pra ele muita saúde, muita paz, prosperidade, caminhos abertos pra ele e pra todos que estiverem na minha casa.

Wagner-Junior 26 por você.


Wagner-Junior 29 por você.

Wagner-Junior 30 por você.

●●● MÃE VALKÍRIA DE IANSÃ ●●●

Rua Coiama, nº 20 — João Paulo II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9117-3545

PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN: 14 ANOS NA POTÊNCIA DO CANDOMBLÉ

14 Anos de Pai Geovano 01 por você.
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Essa festa, ocorrida no sábado trasado, foi a festa dos 14 anos de santo do babalorixá Pai Geovano de Ajagunnon, nesta casa que foi onde iniciamos estes trabalhos com as religiões afro, e mais uma vez esse respeitado pai de santo fala a este bloguinho com toda a singela e sabedoria que o acompanha sempre, numa entrevista longa que distribuímos com imagens do santificado ritual:

Essa festa foi uma das minhas obrigações, que no axé de Ketu nós temos primeiro a feitura, a iniciação, depois disso temos obrigações de 1, de 3, obrigação de 7, que quando recebe-se o ibaxé, que é chamado de decá, que quando nos tornamos pais ou mães de santo, zeladores de orixás. Depois disso as obrigações só serão repetidas de sete em sete anos, geralmente em uma festa só. Depende tanto da questão financeira quanto do tempo. Hoje em dia não dá mais pra se fazer um mês de festa, porque todo mundo trabalha, todo mundo tem seus afazeres. O Candomblé não é feito de pessoas desocupadas. São pessoas que trabalham, que estudam, que fazem faculdade, fazem cursinhos, pra um dia vencer na vida também, é um direito deles e que os orixás apoiam e ajudam, pois só assim eles irão progredir em suas vidas.

14 Anos de Pai Geovano 05 por você.


14 Anos de Pai Geovano 04 por você.

Essa festa foi de 14 anos. Já estava atrasada, eu já estou com 17 anos de santo, raspado, porque eu já havia passado mais de 4 anos de abiã, antes de iniciar, mas isso não conta. Já estava atrasada, uma porque é uma obrigação muito grande, tem de ser tudo muito certinho, tem de dar de comer aos santos todos, fazer todos os fundamentos da casa, a cumeeira, o entoto, os exus, os santos. A gente se prepara anos pra fazer uma obrigação destas. Graças a Deus foi uma obrigação muito bonita, não faltou nada. Com muita gente bonita, muita gente do axé, muita gente que veio prestigiar, me senti muito honrado. Agora vem a de 21, até lá da para a gente se preparar.

14 Anos de Pai Geovano 08 por você.


14 Anos de Pai Geovano 06 por você.

14 Anos de Pai Geovano 07 por você.

Eu vejo a minha trajetória como muito boa, porque com 14 anos de santo, eu já estou na terceira casa, uma casa mesmo e este é meu segundo barracão. Para quem conhece minha trajetória, pode dizer muito bem que da minha feitura de santo pra cá a minha vida foi simplesmente progresso visível ao olho de qualquer um. Pra mim é muito satisfatório, é muito reconfortável saber que meus santos me apoiam, meus santos me dão luz, meus santos me dão caminhos, me dão retorno de tudo que eu faço.

14 Anos de Pai Geovano 10 por você.

14 Anos de Pai Geovano 11 por você.

14 Anos de Pai Geovano 12 por você.

14 Anos de Pai Geovano 21 por você.

A COMPANHIA DE PAI RIBAMAR DE XANGÔ

O que me deu aquele tchan pra eu entrar mesmo na religião, saber que aquela era realmente a minha religião foi o simples fato da presença do orixá, principalmente no Seringal, onde é o axé do meu pai. Na primeira vez que eu fui lá, a primeira vez que eu entrei num terreiro de Candomblé, estava saindo um Oxalufã, de um irmão de santo meu, aquilo me tocou muito. Eu senti a presença do santo, eu senti a presença do orixá ali naquele instante. Então isso foi um incentivo muito grande. E foi a maior satisfação conhecer meu pai, que hoje em dia ele não é só meu pai, é um irmão, é uma pessoa que eu tenho muita consideração, a gente tem até nossas desavenças, que todo mundo tem, como em toda família tem, mas jamais eu lhe faltei com o respeito, nunca ocorreu algo que me impedisse de acrescentar deposi que ele é um grande amigo, em todos os sentidos. Se não fosse por ele, a minha obrigação não tinha saído, porque hoje em dia o comércio da religião é muito grande. Você tem que ter um amigo, uma pessoa que já vem contigo há muito tempo, uma pessoa que tu confie, que não te engane, da qual você conheça a índole, e isto eu tenho na minha família de santo, que é meu pai. E pretendo dar também a mionha obrigação de 21 com ele, enquanto ele tiver vida e eu também, eu espero estar com ele.

14 Anos de Pai Geovano 14 por você.


14 Anos de Pai Geovano 15 por você.

14 Anos de Pai Geovano 18 por você.

E Pai Ribamar de Xangô, em seu discurso no decorrer da festa, exalta a dedicação de Pai Geovano à religião, ele que o fez e sempre o auxiliou nessa jornada que os santos vem abençoando a cada dia com mais axé, porque a cada dia de devoção, de aprendizado, o babalorixá vai tornando especial sua forma de culto aos orixás.

Essa obrigação de meu filho Geovano de Oxaguiã. Pra mim é uma satisfação imensa, porque ele iniciou na minha casa, ficou muito tempo, depois fez o santo, deu a obrigação de 1, deu a de 3, a de 7, e hoje estamos na festa de 14 anos dentro do ilê dele. Aqui tem muitos filhos de santo dele, ogans, ekédis. Pra nós é muito motivo de satisfação acima de tudo ver uma casa dentro dos cultos afro prosperar.

14 Anos de Pai Geovano 19 por você.

14 Anos de Pai Geovano 17 por você.

14 Anos de Pai Geovano 24 por você.

14 Anos de Pai Geovano 25 por você.

14 Anos de Pai Geovano 26 por você.

O MAGNÍFICO RUM DE PAI LÍDIO DE OXAGUIÃ

Quando indagamos a Pai Geovano quem era o senhor que puxava o xirê com tanta simplicidade, leveza e alegria, ele explicou-nos ser nada menos do que o conhecido e respeitado bablorixá baiano Lídio de Oxaguiã:

14 Anos de Pai Geovano 42É meu avô de santo, Lídio de Oxaguiã. É pai de Pai Ribamar de Xangô, meu pai. Ele é do axé Opô Afonjá, e tem um dos maiores axés de Salvador, em Itaparica, onde ele mora. Um dos maiores axés de Salvador é o axé de Lídio de Oxaguiã, em Itaparica. Ele está aqui em Manaus dando obrigações de alguns irmãos de santo. Como era minha obrigação, ele veio dar uma volta aqui em casa, que foi uma surpresa muito grande pra mim, porque ele deixou de fazer o compromisso dele pra vir pra minha festa. Foi uma alegria muito grande. É difícil a gente ter uma pessoa vinda de longe, com o respaldo que ele tem, pra prestigiar nossas festas. Então, eu só tenho é a agradeceer a Oxaguiã e à presença dele na minha festa. O rum que ele deu no meu santo foi muito bonito, de muito bom gosto, ele é uma pessoa muito centrada no que faz. Então, eu só tenho a agradecer.

14 Anos de Pai Geovano 22 por você.

Pai Lídio de Oxaguiã, Pai Ribamar de Xangô, Pai Geovano de Oxaguiã e Pai James d’Ogum


14 Anos de Pai Geovano 29 por você.


ROBSON DE OXÓSSI, OGAN DE OXAGUIÃ

Também foi dada a obrigação do ogan Robson, segundo ogan da minha casa. Também estava atrasada, pois ele deu a de 3, e já está chegando a de 7. Dentro da religião o Robson tem sido muito bom, mas como ele é muito jovem é claro que às vezes ele não tem toda aquela responsabilidade que uma pessoa de 30, 40 anos tem. É um caminho árduo pra ele, mas ele vai se aperfeiçoando, tomando mais conhecimentos das coisas. É um ótimo ogan, um querido filho, eu tenho um apreço muito grande por ele. É uma pessoa que eu não meço esforços de ajuda para que ele continue na religião, continue o amor que ele tem pelo santo.

14 Anos de Pai Geovano 31 por você.

O Robson é meu filho. Eu crio ele desde 10 anos de idade, hoje em dia ele tem 26 anos, é uma pessoa que se eu estiver chorando ele chora comigo, se eu estou rindo ele tá rindo comigo, se eu estiver doente ele está perto de mim, e a mesma coisa eu faço por ele. Então é por isso que ele tem esse apreço grande por mim e eu também por ele. Agradeço muito a Oxalá por um dia ter aberto as portas da minha casa e ter adentrado o Robson pra dentro dela, que hoje em dia ele é um dos alagbês da minha casa que tem muito conhecimento, tem um aprendizado muito grande de atabaque, sem ele minha casa para de tocar porque ele é um incentivador, ele é o chefe dos atabaques da minha casa.


E conversamos com o próprio Robson sobre sua trajetória como ogan, sobre seu longo e contínuo aprendizado e sobre sua expectativa em tocar e cantar aos orixás, pois, como ele mesmo nos falou uma vez, a importância dos ogans é tão grande, na medida em que os próprios atabaques na África são cultuados como orixás.

Essa obrigação é de três anos, que estava atrasada, e já tem a outra de sete, que também está atrasada, e que eu pretendo pagar ano que vem. Eu estou muito contente. Eu comecei a participar do Candomblé desde criança, entre os 10, 11 anos. Desde quando eu morava em outro bairro eu já era simpatizante e frequentava terreiro de Umbanda, eu ia pra festas de Cosme e Damião, ia pegar bombom. Eu via o pessoal tocando e achava legal, o pessoal às vezes deixava eu tocar, eu não sabia muito, mas como deixavam eu fui aprendendo.

14 Anos de Pai Geovano 33 por você.

Eu ainda não conhecia o Candomblé, aí quando eu conheci melhor a religião, quando eu vim pra cá pro Geovano, que hoje é meu pai de santo, eu me interessei e até hoje estou aqui. Ele me ensinou a tocar, e eu comecei a frequentar outras festas, em casas pra ver como era o ritmo que eles tocavam. Fui prestando atenção e aprendi um pouco. Aqui é que nem a gente tá na escola, é um idioma, a cultura afro-brasileira, que a gente tem que aprender. Quando a gente vai vendo o que as rezas em yorubá querem dizer aí fica mais fácil. Dá pra eu tocar e cantar o básico de Exu a Oxalá, mas ainda não sei o bastante Porque há uma importância muito grande do ogan dentro do Candomblé, principalmente o alagbê, é ele que toca, que canta e anima as festas. Se o pai de santo não estiver por perto é o alagbê que tem de iniciar tudo.

14 Anos de Pai Geovano 34 por você.

A DESENVOLTURA DOS PEQUENOS OGANS

Foi a saída de mais dois ogans da minha casa, duas crianças, com a autorização da mãe e do pai. São crianças muito cobradas pelo santo, não pelo que eles fizeram, mas pelo que eles passaram, pelas promessas que a mãe fez para que eles vivessem, porque eram crianças muito doentes; então, chegou um momento que o santo em si queria a obrigação deles, fizemos. Tem um que tá com três anos, o outro vai fazer dois anos.

14 Anos de Pai Geovano 35 por você.

São jogados búzios para ver o que os orixás falam, se é pra iniciar, a gente inicia. (Todo o ritual, com toda a obrigação que por ventura se venha a fazer para uma pessoa, ela tem de ser autorizada automaticamente pelo orixá dela.) O menor é de Oxóssi e o maior de Oxaguiã. Não é porque sejam crianças que vai fugir da hierarquia, não foge, tem de ser como o orixá manda, tem de ser como o antigo. Se for um aleijado, a mesma coisa; se for um mudo, a mesma coisa; se for um rico, a mesma coisa; se for um pobre, também. O fundamento é um só. Pra ogan, por exemplo, são sete dias de recolhimento; pra ekédi, também; pra yaô, depende do orixá, tem orixá que faz com 21 dias, tem orixá que faz com 16, com 12, e assim vai.

14 Anos de Pai Geovano 36 por você.

Eles não apresentaram nenhuma dificuldade. Da limpeza de corpo deles, que eles tiraram ebó, aliás, todos nós, porque o Robson e eu também tiramos ebó. No caso deles, minha maior surpresa e alegria foi começar os preceitos e ver que parece que eles nasceram pra isso mesmo. Quando foram colocados os preceitos neles, no caso contra egun, pra evitar de espíritos ruins encostarem neles, eles aceitaram com a maior tranquilidade e, detalhe, quando um contra-egun desatava, eles corriam imediatamente pra eu amarrar de novo, pra que não ficasse caído, como se eles já soubessem que aquilo era uma proteção pra eles. Se fosse rezar de manhã, como aconteceu, eles acordavam, estavam caindo de sono, mas estavam ali, falando não sei o que, que eles não falam direito, só fazem escutar, na hora de bater palmas eles batiam. Quando terminava a reza, eles simplesmente viravam pro lado e dormiam. Na hora de tomar banho, eles iam tomar banho, tudo assim com uma maior naturalidade, como se eles já tivessem vivido essas experiências há tempos. E na festa, como todo mundo viu, eles estavam muito à vontade.

14 Anos de Pai Geovano 38 por você.

A IMPORTÂNCIA DA BANDEIRA DA NIGÉRIA PARA O CANDOMBLÉ

Eu quis fazer assim com essas bandeiras. É uma interligação, do Brasil para o Amazonas e à Nigéria, que é o berço dos nossos orixás, do Ketu, que foi lá a primeira cidade de Ketu. Então, esta bandeira nós temos de levantar, porque apesar de estarmos no Brasil, vivermos no Amazonas, mas é a África que nós cultuamos, é a África que nós temos em comum.

14 Anos de Pai Geovano 41 por você.

Então você vê, eu quis fazer uma homenagem também de história, você vê que na minha parede tem 16 orixás, todos muito bem desenhados. É uma homenagem que eu fiz, porque a gente está acostumado a ir pelos barracões, chega lá tem um monte de imagem de Santa Bárbara, de São Benedito, de São não sei que, São não sei de onde. E as nossas imagens, dos nossos orixás, por que não tem? Santa Bárbara é Santa Bárbara, não é Iansã. Quem diz isso está falando uma coisa muito errada. Tem sim uma ligação de se esconder atrás dessas imagens, mas isso foi no passado, hoje em dia nós temos mais porque nos esconder atrás de imagens que não sejam as dos nossos orixás. Então eu quis fazer uma homenagem a mais ao berço dos orixás, à Nigéria, por isso eu coloquei a bandeira da Nigéria.

14 Anos de Pai Geovano 39 por você.

Teve a presença de muitos pais de santo, que não deu pra gente olhar bem tudo, poRque numa obrigação grande assim, a gente fica meio atarantado, fica desnorteado, depois incorpora com o orixá, aí é que não se vê mais nada. Graças a Deus, o que deu para eu perceber, eu só não vou citar nomes para não ser injusto para com outros. Eu agradeço a todos, podem contar que nas festas na casa deles, sempre que for convidado, irei retribuir a presença deles aqui, porque eu fiquei muito honrado.

14 Anos de Pai Geovano 40 por você.

PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN ●●

Travessa Guape, nº 173 — Jorge Teixeira IV (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3682-5727 / 3638-7472 / 8111-5335


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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