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OBRIGAÇÃO DE JÉSSICA DE YEMANJÁ (AGBÊ MANJÁ) NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

Na foto acima vemos a união dos participantes e filhos do Centro de Tambores de Mina Djê Djê/Nagô Toy Lissá Agbê Manja em Manaus que estiveram reunidos nesta última sexta-feira para celebrar mais uma obrigação da guia-mestre da casa, Jéssica de Agbê Manjá (que é Yemanjá no Ketu) .

Jéssica, que na foto acima está ao lado de Mãe Emília, segurando o buque de flores, conversou com nosso bloguinho contando a demanda e esforço que uma obrigação exige, mas que sempre é algo muito recompensante, pois envolve uma liberdade e maturidade espiritual.

“Esta obrigação foi cansativa, mas vale muito a pena. Para quem tem a religião como prioridade, para quem valoriza a feitura de santo é uma vitória muito grande, até porque é sacrificante você parar um pouco da sua vida, se recolher, e se dedicar o momento só para o espiritual. Para quem tem trabalho, tem estudo, para quem nem mora aqui, pois eu não moro mais aqui, já estou morando em outro país com o meu marido e vim para cá fazer esta obrigação. Mas este sacrifício é bem valoroso.”

Esta obrigação está acontecendo após três anos da saída de Jéssica onde foi feito o ritual, revelado o nome do santo no roncó e se tornou guia-mestre da casa. Jéssica que sempre foi muito dedicada e tem um grande afinco com sua religiosidade.

Jéssica em sua primeira saída a público nesta obrigação veio com as vestimentas de Yemanjá (Agbê Manjá), entidade de Jéssica que fora revelada em sua saída na religião. Sempre bela e magestosa, a rainha do mar de vários nomes, encheu o terreiro de alegria em seus pontos como pode ser visto no vídeo abaixo.

Como a obrigação não era apenas para Yemanjá, após alguns pontos Jéssica se recolheu para fazer sua segunda saída como um Xapanã, coberto de palha que também recebeu suas oferendas durante a obrigação.

Esta segunda saída como Xapanã   tem um signifacado importante dentro da obrigação. Jéssica nos explicou um pouco sobre a obrigação em si e também sobre a importância desta segunda saída:

“A obrigação de hoje é uma confirmação da minha feitura (saída), então a gente se recolhe durante uma semana, dá todo o panaiá, as frutas, toda alimentação. Se recolhe, confirma e faz a saída dos outros santos que não foram feitas no caso o Xapanã, o segundo que estava coberto de palha. Ele é da família Akossi Sakpata, a mesma de Obaluaê, só que é Xapanã.”

Enquanto Jéssica se preparava para sua terçeira saida os abatazeiros continuaram rufando os tambores e vários pontos eram cantados com muita devoção e alegria por todos os presentes.

 

 

 

 

 

 

Eis o grande momento quando Jéssica saiu como gentil Rainha Rosa, quem recebeu um buque de flores amarelas e foi saudada com diversos pontos.

Rainha Rosa
Princesa menina
Ela dançou em Mata de Codó
Dançou em Codó

Rainha Rosa
Princesa menina
Vamos ver a Mata de Codó
Vamos ver a Mata de Codó

Senhora Rosa Rainha
Pra que mandou me chamar
A senhora mesmo é quem sabe
A grande força do mar


E com a saida de Rainha Rosa a festa continuou e como sempre vivida,  se estivesse acabado de começar e não se quisesse mais terminar.

A Estrêla da Guia
Guiou nosso Pai
Guiai esses filhos
Caminhos que vai
O viva Jesus
Nosso Pai redentor
que na Santa Cruz
seu sangue derramou

E com os tambores já cobertos chegou a hora da distribuição dos bolos dos três homenageados a todos os presentes. E a mesa que previamente decorada estava fabulosa com os bolos, os santos e muito axé. Jéssica que fez esta bela obrigação fez a distribuição e com todo seu carinho e dedicação atendeu a todos finalizando sua belissima obrigação. E nosso bloguinho deseja que Jéssica continue em sua vida religiosa  e que esta lhe traga muita paz, axé nos fundamentos do tambor de mina.

DERRUBADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO NO CENTRO DE TAMBORES DE MINA DE MÃE EMÍLIA

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Oh! Mater em cristo
Meu santo varão
Livrai-nos da peste
meu São Sebastião

Salve o cristo puro
Estrela luzente
Prodígio das graças
do onipotente

Oh! Mater em cristo
Meu santo varão
Livrai-nos da peste
meu São Sebastião

Na última sexta-feira (20) foi comemorado no Centro de tambores de Mina Djê Djê/Nagô Toy Lissá Agbê Manja em Manaus a tradicional festa de São Sebastião, o martir que é padroeiro dos soldados, atletas, dos homossexuais e toda moçada LBGT. Além de ser um santo cristão, ele é cultuado pelas diversas religiões afro reprentado no chamado sincretismo de Oxóssi, o santo que mora nas matas e a a proteje.

A festa é celebrada nos  terreiros de Mina louvando São Sebastião que para a mina “é um Xapanã e o Rei Sebastião da Praia do Lençol. Então nós louva  neste dia, canta para toda a família do lençol,  todos os vodums da Praia do Lençol” explica Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá que também deu um depoimento sobre o santo.

Já fazem 35 anos que eu faço esta tradição. Primeiro eu faço por que ele me pertençe, neste tempo todinho é do mesmo mês meu, mesmo dia meu, é meu protetor como santo e como vodum. Então tenho que fazer esta louvação a ele e todo ano eu faço. E a gente canta pra Xapanã, para Rei Sebastião e canta para o homem também.  Depois a gente abre pra Oxóssi, por que uma nação, como por exemplo na Bahia na casa de Mãe Menininha, eles tem Oxossi como Ogum, e na verdade ele foi um guerreiro, um soldado, herói, batalhador. Então tem umas nações que pra eles ele é um Ogum.


E a festa começou quando santo, que estava em um andor enfeitado de flores, era carregado em volta de seu mastro enquanto era cantado o ponto  “Bendito São Sebastião”. Com muita alegria cantou-se para São Sebastião.

Nasceste no berço
Do vil paganismo
Porém a fé santa
Vos deu o batismo

Vós desde menino
Já nos ensinava
A religião santa
Que ao culto amava

Após as orações para São Sebastião chegou a hora da derrubada do grande mastro que estava fincado no solo. O mastro estava repleto de frutas, vegetais e outros produtos incluindo cupuaçu, laranja, pupunha, milho, banana, abacaxi, pé de moleque, mel, vinho entre outros. A primeira batida no mastro foi feita por Mãe Emília, seguida de seus filhos de santos e dos demais presentes

Depois de várias batidas o mastro foi ao chão e junto dele os presentes foram pegar os alimentos repletos de axés de São Sebastião. Abaixo vemos o vídeo de todo a caminhada com o santo e a derrubada do mastro

Após a queda do mastro foram acendidas diversas velas para Sebastião, foram feitos os pedidos, agradecimentos, oferendas e rezas para o santo para que se construa um ano de muito axé.

E assim chegou a hora de voltar ao salão e trazer novamente o martir para continuar a festa. E que festa alegre esta do centro de tambores de Mina, que seguiu durante a noite toda.


E os tambores começaram a rufar pelos abatazeiros (ou ogams em outras nações) enchendo todo o terreiro de vibrações e dando vida para os diversos pontos cantados louvor.

 

E os convidados foram chegandos e muitos deles de outras casas de santo foram entrando na roda e alegrando o salão de cores e cantos.

Rei Sebastião,
Ele é guerreiro militar
Rei Xapanã, ele é pai de terreiro
Lá numa guma, guma Imperial

Quem tiver a sua vista aberta
Agora que eu quero ver
Sebastião arrasta as correntes
Fazendo a terra tremer

Pai Edson de Codoense usou sua voz melodiosa para puxar  rezas para Rei Sebastião para que Mãe Emília se preparasse para receber o aniversariante da noite o turco Ubirajara.

 

E desceu na cabeça de Mãe Emília o turco Ubirajara, que se chama de caboco, mas é na verdade um turco, como explicou mãe Emília que festeja além de Sebastião, o seu aniversário de Ubirajara em sua cabeça.

E depois se louva os turcos como já é uma tradição não só na minha casa como nos terreiros do Maranhão todinho, fazem homenagem neste dia, levanta mastro e festejam. A entidade, o seu Ubirajara é um turco. Nós chamamos caboco, mas ele é um turco que já vem luas e luas. Na minha cabeça  está com 45 anos que eu trabalho com ele.

Meu pai Turquia
Já içou sua bandeira
Venha ver como é bonito
ver seu filho na trincheira

Com teu lindo Penacho
É Um Penacho De Arara.
Com o Rompe da Mata Virgem
Com o Rompe da Mata Virgem
Ele é O Caboclo Ubirajara.


Ele é Bira,
ele se chama Ubirajara

Ubirajara quando chegou
Não temeu a caboclo nenhum
Ubirajara quando chegou
Não temeu a caboclo nenhum
Ubirajara é caboclo bravo
Não temeu a caboclo nenhum


Edmundo velho Edmundo
Edmundo velho Edmundo
Eu me chamo Ubirajara
Meu pai Oxossi é guardião
Do outro mundo
Eu me chamo Ubirajara
Meu pai Oxossi é guardião
Do outro mundo.

E então começaram a descer também diversos cabocos e encantados como a caboca índia Ida e vários outros que logo também passaram a saudar os presentes.

Pai Dinho que também estava presente puxou alguns pontos com sua voz forte e agradável que compunha com os abatás e mostrava aos presentes a beleza e força do tambor-de-mina.

Estrela d’alva
é a sua guia
Ubirajara é um
caboco valente

Ubirajara mora
Lá na mata
Lá na grota funda
Lá no fim do mundo

Só queria meu Deus
só queria
Ver o canto
dos Orixás

Eu queria meu Deus
só queria
Ver o povo
da banda de lá

O grande momento da noite chegou quando os seis bolos do aniversariante turco Ubirajara  foram distribuido para os presentes, assim como diversas frutas para todos os presentes que esperaram em fila a degustação deste presente com muito axé. E nesta alegria a festa trouxe toda disposição e envolvimento da Mina.

Parabéns pra você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitas forças em luz

Não é, não é, não é
Todo santo tem seu dia
Não é, não é, não é
Seu Ubirajara hoje é seu dia

CONVITE PARA COMEMORAÇÃO AO MARTE SÃO SEBASTIÃO

O CENTRO DE TAMBORES DE MINA DJÊ DJÊ/NAGÔ

TOY LISSÁ AGBÊ MANJA

CONVIDA

Os adeptos e simpatizantes dos Cultos Afros para mais uma comemoração ao Marte São Sebastião

No dia 20/01/ 2012 a partir das 16:30 com a derrubada do Mastro do Santo. Logo após os tambores rufam em Homenagem a Dom Sebastião, chefe da família dos Lençois.

Endereço: Rua Pintassilgo, no 100, Cidade Nova II, próximo ao Cruzeiro.

 

Nochê Hunjaí Emilia de Toy Lissá e Agbê Manjá

Morrer por causa da fé chama-se martírio, e garante o céu para qualquer pessoa que morre por amor de Deus, seja ela batizada ou não. Martírio de São Sebastião, cujo sepulcro tem sido venerado pelos fiéis desde a mais remota antiguidade Cristã.

OFERENDAS E BARQUINHAS PARA IEMANJÁ POR UM BOM ANO NOVO

As margens deste novo ano em uma bela noite se reuniram na Prainha da Ponta Negra diversas famílias, frequentadores das religiões afro e simpatizantes para fazer oferendas para a rainha das águas Iemanjá e a dona das aguas doces Mamãe Oxum.

Eu fui na beira da praia pra ver
O balanço do mar
Eu vi o retrato da areia
Me lembrei da sereia
Começei a chamar

O Janaina vem ver, O Janaina vem cá
Receber estas flores
Eu vim lhe ofertar!

As barquinhas repletas de flores e oferendas tomaram a areia enquanto se cantava e faziam as homenagens a Iemanjá. Em toda a praia as famílias e religiosos agradeciam as bençãos recebidas e pediam um novo ano de bastante realizações.

Vindo se juntar aos presentes diversas entidades espirituais afro como caboco, preto velho, ciganas, erês para também fazer oferendas para Iemanjá e trazer axé para o este mundo e mensagens de novo ano.

A cigana Rosa da linhagem deAngola deixou uma mensagem para todos os praticantes da religião afro.

Na lua de hoje, eu Cigana Rosa, rainha dos ciganos não está aqui como exú, está aqui como ciganas na qual fizemos esta mesa com ajuda dos filhos para trazer fartura, caminhos abertos, pra felicidade e pros amores que é o que se tá faltando neste mundo de pecado, no mundo da religião. Pai de santo quer ser melhor que pai de santo, casa de santo quer ser melhor que outra casa e isto não existe. Espirito nenhum é melhor o problema é a mentalidade dos filhos, e este é o nosso pensamento de cigana aça pedinto isto: paz, felicidade e união. Por que a união faz a força; uma corrente quando se quebra um elo não se tem força. E é isto que nós invisíveis, pé-de-vento cobramos deste povo do santo ultimamente. União, fé e humildade por que a humildade e a fé está acima de tudo. Não existe religião, candomblé sem fé, humildade e união.

Caminhando pela Prainha encontramos Pai Anderson que estava junto com alguns outros trazendo algumas oferendas e cantando em seus pontos para Iemanjá o desejo de muito axé para todos .

Olha o navio é negreiro nas ondas do mar

Vamos Saravá nossa mãe Iemanjá

Azul e Branco minha mãe é a cor do céu

Aí quem me dera senhora mãe o seu lindo véu 

“Odoya Odocia minha mãe abençoe todos seus filhos com esta água pura e cristalina assim tirando a impureza deste mundo, a malevolência, a perseguições dos inimigos carnais e espirituais. Odoya mãe Iemanjá, venha trazer paz espiritual para todos. Traga realizações a todos”

Nosso bloguinho conheceu Pai Belmiro de Oxossi que realizou uma portentosa oferenda para sua mãe Oxum e pedindo um ano própero.

Ogum mora na lua

Xangô lá na pedreira

Oxossi na mata virgem

Mamãe Oxum na cachoeira

“Hoje fizemos uma homenagem a minha senhora Oxum Iapondá que é dona das águas doces. Nós festejamos todos os anos Iemanjá, mas na verdade nossa referência tem que ser a Oxum que é dona de nossas águas. Mas como já é tradição trazemos um presente pra Iemanjá, um pra Oxum que é a minha mãe pedindo prosperidade, caminhos abertos, sorte, que ela nos traga paz para o Mundo”

Encontramos também as entidades ligadas ao mar como o seu Joãozinho que também dançaram, cantaram pontos para  e fizeram oferendas a Rainha das águas Janaina.

Eu quero ver quem vem.

Eu quero ver quem é.

Eu quero ver caboco bom.

É no balanço da maré.

Ela não tem medo de andar no mar

Ela só tem medo senhor meu pai

Desta barca virar.

Oh que barco tão lindo que vem

Sobre as ondas do mar  

Ele traz as vibrações de nossa

Mãe Yemanjá    

Yemanjá ,Yemanjá

Ela é a rainha do mar

A beleza da festa continou durante toda a noite com uma grande diversidade de grupos ligados a religiões afros e outros simpatizantes que se uniram em pedir um novo ano melhor.

Caboca Mariana que também estava presente, na cabeça de Mãe Valkíria, deixou uma mensagem de fé e axé para  o mundo inteiro.

“Que este ano que faz 2012 ilumine a gente o caminho dos pecadores, que dê muitos anos de vida, que traga muito axé, muita prosperidade,  muita paz e compreensão, que é o que o povo não tá tendo no mundo do pecado. Nós cabocos estamos oferecendo nossas oferendas e pedindo muita paz e que este ano seja de muito axé, axé e axé. Nós pedimos isto por que todos estes anos que nós passamos foi muita tragédia no mundo do pecado, muita violência. Eu, Caboca Mariana deixo um voto aos pecadores que pecam a Deus que busquem primeiro a Deus, que o resto a gente leva aqui em baixo. E também pedir muita paz, prosperidade, caminhos abertos, muito axé, dinheiro.”

Pai Geovano de Oxagiã também estava presente com os filhos de sua casa e recebeu diversos cabocos. Com muito entusiasmo e vibrações os ogans levaram os pontos nos tambores e atabaques que eram entoados por todos da casa que se refestelavam na alegria de Iemanjá.

Até que no alto da festa recebeu o caboco Sibamba que sempre com sua alegria e bom humor também conversou que este bloguinho sobre o próximo ano.

Este ano que vem vai ser de muita confusão, de muita falsidade, de um se jogando pro outro pra ser a mesma merda. As crianças vão tentar passar um doce, um bom pro povo, pros políticos, principalmente pra estes safados. O Amazonas está fudido por todo mundo. Quem manda ser burro e fuder o Amazonas assim. Mas vai ter muita coisa boa, mas também tem bastante coisa ruim que o povo faz. Quase tudo vai dar certo se o povo saber quem escolhe os políticos e se eles souberem escolher tudo vai dar certo. A política é que nem amor: se você souber escolher com certeza vai certo. Caboco Sibamba

 E pela madrugada as barquinhas foram sendo trazidas ou arrastadas para o rio e entrege a Iemanjá como gratidão e pedido por um ano melhor

Joguei minha barca n’água
Eu quero ver navegar
Peço licença primeiro
A Nossa Mãe Iemanjá.
Oh, Iemanjá! Oh, Iemanjá!
Quem manda nas ondas d’água

Sibamba também abençoou os presentes com seus banhos e com chapagne para passar um ano bom de muitas realizações, e muito axé

E a festa continuou durante a madrugada toda com diversos cantos à Iemanjá, mas também aos invisíveis cabocos, preto-velhos e ciganas, para que este novo ano seja construtor de novas formas de existência na transformação do mundo.


Sentinela das águas do mar
A mãe d’água mandou avisar
Que hoje não pode pescar
Pois hoje tem festa no mar

Iemanja ela é a rainha do mar

No mar tem flores

 Tem rosário de Nossa Senhora 

Aroeira de São Benedito 

Cabocla Herondina, chegou nesta hora

Oh embala, embala, embalaô, cabocla Herundina embala se só,

Ela embala se na rede cipó,


Ela não tem amor na terra,

Ela não tem por quem chorar,

A sua mãe foi muito ingrata,

Atirou-lhe em alto mar

A BELA CIGANA DE PAI ROGÉRIO

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Mais uma vez os filhos, irmãos de santo e demais convidados reuniram-se na mansão situada à rua Visconde de Porto Seguro, 14, no Parque das Laranjeiras, para uma maravilhosa festa para comemorar o aniversário da Dona Cigana na cabeça de Pai Rogério.

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Quando Dona Cigana apareceu todos se levantaram e regozijaram aquela que é a mais bela das entidades dos terreiros e barracões espalhados pela grande Manaus…

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E chegou Pai Ribamar, conhecido em Manaus como um dos maiores babalorixás do Brasil, que chamou a festa para sua responsabilidade. E a festa estava com tudo que tinha direito, senão olha só…

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A festa foi maravilhosa, com um bifet especial como nunca se viu e cumpriu nas manifestações manauaras ou manauenses nos cultos afro que predominam ao menos no que se chama a chamada e experiência vivencial de buscar a realidade de acreditar…

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Ninguém se apareceu contrário ao envolvimento e ao desenvolvimento que paira entre um planejamento e o que predomina na sua imagem e na sua forma de denominar e também de aproveitar essa oportunidade abaianada. Valeu!

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SEU ZÉ PILINTRA E DONA JUREMA NO ANIMADO TERREIRO DE MÃE MARIA

Zé Pilintra, Zé Pilintra
Boêmio da madrugada
Vem na linha das Almas
e também na encruzilhada

O amigo Zé Pilintra
que nasceu lá no sertão
Enfrentou a Boêmia
Com seresta e violão

Hoje na lei de Umbanda
Acredito no Senhor
Pois sou seu filho de fé
Pois tem fama de doutor

Com magias e mirongas
Dando forças ao terreiro
Saravá seu Zé Pilintra
O amigo verdadeiro

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Clique nas imagens para ampliá-las.

Como já falamos aqui neste bloguinho, terreiro animado é o terreiro de Mãe Maria do Seu Jacaúna, lá no Zumbi dos Palmares. Quanto mais quando a festa é de um dos maiores curandeiros da velha Umbanda boa, e que é também um grande sambista, mulherengo e jogador, o mais conhecido e respeitado dos malandros: Zé Pilintra.

À direita, seu Marinheiro na cabeça de seu Francisco.foto

À esquerda, Dona Jarina na cabeça de Socorro.

fotoSeu Tapindaré na cabeça de Lídia.

Mas quando chegamos quem estava no maravilhoso congá era justamente o dono do terreiro, Seu Jacaúna, que comandou a chegada de diversas entidades na cabeça dos médiuns da casa.

fotoCaboca Brava na cabeça de Graciete.

Sou gavião real, eu sou nagô

Eu venho voando pelo céu azul


fotoOs irmãos Mônica Oda e Marcílio Colares, acompanhados do ‘mineiro’ Diego, que deu suas contribuições artísticas nas imagens deste trabalho.

O tambor continuava sem parar, enquanto os cabocos e demais entidades preenchiam o tempo com suas vozes melodiosas e o espaço com suas danças vigorosas, baixando para receber as saudações de todos os presentes e abençoar a todos que ali se encontravam em comunhão espiritual, reunidos na força e no calor da Umbanda boa, da Umbanda de fé…


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E a força da corrente abençoada nas rezas preencheu o ambiente com alegria e devoção dos filhos da casa, de todos os convidados, todos os presentes. Foi então que seu Jacaúna foi embora do corpo de Mãe Maria, babalorixá que tanto demonstra seu zelo e responsabilidade aos cultos afro-brasileiros.

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Ela veio de tão longe sem conhecer a ninguém,

Ela veio colher as rosas que nas roseiras tem

Quem quiser saber o seu nome pergunte ao seu irmão

Ela se chama Toya Jarina, filha do Rei Sebastião

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Foi então que baixou o homenageado da noite: Seu Zé Pilintra. Foi então que se viu toda a autenticidade das religiões afro-brasileiras, carregada de entes que, ao mesmo tempo que fazem lembrar ciclos da nossa história remota, estão presentes em efetividade religiosa. Uma festa magnífica para os olhos e o coração de todos aqueles que vivem a crença ou apreciam o ritual afro-religioso como verdadeira manifestação religiosa do povo brasileiro.

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Ai, ai, meu Deus, que cavaleiro é esse?

Que cavaleiro é esse que chegou agora?

De terno branco, seu punhal de aço puro

Saravá seu Zé Pilintra, na Umbanda ele é doutor

À esquerda, Mãe Vera com o boiadeiro Seu Baiano.

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Conversamos com Mãe Maria, que nos deu os detalhes desta festa para este caboco tão conhecido dos terreiros de Umbanda do Brasil, realizado no seu terreiro, assim como estendeu suas compreensões a outros diversos aspectos sobre a Umbanda.

Eu nasci na Bahia, mas fui criada aqui. Meu pai batia tambor, minha mãe era evangélica, mas depois que eu cresci ela abandonou e entrou no ritmo. Nós realizamos esta festa há oito anos. Antes era só uma pequena comemoração, então começou a festa a partir da Jandira, aquela minha filha de santo da Dona Jurema. Então ficou a festa de Seu Zé Pilintra e da Dona Jurema. Seu Zé vem na minha cabeça há 26 anos. Mais velho só Seu Jacaúna, meu pai, que vem desde eu criança.

fotoSeu Pena Azul e seu cantar singular.


fotoSeu Boiadeiro e sua vigorosa voz.

Zé Pilintra é um catimbozeiro, era muito boêmio, em vida foi doutor, e era, quer dizer, é um malandro. Ele faz trabalho de cura, de demanda, ele é um curandeiro. Muita gente considera ele um Exum, mas ele não é um Exum, ele é um esquerda.

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Ô pisa caboco, quero ver você pisar

Ô pisa caboco, quero ver você pisar

Na pisada do caboco pra poeira levantar

Na pisada do caboco faz poeira levantar

À esquerda, seu Surrupira. À direita, Mãe Zelca com seu Pena Verde.

Hoje eu vejo a questão da religião como uma verdadeira libertação, porque antes a gente vivia escondido, se escondendo, não podia fazer isso, não podia fazer aquilo, porque se o vizinho estivesse do lado já era ‘macumba’. Hoje nós começamos a ser vistas como pessoas tradicionais dos terreiros. Antes a gente tinha vergonha, tinha medo, alguém podia denunciar. Hoje nós somos livres, assim como os evangélicos, como os católicos, desde que a gente respeite o direito de cada um.

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Umbanda não é ritual. Umbanda é espiritismo. Umbanda é amor. A gente faz o terreiro ser animado. Não existe tristeza aqui, não existe maldade. Onde há malícia é que existe tristeza, desilusão. Aqui, não. Aqui nós somos alegres, nós somos felizes, porque somos umbandistas. Aqui é animado; ainda mais quando o Gilson entra, todo mundo tem que ficar alegre. Nós trabalhamos juntos há muito tempo.

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Meu navio está no porto

Enfrentando a maresia

Já chegou a bela turca

A donzela da Turquia

Elielza, com seu Martín Pescador.

Nós éramos livres, mas éramos uns livres presos, hoje nós somos livres libertos. Mas tem muito preconceito ainda no Brasil, mas tem muita coisa pra gente vencer. Nós estamos no começo do caminho ainda. Mas com altos e baixos, com pedra no caminho a gente chega lá.


Pai João, apreciando à esquerda.

Que as pessoas acreditem mais, que as pessoas procurem compreender, entender e conhecer. É conhecendo que a gente pode falar, senão a gente vai sempre achar que é ritual, que estão fazendo macumba pros outros, e não é assim. A gente só faz coisa boa, a Umbanda é paz e amor. As pessoas discriminam porque não conhecem o que a gente faz. Eu espero que as pessoas possam conhecer mais da nossa caminhada, todo mundo segurando na mão dos outros pra ver se a gente chega em algum lugar. Tem gente que inventa, que fica fazendo deboche, mas a gente não tem que ligar não. A gente tem fé no nosso Pai Oxalá e nos nossos guias trabalhadores.”

fotoÀ esquerda, Dona Mariana na cabeça de Mãe Selma.

Seu Marinheiro na cabeça de Pai Carlos.

Seu Gilson, que acompanha Mãe Maria há muitos anos e comanda o tambor, sendo amado por todos da casa, como explica Mãe Maria, nos falou também de seu Zé e de algumas histórias que são divulgadas, como a história que circula na internet de que Zé Pilintra teve uma rusma com Lampião por causa de Maria Bonita.

Essa história de que Seu Zé Pilintra tinha brigado com Lampião por causa de Maria Bonita é só folclore, não existe isso não. A única mulher de Zé Pilintra foi Rosinha. Mas malandro naquele tempo significava outra coisa, era que ele gostava de jogo, mulheria, gostava de dançar, fazer seresta, esse negócio todo. Ele teve várias mulheres, mas Rosinha foi a mulher que ele amou. Essa história de Maria Bonita não procede. Quem ele conheceu foi Rosinha, na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, a mulher que ele amou, porque ela também era uma mulher de jogo de bar, vivia bebendo, vivia jogando, fumando, então eles se deram bem. Essa história o pessoal acha bonito e sai espalhando.



Muitas pessoas acham que Seu Zé Pilintra é uma coisa que ele não é; ele é uma pessoa muito experiente. Tem pessoas que misturam as coisas, porque ele é muito alegre, e sempre foi. Antigamente, quando a pessoa tocava violão, gostava de seresta, gostava de jogar, chamavam de ‘malandro’. Ele gostava disso tudo, gostava de mulher, isso não é defeito, ele era um homem mulherengo. E ele é um ótimo guia, uma ótima entidade, que ajuda a todos que procuram ele. Todas as pessoas que procuram ele, graças a Deus, sempre tem êxito. A gente tem muita alegria com ele, quando ele chega anima todo mundo, ele sempre foi assim, sempre esteve aí para ajudar, para afirmar e fazer aquilo que pedem a ele. Ele aqui vem pra ajudar, pra curar, quando precisam dele.”

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E assim seguiu o maravilhoso tambor pela madrugada a dentro, onde todos os da casa e todos os convidados viram a manifestação do sonoro, colorido e espiritualizante culto da vigorosa afro-religião e assim prosseguiu até o raiar do dia. Tudo em comunhão, em paz, alegria, felicidade, com todo o axé do terreiro de Mãe Maria…
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●●●CENTRO ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO●●●

Mãe Maria do Seu Jacaúna

Beco Cel Bolsinha, nº 119 — Zumbi I (Manaus-AM)

Fone: (92)9122-2612

DERRUBADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO NO TERREIRO DE MÃE MARIA

O meu São Sebastião
Fostes preso e amarrado
Livrai-nos dos inimigos
Que nos traz acorrentado

fotoClique nas imagens para ampliá-las.
Todo ano no Dia de São Sebastião, depois de vários rituais internos, há a festa para derrubada do mastro de São Sebastião, que na Umbanda é tido no chamado sincretismo por Oxóssi, o santo das matas, o caçador, que traz as caças e as frutas, para que todos os filhos vivam em fartura durante todo o ano.

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fotoAê, meu pai orixalá

Aê, meu pai orixalô

Vamos festejar nosso reinado

Que é feito de paz e amor

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E assim chegou o tempo de derrubar o mastro no Centro Espírita Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como o Terreiro de Mãe Maria do Seu Jacaúna, lá no bairro Zumbi dos Palmares. Foram feitas as rezas em uníssono, os pedidos particulares e com as bênçãos de São Sebastião e de Oxóssi todos correram a pegar as deliciosas e santificadas frutas, bebidas, bombons e outras guloseimas.

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E que terreiro animado é o Terreiro de Mãe Maria! Após a derrubada do mastro, todo mundo voltou para o salão e o tambor continuou, com a presença de diversos cabocos e cada vez chegando mais para receber as saudações de todos os presentes e abençoar a todos que ali se encontravam em comunhão espiritual, reunidos na força e no calor da Umbanda boa, da Umbanda de fé…

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Eu venho de tão longe

Sem conhecer ninguém

A procura de uma rosa

Que a roseira tem

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Então chegou um dos pontos altos do ritual. A distribuição da “jurema” para os filhos da casa, para os cabocos, para os convidados, para todos que quisessem beber a bebida sagrada, bebida medicinal para o corpo e para a alma. E todos quiseram, alguns porque já conheciam a deliciosa jurema, outros porque queriam conhecer…

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Eu vou beber minha jurema

Dê no que der

Lá no pé da juremeira

Dê no que der

Se a jurema for boa

Dê no que der

Aqui mesmo eu bebo

E aqui mesmo eu caio

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Caboco bebeu Jurema

Caboco se embriagou

Na folha do mesmo pau

Caboco se levantou

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Se a jurema for boa? Maravilhosa a jurema. O terreiro ficou mais animado ainda depois do calor e da saúde do corpo e alegria para a alma que a santificada jurema trouxe a todos. Um tambor continuou sem parar, enquanto os cabocos e demais entidades preenchiam o tempo com suas vozes melodiosas e o espaço com suas danças vigorosas…

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Aqui a Mãe Pequena da Casa e as três cavaleiras de Oxóssi, que, com dedicação, estão entre as principais responsáveis pela beleza dessa maravilhosa festa.

Caiu uma folha da Jurema

Veio o sereno e molhou

E aí veio o sol enxugou, enxugou

E a jurema se abriu toda em flor

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Tremer, tremer

Eu vi terra tremer

Tremer, tremer

Eu vi terra tremer

Eu vi terra tremer

Eu vi terra tremer

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●●● CENTRO ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO ●●●

Mãe Maria do Seu Jacaúna

Beco Cel Bolsinha, nº 119 — Zumbi I (Manaus-AM)

CURSO DE CAPOEIRA NAGÔ EM MANAUS

SEU PENA VERDE NA ABERTURA DO TERREIRO DE PAI JOEL

Eu tenho Sete Espadas pra me defender
Eu tenho Ogum em minha companhia
Ogum é meu Pai, Ogum é meu guia, Ogum é meu Pai
Eu vivo com Deus e a Virgem Maria

fotoClique nas imagens para ampliá-las.

E mais uma vez o ‘casuá’ de Pai Joel de Ogum, que é conhecido como o Pai Joel do Zé Malandro, estava organizado para mais uma festa, mais um ano que se inicia, trazendo as obrigações internas de toda casa de culto afro-brasileiro, assim como os trabalhos para o povo e as festas públicas, como essa que foi uma festa para Seu Pena Verde e foi a festa de abertura das atividades da casa.

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Como sempre, a festa começou animada e na força da corrente abençoada as rezas preencheram o ambiente com alegria e devoção dos filhos da casa, de todos os convidados, todos os presentes.
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Sou filho de Umbanda, tô chegando agora
Saravá Ogum, Iemanjá, minha senhora
Filhos de umbanda salvem a estrela guia
Salvem os pretos-velhos que chegaram da Bahia
Vou bater cabeça no pé do congá
Vou pedir axé pra Ogum e Iemanjá


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Nessa atmosfera, Seu Zé Malandro veio logo para animar mais ainda a festa com seu gingado suave e ligeiro, cada vez mais apurado, de velho sambista da Mauá, enquanto presenteava a todos com suas rezas e seus sambas.
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Seu Zé conversou com este bloguinho e fez sua avaliação do ano passado e distribuiu suas bênçãos aos filhos, aos presentes e todas as pessoas que cultual ou simpatizam com os cultos afro.

Só tenho a agradecer pelas coisas boas que aconteceram. Esse ano começou meio difícil, mas vamos vencer, porque quem tem fé tem tudo, quem não tem fé não tem nada. Eu espero que Oxalá abençoe todos os filhos esse ano, dando paz, saúde, firmeza, sabedoria, tranquilidade, que eles estejam presentes, praticando a sua caridade. Que Oxóssi dê muita fartura! Que senhor Ogum, que rege nesta casa, abra todas as portas para que cada filho, presente ou ausente, entre em caminho correto. Que senhora Oxum, que é o segundo santo da casa, dê riqueza a todos, principalmente riqueza espiritual, que é mais importante para a gente conquistar tudo de bom no nosso caminhador.”

fotoO explendor da Caboca Brava, na cabeça de Giuliana, filha carnal de Pai Joel


Caboco mora na folha
Na folha ele se criou
Caboco cresceu na folha
Na folha se batizou


Seu Pena Verde, o homenageado da festa, com Seu Zé ao lado

Enquanto diversas outras entidades vinham chegando, Seu Zé, numa descontráida conversa que tivemos com ele, compartilhou sua sabedoria, brindando-nos com dois aforismas, dois provérbios de sua lavra da malandragem…

Malandro que espera defunto morrer pra ganhar o sapato é melhor andar descalço.

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Os galos que cantam hoje ainda ontem eram ovos.


fotoSeu Mineiro chegando com todo o seu vigor

E então o terreiro já estava repleto de diversas entidades, que se revezavam à frente do tambor para receber os aplausos dos presentes e distribuir as bênçãos a partir de seus pontos cantados com ritmo e axé.


Ao lado de Seu Pena Verde, Marinheiro Júlio vem pela praia


fotoSeu Mineiro, Marinheiro Fernando e Dona Mariana

Seu Flexeiro me disse que na sua aldeia não falta caboco
Seu Flexeiro me disse que na sua aldeia não falta caboco
Ele pisa e no rastro do outro o caboco
Ele pisa e no rastro do outro o caboco

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Seu Flexeiro ao lado de Seu Mineiro
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Então chegou a hora de todos cantarem e exaltarem a bravura de Seu Pena Verde na cabeça de Elenice de Iemanjá.
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E Seu Pena Verde passou ao ritual em que todos acendiam uma vela e recebiam, segundo sua escolha, uma de suas frutas. Enquanto isso, colocamos as palavras de Elenice sobre seu pai.

Tem cinco anos que eu trabalho com meu caboco Pena Verde, e também sou feita no santo há dois anos, como filha de Iemanjá. Esse caboco rege a minha cabeça na linha de Oxóssi. Seu Pena Verde é um índio, é um caçador, é um caboco muito conhecido dentro desse Amazonas. Agora estou aqui no terreiro do Pai Joel, trabalho com cura nesse roçador.”

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Eu sou índio
Eu sou índio
Caboco da pena real
Eu sou caboco Pena Verde
Eu sou índio
Pena de arara real

fotoCaboca Ita escolhendo sua fruta predileta



●●● PAI JOEL DE OGUM ●●●

Rua São Marçal, nº 619 — Cidade de Deus (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9142-8873

BARQUINHAS PARA IEMANJÁ POR UM ANO BOM

Retira a jangada do mar

Mãe d’Água mandou avisar

Que hoje não pode pescar

Que hoje tem festa no mar

Ela é, ela é Rainha do Mar

Traz pente, traz espelho, ôôôô

Traz flores, traz perfume, ôôôô

Pra ela se enfeitar”

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Como ocorre em todos os finais de ano, o lugar na Ponta Negra denominado Prainha, em Manaus, fica completamente povoado por diversos congás de religiões afro, assim como também por diversas manifestações individuais e familiares, todas como oferendas para a mãe de todos as entidades, a Rainha do Mar: Iemanjá!
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Os atabazeiros e ogans já puxam o ponto na batida do tambor, e a roda já vai sendo organizada. Também a areia é preenchida por muitas e diferentes imagens, como pode se ver na oferenda do congá de Pai Cristiano (foto acima), que vem lá do Santa Etelvina. Conversamos com seu Roxo, acompanhado sempre do ogan Fumaça de Xoroquê, filho de Pai Lídio de Salvador. A roda estava animada e todos os filhos cantavam com devoção, chamando a senhora que receberia nesta noite a oferenda de todos, e com certeza abençoará os filhos que prestaram tais homenagens aquela que é conhecida como a doce Iaba.

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Maré, maré, maré, maré…

Cheguei agora na maré vazante

Não trouxe ouro nem diamante

Mas trouxe a força que meu pai me deu”

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O ritual de enviar as barquinhas carregadas de joias, bebidas, velas, comidas e muitas outras coisas. As oferendas a Iemanjá são uma das mais populares manifestações religiosas de todo o Brasil. É por isso que no decorrer da noite assistimos a Prainha ficar cada vez mais lotada de pessoas, algumas fazendo suas preces à beira do Rio Negro, outras cantando e preparando suas oferendas dos mais diferentes modos.
foto“Sou uma cigana marabaia. Sou de uma tribo de ciganas; porém, não sou cigana. Quando eu nasci fui rejeitada por pai e por mãe. Fui jogada numa aldeia de ciganos, onde uma cigana feiticeira com um cigano velho me pegaram pra criar. Me ensinaram tudo dessa vida: o que é encantamento, o que é bruxaria… Mas como nós espíritos sabemos que a cada bondade que nós fazemos é um degrau na evolução espiritual que nós subimos, e a cada maldade que fazemos são trinta degraus que descemos na evolução espiritual, então na virada dessa lua, todos os anos eu venho até essa praia pra fazer os meus ‘trabrocos’, trabrocos pros meus filhos, pros meus clientes, pros meus consolentes. Eu vou arrear uma mesa cigana para a fartura, para a abertura de caminhos, felicidades, trabroco também para trazer amor, porque nesse mundo do pecado está faltando amor, só é guerra, destruição, preconceito. O senhor sabe que o povo do Candomblé, da Umbanda, Quimbanda, o povo espiritualista é muito discriminado. Mas nós estamos ‘a cá’ não para fazer o mal, mas sim para fazer o bem.” (Cigana Rosa)
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fotoEste bloguinho conheceu Mãe Socorro, lá da Cidade Nova II, que levou seus filhos e filhas de santo para fazer um verdadeiro toque ali na areia. Conversamos com Dona Joana Gunça, na cabeça da mãe de santo, que deixa para o povo manauara sua alegria e seu axé.

“Eu sou uma caboca das águas, filha de Minha Mãe Iemanjá. Eu peço para todos que Pai Oxalá ilumine a vida de todos, que traga suas bênçãos, proteção, paz, amor, para que todos aqueles que têm algum obstáculo, que possam ultrapassá-lo. Que a vida seja boa para todos. Que venha por essas águas tudo de bom que essa cidade necessita para ficar bonita e boa. Que todos possam realizar aquilo que precisam, tudo aquilo que mais desejam em suas vidas e para a vida de seus próximos, e venham ter fartura, com muita paz, com muita luz, com muita firmeza e com muita segurança. Que Iemanjá e meu Pai Oxalá abençoe a todos que lhes têm fé e que buscam a harmonia com os santos e também com seus irmãos aqui na terra. Axé para todos!” (Dona Joana Gunça)

fotoUbirajara quando chegou

Não temeu a caboco nenhum

Ubirajara é caboco brabo

Não teme a caboco nenhum”

fotoNas andanças pela Prainha, encontramos ainda um grupo de duas formadas e quatro estudantes de Ciências Sociais, que foram se reunir para conversar, discutir as questões políticas da cidade de Manaus. Três delas falaram lucidamente a este bloguinho intempestivo, sobretudo na crença de um bom governo Dilma e sobre o vazio da política amazonense.

Estamos fazendo uma reunião de final de ano. Uma retrospectiva sobre o ano que passou e uma perspectiva para esse próximo ano. O fato bom é que pela primeira vez o Brasil vai ser comandado por uma mulher. Esperamos que ela faça um bom governo, e que seu governo não se reflita apenas ao Brasil, mas em todo a América Latina e também em países de outros continentes que dependem da relação com o Brasil direta ou indiretamente. No caso do Amazonas, está complicado. A gente espera que venha a ter realmente políticos, que venham a aparecer realmente políticos que entendam de diplomacia, de relações públicas, de política…” (Saadya)

fotoO que a gente a desejar é que a futura presidenta faça um bom governo, porque as consequências do governo será para todos, tanto de quem votou quanto de quem não votou nela. O que eu desejo e acredito que vai acontecer é que ela tenha muito discernimento no que ela vai fazer e que ela faça um bom governo.” (Beatriz)
fotoEu espero que nesse ano os políticos olhem e tratem melhor o Amazonas. É um absurdo a gente viver de forma precária como muita gente vive, sabendo que nós temos um polo industrial, temos esse PIB, temos essa água, a natureza. Então é preciso que nós mesmos, amazonenses, valorizemos mais a nossa terra.” (Ellen)
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Encontramos também seu Joãozinho das Praias, que já conhecíamos lá do terreiro da Mãe Maria do Seu Jacaúna. Seu Joãozinho deixou suas palavras ao povo da terra.

“O que eu vou dizer não posso dizer que é mensagem; mas também não posso dizer que é conselho, porque é difícil o povo aceitar conselho. Esse vindouro é um ano de conquistas que tá chegando. Iansã e Iemanjá vão reger, e vão reger com a força do tempo, com a força das águas. O tempo não espera, ele passa, ele vai embora. E como você vai acompanhar ele? A água também não espera, ela passa e vai embora. Não tem duas águas iguais. Então é um ano de conquistas, é um ano para por o pé no chão. É um ano para correr atrás do que você quer. Corram que vocês vão conseguir. E que a bênção de nosso Pai Oxalá ajude vocês.” (Joãozinho das Praias)

fotoSeu risca estava lá e comandou a entrega da barquinha e dos presentes para a Rainha dos Peixes para trazer suas bênçãos a todos ali presentes.

“Esse povo, eles tem irmandade, principalmente o povo macumbeiro, porque se não existir irmandade entre eles não cresce. Todos temos que crescer, mas só crescemos juntos, respeitando uns aos outros, respeitando a vida espiritual, repeitanso todos os orixás, todos os cabocos, todas as entidades seja de que religião for. Ninguém é mais do que ninguém. Só quem é mais que o pecador é Deus. Os trabalhos na cidade estão muito formosos. Que Senhora Iansã, Senhora Iemanjá, Senhor Ogum e Exu tomem conta da estrada de todos e guiem todos pelo caminho do bem.”

fotoE eis que chegou a hora de conversar com o festivo, bem humorado e arguto caboco Sibamba, na cabeça de Pai Jeovano de Ajagunnon, como fazemos há três anos. Então, vai aí a conversa enquanto se acompanha com imagens das preparações para enviar as belas barquinhas a Iemanjá.

“Comigo o negócio é festa, ‘visse’? Eu não trago bênção não, meu filho. Eu trago é sacanagem, só pra frescar. (Brincadeira, seu minino). Esse ano foi muito bom pra meu filho. Esse ano saíram no terreiro de meu filho mais três que se tornaram pai de santo, mãe de santo, que eu não entendo muito disso não. Se fosse pra caçar, a gente comia, que eu sou arretado, da gota serena. Sou cearense, gosto muito disso [cachaça]. Foi um ano muito próspero para todo o povo. Na casa de meu filho foi um ano muito bom. Quem esteve lá percebeu, quem está aqui tá vendo. Ano bom. E esse ano que entra vai ser ainda melhor. É só ter fé e lutar por aquilo que deseja. Mas num é? Tudo pode acontecer quando se busca.

fotoAno que vem vai ser maravilhoso, principalmente para as mulheres solteiras, que terão muitos homens. Não falo mentira não, seu cabra. Não venho aqui pra fazer sacanagem com ninguém não, apesar de eu ser sacana. Esse ano vai ser bom, a cidade vai mudar. Vai ser boa mesmo, arretada. Vai ser bom pra essa mulher [Dilma] que entrou aí também. O povo vai começar a respeitar ela. Esse ano é principalmente das mulheres. Os macho vão gritar pouco, e se gritar a mulherada lasca-lhe o cacete.
fotoO povo dessa terra aqui tem que deixar passar um pouco a fluidificação do próprio ser humano. O povo daqui tem que abrir os olhos para preservar isso aqui bonito. O povo precisa preservar mais, não deixar isso aqui virar uma nojeira só. Hoje em dia certos cabocos que vinham pra fazer serviço, pra trazer prosperidade, hoje em dia nem chega mais nessa terra. Sabe por que, meu filho? Porque tá tão poluído que se ele vier vai se lascar todo. O povo tem que olhar. A própria encantaria está pedindo socorro. O povo tem que entender que Sibamba só tem aqui nessa terra, nem no Ceará, em nenhum lugar mais. Dizendo o povo do antigo, o que ‘bebo’ fala não se escreve, mas se medita. Eu sou Sibamba, sou feiticeiro, catimbozeiro do Ceará. Sou rei de anginco. Agora eu vou é curimbá, que o melhor de um caboco é curimbá.”
fotoÓ abre as águas, abre as águas

Deixa seu navio passar

Um marinheiro de bordo

Não nega seu natural”

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fotoDando continuidade, trazemos Pai José dos Santos, que vem lá do São Francisco, para trazer as bênçãos de todos os orixás e distribuir seus banhos aos seus queridos filhos e convidados.

“Eu só tenho primeiramente agradecer acima de tudo ao povo que vieram, porque tem confiança em nosso trabalho. Que esse ano que entra, para cada um que reside nessa cidade, seja melhor cada vez mais, com prosperidade para cada um. Nós tamos trabalhando hoje aqui nessa praia, nós rezamos hoje dentro dessa praia para pedir não somente para aqueles que estão aqui, mas também para aqueles que não estão, mesmo para os que não são de nossa religião. Na nossa religião isso vale. Esse ano vai ser um ano bom, um ano de muita prosperidade. Não vai ser só um ano bom, vais er o melhor ano para cada um. Esse ano que passou teve uns altos e baixo, mas foi bom. Esse outro vai ser, pelo que nós vê, vais ser melhor ainda. Nós não podemos é querer uma situação para enricar do dia pra noite, para matar nossos inimigos, mas sim para prosperar, ser uma pessoa de bem.” (Seu Zé Raimundo)

fotoComo faz todos os anos, Mãe Sandra, com sua angeologia, foi também fazer sua bela oferenda, e conversou sobre seu trabalho que continua em seu Congá, na Cidade Nova.

“Eu tenho muito que agradecer esse ano, que foi maravilhoso. Teve o nascimento da minha sobrinha e depois da minha neta. Eu tô muito feliz com as concretizações que nós conseguimos. Como eu já falei: você tem que buscar para concretizar. Não adianta, seja você de qualquer templo, qualquer religião, que você espere das pessoas, você também tem que fazer. Você tem que correr atrás do que você almeja pra poder se realizar como um todo. Eu espero que esse ano, que vem na proteção de d’Oyá, Nossa Mãe Iemanjá, que reine o melhor para todos. Para aqueles que buscam, seja o amor, seja alguma coisa material, tudo. Eu desejo um ano especial para todos.”

fotoE assim as manifestações, as oferendas a Iemanjá passaram da noite ao dia, ininterruptamente até a virada do Ano Novo. Com certeza a Mãe de Todos os Santos abençoará aqueles que com devoção e alegria…

Saia do mar, linda sereia

Saia do mar, venha brincar na areia

Saia do mar, sereia bela

Saia do mar, venha brincar mais ela”

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A ABERTURA DO ILÈ MAROKETÙ BABA MI ASÈ POSSÙN

fotoClique nas imagens.

E os cultos afro em Manaus estão cada vez mais bem representados, principalmente agora que babá mi Jefferson ti Òsáàguíán, realizou a esperada abertura de seu Ilè Maroketù Babá Mi Asè Possùn, a mais nova casa de Candomblé e Umbanda da cidade.

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Residindo em São Paulo, tendo já vários filhos na casa de sua mãe, Pai Jefferson construiu em Manaus amizade com outros axés da cidade, como a casa de Mãe Isabel Oyá, onde outra vez realizou uma festa para Xangô, e a casa de Pai Frank de Obaluaê, entre outras. Finalmente ele veio fazer o assentamento de sua casa para engrandecer ainda mais a comunidade do santo manauense e brasileira.
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Descendente de uma linhagem nobre dentro do santo, Pai Jefferson é neto de Mãe Minininha do Cantuá. A mãe de santo dele, Mãe Juju, é filha carnal do Babá Tobé Nezinho do Portão, o homem que dava comida à Insã de Mãe Minininha. Foi também Pai Nezinho do Portão que abriu o terreiro da conhecida Mãe Cacho e, em São Paulo, o Ilê Maroketù Oxum, de Mãe Juju. Agora Pai Jefferson aumenta a família do Cantuá e do Moritiba.
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Pai Jefferson explica que embora ele more oficialmente em São Paulo, a casa vai ficar aberta não apenas para o Candomblé, e que serão feitas outras atividades e obrigações regulares no Maroketù. E apresentou como padrinho de axé da casa seu Aloizio, o famoso Pai Lulu, que ficará responsável pela casa em sua ausência e que presidirá os rituais de Umbanda.


Agora que a casa foi aberta, eu tomei uma providência, porque eu moro em São Paulo, mas a casa tem que ficar aberta para outros trabalhos, e não só quando eu estiver aqui. A casa tem que tocar pro seus catiços, seus encantados, seus guias, quem eles quiserem chamar. Então meus filhos poderão tocar aqui quando quiserem e o tempo que quiserem. Então eu chamei uma pessoa, Pai Lulu, que é pai carnal da Jacqueline aqui, para que quando vocês ouvirem dizer que o meu terreiro tocou sem minha presença, é porque tem um padrinho, que eu estou dando autorização pra ele. Ele vai tocar Umbanda nesta casa quando eu não estiver, e eu vou tocar Candomblé quando eu estiver.

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Então alguém pode dizer que o Xandeco tá batendo o tambor aqui. Não. O responsável é esse senhor aqui que todos sabem que tem muitos e muitos anos de Umbanda. A mãe carnal dele já era da Umbanda. Algumas pessoas que foram na casa dela me falaram do respeito que esse senhor tem e a mediunidade bonita que ele tem. Isso é muito bonito, porque se nós do Candomblé tivéssemos o axé que a Umbanda tem, pelo menos lá em São Paulo, isso já seria uma vitória. Não seria essa briga de igreja que há com a gente. Então esse senhor vai poder tocar quando ele quiser, e fazer as obrigações que ele quiser dentro da Umbanda.”
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E o Moroketù já começa com a obrigação de três filhos de santo de Pai Jefferson e mais a saída de dois filhos novos. Bem humorado e bom conversador, o babalorixá falou das singularidades dessas saídas.

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Temos aqui cinco yaôs para esta casa. Fui eu que os fiz. Então, eles irão poder dizer que são filhos de Jefferson ti Òsáàguíán. Jacqueline aqui foi feita na casa de um outro pai de santo daqui, mas hoje é ekédji do meu Òsáàguíán. Algumas pessoas aqui me perguntaram, quando eu disse que esse filho dela aqui era “abíasè”. “Abíasè” é quem nasce dentro do roncó. Está aqui esse menino, filho dela. Graças a Deus eu tenho tempo para fazer isso e idade. Ele se chama Vinicius e tem três anos de idade. A idade dele é a idade dele no santo. A Jaqueline recolheu-se grávida.
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Alexandre, mais conhecido como Xandeco, todo mundo conhece aqui. Foi feito aqui em Manaus. Foi feito yaô, mas sem o santo baixar na cabeça dele. Foi pra São Paulo, achou um pai de santo mais abusado. Trouxe o santo à cabeça dele. Fui eu. Ele está fazendo três anos. E, graças a Deus, por opção dele, ele tá respeitando a idade dele como yaô. E vai continuar como um yaô até tomar o ‘odu igé’ (sete anos) dele.”
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Além destas três obrigações, houve também as saídas dos yaôs dofonitinho Roberto de Oxóssi e dofono Afrânio de Ogum. Quando estava levando os yaôs para a primeira saída, Pai Jefferson falou que seus orixás saíam acordados, e citou vários exemplos. Depois o ogan Betinho de Oxalá, axogun do Maroketù (foto acima), explicou-nos com mais detalhes esse procedimento.

No terreiro de Pai Nezinho, assim como no Axé Cantuá, no Axé Moritiba não se tira o yaô logo de saída incorporado, porque a gente acredita que nasce a pessoa e não o orixá. O orixá já existia há nove mil anos antes de Cristo. O orixá está apenas nascendo para a pessoa, mas ele já existe, você só tira da natureza. Então o yaô sai acordado, como axé régi, dança todo o ‘xirê’ acordado, quando chega na hora de dançar pra Xangô, que é o rei, que tem a coroa e que trouxe os demais orixás do ‘orun’ (céu) para o ‘ayê’ (terra), através do baobá, a árvore sagrada. Então o orixá vira em Xangô justamente por isso. Então, sai acordado, dança o xirê inteiro acordado, quando chega na hora de dançar pra Xangô, é que o orixá vem e chega no yaô, que sai então para dar o oruncó, e depois sai para o ‘run’.”

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Então foram escolhidos os padrinhos dos yaôs, que os levaram para revelar o oruncó. Dessa parte, Pai Jefferson ordenou que não podíamos fotografar nem gravar, por isso só assistimos. Mas em seguida, devidamente paramentados, os orixás vieram para fazer suas apresentações de luxo, e já podíamos registrar suas grandiosidades.



Então o ogan Alex puxou o xirê enquanto, enquanto sua esposa, Lenita, tendo na cabeça a bela Oyá, fazia seus desenvolvimentos no salão, enquanto Mãe Isabel abençoava a alegria de seus filhos no salão.

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Em seguida, Omulù, na cabeça do já citado Xandeco, veio distribuir suas conchas, fazendo seu ritual de cura contra a doença e a morte e distribuir suas pipocas, suas bênçãos a todos os presentes.

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Tinha também Iemanjá, que, com todo seu esplendor e sabedoria, dançou no salão, recebendo as saudações dos presentes e estendendo suas bênçãos a todos.
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Finalmente, como não podia faltar numa magnífica festa como essa, a comida do santo foi distribuída e estava deliciosa, e assim a festa foi bonita até a madrugada…

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●●● ILÈ MAROKETÙ BABA MI ASÈ POSSÙN ●●●
– Bàbálórisá Jefferson ti Òsáàguíán –
Rua Rouxinol, nº 1040 – Campos Sales (Manaus-AM)
Tel: (92)9609-3636 // 8132-4446

ABERTURA DO ILÈ MAROKETÙ ASÈ POSSÙN – CONVITE

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PELA LIBERDADE DE CULTO ÀS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Seu doutorzinho quer que chame de doutor
Seu doutorzinho quer que chame de doutor
É duvidoso, cativeiro acabou
É duvidoso, cativeiro acabou
Branco sabe ler, também sabe escrever
Só não sabe dia em que morre
O preto é quem vai dizer!

Em memória ao Pai Francisco do Morro da Catita, com seu Umbandão pé no chão, que foi para o Orun no início desse ano.

Uma das principais questões hoje no Brasil, como ficou visível nas últimas eleições, é a defesa da liberdade religiosa, é a defesa constitucional do Estado laico que é o Brasil, onde se pode, segundo a lei, desde que não se ofenda a outrem, cultuar a religião que se quiser: Cristianismo, Budismo, Hinduísmo, Xamanismo, Agnosticismo, Espiritismo, Candomblé, Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô…

É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” (Constituição, Art 5º-VI)

Quem não quiser também estará livre para não cultuar nenhuma: Ateísmo. E há no Brasil até quem invente novas formas de religião a partir do que venha a ser religião e da importância de se cultuar uma religião. No emaranhado de interesses mesquinhos em que se consagram todos os sistemas de todas as eras, praticamente todas as religiões se jogam na busca pela Verdade, seja para auto-aperfeiçoamento, seja como direcionador de ações. Atualizemos filosoficamente a questão em Aldous Huxley, quando ele trata a religião como sendo um filtro para conhecimento da realidade, ou no sentido de “ver o íntimo das coisas”, como diz Nietzsche sobre a poesia. Assim, mesmo alguém que se diz ateu pode estar imbuído de religiosidade.

Que lindo! Poderíamos até dizer que foi assim que Jesus Cristo, o palestino, sonhou. Mas por que a intolerância gera tantos conflitos que até se gerou um leniente ditado que diz que “religião e política não se discute” quando, ao contrário, quando a religião sai da esfera do foro íntimo – crença individual – e adentra à esfera da coletividade – persuasão política -, tem-se que se discutir? Elementar: é que grande parte das religiões, principalmente as chamadas Grandes Religiões, se emaranharam a mesquinhos interesses. Por isso que, no Brasil, dentre as inúmeras formas de discriminação que constituem o racismo está a intolerância religiosa aos cultos afro.

Para se perceber as discrepâncias que daí resultam sobre as religiões afro, basta observar um fato ocorrido numa das escolas onde a AFIN, de quem este bloguinho é vetor virtualizante, foi fazer sua explanação com o tema que vai no título deste texto. Acontece que se um adepto de uma religião cristã procura uma escola, fato corriqueiro em Manaus, para “pregar a palavra do Senhor”, ninguém chega sequer a aventar uma falta de “interesse público”, como prevê a Constituição, de catequização religiosa em espaços públicos; agora se o pessoal da AFIN aparece com um pai de santo, e neste caso com “interesse público” comprovado, e sem catequização, mas sim discutir a autenticidade das religiões afro e desfazer certas estigmatizações, há professores que protestam e ameaçam se retirar. Daí se percebe que a laicidade do Estado não está sendo observada por parte de muitos cristãos.

Não fazemos aqui uma crítica ao Cristianismo em si, que acreditamos uma religião autêntica, mas à irracionalidade de adeptos individuais e de vis interesses que subvencionam essa religião desde pelo menos sua oficialização no Império Romano, quando tendências distintas, à época de Santo Agostinho, se engalfinhavam com palavras esdrúxulas, pedras e armas, até que uma dessas tendências prevaleceu pela força física mais do que ideológica ou de fé. Desde aí, passando pelas Cruzadas, pela Reforma Protestante, pela Contra Reforma, pela Caça às Bruxas, chegando até os dias atuais com a deprimente divisão do mundo entre Ocidente cristão e Oriente islâmico, vê-se uma epopeia sangrenta que pouco tem a ver com a simplicidade e ternura do filho de Maria.

Como o Cristianismo é a maior religião no Brasil, muitas igrejas e manifestações individuais demonizam outras religiões, julgando-as violentamente segundo seus dogmas irredutíveis. Em Manaus conhecemos budistas que se queixam do preconceito que sofrem. Quer dizer, não são apenas os cultos de matriz africana, mas como os adeptos dos cultos afro, tendo o Brasil nos negros uma das etnias de nossa formação, as condenações sumárias para estes é muito mais abundante e frequente, sabendo-se que só em Manaus há cerca de 3 mil lugares, entre terreiros, barracões e bancas, onde se cultua alguma religião de matriz africana.

Talvez isso não ocorra em todo o Brasil. Ouvimos seu Baianinho do Tambor de Mina, na cabeça de Pai Miguel de Vondoreji, do Terreiro da Fé em Deus, contar que no Maranhão há padres que rezam a missa e que depois vão ao terreiro e incorporam aí suas entidades. Mas em Manaus, e provavelmente em muitos outros lugares, a lista de estigmatizações é imensa. Semana passada ouvimos uma jovem dizer que “nos terreiros de macumba as pessoas bebem sangue”. É muito comum ouvirmos que os orixás, cabocos e voduns são demônios e que todos os macumbeiros vão para o inferno.

Com argumentos rápidos e certeiros, mesmo para nós deste bloguinho, que não somos diretamente adeptos dessas religiões nem antropólogos especializados, é fácil derrubar tais preconceitos aberrantes. Esses três anos de trabalho incansável, desde que num domingo à tarde baixamos no terreiro de Pai Jeovaņo de Ajagùnnọn, já nos levaram a entrar em contato com cerca de uns 100 terreiros e barracões e nos deram algumas informações necessárias para isso, ao que juntamos nossa filosofante vontade de amor e comunhão. “Os homens são diferentes, mas não desiguais, nem separados: são como os dedos da mão. Iká ko dogbá, os dedos não são iguais, diz um aforismo nagô”, declara o filósofo candomblecista Muniz Sodré.

Para começar, vulgarmente se utiliza a palavra “macumba” de forma pejorativa e generalizada. As pessoas que assim o fazem não sabem sequer que não existe apenas uma religião afro, mas diversas, entre elas o Candomblé, a Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô. Sem falar que os cultos afro congregam na verdade vários outros credos e entidades que não são propriamente de matriz africana, como as pombogiras, como os cabocos indígenas, o povo cigano, santos, anjos e até bruxas.

No Brasil, o caso mais curioso é a aproximação de santos católicos com orixás dos cultos afro, o que se denomina sincretismo. Como os escravos não tinham permissão para cultuar seus orixás, eles escondiam uma imagem deles entre os santos ou cultuavam algum santo que de alguma forma tinha característica que se aproximava de um orixá. Por exemplo, como a entidade por assim dizer maior católica era Jesus Cristo, então os negros relacionavam-no a Oxalá, seu orixá maior. Assim foi que Nossa Senhora da Conceição virou Oxum, São Sebastião virou Oxóssi, São Jorge virou Ogum, São Lázaro virou Obaluaê, Santa Bárbara virou Iansã e por aí vai.

Uma das maiores polêmicas ocorre na aproximação vulgarizada de Exu com o Diabo. Mas se percebe que essas aproximações são apenas providenciais; mas não, essenciais. Enquanto no Cristianismo o Diabo, o Satanás é tido como uma entidade terrível com a qual nenhum acordo deve ser feito, a não ser que se queira vender a alma ao capiroto, nos cultos afro Exu é o primeiro orixá a se louvar, sendo que é ele quem abre os bons caminhos e fecha a soleira da porta do barracão para o mau olhado. Hoje há também quem diga que Exu é na verdade o Espírito Santo. De qualquer modo, todos os adeptos dos cultos afro com os quais conversamos foram sempre unânimes de não levar a sério essa história de sincretismo, que, para eles mais auxiliaria na demonização de suas religiões, uma vez que prevaleceria, embora o Brasil sendo laico, a religião dominante.

Se observamos que uma religião como o Candomblé é muito mais antiga do que o Cristianismo, mais antiga até que o Judaísmo, e originada em uma outra realidade geográfico-política, como que ela poderia ser julgada por este? Só há uma forma: até hoje, muitos cristãos – não todos, claro – tendem a querer impor à força para as outras nações, para outras pessoas o seu credo como único e verdadeiro. Já houve muitos casos em que meios de comunicação usaram de truculência contra as religiões de matriz africana, e é por isso que existem hoje leis contra racismo e intolerância religiosa para punir as manifestações violentas e agressivas.

Em Manaus há entidades que lidam diretamente com a questão, como a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM), presidida pela querida Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, e a Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM), presidida por Pai Lairton da Oxum. A luta dessas entidades se faz também na medida de modernizar as práticas nos terreiros, como já explicou em entrevista neste bloguinho Pai Ribamar de Xangô, coordenador no Amazonas da Federação Nacional dos Cultos Afro-Brasileiros no Amazonas (FENACABI). Há ainda a Associação Movimento Orgulho Negro do Amazonas (AMONAM), presidida pelo companheiro Luiz Costa, que faz um trabalho diretamente nas escolas.

Mas há pessoas que, embora estando no “mais baixo grau de entendimento”, repetem estigmatizações ofensivos às religiões afro apenas por medo e falso misticismo, mas que merecem alguns argumentos que lhes faça abrir os olhos. “Ter os olhos abertos é derrubar as paredes divisórias das ditas raças, classes, crenças e conceitos. Apertar o Outro contra o coração como se fosse um membro de sua própria família é coisa digna só de gente” (Muniz Sodré).

Como já dissemos, as religiões afro congregam vários outros credos. E se há preconceitos de muitos cristãos contra as afro-religiões, não os há destas para com aqueles. “Agradeço a todos os orixás e a Nosso Senhor Jesus Cristo…”, é o que dizem praticamente todos os pais de santo. Em Manaus há vários centros que realizam festas católicas, mormente os que praticam Mina Jeje-Nagô, com direito a novenas, terços e cânticos hagiográficos. Transparece que o preconceito é mais arraigado entre os chamados evangélicos, mas também estes, além de não estarem acima das leis, devem aprender a con-viver com a diferença e perceber o Outro sem as barreiras extremistas do fanatismo.

Deixamos a melhor parte para o final. Como não somos adeptos, não estamos fazendo nenhum estudo antropológico sistemático, não ganhamos nada a não ser a bênção dos orixás, cabocos, voduns e outras entidades, uma pergunta sempre recorrente nos é colocada: “Você acreditam nisso?” O filósofo da Feira de Santana citado acima, numa entrevista de 2003, falando sobre Pierre Verger, explica que a palavra “acreditar” tem vários sentidos, entre eles “aceitar”, “confiar” e “dar crédito”. Um dos motivos que causam o medo que provoca o preconceito de muitos é o vigor das religiões afro e sua autenticidade. Para quem observou fotos e conversas que tivemos, alguém que nunca foi num terreiro, se souber olhar, verá uma pequeníssima demonstração de toda a beleza que vimos nessas noites inteiras acompanhando esses rituais. Sabe quanto conhecimento e ternura há numa conversa com um preto velho? Você já viu alguém mais alegre do que aquela pombogira? Onde já se viu cigana tão linda? Que harmonia no gingado das baianas! Tantos pontos, tantas rezas maravilhosas! E o que é para os ouvidos toda a musicalidade do tambor de mina? A voz daquele caboco lembra uma história que não foi contada pela História oficial…

O papel que nos propomos não é convencer ninguém, mas não nos repitam mais aquela pergunta tola. Lutar pela liberdade de culto às religiões afro-brasileiras é hoje no Brasil a principal luta contra o racismo e, ainda mais, é a defesa constitucional do Estado laico.

Nosso papel também não é convidar ninguém para ir ao terreiro, mas se quiser ir com certeza lá nos encontraremos, porque, livres de todos os medos e preconceitos, lá sempre nos sentiremos bem e completos de corpo e alma. Axé!

DIA DA CONSCIÊNCAI NEGRA: ATIVIDADE DA AFIN EM ESCOLA DE MANAUS

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Como se sabe, um dos trabalhos mais conhecidos e mais acessados deste bloguinho intempestivo é o trabalho realizado em torno das religiões afro-brasileiras. Daí que, em suas atividades em torno do Dia da Consciência Negra, a Escola Municipal Francisco Guedes de Queiroz, situada no bairro Tancredo Neves, na zona Leste de Manaus, convidou a Associação Filosofia Itinerante – AFIN para movimentar ontem (18) questões junto aos estudantes do turno noturno dessa escola. Um trabalho que a Afin vem realizando regularmente.

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Pra começar a atividade, foi exibido o curta-metragem Vista a Minha Pele, filme do diretor Joel Zito Araujo, realizado pelo Ministério da Educação (MEC) para auxiliar educadores no debate contra o preconceito racial. Causa estranhamento ao apresentar uma sociedade brasileira invertida, onde a classe dominante é a dos negros, sendo que os brancos foram escravizados e a grande maioria é pobre.

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A história gira em torno de Maria, uma menina branca e pobre, que estuda num colégio particular devido devido a uma bolsa concedida pelo fato de sua mãe ser faxineira da escola. Maria sofre muitas discriminações e segregações por parte dos colegas, menos de Luana, filha de um diplomata que viveu em países pobres, como a Inglaterra e a Alemanha. Uma das falas enunciativas do filme temos a que o pai de Maria diz: Há 500 anos seguramos esse país nas costas…

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A partir daí passou-se a uma conversa sobre as diversas formas de preconceito e discriminação apresentadas na sociedade brasileira e mundial, observando-se a linha dura que permeia todas elas e os pontos molares de distinção. Fixando-se uma conceituação clara sobre o que é e como se caracteriza o racismo.

Desmistificações e Afirmações das Religiões Afro-Brasileiras

Após a discussão sobre vários exemplos de discriminação racial, centramo-nos no debate em torno das religiões afro-brasileiras, detalhando algumas experiências nesses mais de três anos de trabalho deste bloguinho intempestivo sobre os diferentes tipos de cultos afro e as mistificações que muitas vezes sofrem.

Várias pessoas interviram com questionamentos e posições em todos os momentos, como o companheiro José: “Qual a forma de as religiões afro-descendentes cultuarem? Existe um local no qual as religiões afro cultuam suas entidades?

Conversamos sobre supostos motivos que podem levar uma pessoa à religiosidade, seja ou não de uma religião. Fizemos uma explanação da grande quantidade de formas de culto afro, que vão desde pessoas que cultuam individualmente em suas residências, outras que tem pequenas bancas, além de milhares de terreiros e barracões espalhados por toda a cidade de Manaus e todos os interiores do Amazonas. Citamos diversos exemplos na própria zona Leste, onde estávamos.

Outra questão importante foi a levantada pela companheira Sônia: “Eu gostaria de saber porque muitas pessoas dizem que os adeptos da Umbanda, do Candomblé vão para o inferno. Por quê, se somos todos filhos de Deus?”

Aproveitamos para afirmar que o nosso trabalho não é de ordem da catequização, mas da defesa da laicidade do Estado, que um dos motivos que nos levou a realizar esse trabalho foi justamente devido ao problema da intolerância religiosa que faz com que algumas denominações religiosas demonizem as religiões afro de forma errônea e leviana, neste caso considerado pela aluna, por exemplo, atrelado ao dogmatismo de religiões dominantes.

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Muitas outras questões surgiram e foram discutidas durante o evento, mas as companheiras acima já avisavam que o mata-broca, o ageum, como se diria na comida dos santos nos cultos afro, distribuída ao povo já estava pronta, então fomos pegar a canja numa comunhão religiosa, educativa, política.

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INAUGURAÇÃO DO ILÊ AXÉ ARAWÉ AJÚNSÚN NOS 14 ANOS DE PAI FRANK DE OBALUAÊ AJAGÚN

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Esta foi a festa ocorrida na inauguração do novo barracão de Pai Frank de Obaluaê Ajagún, o Ilê Axé Arawé Ajúnsun. Em Yourubá, da nação Ketu, “Ilê Axé” pode ser traduzido como “Casa de Força”, enquanto “Arawé” é o nome verdadeiro de Obaluaê, e “Ajúnsún” é um título que ele ganhou na África por ter vencido a morte. Significa “dorme e acorda”. “Obaluaê sempre vai acordar, sempre vai vencer a morte”, quem explica é Pai Frank, que também estava pagando sua obrigação de 14 anos de Candomblé.

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À frente dos trabalhos o reconhecido e respeitado Pai Ribamar de Xangô. Pai Frank agradece especialmente àquele que sempre esteve com ele: “Pai Ribamar é um homem que me deu muito axé. A mão desse homem me deu muito axé. Me tirou da rua. Quando eu cheguei na casa dele eu morava na rua. Então, saber que eu saí do nada e hoje sou dirigente de uma casa de santo dessas, isso é ter axé. E isso foi através de meu pai e de Obaluaê. Eu acho muito importante ter começado com ele e está até hoje com ele. E vou fazer com ele meus 21 anos. Vê-lo hoje nesta casa é muito gratificante.”

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Já Pai Ribamar, fez, com emoção, os agradecimentos e boas-vindas aos que estavam na Casa de Obaluaê: “Ogans, ekédis, babalorixás, toda a comunidade do candomblé, boa noite! Muito obrigado pela presença de todos! Todos aqui me conhecem. Sou Pai Ribamar de Xangô e estou aqui para realizar a obrigação do Pai Frank de Obaluaê, que por mim foi raspado, ocultado, catulado, levado pra sala pra dar o nome, rodado na sala. Eu estou aqui na festa dele de 14 anos e espero também estar presente na de 21 anos, principalmente que eu já estou com 75 anos de idade. Peço a Deus e todos os orixás muito axé, muita paz, muita saúde, muita prosperidade para todos os adeptos do culto afro-brasileiro. O momento é de alegria, satisfação e paz a todos, porque Deus abençoa a todos nós. Que Xangô, patrono do nosso axé, dono da minha cabeça, Oxaguiã, nosso pai, que nos ilumine, que nos dê força e prosperidade. Axé para todos!”

Acima, Pai Lairton de Oxum e, á esquerda, Ekédi Silvana de Obá, segundo Pai Frank, uma grande amiga, juntamente com Marcos de Odé, filho de Coifá.

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A sempterna elegância de Pai Raul da Oxum, juntamente ao Ogan Alessandro de Ogum e Ogan William de Oxalufã.

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Tivemos uma grande e importante conversa com Pai Frank sobre essa maravilhosa festa, à qual deitamos aqui para os adeptos e simpatizantes dos cultos afro apreciar a beleza das imagens e a sabedoria desse jovem, mas já experiente babalorixá.

Fiquei muito contente com todas as pessoas que vieram, meus irmãos de santo, outros sacerdotes que vieram, o próprio Obaluaê que veio em minha cabeça. Pela primeira vez em Manaus Obaluaê se vestiu, trazendo a qualidade dele, Ajagun, que é seu traje de guerreiro. As pessoas só veem Obaluaê como aquele que vem pra curar, e que também traz a doença, porque ele é muito rígido, castigador, é muito temido por todos nós, mas ele também é um guerreiro, e traz o luxo dele, porque Obaluaê é um dos orixás mais ricos, se não o mais, da nossa religião. Então nós trouxemos ele como ele deve ser tratado, como um rei, um guerreiro que luta pelos filhos, pra todos.

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Aqui a Dofona Lenita de Oyá (á direita), junto a uma irmã de santo e Mãe Isabel de Oyã. Pessoas importantes, influentes e respeitadas dentro da religião, e que Pai Frank diz ter se sentido muito satisfeito e orgulhoso com suas presenças.

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Eu escutei comentários de alguns irmãos de santo, do meu pai, que é um dos babalorixás mais conceituados no Amazonas, reconhecido em outros estados, como Bahia e Rio de Janeiro, que Obaluaê estava muito bem vestido. Porque muita gente veste Obaluaê com um pouquinho de palha aqui, um pouquinho ali e está bom. Eu peço que dá para o orixá é bom, porque receber dele é melhor ainda. A casa de Obaluaê tá bonita, e é porque nós ainda não finalizamos ela. Nós ainda temos mais coisas a fazer, por ordem dele mesmo, pois ele dirige a casa dele, manda as mensagens. Nós hoje pertencemos à família Opô Afonjá e consultamos o orixá pra tudo. Nada em uma casa de orixá, principalmente nessa casa, é feito sem autorização dele. As pinturas, os detalhes nas paredes, o que vai ser feito ainda lá em cima. Tudo é por ordem dele.

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Se você observa, não há um lugar pra ser humano morar. Tudo é dele. Acabam-se os rituais, a Casa de Obaluaê é fechada por fora e só é aberta às segundas-feiras e quartas-feiras pra consultas com outras entidades, para o comparecimento do público. No restante dos dias fica fechada, a não ser se Obaluaê ordenar alguma obrigação no sábado e domingo. Foi Obaluaê que fez a casa dele de um modo que eu realmente não esperava. Ele me mostrou o que ele queria, e ele pode, e ele fez. Foram seis meses sacrificantes, mas valeu muito a pena. O importante de tudo é que Obaluaê veio, mostrou pra todos a história dele através das rezas que meu pai Ribamar entoou, meus amigos, como o ogan Alex de Oxaguiã, que é do terreiro da Mãe Isabel.

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O Candomblé tem que ser isso. União. Não interessa de que casa você é, de que nação você é, de que orixá você é. O que interessa é que nós nos reunimos para louvar o orixá. É assim que deve ser. É o que nós tentamos fazer na Casa de Obaluaê, tentando que as outras casas que venham sejam muito bem recebidas, se sentirem bem com o orixá, com a gente. Mostrar que o Candomblé é uma religião e fazer valer a palavra, porque religião significa re-ligar. Nos ligar ao que está lá em cima, maior que a gente, mas também nos liga aqui em baixo para que os orixás fiquem satisfeitos conosco. Eu sou meio exagerado em vestir Obaluaê, mas se colocar só uma palhinha nele ele também fica satisfeito, desde que seja com amor e devoção.

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A incansável pequena Ekédi Cassiana de Oyá, sobrinha carnal de Pai Frank, puxa a entrada do ponto central do ritual.

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O Ogan Alex de Oxalá, filho de Mãe Isabel de Oyá, que também é da família Opô Afonjá e, na hierarquia do Candomblé, é tio de santo de Pai Frank, sendo irmão de santo de Pai Ribamar. Segundo Pai Frank, uma pessoa muito especial, de muito entendimento e luta pela religião. Alex assumiu com energia uma parte do ritual.

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Obaluaê é um orixá daomeano. Ele não é da Nigéria. Ele é da família de Famã. Ele é filho de Nanã e irmão de Oxumaré. Como ele nasceu com doença de pele, Nanã abandonou ele na praia. Os caranguejos vieram e morderam, machucaram a pele dele. Iemanjá, compadecida, criou ele e curou ele com mel e pipoca. Iemanjá criou ele, mas ensinou ele a amar também a sua mãe biológica. Então ele cresceu amando as duas, tanto Iemanjá quanto Nanã. E como ele aprendeu a se curar, ele passou a dominar todas as outras doenças. Tanto ele tem o poder de causar essas doenças, como de curá-las. Obaluaê é o médico dos pobres. Obaluaê é humilde. A representação dele é o sol. Aquelas palhas não são mais pra esconder perebas, feridas, mas sim para esconder o brilho do sol, porque reza a lenda que ele é o próprio sol, e, portanto, brilha tanto. Se a gente ficar olhando muito pro sol a gente fica cego, a mesma coisa Obaluaê.

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Ritual da morte. O ogan Marcos de Oxóssi cobre Obaluaê com um alá branco. Depois ele volta da morte, esticando o nome Ajúnsún, mostrando o poder dele sobre a morte.

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Ao final Pai Frank agradeceu a todas as pessoas que compareceram, aos filhos da casa e também a este bloguinho.

Eu agradeço a todos que vieram, porque pra mim fazer esse Candomblé foi um presente vindo do Orun pra mim. Obaluaê é nosso Pai, independente de qualquer casa, independente de que nação, de que cor ou posição social, Obaluaê vai estar sempre com todos nós.

Agradeço também ao Afinsophia. Afinsophia é o nosso búzio virtual, por onde passa mensagem pra todo mundo, pra que todo mundo saiba que existe Candomblé dentro de Manaus de qualidade, de respeito, de amor, e, principalmente, Candomblés luxuosos.

Eu agradeço a todos os meus filhos de santo, à minha mãe carnal, que não é da religião, mas me ajudou em todos os momentos. A todos que me auxiliaram, não tinha hora, não tinha dia. E a Casa de Obaluaê está aberta pra todos. Não só a minha casa, mas todas as casas de santo estão aí abertas para serem visitadas.”

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●●● ILÊ AXÉ ARAWÉ AJÚNSÚN ●●●
Pai Frank de Obaluaê Ajagún
Rua 26, nº 78 — São José II, Etapa B (Manaus-AM)
Telefone: (92) 9119-4364
E-mail: baba_frank@hotmail.com

BOIZINHO ESTRELA DO ORIENTE NO CENTRO DOS TAMBORES DE MINA JEJE NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

Menina, abre a porteira
Deixa meu boi passar
Ele é bonito, ele é de fama
É boi Estrela do Oriente

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Mais uma vez Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá preparou com esmero seu e maravilhoso terreiro para receber os convidados na noite de São João, para mais uma festividade tradicional da casa. E a roda já está formada e o tambor já roncou para mais um sonoro, colorido e espiritualizante ritual da vigorosa afro-religião Mina Jeje Nagô.

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fotoMãe Emília e Dona Pátria

Tambor de Mina quando rufa lá nas matas
Ele é de Mina, ele é Nagô
Tambor de Mina quando rufa lá nas matas
Ele é de Mina, ele é Nagô

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Foi uma festa pra Xangô Irá e tocamos também pra Badé, pra família de Gama e pro povo da Romé. A Casa como é de Oxalá, Iemanjá e Xangô, todo ano nós tocamos para os vodunços da Casa. Faz 27 ano que nós inauguramos aqui e que fazemos essa festa para Xangô”, explica Mãe Emília.

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fotoÀ esquerda, Pai Bosco de Ogum, com seu ogan ao lado, velhos conhecidos deste bloguinho.

Como sempre ocorre nesse santificado espaço, estavam presentes vários convidados. Entre irmãos de santo de Mãe Emília, na foto abaixo está Pai Edmar, manauara que hoje reside no Rio de Janeiro. Além da respeitabilidade de Mãe Emília, ele destaca a sua atuação política-religiosa frente à FUCABEAM.

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Eu sou o babalorixá Edmar. Sou daqui de Manaus, mas estou já há alguns anos morando no Rio de Janeiro. Tenho casa aberta em Campo Grande, na zona Oeste do Rio. Eu estou retornando aqui pra encontrar Mãe Emília, e é uma felicidade ver que ela está à frente de uma federação e lutando para engrandecer a religião dentro do estado do Amazonas, e esta federação está tendo muito progresso porque ela é uma pessoa muito culta no santo, conhece demais. Nós também nos conhecemos há muito anos, nós somos amigos antigos, começamos juntos no santo, e estamos até agora. Isto pra mim é um prazer. Ela é uma das grandes conhecedoras da Mina no Amazonas, e acho que esta seja talvez a única casa completa da Mina por aqui. O barracão de Mãe Emília.”

fotoDom João Rei de Mina

Aê Dom João, cavaleiro do mar
Aê Dom João, desceu na guma
Veio só baiar, aê Dom João

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E assim a festa prosseguia, com diversos voduns vindo receber as honras dos presentes e deitar suas bênçãos a todos os participantes. Na foto abaixo, Barão de Goré, na cabeça de Mãe Emília, canta diante do tambor.

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Ai, ele veio na sua barca veleira
Mas ele é Marquês de Pombal
Ele é filho de Deus e Nossa Senhora
Mas ele é Marquês de Pombal

À esquerda, Pai Carlos de Xangô salda o terreiro com suas melodiosas rezas, seguido de Pai Edmar.

Eu vim salvar terreiro
Vim salvar os meus irmãos
Numa mão trago um letreiro
Na outra um sino salomão

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Pai Edson de Codoense e Mãe Orny da Oxum Opará

Então era hora de virar pra encantaria, pois chegou o momento mais especial de toda noite de São João, quando o boizinho dos encantados, Estrela do Oriente, desde que veio lá do Maranhão, baixa no terreiro de Mãe Emília para dançar ao som das toadas de encantados e dos filhos da casa.

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E o boizinho saiu do terreiro e foi para o campo aberto, embaixo do luar, lua cheia de São João, ouvir as toadas antigas e as improvisadas no momento: “Em seguida, viramos pra encantaria, que foi o Boi. Que boi? O Boi da família Cambinda, do povo de Légua, que vieram fazer a participação. Isso já é uma tradição. O boi veio, então fomos tirar as prosas de encantado, cantar as toadas pra poder o boi dançar. Fazem três anos que o boi chegou do Maranhão. Ano que vem nós vamos ensaiar ainda melhor ele para apresentar lá na Pça São Sebastião”, avisa Mãe Emília.

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Já raiou, já raiou
Boi Estrela do Oriente
Ele é boi de fama
Ele veio raiar no Amazonas

fotoDona Suzana de Légua Boji (na cabeça de Mãe Orny)

À esquerda, seu Légua Boji Buá puxa a toada, e ao lado a atenciosa madrinha Dione abraça carinhosamente o boizinho afilhado.

A Dione é a madrinha do Boi. A participação da Madrinha vem desde que o Boi chegou no Amazonas, vindo do Maranhão. Ela e o filho dela. Nós batizamos o Boi e ela foi a madrinha. O motivo especial é que o filho dela, o Marquinho, é que era o miolo do boi, que representava o boi no momento. Ano que vem o boi vai fugir e vai ficar na casa dela durante uns dias, depois é que a gente vai pegar ele”, mais uma vez é Mãe Emília quem explica.

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E o Estrela do Oriente retornou ao salão, onde as toadas se mesclaram a rezas dos encantados.

fotoUm retrato da linda Socorro de Xangô, uma das mais novas filhas de santo de Mãe Emília.

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À esquerda, Tereza Légua (na cabeça de Flor). Ao lado, a senhora Pátria levada no embalo da alegria por Marquinhos e Dona Suzana.

Na boiada de encantado
Só tem boi marruá
Codoense como cantor
Tereza Légua como um terror
Não falei no Cole Maneiro
Porque ninguém se lembrou

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E assim a festa continuou, fazendo ver toda a autenticidade das religiões afro-brasileiras, carregada de entes que, ao mesmo tempo que fazem lembrar ciclos da nossa história remota, estão presentes em efetividade religiosa. Uma festa magnífica para os olhos e o coração de todos aqueles que vivem a crença ou apreciam o ritual afro-religioso como verdadeira manifestação religiosa do povo brasileiro.

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CENTRO DOS TAMBORES DE MINA JEJO NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ ●

- Mãe Emília de Toy Lissá -
Rua Pintassilgo, nº 100 — Cidade Nova II – Núcleo II (Manaus-AM)
E-mail: jessicahermes_morena@hotmail.com
Telefone: (92) 9995-3894

FESTA DE PRETO-VELHO NO TERREIRO DO PAI TOTA

Vovô não quer casca de coco no terreiro

Que é pra não lembrar do tempo do cativeiro
Preto-Velho 01 por você.

Durante todo o mês de maio foram feitas obrigações no terreiro de Pai Tota como preparação da sagrada festa dos pretos-velhos que se realizou no primeiro sábado de junho. Pai Tota, que é conhecido há década dos moradores do Conjunto Ajuricaba por sua alegria e seu axé dentro dos cultos afro, falou-nos de sua trajetória como babalorixá desde o Recife e sobre a festa para os pretos-velhos da qual este bloguinho participou.

Preto-Velho 05 por você.

Preto-Velho 02 por você.

Abaixo, Mãe Orny ao lado de Pai Tota.

Preto-Velho 04 por você.

Eu sou neto de baluartes da religião, pois meus avós eram do santo, me criei dentro do santo e fiz minhas primeiras obrigações dentro do santo, ainda tinha 9 anos de idade, cultuando mais o caboco na época, e com 12 anos eu dei o primeiro toque, que por sinal foi pra Oxum, que eu sou filho de Oxum, sou primeiro Obá Sirimin, do terreiro de Mestre Val, que já foi, já está no andar de cima. Comecei a tomar conta de obrigações de filhos de santo com 15 anos. De lá pra cá a minha vida foi essa: trabalhar, fazer filho, procurando fazer tudo certo. Quando meu Pai tava vivo, quando eu recolhia um filho, eu chamava ele pra ele jogar e confirmar se realmente aquele filho estava pronto, se aquele ori pertencia àquele orixá que eu tinha dado. Eu sempre procurava fazer e procuro do jeito que ele me ensinou. Um baluarte hoje, um zelador de santo tem que conhecer a folha, tem que saber cantar pra folha, tem que saber cantar para um bori. Aqui em Manaus só teve uma coisa que eu encontrei e que eu não gostei foi essa história de que o filho não é feito, não quer cumprir os mandamentos de um pai de santo e abre casa, aí vai fazer trabalho errado. Quantas pessoas já não vieram aqui, assim como com a Mãe Emília, procurando auxílio porque fulano e sicrano fez trabalho errado.

Eu quis vir pra cá porque eu gostei aqui de Manaus. Eu deixei uma casa lá no Recife com 38 metros de comprimento por 14 de largura pra vir pra cá. Manaus é uma terra boa, uma terra que tem muitas folhas boas, e tem muitos filhos bons. Eu queria trazer dois filhos meus pra cá, pra viver aqui, então Manaus me segurou. Encontrei em Manaus amor, carinho e talvez uma vida até melhor. É uma terra em que a gente sente o axé, sente a força. Fiz agora aqui nessa casa 21 anos e acho que, graças a Deus, tenho uma vida muito boa. Inclusive os meus vizinhos são pessoas maravilhosas, porque aguentar uma casa de santo tem que ser bom, porque a zoada que se faz, seis tambores batendo. Eles aplaudem, porque gostam. Quando não tem, eles perguntam: “Cadê, não vai ter não é?” Aqui, vai ter a festa do seu Zé Pilintra agora, começa sexta-feira, termina segunda, batendo. Os vizinhos às vezes ainda vem ajudar a enfeitar a casa.

Acima, a querida e respeitada presidenta da FUCABEAM, Mãe Emília de Toy e Lissá, juntamente com Flor de Navê e a linda Jéssica de Iemanjá. Completando, o companheiro Luiz Costa, presidente do AMONAM (Associação do Movimento Orgulho Negro do Estado do Amazonas).

Preto-Velho 10 por você.

Preto-Velho 06 por você.

A casa é Nagô, mas cultua o caboco. Toda casa Nagô cultua o caboco. Por quê? Que é o pro caboco poder zelar o santo, porque é o caboco que traz o médium, traz o cliente, que pra jogar, falar com uma entidade. E aquele dinheiro que fica da contribuição daquilo que ele está fazendo, a gente usa pra zelar a casa e fazer as obrigações.

Toda ano a gente faz a festa do Preto Velho Pai Joaquim. A gente começa no começo de maio com o trabalho do cachimbo, o verdadeiro catimbó. A gente trabalha 29 dias no catimbó, aí as pessoas que querem fazer pedido pra trabalho, pra saúde. Todos os dias nós temos duas de trabalho com o cachimbo. O cachimbo é o poder da mente. No dia da festa a gente não usa cachimbo, porque tem a comida, muita comida, e já se fumou demais nos 29 dias de trabalho. Todo ano essa festa é uma tradição aqui dentro da casa.

Preto-Velho 11 por você.

Preto-Velho 12 por você.

Preto-Velho 14 por você.

A gente oferece para os pretos-velhos todas as comidas que eles usavam. Por que os pretos tinham força dentro do lugar onde eles estavam? Porque eles cultuavam o santo. Quem libertou Pai Joaquim, Pai João, Pai José de Angola? Essa história é longa. Quando eles estavam na senzala, eles cultuavam o santo ali dentro escondido, que na época chamava-se lapinha. Quando o Barão vinha, eles escondiam os assentamentos dos santos e botavam as imagens, Nossa Senhora da Conceição, São Jorge. Eles estavam cantando em dialeto africano pro santo e os brancos não sabiam porque não entendiam. Quando o barão saía, levantava de novo o santo que estava escondido e continuava a tocar. Eles não podiam mostrar pra eles por quê? Porque eles condenavam, na época eles diziam que era bruxaria.

Preto-Velho 15 por você.

Preto-Velho 16 por você.

Um dia, a filha do fazendeiro adoeceu, ficou coberta de chagas. Pra que servia as pretas? Só pra amamentar os brancos. Aí ele vai lá pra ver a menina doente, e ele disse que curava a menina. O velho disse pra ele: “Se você não curar minha filha você morre.” A menina tava quase morta, porque naquele tempo você pegava catapora, sarampo, você morria, não tinha cura. Resultado: o preto foi lá e disse que curava. Levou a menina lá pra dentro da senzala, pra um lugar que se chama lubaça, e ele viu que Obaluaê respondeu, que é o deus da peste, o deus das chagas, Omolu. Ele foi e se comprometeu. A baronesa chamou o marido e disse: “Marido, a nossa filha já está a bem dizer morta. Por que não deixa ele tentar?” O velho disse afirmou novamente que se ele não conseguisse ele morria. Ele perguntou: “Tudo que eu precisar o senhor me dá?” O velho disse: “Dô.” Aí o preto mandou tirar toda a roupa da menina. Deitou ela numa esteira, cantou o afrexô e levaram a menina lá pra senzala. Lá ela passou 21 dias. Tudo o que ele precisou ele pediu. Então era pato, era galinha, era boi. Tudo entrava e não saía. Então, passados os 21 dias, eles mandaram chamar o padre e outras pessoas para ver a saída da menina dali de dentro. O pai não sabia que quem ia sair de lá era o santo. Quando cantaram, o velho ficou esperando que a filha saísse. Então o preto chegou e disse: “Sua filha tá aí.” E quando tirou aquelas palhas que são as vestes de Obaluaê, o velho viu que a menina não tinha uma chaga. Só tava com a cabecinha raspada, porque tinha raspado o santo. E foi então que ficou liberado pra zelar o santo dentro da senzala.

Preto-Velho 17 por você.

O casal afinado Vinicus e Bianca, presidenta da Afin, também aproveitaram para degustar as maravilhosas e abençoadas comidas dos pretos-velhos.

Preto-Velho 13 por você.

Preto-Velho 18 por você.

Por que os pretos têm as forças? Umbora matar um boi, pé, bucho, cabeça, vísceras, tudo ia pra senzala dos pretos, e os brancos comiam só a carne. Não sabiam que ali é que estava o que fortificava as pessoas. É por isso que os pretos eram fortes, porque onde tá a força dos boi é nos músculos, não é na carne. E hoje a gente faz tudo o que eles comiam na época, e que hoje estão nos melhores restaurantes, e a gente faz pra festejar eles e também para a gente comer. Toda aquela comida que você viu ali, a feijoada, o mocotó, tudo era comida dos pretos-velhos. Além da feijoada, tinha vatapá, tinha porco assado, guisado, galinha à cabidela, assada, galinha com salpicão, tinha arroz doce, tinha mungunzá, tinha tapioca, cocada, bolos, tinha frutas, farofas, bebidas, tinha tudo, não faltou nada. Antes de distribuir a comida pro pessoal, já tá tudo lá no canto separado para eles, tudo guardadinho, oferecido a eles. De tudo que tem ali a gente tira um bocado pra eles.

Preto-Velho 22 por você.

Filha de Tia Xica, que nasceu em Minas e se criou em Salvador, tendo completados 87 anos, com mais de 50 anos de santo.

Preto-Velho 20 por você.

Preto-Velho 19 por você.

Como eu falei, eu tinha 8 anos quando seu José veio pela primeira vez em mim. Aí era esquisito, porque uma entidade baixando num menino de 8 anos, pedindo bebida, não podia dá até por causa da polícia. Mas o seu José disse: “Eu vou criar ele.” Foi o seu José que cortou o meu umbigo quando eu nasci. Eu nasci no meio de um terreiro, no itô da casa. Ali minha mãe não aguentou, deitou em cima de uma esteira. E seu José veio, junto com Mestre Carlos, seu Zé Pilintra de Santaninguê. Meu umbigo foi cortado com uma faca de mesa. O primeiro leite que eu tomei foi da lata de leite comprada por um cliente de seu José que comprou pra mim. Quando eu tava com 8 dias de nascido, minha mãe ganhou uma vaca de presente já dando leite, pra poder me sustentar. Foi Zé Pilintra que me criou e até hoje ele me cria. Tudo que eu peço a seu José ele me dá. Eu não vou pedir fortuna nem dinheiro, mas seu José é um grande juremeiro, em todos os meus filhos aqui ele bota a mão. eu só tenho a dizer que seu José é maravilhoso e agradecer tudo o que ele faz por mim.

Preto-Velho 21 por você.

Preto-Velho 26 por você.

Preto-Velho 28 por você.

Faço um chamado a todos os babalorixás a se levantarem contra esse pessoal da Igreja Universal, porque eu vi uma coisa muito feia. Eu fui fazer uma oferenda numa encruzilhada pra seu Tranca Rua, eu cheguei eles tavam quebrando tudo lá. Quando eu cheguei, eles correram. Mas os pais de santo precisam se levantar, porque les crescem às custas da gente. Peço até para meus companheiros de religião que não levem mais nome, endereço pra encruzilhada, porque o orixá não lê não, mas eles pegam e levam pra igreja e ficam lá lendo o nome das pessoas. Então, nós precisamos nos levantar contra isso, porque nós somos protegidos pela Constituição, nós temos nossa segurança perante a Lei. O que eu peço a todos os pais de santo é que façam bonito, que façam certo e vamos pra frente.

●●● PAI TOTA DE OXUM ●●●

Rua B-1, nº 598 — Conj. Ajuricaba (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3654-1301 / 9114-9454

I SEMINÁRIO DE PERSONALIDADES NEGRAS NO AMAZONAS

Os Negros Minas, tão fortes e valentes,

onde não alcançaram com os braços,

alcançarão com sua fé e tradição em seus ancestrais.”

A Associação Movimento Orgulho Negro do Amazonas (AMONAM) organizou na sexta-feira passada, o I Seminário de Personalidades Negras do Amazonas, que contou com a presença de diversas pessoas que estão inseridas nas tradições da cultura negra, que são ligadas ao movimento negro na cidade de Manaus e que vêm fazendo um trabalho para diminuição do racismo no estado e cumprimento das leis que garantem o estatuto da cidadania ao negro no Brasil.

Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, presidnete da Fucabeam, juntamente com Pai Dantas e Pai Tota.

Além das palestras, juntamente com a Federação de Umbanda e Cultos Afros Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM), o AMONAM conferiu o Prêmio Personalidade Negra do Estado do Amazonas – Nestor Nascimento para aqueles que têm “relevantes trabalhos prestados e militância em defesa da cultura afrobrasileira em sua plenitude no Estado do Amazonas”. Vários babalorixás e pessoas atuantes quanto às causas negras receberam o prêmio. Neste caso, este bloguinho intempestivo também recebeu pelo contínuo trabalho que vêm realizando nos terreiros com as religiões afro, além do trabalho com a capoeira e na defesa dos direitos humanos das minorias excluídas de forma geral.

Conversamos com o presidente do AMONAM, Luiz Costa, que fez uma avaliação sobre os trabalhos realizados e os objetivos do movimento.

O AMONAM foi constituído oficialmente em 2006, e a gente se propõe a fazer uma luta contra a discriminação em todos os sentidos. Ele também tem por finalidade proteger e fazer todo um processo histórico sobre a cultura africana e afro-brasileira no estado do Amazonas. Ele foi criado para que a gente pudesse falar sobre a história, falar um pouco da influência dos africanos aqui no Brasil. Há sérios problemas aqui no Amazonas, porque pela forte presença indígena aqui muitas pessoas acabam por propagar que não tem negro no estado, o que uma visão mentirosa. Há muitos indígenas, mas há também muitos negros, a ponto, é preciso saber, que nós temos remanescentes no Amazonas de quinze quilombos, inclusive remanescentes urbanos de quilombos. A gente opera então de uma forma de levar educação, porque a Lei 10.639, que foi criada em 2003, que contempla a história e a cultura afro-brasileira, que partiu da cobrança da ONU em Dubai, para que os países fizessem uma reparação histórica com os descendentes africanos. Isso foi importante se reuniram as principais entidades que já militavam na causa negra desde o tempo da repressão. E eles conseguiram elaborar um plano nacional que contempla muita coisa mesmo. Então a gente procura trabalhar de forma, além de efetivar a Lei, também sensibilizar a população a perceber isso. E é isso que a gente tem feito, trabalhado para que as pessoas entendam e compreendam a necessidade de compreender e interpretar essa Lei.

Sobre o Prêmio Nestor Nascimento

Hoje esse prêmio fala de um grupo de pessoas que chegaram por aqui, uma parte maçons, outros eram militares que vieram de outros estados, criaram um grupo para defender e proteger esses grupos, e desde lá a gente vem trabalhando sucessivamente até chegar a mim agora, a minha presidência, que vai ser oficializada agora no final do mês. Desde o ano passado nós temos ido às escolas e outras instituições dando uma série de palestras. O Fórum ao qual o AMONAM está ligado tem uma parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e mais a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH). Há muitas dificuldades na luta pela diminuição dessa condição de sub à qual a raça negra é submetida. A gente precisa aglutinar as ações, para que elas não fiquem isoladas. É importante dizer também que a gente tem avançado pelos interiores. Já fomos a Presidente Figueiredo, já fomos ao Novo Airão, já fomos a Manacapuru. No caso de Novo Airão, é muito importante porque lá tem um quilombo. O único quilombo com certificado aqui no estado do Amazonas está lá. Agora pro segundo semestre, estamos indo pra Barreirinha, que é um local que tem quinze comunidades. O AMONAM não é uma luta só de negros; é uma lutar para propagar informações e lutar de forma geral pra tornar a sociedade um pouco mais igualitária e um pouco justa. Quando eu falo pouco, é para inquietar, para que as pessoas comecem a pensar até onde vai esse pouco, levando-a com esse processo a questionar os mecanismos de segregação e preconceito que nós temos.

Sobre a intolerância religiosa

As religiões afro foram colocadas como demoníacas. O grande processo da Igreja Católica era baseado sobretudo naquilo que ela não reconhecia como sendo próprio da Igreja. Então houve a caça às bruxas, houve a inquisição, e os grupos negros também entraram nesse processo, a ponto de as pessoas não poderem demonstrar nenhuma capacidade fazer chás e outras práticas, pois já era chamado de mago e muito mais. A religião afro mexe, então, com uma coisa que as outras pessoas não tem domínio. Às vezes desperta a curiosidade, mas geralmente desperta um medo porque as pessoas não compreendem os mecanismos ali envolvidos. Por isso é necessário que as pessoa conheçam a religião com certa profundidade. Teria que ser assim com qualquer religião. A gente está avançando também na luta pelo respeito à religião. Hoje as pessoas viram e ouviram vários pais e mães de santo, e as pessoas receberam com muita simpatia.

Também conversamos com a atuante Joana Carmem Machado, que foi uma das palestrantes do seminário e que atua no movimento negro no estado vizinho Pará, envolvida em diversos projetos de inclusão sócio-cultural dos negros no Estado Democrático de Direito.

Eu sou do movimento negro do Estado do Pará, do CEDENPA (Centro de Defesa e Estudo do Negro do Pará). E na Universidade Federal do Pará (UFPA) nós temos o Grupo de Estudos Afro-Amazônicos, que é o NEAB. É o Movimento Negro dentro da academia discutindo as relações das questões etno-raciais, discutindo o papel do negro na sociedade, principalmente discutindo o acesso do negro dentro da universidade e a permanência dele dentro da universidade, como a ação do Gean, que é o Grupo de Estudo Afro-Amazônico. Em 2006, a gente entrou com processo de cotas da universidade. Demorou muito para o conselho votar, demorou 3 anos para o conselho colocar em votação, quando colocou, não foi a proposta que a gente tinha pautado. Já em 2008 quando, enfim, as cotas foram implementadas, onde 50% ou 40% é negra, o restante é escola pública. No outro dia as escolas particulares fizeram uma manifestação na rua, e tal, contra as cotas. Mas, enfim, já era fato consumado. E esse ano houve vestibular índigena. As primeiras turmas ingressaram com reserva de vagas para indígenas, 2 vagas dentro de cada curso da universidade. E agora a gente teve uma audiência com o reitor, no dia 25 agora, de maio, Dia da África, em que a gente entregou uma solicitação de cota para quilombolas. O reitor está convencido de que são necessárias, mas precisa levar para discussão do conselho. E agora a gente vai fazer uma ação via Ministério Público Federal, para a criação de cotas quilombolas na UFPA.

O intercâmbio com a África

Em 2006, três professores da UFPA foram para Guiné-Bissau como consultores do Unicef para fazer um trabalho com formação de professores e elaboração de material didático. A Jaqueline Serra-Freire, Salomão Lage e o Ilton Pereira da Silva. Os dois primeiros são do Centro de Educação, são pedagogos. E o Ilton, ele é do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA. E na volta deles para o Brasil começou um trabalho de estreitar as relações com a Guiné pela necessidade de implementação da lei 10639, e pela necessidade que a Guiné-Bissau têm na área educacional. Há um alto índice de analfabetismo, professores sem formação e nós estamos pretendendo fazer um intercâmbio de professores do Pará com a Guiné-Bissau. É uma proposta de fazer um ensino técnico e tecnológico na Guiné-Bissau com a estrutura que se tem no IFPA – Pará, onde têm os cursos de pesca, agricultura e agro-ecologia. Os professores de lá vindo para o Brasil com a experiência deles para serem formados, também aqui pelo IFPA – Pará. É uma proposta que nós estamos pautando agora dia 22, numa reunião que a gente vai para Brasília, conversar com a CETEC e com a CECAD.

Educação e diversidade afro-amazônica

Como aqui tem o Fórum Permanente de Educação e Diversidade, no Pará também tem o Fórum Permanente de Educação e Diversidade, em que o Gean, do Grupo de Estudo Afro-Amazônicos faz parte do Fórum. E a gente veio nessa troca de experiência e dizer o que o Fórum de Belém têm feito e o que o Fórum daqui de Manaus está fazendo, para vê se a gente consegue caminhar, dá uma implementação maior na lei 10639, por conta da carência que se tem de estudos africanos e inserção de africanos aqui no Amazonas. No Pará, a gente já tem conseguida andar um pouco mais por conta de estudos, de trabalhos já a nível de pós-graduação, do prof. Vicente Sales, da professora Naísa Virgulino, da professora Marilú Campelo, do professor Ilton da Silva, que é médico e esteve nesse convênio com a Guiné-Bissau. E a gente teve, em 2008, uma turma de especialização específica só para professores da rede estadual de ensino, para a implementação da lei 10639. O fruto dessa especialização, os próprios professores, que são da rede, já disseminaram , no curso de aperfeiçoamento em 5 municípios. E desses 5 municípios, cada um com 60 alunos. Então, já está acontecendo essa multiplicação, a partir dessa especialização. Ano passado se aprovou mais uma especialização pelo UNIAFRO, que é em saberes africanos e afro-brasileiros na Amazônia. E pelo UNIAFRO, agora mais duas turmas com a SEDUC, com recursos da SEDUC, que banca os estudos em 2 municípios, um em Belém e outro em Bragança. E também estamos participando da rede de formação de professores na Educação Básica, com projeto de 200 horas. Esse já vai ser em 4 municípios, um curso de aperfeiçoamento para a educação das relações etno-raciais, que eu vou dá a temática História e Cultura Africana e Afro-brasileira no âmbito do currículo. Então, é pouco ainda, para o contingente de professores, só na rede estadual são 37 mil professores. Então, ainda é pouco, mas a gente tem avançado, principalmente nesses estudos africanos e afro-diaspóricos na Amazônia, tem-se se debruçado. E a Casa Brasil-África, que é uma instituição dentro da UFPA, tá discutindo agora um mestrado, também em nível de intercâmbio, mas já com Cabo Verde. Intercâmbio entre Cabo Verde e Brasil para o curso de mestrado na temática da diáspora africana.

Vim falar disso e mobilizar as pessoas para também comporem o Fórum, não é. E o Movimento Negro na participação dessa construção, dessa participação na formação desses professores. Se você vê a Lei 10.639, você tem que ler a ação do Movimento Negro. Então, se o Movimento Negro foi capaz de mudar, de alterar a legislação brasileira, o Movimento têm também condições de fazer a formação desses professores, de ajudar esses professores por dentro dessas instituições.

A questão da mestiçagem

Eu acho que o preconceito contra os paraenses tem menos perigo aqui que a questão dos mestiços. Mas isso é uma questão tão ampla. A mestiçagem, ela apaga qualquer ato de diferença. Você já viu branco dizer que é mestiço? Ah, somos um país de mestiços. O IBGE não tem nenhum instrumento estatístico que trata a mestiçagem como uma série de identificação. Não há nenhuma política voltada para a questão mestiça. Quem é que vai se identificar enquanto mestiço? Não tem nenhum dado, nenhum instrumento estatístico que faça a diferença entre branco, negro e mestiço. Porque a mestiçagem é um projeto que foi posto neste país para apagar as diferenças. Hoje na apresentação dos meninos, em que eles cantavam ao Amazonas, que se referia aos rios, a floresta e o fenótipo das crianças muito mais ameríndios que negros. Tu vias nitidamente as marcas diferentes ali. O fenótipo ameríndio mais o som, o ritmo africano. E eu vou dizer que isto é mestiçagem? Não. Eu tenho que dá a César o que é de César, não é camarada? O ritmo é africano, isso aqui é africanidade na Amazônia. Eu não posso apagar isso e colocar na vala da mestiçagem. Por que a mestiçagem acaba com toda essa diversidade. Por que tenta unificar. Nós somos diferentes, nós não somos iguais. Nós somos diferentes. Agora os tratamentos precisam ser iguais. A igualdade de direitos são iguais. Agora é preciso marcar diferenças, e a mestiçagem, ela destrói as diferenças.

SEU ZÉ PILINTRA NO TERREIRO DE MÃE ORNY

Quem tá batendo na porta?
Quem nessa porta bateu?
É Jesus sacramentado
Que Zé Pilintra sou eu…

Ogum 01 por você.

Clique nas imagens para ampliá-las.

Essa festa que trazemos hoje a este bloguinho na verdade ocorreu no final do mês de abril, pelas festividades referentes às comemorações de São Jorge, a qual foi realizada no animado e abençoado terreiro de Mãe Orny da Oxum, mãe de santo conhecida de todos, pois é filha de Mãe Emília e por diversas vezes já a vimos nas festas desta conhecida e respeitada presidente da Fucabeam.

Ogum 03 por você.

Ogum 02 por você.

Ai, eu nasci da meia-noite
Minha mãe jogou no mar
Ai, eu vim pra macumba
Deixa a macumba girar

Ogum 04 por você.

Ogum 12 por você.

E enquanto os convidados iam chegando, os abatazeiros tocavam com vontade o tambor, os pontos, as rezas e as danças enchiam o terreiro de toda a alegria e beleza de se festejar a verdadeira religião afro no terreiro de Mãe Orny.

Ogum 13 por você.

Ogum 14 por você.

Baixou então seu Zé Pilintra, com toda a sua graça, seu humor e sua sabedoria. Veio para receber as salvas de todos os presentes e a eles distribuir suas bênçãos, suas curas e seus maravilhosos conselhos de mestre-doutor.

Ogum 15 por você.

Sou Caboco Roxo
Eu sou guerreiro
Guerreiro do Maranhão
Meu arco eu trago na cinta
E a minha taquara na mão

Ogum 20 por você.

E outros cabocos também vieram para essa comunhão e também honraram os tambores e receberam de todos os convidados e filhos da casa o reconhecimento merecido. Além do Caboco Roxo (acima), vieram também, entre outros, Seu Zé Raimundo e Seu Jaltino, respectivamente, assim como Dona Jurema mais abaixo.

Ogum 10 por você.

Eu sou caboco que moro
No morro de areia
Meu pai é rei da bandeira
Eu me chamo Jaltino

Ogum 21 por você.

E assim seguiu o maravilhoso tambor pela madrugada a dentro, onde todos os da casa e todos os convidados degustaram a deliciosa comida em homenagem a São Jorge, enquanto a lua pairava no céu de verão, e assim prosseguiu até o raiar do dia. Tudo em comunhão, em paz, alegria, felicidade, com todo o axé do terreiro de Mãe Orny de Oxum, assim como todos de sua casa!

Ogum 07 por você.

A Jurema é minha madrinha
Jesus é meu protetor
A Jurema é pau sagrado
Para todo curador

Ogum 16 por você.

Ó céu azul, ó céu azul
É com Deus e Nossa Senhora
Que haveremos de vencer
Seu Zé Pilintra é mestre da Jurema

●●● M ÃE ORNY DE OXUM ●●●>
Rua Milton Mourão, nº 100 — São Francisco (Manaus-AM)
Telefone: (92) 3664-4443

SEU ZÉ MALANDRO NO TERREIRO DE MÃE VALKÍRIA

Moleque perigoso era meu nome
Na roda de baralho eu me criei
Por causa de uma mulher perdi meu nome
Por causa de uma mulher me regenerei

Zé Malandro Melo 01 por você.

Um dia desses, em outras festas de Umbanda boa, conversamos com Melo, filho de Mãe Valkíria, sobre a entidade que ele recebia e que fazia uns movimentos rápidos e vigorosos, lembrando ginga da capoeira, e ele disse que ainda não sabia quem era, que a entidade ainda ainda não revelara seu nome. Mas antes de completar um ano na cabeça de Melo ele realiza sua primeira cerimônia pública, e ao toque dos tambores diz a que veio. Era Zé Malandro.

Zé Malandro Melo 02 por você.

Tem coruja no telhado
Hoje é noite de magia
Quem trabalha com exu
Não tem hora, não tem dia

Zé Malandro Melo 08 por você.

Então conversamos com seu Zé Malandro na cabeça de Melo, jovem filho de santo de Mãe Val:

Eu não tenho nem um ano na cabeça de meu filho. Isso aqui é como se fosse uma reunião. Tenho muita coisa pra fazer. Ele é um abiã, não é nem um yaô ainda. Mas em tudo há um começo, então ainda há muitos caminhos pra trilhar. Eu já ajudo ele há muito tempo. A tendência é ele se desenvolver cada vez mais, ninguém nasce sabendo tudo. Eu também tô aprendendo, não é porque eu sou uma entidade que eu sei tudo. Ele, meu filho, é uma pessoa boa, Mãe Val é uma ótima mãe de santo. É uma ótima casa, aqui tem muito axé. Agradeço muito à Maria Molambo, à Dona Mariana, que estão me ajudando nesta primeira festa. Eu espero que todas as pessoas levem mais a sério a sua mediunidade. E muito axé, muita luz, muita paz, caminhos abertos, que Ogum abra os caminhos de todos os que comungam das religiões afro-brasileiras. Agradeço a todos os convidados.”

Zé Malandro Melo 12 por você.

Mulher ingrata, por que me fazes sofrer?
Por que me maltratas assim?
A noite é nossa, você é linda
Sete Maridos, eu não vivo sem você…

Zé Malandro Melo 15 por você.

Dona Sete Maridos

Duas padilhas. À direita, na cabeça de Dona Dora.

Entre as várias pombogiras que vieram prestigiar Zé Malandro, chamou-nos a atenção o divertido desafio que a pombogira Maria Rosa levou a cabo com um ogan do terreiro de Mãe Val. Surpreendeu-nos a gira que ela puxou que vai abaixo de sua foto.

Zé Malandro Melo 05 por você.

Você diz que sabe tudo
Você diz que sabe mais
Se eu fosse Maradona
Fazia o que você não faz

Maradoniano como é esse bloguinho, adoramos a gira improvisada e estedemos nosso afeto à pombogira Maria Rosa e sua inconfundível voz.

Zé Malandro Melo 07 por você.

Me esmolambei para ver como é que fica
Me esmolambei para ver como é que é
Saravá, exu Maria Molambo
Na encruzilhada eu sou mulher de Lucifer

Zé Malandro Melo 16 por você.

Umbanda, tua rainha chegou
Umbanda, mais uma estrela brilhou
Oi salve, salve a Pombogira
Que veio da encruzilhada
Para alegrar essa gira

Zé Malandro Melo 03 por você.

E olha que moças maravilhosas você encontra no terreiro de Mãe Val! Se há lugar onde existe preconceito, aqui no terreiro de Umbanda elas ficam no centro para enfeitar a festa com suas inefáveis belezas, como se fora três estelas que baixaram do céu ao terreiro.

Zé Malandro Melo 11 por você.

Nós gostamos de vir ao terreiro porque aqui é muito divertido, as festas são animadas. Aqui ninguém tem preconceito com a gente. Se não podemos ir pra igreja, é até melhor, que aí a gente vem aqui pro terreiro. E aí gente pede uma ajuda pros santos ajudarem a ter mais tutu e ser cada vez mais belas, mais maravilhosas, como você está vendo…”

Zé Malandro Melo 14 por você.

Ao centro, seu Julico.

Zé Malandro Melo 04 por você.

Você dizia que amava
Você me abandonou
O seu amor é um pedaço de papel
Caiu n’água, se molhou
Arranje outro amor
Que o meu acabou

Zé Malandro Melo 13 por você.

Finalmente, chegou Dona Mariana, que tomou conta da festa até o sol raiar. Foi com ela que conversamos e que nos fez a avaliação dessa bonita cerimônia.

Zé Malandro Melo 21 por você.

Essa foi uma reunião, uma obrigação que fizemos pra Zé Malandro, na cabeça de um filho aqui do meu casulo. Agradeço aqui ao Julico, que está até uma hora dessas comigo, Zé Raimundo, e também aos filhos que estão aqui. Pra mim cada um dia é um dia. Pra mim é uma ‘sastifação’ eu tá com o Zé Malandro aqui dentro da minha casa. Pra mim é uma ‘sastifação’ a gente fazer essa pequena homenagem, terminando numa paz, terminando em harmonia, terminando com ‘aleguia’. Isso é que é um axé. É paz, prosperidade, caminhos abertos, muita saúde, que é o que eu desejo pra cada um filho.”

Zé Malandro Melo 18 por você.

Na porta do cemitério
Uma rosa ali nasceu
Foi naquele lugar
Aonde ela floresceu
Olhe, eu sou Maria Rosa
Da porta do cabaré
Eu cheguei nesse lugar
Pra saravá a Lucifer

Zé Malandro Melo 19 por você.Acima, o afinado Maurício querendo entrar para a falange da malandragem.

No morro sim que é lugar de tirar onda
Malandro toma cachaça
Fuma bagulho e cai no samba

Zé Malandro Melo 17 por você.

●●● MÃE VALKÍRIA DE IANSÃ ●●●
Rua Coiama, nº 20 — João Paulo II (Manaus-AM)
Telefone: (92) 9143-2507

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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