Olhei pro céu, vi uma estrela
Olhei pra terra, vi uma candeia
Olhei pro mar, eu vi maresia
Olhei pras matas, eu vi encantaria
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Foi lá na rua São Carlos I, no bairro do Monte Sião, Zona Leste de Manaus, no simples e autêntico terreiro de Pai Sidney, que os convidados se aconchegaram para aguardar a chegada de Dona Mariana. Conversamos com Pai Sidney, conhecido popularmente como Pai Batman de Dona Mariana, que nos falou do seu longo caminho partilhado na Umbanda.
Sou Pai Sidney de Obaluaê. Sou amazonense. Tenho 37 anos de idade. De religião tenho 27 anos. Pra eu entrar nessas coisas, eu não gostava, mas eu caí muito doente, aí minha mãe não acreditava, porque minha família a maioria era crente. Eu entrei por causa de um sacrifício mesmo, por necessidade, eu já tinha passado por vários médicos, por São Paulo, Rio, pra me curar, e eu não ficava bom. Um dia, uma tia minha viu que não era coisa de médico e mandou minha mãe me levar. Ela não acreditava. Quando eu cheguei lá eu encontrei a Dona Padilha na cabeça de uma senhora, que já vai pra dezessete anos que ela rufou. Se chamava Dona Maria do Seu Jacaúna. O pessoal só me conhece mais pelo apelido. Não tem problema nenhum. Todo mundo aqui no Amazonas me conhece como Pai Batman de Dona Mariana, desde pequeno. Mas o primeiro caboco que baixou em mim foi o Seu Sibamba, em 1981, por causa que o meu pai tava dando uma surra na minha mãe. Ela tava com oito dias de resguardo. Eu dormia numa rede e eu tinha uns nove anos de idade. Ele chegou embriagado tamanha 2h da manhã e queria que ela fosse fazer uma comida pra ele. Ela disse que não ia fazer, porque ela tava naquelas condições. Ele pegou e deu umas tapas nela. Ela disse que eu arrastei ele na mão, como se fosse um boneco, e joguei lá de cima. Desde lá, ela ficou querendo acreditar, mas não gostava desse tipo de religião…
E não demorou para que a dona da festa, caboca Mariana, baixasse e trouxesse sua alegria e seu axé para compartilhar com todos que vieram para receber suas bênçãos, saudando a todos:
Hoje é pra nós todos um arraiar que eu faço de ano em ano. As pessoas que vieram me prestigiar, muito agradecida. Aqui ninguém tem empregados; nós somos empregados. A casa é nossa. Podem se servir. Fiquem à vontade. Participem da louvação e da brincadeira. Vamos brincar até a hora que quisermos. Que seja assim sempre, sempre, sempre…
No Rio Negro, mururés viraram flores
Na mata virgem, sabiá cantou
Eu sou a caboca Mariana
A bela turca que aqui raiou
A esta altura o terreiro já estava preenchido de filhos e convidados, adeptos das religiões afro e simpatizantes, que vieram participar do arraial de Dona Mariana.
E também outros cabocos vinham compartilhar seus pontos e compartilhar sua sabedoria com os presentes, como Seu Constantino, baiano grande, com seu chapéu de couro:
Tô vendo ele por essa mata escura
Trazendo sua boiada
Ele se chama Constantino
Baiano grande, chapéu de couro
Sou baiano, mas não sou da Bahia; sou do Maranhão. Quando eu canto baía, não canto Bahia, de Salvador, canto baía do Maranhão. Sou de Codó, do maranhão. Lá vivi, matei, esfolei, tive muitos filhos, meus parentes. Hoje, num me convidaram, mas estou aqui de enxerido (risos!)…
Enquanto a fila de pessoas crescia para conversar com Dona Mariana, entramos na fila e conversamos com o zelador de santo, Pai de Pai Sidney, Josué de Oxalufan:
Eu sou Pai de Santo do Sidney de Obaluaê. Ele é abiã, já oborizado, e se preparando pra fazer o santo dele. Daqui a três anos ele vai fazer a iniciação dele no Candomblé. Ele faz parte da família de Oxalá, é neto de Frank de Obaluaê. Por enquanto ele é zelador de Umbanda, trabalha há bastante tempo, trabalhando com esta Dona Mariana, uma caboca de tambor de Mina. A Mariana foi uma das fundadoras do tambor de Mina, pouco difundida aqui em Manaus. Cultua-se muito a Umbanda mesmo, alguns Umolocô, apenas uns raros cultuam tambor de Mina. Ele trabalha com as entidades de esquerda: Maria Molambo, Seu Zé Malandro, Maria Padilha das Almas; mas não por serem de esquerda são diabos. São entidades com uma outra carga energética. O nosso coração está do lado esquerdo. (…) Caboca Mariana está em muitas cabeças, em todos os lugares. A Mariana do Sidney, essa que está aqui, ela vem na linha de marinheira. Porque a Mariana é uma entidade que vem como turca, como marinheira, como cigana e como índia. Mariana é um espírito encantado, ela não morreu, antes de ela provar da morte, ela sofreu a experiência do encante, foi morar no invisível. Vez ou outra ela vem. Ela era chefe das adoradoras de Maria, por isso é que ela se chama Mariana. Uma moça portuguesa que foi adotada por um turco, que se encantou também na batalha de Alcácer-Quibir, uma batalha que teve entre os cristãos e os muçulmanos. Nessa batalha, Dom João de Marabaia, encantou-se, e sultão de Atalã, que é o rei chefe dos turcos encantados, deu ordem para Dom João de Marabaia recolhesse essas entidades. Dentre essas entidades, estava Mariana, e ela se encantou com Dom João de Marabaia. Ela ensinou a ele as leis do Cristianismo, e ele, por sua vez, deu a ela riquezas e o sobrenome da Turquia. Por isso ela se chama Mariana de Alexandria. Na tribo dela tem muitas outras entidades nobres, fidalgas, baronesas, condessas, que vem á terra para praticar caridade, curar, jogar conversa fora, beber. Mariana é essa: é amor, é esperança, é caridade. Para quem precisa de ajuda, Mariana está sempre disposta a ajudar…
Caboca linda é a caboca Mariana
Ela é a caboca mais formosa do lugar
É no luar que ela sai a passear
Ela flutua numa pedra que tem lá no alto mar
















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gostaria muito que alguém me ajudasse a trazer de volta minha amada, peço muito pra cabloca mariana, mais não sei se estou pedindo de forma correta, só sei que até agora não aconteceu nada, tenho muita vontade de ir no codó, pois sou de são paulo capital, mas sou filho de belém
Olá a um ano descobri ke minha protetora e dona mariana e minha mentora e pomba gira cigana gostaria de saber ser to fazendo certo acende para meus guia a vela com copo cm agua sem saber ja fazia isso aguardo retorno