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Quem são os donos do cardápio infantil?

Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil? O artigo é de Noemia Perli Goldraich.

Noemia Perli Goldraich (*)

Há 40 anos trabalho como Nefrologista Pediátrica. Não recordo de ter identificado, antes dos anos 90, um único caso de pressão alta em criança que não estivesse relacionada a algum problema grave como doença nos rins, nas artérias renais, na aorta ou a tumores raros. Pressão alta era uma doença de adultos. Era!

Infelizmente, na última década, mais crianças passaram a sofrer de hipertensão arterial, uma doença crônica, isto é, que se arrasta por toda a vida e que necessita de medicação continuada. E qual a causa dessa repentina mudança? Múltiplos fatores podem causar a pressão alta mais comum – também chamada de hipertensão arterial essencial – mas os principais são a combinação de obesidade e ingestão de quantidades excessivas de sal na alimentação.

Antes de seguir em frente, é preciso que se diga que a pressão alta não é um probleminha qualquer. É fator de risco importante para infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (os derrames cerebrais), entre tantas outras consequências. E o resultado da obesidade iniciada na infância é o aparecimento de hipertensão arterial em crianças e adolescentes, de diabetes melito, doenças vasculares como infarto do miocárdio, tromboses, derrames cerebrais e todas as suas complicações.

Bem, mas não é de hoje que o sal está presente na alimentação humana. Então, por que agora estaria prejudicando também as crianças? O problema não é exatamente o sal, mas sim o sódio presente nele e é esse último que causa o aumento da pressão. É aí que entram os alimentos industrializados ou altamente processados. Há muita diferença na quantidade de sal (cloreto de sódio) colocado numa refeição cotidiana preparada em casa e os tais produtos industrializados. Nesses, o sódio está presente, além do sal, na estrutura dos conservantes e aromatizantes, usados para aumentar o período de validade ou para realçar o sabor, resultando em quantidades exageradamente grandes de sódio.

Nesse contexto, é preciso considerar que os hábitos alimentares dos brasileiros mudaram significativamente nos últimos anos. Saímos do feijão, arroz e bife para as comidas congeladas, as pré-prontas, os salgadinhos, os biscoitos e refrigerantes. Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Sem entender o que leem ou sem ler o que informam os rótulos, os pais também se seduzem pelos coloridos sinais de adição a anunciar + ferro, + cálcio, + vitaminas. Na verdade, estão comprando gordura, sal e açúcar, crentes de que seus filhos estão sendo bem alimentados. É isso mesmo. Em geral, as fantásticas embalagens coloridas contêm muita caloria e baixíssimo valor nutricional.

Estudos que vem sendo amplamente divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o brasileiro está ingerindo mais que o dobro de sal da quantidade diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5 gramas, o que equivale a uma colher de chá. O brasileiro, em média, está consumindo 12 gramas ao dia, o equivalente a uma colher de sopa. Muitos produtos que hoje fazem parte da dieta usual de crianças contêm quantidades exageradas de sal, sem que os pais percebam o perigo. Você sabe que um pacote de massa instantânea pré-cozida tipo miojo contém 5g de sal, que é a quantidade máxima diária recomendada para um adulto? Haja rins para dar conta!

Pesquisa publicada neste janeiro por um grupo da Filadélfia, no American Journal of Clinical Nutrition, uma importante revista da área, mostrou a relação entre o desenvolvimento da aceitação do gosto salgado e uma alimentação complementar, administrada a bebês, contendo amido (batatas, arroz, trigo, pão, bolachas). Foram comparados dois grupos de lactentes: um recebeu alimentação complementar com amido e o outro só comeu frutas em complemento ao leite. A aceitação para o gosto salgado já estava presente aos seis meses nos lactentes alimentados com amido e ausente nos que receberam só frutas. Os lactentes do primeiro grupo apresentaram maior probabilidade de lamber o sal da superfície dos alimentos na pré-escola, bem como de comer sal puro. Assim, segundo a pesquisa, experiências alimentares bem precoces (primeiros meses de vida) exercem um papel muito importante em moldar a resposta ao gosto salgado de lactentes e pré-escolares.

Sabemos que a formação do hábito alimentar se dá desde a gestação até cerca de dois anos de idade. E uma vez consolidado o padrão de gosto, fica difícil mudar. A isso, é preciso associar o padrão de uma infância sedentária em frente à televisão, computador e vídeo games. O resultado tem sido a obesidade. Dados do IBGE mostram que o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, aos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. Houve um salto no número de crianças de 5 a 9 anos com excesso de peso ao longo de 34 anos: em 2008-2009, 34,8% dos meninos estavam com o peso acima da faixa considerada saudável pela OMS. Em 1989, este índice era de 15%, contra 10,9% em 1974-75. Observou-se padrão semelhante nas meninas que, de 8,6% na década de 70, foram para 11,9% no final dos anos 80, e chegaram aos 32% em 2008-09.

O tempo de exposição à mídia também vem aumentando. Em média, as crianças ficam mais de 5 horas diárias em frente à TV, tempo superior ao permanecido na escola, que é de 4h30min. Além disso, o padrão das crianças de hoje é acessar varias mídias ao mesmo tempo e em quase todas há inserção de propaganda, ou seja, as crianças ficam expostas a um bombardeio mercadológico. Estudo feito pela Universidade de São Paulo, em 2007, mostrou que 82% dos comerciais televisivos sugeriam o consumo imediato de alimentos ultraprocessados, 78% mostravam personagens ingerindo-os no ato e 24% dos alunos expostos a tais mensagens apresentaram sobrepeso ou obesidade. Já um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2009 identificou que apenas 25% das crianças entre 2 e 5 anos e 38% das crianças entre 5 e 10 anos consomem frutas, legumes e verduras. Guloseimas como balas, biscoitos recheados, refrigerantes e salgadinhos ocuparam o espaço de refeições principais.

E a água? De repente esse bem essencial ao bom funcionamento do corpo humano foi sendo esquecido. Em creches, escolas e hospitais é comum não encontrarmos bebedouros. A água não está franqueada justamente a quem deveria receber estímulo constante para ingeri-la. O estímulo está focado nos sucos industrializados e nos refrigerantes.

E agora, já podemos responder quem são os donos do cardápio das nossas crianças? E quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil?

Se o que queremos para nossas crianças não é um futuro de obesos desnutridos, precisamos tomar as rédeas da situação e já. A informação continua sendo a chave-mestra e, pais, educadores e profissionais da saúde precisam saber identificar o que está escrito nos rótulos. Se tomamos tantas medidas para a identificação de pessoas que entram nas nossas casas e nas escolas, porque não adotamos estes mesmos cuidados antes de permitir a entrada de substâncias no nosso organismo e das nossas crianças? Nunca é demais lembrar que bons hábitos alimentares começam a ser transmitidos na vida intra-uterina, que criança até dois anos não deve ser exposta ao sal e que não se deve colocar açúcar em chás e mamadeiras de bebês. Muito menos achocolatados, que contém açúcar e gordura em excesso.

Seguindo orientações da OMS, estão surgindo políticas públicas para redução do sal nos alimentos industrializados, assim como campanhas de esclarecimento ao público. Foram identificadas ações em 38 países, sendo a maioria na Europa. Já o Brasil recém está iniciando algumas medidas nessa área. Em janeiro deste ano, a Anvisa fez recomendações não obrigatórias para a redução, até 2014, em 10% no conteúdo de sal do pão francês.

Também em países europeus, há regras rígidas em relação à propaganda dirigida a crianças. Em terras nativas, dispensam-se comentários. Felizmente a sociedade começa a dar sinais de reação.

Acreditando que um outro mundo é possível, que tal a gente sonhar com uma sociedade em que a saúde das nossas crianças esteja acima dos interesses das megacorporações?

(*) Noemia Perli Goldraich é doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-doutora em Nefrologia Pediátrica pela Universidade de Londres, professora-associada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, nefrologista pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Doenças Crônicas na Infância da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS.

*Carta Maior

OS BENEFICIÁRIOS DO BOLSA FAMÍLIA QUE ESTÃO COM OS RECURSOS SUSPENSOS TÊM ATE O DIA 29 PARA SE REGULARIZAREM

O Ministério do Desenvolvimento Social de Combate à Fome divulgou que os beneficiários que tiveram seus recursos suspensos no mês de janeiro, por não regularizarem suas situações, terão até o dia 29 para regularizar essas situações, caso contrário os pagamentos serão cancelados.

Esses beneficiários que tiveram até o dia 31 de dezembro para regularizar suas situações e não fizeram, por isso tiveram seus recursos suspensos, deverão procurar a prefeitura de sua cidade para efetuar essa operação.

São 729 mil famílias, em todo Brasil, que tiveram seus recursos cancelados. Só no Rio de Janeiro, foram 51.070 famílias.

Vamos lá, manos! Olha a crise econômica global! A grana é pouca, mas dá para comprar o feijão, o jaraqui, a farofa, e quem sabe levar as crianças para comer pipoca.  

A VIDA COMO É NA NÃO CIDADE E NO INTERIOR DE MAUÉS-AM

Como marca das cidades no interior do Estado do Amazonas, Maués é uma cidade de contrastes. Há pessoas pobres e pessoas ricas. Casas simples e mansões. Algumas surgidas de uma hora para outra. Muitas delas de secretários e funcionários da prefeitura, por exemplo. Há mansões de comerciantes com muros altos. Há aquelas que estão invadindo áreas destinadas a banhistas na ponta da Maresia. Os donos da praia resolveram construir obras em local público, um deles, coletor aposentado da Receita Federal, agente público que deveria dar exemplo, se é que se pode dar exemplo. Assim como na não cidade Manaus, em Maués as casas também andam. Rumo à praia.

Por falar em contrastes o ex-prefeito de Maués, Sidney Leite está condenado pelo TCU por não ter aplicado verbas federais na construção de uma fábrica de redes na cidade. E logo em Maués que todo mundo  gosta de rede a indenização deveria ser mais do que esses 13, 5 mil.  Por causa disso está inelegível nas próximas eleições. No rio Apocuitaua, na comunidade chamada Liberdade na administração desse mesmo agente construíram um prédio onde funcionaria uma fábrica para processar os derivados da cana de açúcar. Não foram plantados os canaviais e o prédio deteriora-se às margens do rio.

Sem querer ser repetitivo mais o fato nos obriga a ser, não podemos deixar de nos manifestar sobre duas obras que já vai pra mais de cinco anos e elas não são concluídas. Trata-se da orla da frente da cidade e da estação hidroviária. As duas estão paradas. Estão envolvidas somas milionárias e não são concluídas. Não são obras de difícil execução, mas deduz-se que as empreiteiras que ganharam a licitação não possuíam capacidade técnica e operacional para realizarem a obra. A estação hidroviária só tem capacidade para atracar uma embarcação, a rampa de descida, como já nos manifestamos anteriormente, possui colunas fora dos padrões para suportar caminhões com  toneladas de cargas. A rampa destinada aos passageiros é estreita e o prédio, assim como a fábrica no rio Apocuitaua também está deteriorando-se.

Enquanto isso, a vida das pessoas, do povo no interior, especificamente no Alto Apocuitaua é de trabalho, labuta diária para sobreviver, caçando, pescando, fazendo farinha, plantando e tendo que conviver com a carestia de produtos básicos, mas também com a tranqüilidade de viver sem medo numa relação simbiótica com o meio. Essa relação é contada por trabalhadores, gente do povo do Alto Apocuitaua.         

Janderlei  Lacerda da Silva, morador da comunidade São João do Pacoval. Morando atualmente  na comunidade do Maçarico,  com a sogra. Trabalho com mandioca na produção de farinha.  O trabalho com a mandioca consiste na colheita que é levada  para o barracão, no segundo dia a tiramos a casca e em seguida passamos no motor, antes era no ralo de lata de querosene,  para ficar a massa. Depois desse processo misturamos a massa para deixar casar durante um dia, no dia seguinte ela é prensada para ficar seca e formar o delicioso caroço e depois ela é torrada. Essa é uma forma de trabalho aqui na Liberdade. É um produto não valorizado, apesar de ser trabalhoso não é  lucrativo, em média a saca é vendida por R$ 50,00 ou R$ 60,00 reais. Isso é uma baixaria vender por esse preço. Da mandioca é extraímos ainda o tucupi, a tapioca e a crueira da qual se faz o mingau com castanha do Pará que é muito delicioso. Tudo isso serve para vender e é um meio para manter nossa sobrevivência. Isso ocorre de janeiro a janeiro. Fora essa atividade temos também a colheita do guaraná nos meses de novembro  e dezembro. Esse é um produto mais valorizado do que a farinha. Consumimos caças e peixes apanhados só para nosso consumo. Com a política do governo não podemos mais matar caças para vender. Mas aqui quando alguém tem comida ela dá ou troca com outro alimento como farinha.

Antônio Almeida, artesão,  cultivador de guaraná, castanha, açaí,  graviola, bacaba, caju, laranja, lima, limão, mucajá, tangerina, saputi, caramuri, uichi, piquiá, tucumã, cupu e mais outras mais. No momento estou investindo na plantação, sobrevivo da extração nativa. O retorno dessa produção é muito demorado, é por isso que as pessoas não cultivam. Além do trabalho como agricultor desenvolvo um trabalho como escultor, sem financiamento, mas  pretendo expor meus trabalhos. Possuo umas cinqüenta peças e reproduzo animais da floresta. Estou explorando o que a natureza me dá. A madeira que utilizo é o molongó e a itaúba.

Gênesis da Silva – A vida do interior é muito diferente da vida na cidade, aqui não há outra forma de vivência. Você tem que desmatar, fazer uma roça ou outro tipo de plantação. Se a pessoa não fizer isso ela não sobrevive. Esse bolsa floresta diz que não é para desmatar mas aqui não tem jeito.  O governo deve aumentar o salário da bolsa floresta para melhorar a vida das pessoas. Meu pai trabalha com moto serra, o trabalho dele é tirar madeira, sendo que no lugar de uma derrubada já é plantada outra no seu lugar.

 Marcos Diones Pereira – nosso modo de vida é muito ruim. Vivemos do trabalho  pesado e fazemos isso para sobreviver, da roça, do guaraná. Vendemos farinha e tiramos para nosso consumo. Há fartura, temos muito peixes, no período das chuvas é muito difícil para pegar alimento. Nas cheias é bom para a caça. A caça é  só para o consumo. Extraímos da mata a castanha para vender. A lata da castanha do Pará custa R$ 20,00. A produção este ano está fraca. Quando dá muita castanha cai o preço da lata.

Jeremias  Silva e Silva –  Sou artesão, carpinteiro. Iniciei fazendo uma canoa, as pessoas gostaram e encomendaram duas. Estou com pouco tempo trabalhando. Trabalho também fazendo casas. Utilizo marupá, madeira branca, trabalho com itaúba, madeira pesada e dura muito tempo. A de marupá dura dois anos. Outra fonte de renda nossa  é a fabricação de farinha. A vida no interior é muito diferente da cidade. Tem uma parte boa e uma parte ruim. A parte boa é que a gente vive tranqüilo, sem medo de ser assaltado, morto. A desvantagem é que as coisas são muito mais difíceis,  principalmente relacionadas com a alimentação. Para comprar as coisas temos que ir à cidade. Existe um comércio na comunidade mais é muito mais caro. O preço aqui é dobrado do da cidade.

Nesta comunidade eles participam do projeto Pro-Chuva que consiste no armazenamento de água da chuva em tanques de 1.000 litros.

O INCRA iniciou a construção de casas para os trabalhadores,  mas até a presente data, assim como as obras na não cidade de Maués também estão paradas.

Como se vê, os contrastes são de classes. Há os pobres, trabalhadores que sobrevivem com a labuta dia-a-dia. Trabalhando na roça, fazendo farinha, canoa e recebendo os R$ 50,00 reais da bolsa floresta, mais a bolsa escola. Há os ricos que só são ricos porque exploram a força de trabalho do operário, do trabalhador. Mas há também, o rico, lambaio que não explora a força de trabalho do outro, mas que se locupleta de dinheiro público para fazer mansões de uma hora para outra sem nunca ter tido uma fonte de renda que justificasse tal empreendimento.

Assim é a vida em Maués, assim é a vida no interior do Estado do Amazonas.         

LUZES DE MUITOS NATAIS NO AMAZONAS

Ontem, dia de Reis terminaram os festejos de final de ano. São 21:11. Estamos descendo o rio Amazonas. Vamos dentro de 10 minutos aportar em Itacoatiara. Alguns afinados, na segunda-feira dia dois também fizeram esta viagem. Dela resultará alguns relatos como este. Fazemos este trajeto sempre. Mas em 1977 não observávamos no beiradão do Amazonas o que vemo hoje. Ele está repleto de árvores de Natal. Nenhum governante neste país conseguiu fazer isso. Generais, sociólogo formado na Sorbone trouxe a esse pessoal Luz. Lux e Tenebris, né, Bertolt. Um trabalhador conseguiu isso. Luz para Todos. Luis Inácio Lula da Silva e a nossa atual presidenta na época ministra das minas energia desenvolveram uma política jamais imaginada por políticos fisiológicos. Nem eu imaginava aqui do meio rio postar pela internet um texto desse. A energia trouxe ao povo do baixo Amazonas e de todo o Brasil mudança radical de vida. No nosso caso, temos um rio rico em peixes de diversas espécies. Como não havia como conservá-lo o caboclo salgava, daí um alto índice de pessoas com pressão arterial alta devido o consumo de peixe salgado com vinho de bacaba, por exemplo. Nosso beiradão está iluminado, não é mais uma imensidão tenebrosidade. Agora temos lux in tenebris. Estamos saindo de Itacoatiara. 

JOSÉ GRAZIANO, QUE ASSUMIRÁ EM 2012 A DIREÇÃO DA FAO, DIZ QUE A ÁGUA É O ENTRAVE PARA A PRODUÇÃO

Depois de ter sido eleito para assumir a direção-geral do órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para combate à fome, FAO, responsável pelas políticas alimentares do planeta, José Graziano, ex-ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome do governo Lula, disse que o maior entrave para produção de comida para abastecer a humanidade é exatamente a água. Atualmente José Graziano é diretor da FAO para a América Latina, e agora, no ano de 2012, vai assumir a direção-geral do órgão.

“A água se tornou o maior entrave à expansão da produção, especialmente em algumas áreas como a região andina, na América do Sul, e os países da África Subsaariana”, disse Graziano em entrevista à BBC Brasil.

Para Graziano o fim da fome no mundo é possível e passa por quatro ações principais.

  1.  A aplicação de tecnologias modernas na lavoura, muitas já disponíveis.
  2.  A criação de uma rede de proteção social para populações mais vulneráveis.
  3.  A recuperação de produtos locais.
  4.  Mudanças nos padrões de consumo em países ricos.

Uma das críticas maiores do diretor-geral da FAO é quanto ao desperdício de alimentos nos países ricos. Enquanto esses países aproveitam mal a comida 1 bilhão de pessoas passam fome nos países emergentes.

“Se pudéssemos mudar o padrão de consumo em países desenvolvidos, haveria comida para todos. Nós desperdiçamos muita comida hoje, não só na produção, mas também no transporte e no consumo.

Precisamos assegurar que esse bilhão de pessoas sejam alimentados, que tenham bons empregos, bons salários e, se não pudermos dar-lhes empregos, encontrar uma forma de proteção social para eles”, disse Graziano.

Ele disse também, que para aliviar a fome do mundo é preciso valorizar produtos locais que não sejam commodities, recuperar produtos agrícolas típicos de cada região, e estimular a produção de produtos tradicionais para ajudar a diversificar a fonte de alimentos.

“O que é caro nos alimentos é o transporte, a produção de alimentos é muito barata. Se conseguirmos diversificar, fazer uma regionalização e melhor distribuição de alimentos e consumo, os preços serão muito mais baixo.

Hoje caminhamos para ter poucos produtos responsáveis pela alimentação de quase 7 bilhões de pessoas. Precisamos diversificar essa fonte, criar maior variabilidade”, observou José Graziano.

SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MT, FRANCISCO DA COSTA, JÁ TINHA BENS INDISPONIBILIZADOS PELA JUSTIÇA DE TOCANTINS

O secretário executivo do Ministério do Turismo (MT), Francisco Silva da Costa, preso, juntamente com mais 34 pessoas, na Operação Vaucher realizada pela Polícia Federal, e que já foi transferido de Brasília para Macapá, onde ficará à disposição da Justiça, já tinha seus bens indisponibilizados pela Justiça de Tocantins.

A medida, de acordo com a Justiça de Tocantins, foi motivada por fraude praticada por Francisco Silva da Costa na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Francisco e mais parentes são acusados de apropriação indébitas de recursos da Sudam.

Comprometidos em conduzir o projeto, aprovado em 1999, Forasa Indústria Alimentícia, em Formoso do Araguaia, para implantar uma unidade de processamento de tomate, a empresa recebeu quase R$ 4,8 milhões, em 2000. Para comprovar os gastos Francisco e seus parentes falsificaram documentos, de acordo com a Procuradoria da República, em Tocantins.

A trama era clara. O aumento do capital da empresa Forasa, era simulado nas atas da assembléia-geral, que apontava depósito de mais R$1,5 milhões, na conta da empresa, com extratos enviados à Sudam. Os valores eram logo sacados e desviados como pagamentos para serviços não executados, a cargo das empresas Aliança Projetos e Construções, Gebepar e Campina Verde, as duas últimas de propriedade de Francisco Hyczy, pai de Francisquinho, o secretário executivo do MT. Nessa trama as emissões das notas falsas eram facilitadas.

Para fechar a trama, para acobertar a não aplicação dos recursos, dois funcionários da Sudam relatavam que eles estavam sendo executados regularmente. Aí não dava outra: as parcelas dos recursos eram liberadas.

Mas a Polícia Federal visitou o local onde a família dizia que se encontrava a empresa e não encontrou nada de benfeitorias. O terreno não qualquer sinal relativo ao empreendimento.

Com essa especialização em se apossar dos recursos públicos Francisquinho, não podia deixar de dar seguimento à sua prática no MT. Assuntos freudianos. Coisas da “política” dos partidos de direita. Família que frauda unida permanece unida. 

BRASIL DEVE TER MAIOR PARTICIPAÇÃO NO COMBATE À FOME NO MUNDO

José Graziano, o novo diretor-geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação (FAO), e ex-ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome no governo Lula, esteve reunido com a presidenta Dilma Vana Rousseff para estabelecer propostas para que o Brasil ocupe eficazmente seu papel no combate à fome mundial. O Brasil é o país mais considerado como capaz de apresentar planos para combater a fome no mundo. Esse privilégio de reconhecimento mundial decorre do sucesso do programa de combate à fome iniciado e praticado no governo Lula, e que segue no governo da presidenta Dilma.

Segundo Graziano, durante o encontro com Dilma ela anotou algumas propostas necessárias para que o Brasil desempenhe seu papel no combate à fome mundial.

O país precisa reforçar a institucionalidade externa de uma série de órgãos”, disse Graziano.

Ele deu como exemplo de órgão que trabalha com eficácia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que já opera na África oferecendo apoio técnico na área agropecuária, mas que precisa aumentar sua participação no Continente Africano. Para ele, a África, que é o continente que mais sofre com a fome por “falta de mecanismos da FAO para atingir o problema em sua dimensão. “Temos que encontrar o meio de dar a resposta”, disse.

Para dar mais autonomia aos escritórios regionais para que possam agir rapidamente, Graziano defende a desburocratização da FAO.

CONSUMIDORA GANHA INDENIZAÇÃO DEPOIS DE ACHAR PRESERVATIVO DENTRO DO EXTRATO DE TOMATE

Era o ano de 2007. Em um dia habitual parecido com outros – pois não poderia ser outros –, a consumidora do Rio Grande do Sul foi preparar o almoço. Um prato que ela sabia produzir até de olhos fechados. Umas saborosas almôndegas.

Almoço preparado, a família se reuniu para saborear o bom prato gaúcho. Comeram, e se retiram cada um para seu canto. A consumidora, ao ver que havia sobrado um pouco de extrato de tomate Elefante, marca Unilever, na lata, pegou uma colher para tirar o que sobrara e guardar. Qual não foi seu susto. Ao levantar a colher ela viu um objeto estranho ao tempero. Um objeto para outro uso. Um preservativo masculino. Em seguida, a família inteira começou a passar mal. Náuseas e vômitos.

A consumidora, se sentindo abusada em seus direitos gastronômicos, denunciou o fato à Justiça. Ontem, dia 26, a 9ª Câmara Cível do Tribunal do Rio Grande do Sul, respondendo ao recurso da empresa, confirmou a sentença de primeiro grau tomada por unanimidade no dia 29 de junho, obrigando a empresa Unilever a pagar uma indenização para a consumidora de R$ 10 mil por danos morais.

A empresa, para se defender, esperneou, disse que todo o processo de produção e embalagem do extrato de tomate é automatizado e não passa por manuseio dos trabalhadores, e que não havia provas de que o preservativo fora inserido na lata durante a produção, e outros argumentos. Fez de tudo para não ter que pagar a indenização. Mas a Justiça que tarda, mas não falta, tardou, mas impôs a indenização.

Mas uma vitória do consumidor brasileiro.

EM DEZ ANOS O BRASIL PODERÁ SER LIDERANÇA EM PRODUÇÃO DE ALIMENTOS

O estudo Projeções do Agronegócio, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, mostra que em dez anos o Brasil pode ser o grande líder de produção de alimentos, concorrendo com os Estados Unidos, hoje a maior liderança.

Os produtos agrícolas de alto consumo interno e já existindo na pauta de exportação brasileira vão ter aumento de produção, por via do avanço tecnológico e assim conseguir ganhar mercado, é o que informa o estudo.

A exportação do algodão, sem as barreiras comerciais norte-americanas, deve atingir 68% e sua produção crescer 47,8% nesses próximos anos. A venda do café para o comércio exterior crescerá 46%, com um aumento de produção em mais de 24%. A exportação da soja subirá 39%, com uma produção de 36%.

De acordo com Wagner Rossi, ministro da Agricultura, o que vem estimulando o crescimento da produção é que no mercado interno e externo a demanda por alimento se encontra em expansão. Para ele, tudo “isso não é uma situação circunstancial”.

O ministro afirmou também que a produção de carne de frango e de carne bovina manterá o Brasil na frente da concorrência, e já a carne suína tende a aumentar. A Produção de carne passará para 31,2 milhões de toneladas na temporada 2020/21, representando um crescimento de 36,5%, um grande salto comparado com a produção atual, que é de 24,6 milhões de toneladas.

DILMA DIZ QUE PASSARAM QUATRO SÉCULOS PARA QUE O COMBATE À POBREZA FOSSE POLÍTICA PRIORITÁRIA

Durante seu discurso no lançamento do Plano Brasil Sem Miséria, a presidenta Dilma Vana Rousseff disse que com exceção do governo do ex-presidente Lula, durante quatro séculos nenhum governo brasileiro antes determinou o combate à miséria como política prioritária. Afirmando que Lula foi o inspirador do Plano Brasil Sem Miséria, Dilma ressaltou que Lula foi o único governante capaz de ver o pobre como “seres capazes de construir sua própria riqueza, sua dignidade”.

Foram precisos mais de quatro séculos para que o combate à pobreza se convertesse de fato em política prioritária de governo. Os nossos pobres já foram acusados de tudo, inclusive de serem responsáveis pela sua própria pobreza.

Já disseram que se nós déssemos o Bolsa Família, eles se conformariam com a pobreza. Já disseram, de forma absurda, que as causas da pobreza eram o clima tropical, o nosso sol e a miscigenação. Já disseram, e em parte tinham razão, que se a gente fosse olhar a raiz, uma das causas de nossa pobreza era a escravidão. Mas a escravidão passou há muito tempo e a falta de vontade política ultrapassou a escravidão.

Devemos fazer todo e qualquer esforço para superá-la, para dizer que a luta contra a miséria é dever do Estado e tarefa de todos os brasileiros e brasileiras deste país”, discursou Dilma.

Durante parte de seu discurso, Dilma fez referências às personagens brasileiras que estudaram as origens e a manutenção da miséria no Brasil. Entre os estudiosos citados por Dilma estavam Josué de Castro, Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, Celso Furtado, Joaquim Nabuco, Sérgio Buarque de Hollanda e o sociólogo Herbert de Souza, carinhosamente Betinho, criador, em 1990, da campanha Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida. Dilma também agradeceu à família do ilustre pintor brasileiro Cândido Portinari por ter cedido os direitos do quadro do pintor para ilustrar a campanha do Plano Brasil Sem Fome.

DILMA DIZ QUE REFORMA AGRÁRIA É NECESSÁRIA E VAI “ASSENTAR MILHARES DE FAMÍLIAS”

A presidenta Dilma Vana Rousseff disse, em entrevista, que para a construção de um país com justiça fundiária é necessária a reforma agrária. Dilma disse mais: que não adianta apenas fornecer terras para as famílias, é preciso investir na infraestrutura para que o assentado possa produzir mais e ter maior valor agregado.

Acredito na reforma agrária, que democratiza o acesso à terra, garante a produção de alimentos saudáveis e baratos e gera renda e bem-estar social no campo. Além do mais, ajuda no esforço pela erradicação da extrema pobreza. E contribuiu para reduzir o inchaço das periferias das cidades.

Queremos ampliar a assistência técnica, o acesso ao crédito e infraestrutura, como luz elétrica, mais estradas, abastecimento de água, entre outros incentivos”, afirmou a presidenta Dilma.

ANVISA AFIRMA QUE 16 CATEGORIAS DE ALIMENTOS PROCESSADOS TERÃO REDUÇÃO DE SÓDIO

Depois que a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) constatou em novembro do ano de 2010 teores elevados de sódio em vários alimentos, como macarrão instantâneo, batata palha, refrigerantes light e diet à base de cola, a preocupação com a saúde do consumidor brasileiro aumentou. Por essa razão, o Ministério da Saúde, juntamente com as indústrias alimentícias, resolveram realizar um acordo para diminuir o alto teor de sódio nos alimentos que são prejudiciais à saúde, causando doenças vasculares e cardíacas, entre outras. A preocupação tornou-se maior quando foi observado que em média o brasileiro consome 9,6 gramas de sódio por dia, quase duas vezes mais que a quantidade determinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O acordo visa diminuir o teor de sódio em 16 categorias de alimentos processados, como massas instantâneas, pães e bisnagas, até o ano de 2012, para ser intensificado nos dois anos seguintes, cuja meta é a queda de 30% de sódio em um ano, limitando a 1,9 grama até 2010. Entre eles, massas instantâneas, pães e bisnagas.

Outros alimentos que terão o teor de sódio diminuído são o pão francês, mistura para bolos, bolos prontos, salgadinhos de milho e batata frita, mas o percentual de sódio só será definido em julho, quando novamente o Ministério da Saúde e os representantes das indústrias alimentícias vão se encontrar. Mas o certo é que a redução do sódio deve ocorrer dentro dos próximos quatro anos.

O PERIGO DO ALTO TEOR DE SÓDIO ENCONTRADO EM ALGUNS ALIMENTOS

Embora muitas pessoas não saibam, o sal é um grande inimigo da saúde. Não só para os que são acometidos por hipertensão, mas também para os que não são. Uma alimentação com alto teor de sódio acarreta grandes danos à saúde de todos que fazem essa disfuncional dieta alta de sódio.

Doenças como diabetes, hipertensão, obesidade, renal e cárdica são as que mais se apresentam em quem faz uso excessivo de sal. Com essa preocupação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgou um estudo mostrando que alimentos que são vendidos em supermercados trazem em suas composições uma quantidade elevada de sódio contrária ao que o organismo humano necessita.

Segundo o estudo apresentado pela Anvisa, esses alimentos possuem o dobro de sódio que é recomendado para uma dieta considerada normal no consumo diário. O cuidado deve ser concentrado no mesmo alimento que é oferecido por marcas diferentes. Eles apresentam o sódio, alguns, em maior quantidade. Exemplo, a batata-palha que apresentam 14 vezes mais sódio que o recomendado. Um logro é encontrado nos refrigerantes à base de cola e guaraná que propagam baixa caloria, como os diet e light, mas que possuem maior concentração de sódio do que os refrigerantes convencionais.

O estudo, que mostra também a quantidade de açúcar, ferro e gorduras trans e saturadas nos alimentos, encontrou grande concentração de açúcar nos néctares de uva. Todavia, os sucos de polpa de frutas apresentam menor concentração de açúcar. As farinhas, os fubás e os flocos de milho, em numero de 87%, apresentaram baixo teor de ferro e acido fólico. A batata-palha apresenta 55% de gordura saturada, enquanto o biscoito de polvilho aparece como o vilão com o maior teor de gorduras saturadas.

Possivelmente ainda no mesmo de novembro, membros do Ministério da Saúde, Anvisa e da indústria alimentícia irão de reunir para procurar encontrar uma solução para a redução desses elementos na composição dos alimentos.

Maria Cecília Brito, diretora da Anvisa, sugere aos consumidores que eles, ao adquirirem um produto, verifiquem o teor de sódio, visto que nas variações de produção algumas indústrias adicionam menor quantidade de sódio em seus alimentos.

A população deve saber que existem alimentos semelhantes, porém menos saudáveis. A Vigilância Sanitária não pode dizer que recomenda este ou aquele produto. Seria insano lançarmos uma proibição nestes alimentos, porque é preciso desenvolvimento técnico”, afirmou a diretora.

PARA FAO BAIXA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS PODE ELEVAR PREÇOS

Em 2010, pode ocorrer alta generalizada dos preços dos alimentos em razão da baixa produção mundial. A afirmação encontra-se no relatório Perspectivas de Alimentação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Este cenário preocupante é decorrente da queda na produção de cereais e de alguns grãos, o que fará com que os projetos globais de importação de alimentos chegue apenas a 1 trilhão em 2010. Os estoques globais de cereais deverão sofrer grande reduções chegando em torno de 6% em média. A cevada deverá ser reduzida em 35% de sua produção. A produção de milho 12% e a de trigo a 10%. Somente o arroz terá aumento em suas reservas, chegando a 6%.

Para recompor os estoques, as autoridades devem estimular a produção, é o que aconselha o relatório. “Em decorrência das expectativas das quedas dos estoques mundiais, o tamanho das colheitas do próximo ano será crucial para definir o tom para estabilidade nos mercados internacionais”, diz o relatório.

Por terem os preços aumentados acima do esperado no decorrer do ano de 2010, a carne, a manteiga e o peixe deverão também ter seus preços majorados.

FOME E MISÉRIA SÃO TEMAS PRINCIPAIS DE SEMINÁRIO

Seminário sobre Aquisição Pública de Alimentos da Agricultura Familiar, que está sendo realizado em Brasília, com a participação de representantes do Mercosul, África e Índia vem debatendo com mais firmeza a fome e a miséria no mundo.

Para o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, a fome e a miséria são “uma marca lamentável na entrada do século 21” e significam “uma vergonha para a humanidade”. Para o ministro, as campanhas públicas nos países pobres sobre segurança alimentar é uma causa que deve contar com a participação de todos.

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Agricultura Familiar, que é produzido pelo governo federal, garante uma organização estrutural do setor produtivo e funciona como estratégia emergencial, além de garantir os melhores preços dos produtos e a formação de estoques reguladores.

Para José Graziano, representante das Nações Unidas para Alimentação e a Nutrição (FAO) para América Latina e o Caribe, uma boa iniciativa seria fazer compras antecipadas, o que baratearia os custos para os produtores familiares.

Graziano afirmou que o PAA propicia “organização social e política no país e evita desvio de recursos, por ser gerido pelo governo federal e não pelos executivos municipais e estaduais”.

A compra de alimentos produzidos por pequenos agricultores é um modelo brasileiro que pode ser uma grande contribuição para os países pobres do mundo, segundo Pedro Medrano, diretor do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas. O modelo está sendo analisado pela ONU para saber como essa dinâmica acontece no Brasil.

FAO CONHECE PROGRAMA DO BRASIL DE SEGURANÇA ALIMENTAR

As políticas públicas brasileiras de acesso à água e alimentos foi tema de conhecimento dos representantes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), do México, que teve como indicador o diretor do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Marcelo Piccin.

O ministro Piccin mostrou aos representantes da FAO que a erradicação da fome deve ser orientada pela ampliação de programas de distribuição de alimentos e estratégias de fortalecimento da agricultura, geração de renda e articulação dos programas sociais. O ministro afirmou, ainda, que o Brasil não tem problemas na produção de alimentos, mas na distribuição cuja dificuldade encontra-se na concentração de renda.

Ao tomar conhecimento que 80% do dinheiro do Programa Bolsa Família é destinado para compra de alimentos, e que aumentou em 29% a renda familiar dos beneficiados, o coordenador de Promoção e Desenvolvimento Humano da FAO, Luiz Fernandéz Godard, disse que muitas pessoas que participam de programa semelhante ao Bolsa Família no México ficam acomodadas. “Observamos que a transferência pode inibir a criatividade. O trabalho exerce uma função não muito rentável e não tenta sair disso por que sabe que pode contar com o governo”.

Diante da afirmação de Luiz Fernandéz Godard, o ministro Marcelo Piccin considerou que 95% dos beneficiários do Bolsa Família não deixaram de trabalhar.

Um projeto da FAO e da Secretaria de Agricultura do México tenta coordenar as ações de combate a pobreza, porém faltam projetos que complementem o programa Oportunidades, então os programas brasileiros do Bolsa Família, Merenda Escolar e o Programa de Aquisição Alimentos são capazes de ajudá-los, afirmou o coordenador de Promoção e Desenvolvimento Humano da FAO, Luiz Fernandéz Godard, que acrescentou: “Com isolamento não há combate à pobreza”.

ORGANIZAÇÕES SE COLOCAM CONTRA A AGU POR QUERER SUSPENDER ALERTA AOS CONSUMIDORES

A ANVISA publicou resolução para que os fabricantes de alimentos e bebidas não saudáveis colocassem em suas embalagens alertas aos consumidores do perigo à saúde do consumo de certas substâncias usadas nesses produtos como excesso de gorduras, sódio, açúcares, produtos esses que causam tanto obesidade como também enfermidades cardiovasculares. Enfermidades que atingem principalmente crianças e jovens, mas que são perniciosos para todas as idades.

Foi só baixar a resolução para que a voracidade capitalista que comanda esses fabricantes se manifestasse. O protesto veio dos próprios fabricantes dos produtos, mas muito mais das agências de publicidade, que alegaram não ser da competência da ANVISA propor tal resolução.

Diante da manifestação a Advocacia Geral da União (AGU), que resolveu pedir que a ANVISA suspendesse a resolução, tudo baseado na posição do Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que afirmou que a ANVISA não tinha competência para regular as propagandas. Então foi a vez das organizações ligadas à defesa do consumidor se manifestarem contra a posição da AGU, enviando-lhe uma carta contestando a decisão.

A resolução é positiva”, afirmou Mariana Ferraz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), uma das organizações que assinaram o documento que contesta a AGU. Para Mariana Ferraz, a população deve mandar para a AGU cartas de apoio à ANVISA. Ela afirmou que o Idec vai fazer a campanha para que a resolução seja aceita.

Por sua vez, afirmando que a decisão da ANVISA foi discutida com a sociedade, inclusive com setores ligados aos consumidores e a preservação da saúde da população brasileira, por meio de consultas públicas, a secretária executiva do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), Vanessa Schottz, para fortalecer o argumento da entidade que representa, disse sobre a resolução: “Ela não saiu do nada. É legitima”.

Enquanto isso, a ANVISA informa que está analisando a determinação da AGU, e só depois vai se posicionar.

ANVISA OBRIGA FABRICANTES DE ALIMENTOS A INFORMAR O PERIGO À SAÚDE DO EXCESSO DE AÇÚCAR

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determina que os fabricantes de alimentos e bebidas com grandes conteúdos de açúcares, sódio, gorduras saturadas e trans alertem os consumidores, através de suas propagandas, sobre o grave risco à saúde do consumo excessivo desses alimentos e bebidas. O objetivo da ANVISA é desestimular o excessivo consumo desses produtos, que podem ser perniciosos principalmente paras as crianças.

A propaganda de alerta deve seguir esse modelo: “O (nome do alimento ou bebida) contém muito açúcar e, se consumido em grande quantidade, aumenta o risco de obesidade e de cárie dentária”. A informação é para os alimentos sólidos que possuem mais de quinze gramas de açúcar por 100 gramas do produto.

Bebidas como refrigerantes, refrescos, chás, concentrados com mais de 7,5 g de açúcar a cada 100ml. A propaganda deve ser veiculada na TV, Rádio, Internet, impresso, como também em amostras grátis, cupons de descontos, patrocínio e campanhas sociais.

A multa pode variar de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão para as empresas, anunciantes, agências de publicidades e veículos de comunicação que descumprirem as regras.

ALIMENTAÇÃO, DIREITO SOCIAL

Com 374 votos a favor, 2 contra e 1 abstenção, a Câmara do Deputados aprovou ontem, dia 3, primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria do Senado, que determina a alimentação como um dos direitos sociais de acordo com o que é estabelecido pelo Artigo 6º da Constituição Federal.

Agora, os deputados vão votar a PEC em segundo turno. Se o texto aprovado pelos senadores for mantido, ela será promulgada. Todavia, ser for alterado, ele deverá retornar ao Senado para nova apreciação de votação.

Tanto para o Congresso como para o governo federal, esta PEC tem perfeita aceitação.


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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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