CASOS DE EUROPEUS VÍTIMAS DE TRÁFICO DE PESSOAS NO BRASIL SÃO IDENTIFICADOS PELO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Seminário Internacional Brasil-União Europeia sobre Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas discutiu casos de europeus no Brasil vítimas de tráficos de pessoas e seu crescimento cujos objetivos são tanto para exploração sexual, como para o trabalho escravo e transplantes de órgãos e tecidos. Segundo a análise do Ministério da Justiça estes europeus chegam ao Brasil trazidos em função do crescimento econômico e iludidos por melhoria de vida.

De acordo com Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça, a descoberta de problemas comuns entre esses países resultou na necessidade de se planejar ações e definir parâmetros para a troca de informações.

Durante muito tempo os brasileiros eram as maiores vítimas, quando iam aos países centrais. Agora, temos percebido que há ocorrência de tráfico de pessoas a partir da América Latina e dos países centrais, que estão em crise. Neles, existem ocorrências de tentativas de tráfico de pessoas enviadas ao Brasil com o mesmo propósito.

São principalmente mulheres entre 19 e 24 anos. Em geral, são traficadas para diferentes fins. Entre as modalidades mais comuns estão a exploração sexual, a remoção de órgãos e tecidos humanos, trabalho escravo ou servidão em casamento.

Vamos padronizar essa coleta de informações, para que, em um ano tenhamos dados confiáveis para formular novas políticas. O tráfico de pessoas já se constitui como o terceiro maior volume de ativos ilícitos no mundo”, disse Paulo Abrão.

Participando também no seminário, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que é necessário a cooperação de todos para combater o tráfico.

Esse é um problema que preocupa muitos países do mundo, em especial a comunidade europeia. Portanto, o enfrentamento não passa apenas por medidas internas de nosso país. Sem uma relação internacional aprofundada e sem conjugação de esforços, não será possível encontrarmos a solução”, afirmou o ministro.

Falando sobre como a sociedade pode ajudar no combate ao tráfico de pessoas, Paulo Abrão, disse que basta denunciar nos núcleos e postos de enfrentamento ao tráfico de pessoas instalados em pontos de entrada no país e rodovias de diversos estados.

As pessoas podem procurar esses locais para apresentar suas demandas, pois são eles que administram, in loco, a ocorrência dos fatos e depois os levam ao âmbito federal, nível federal, para eventual ação articulada com a Polícia Federal”, disse Paulo Abrão.  

DEMÓSTENES CHEGA NA CPMI, CALA E CONSENTE, SEGUNDO DEPUTADO

Como até os minerais já sabiam, como escreve o jornalista/filósofo Mino Carta,  Demóstenes Sem Partido Torres, amicíssimo – hoje ele diz que não – do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso com seu pernicioso bando desde o dia 29 de fevereiro por obra da Operação Monte Carlo deflagrada pela Polícia Federal, chegou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), olhou para os presente com ar deprimido, emitiu algumas curtas palavras relativas ao seu direito constitucional, calou e consentiu. Demóstenes usou de seu direito de se manter calado para não se comprometer mais do que já se encontra comprometido com o esquema de corrupção comandado por seu preclaro amigo – ele diz que não – Carlinhos Cachoeira.

Se Demóstenes acreditava que seu silêncio iria calar também os parlamentares presentes, da mesma forma que do tratamento que teve quando de seu depoimento no Conselho de Ética do Senado, errou quadradamente de perspectiva/esperançosa. Os parlamentares não gostaram nada de sua mudez. Já se encontravam tiririca com a mudez de seu patrão, Carlinhos Cachoeira, quando de sua ida a CPMI.

Coube exatamente ao deputado Sílvio Costa (PTB/PE) o papel de exaltar os ânimos pela falta de verbo do senador ex-campeão da moral do Parlamento. Se o senador, ex-DEM, já estava deprimido, com a interferência do deputado ele passou ao afeto temeroso.

Sílvio Costa chamou o senador de mentiroso, que seu silêncio mostrava sua culpa e ainda se deu ao luxo de traçar lances teológicos.

O senhor passou cinco horas no Conselho de Ética e não conseguiu se explicar. Mas, aqui, com cinco minutos, o senhor explicou tudo. O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa.

O senhor apelou para Deus, se disse carola, mas o senhor não vai para céu porque o céu não é lugar para mentiroso, não é lugar de gente hipócrita”, mandou ver o deputado, enquanto o senador se encolhia, talvez preocupado com sua ida ou não para o céu.

Mas, uma coisa é certa, se houver, como os fervorosos propagam,um lugar para onde se vai, o senador, em função de sua democracia, vai ter grandes companhias nesse lugar. Daqui do Amazonas terá inúmeras companhias.

Mas o senador teve um socorro pontual. O senador Pedro Taques (PDT/MT), se dizendo amparado pelas diretrizes constitucionais, admoestou o deputado por sua intervenção.

Todos aqui, enquanto parlamentares, devem obedecer à Constituição Federal, que afirma que o cidadão, seja lá quem for, merece respeito. Fui procurador da República por mais de 15 anos e tenho a convicção de que um parlamentar não pode tratar quem quer que seja com indignidade”, interferiu Taques, permitindo um momento de calma ao senador.

 Com as palavra de Taques, contra Sílvio, o ranger de dentes começou entre eles. O deputado afirmou que o senador Taques encontra-se comprometido em articular companheiros para conseguir que Demóstenes não seja cassado, visto que caso isso aconteça – o que espera a democracia real – ele será preso, pois não tem mais mandato. Fato que o senador ex-campeão da moral teme.

Tenho certeza que o Senado brasileiro vai cassá-lo por 80 votos a favor. Espero que o senador Pedro Taques, que hoje mostrou que poderá ser um voto para absolvê-lo, repense o voto e vote pela cassação”, afirmou Sílvio.

Foi então que o presidente da CPMI, para arrefecer os ânimos dos dois litigiantes, Vital Rego, encerrou a sessão. 

Enquanto isso, depois de alguns membros da CPMI – principalmente do PT – liberarem o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de depor, o presidente da comissão datou os dias dos depoimentos dos governadores Marconi Perillo de Goiás e Agnelo Queiroz do Distro Federal. O primeiro deporá no dia 12, e o segundo no dia 13.

TORTURADORES NORTE-AMERICANOS NÃO USAM SÓ HEAVY METAL PARA TORTURAR, MAS TAMBÉM MÚSICAS DO PROGRAMA INFANTIL VILA SÉSAMO

Segundo antigas informações de 2008, divulgadas pela imprensa norte-americana, os militares torturadores norte-americanos usam, em sua sessões de tortura contra presos no Iraque e Afeganistão, músicas do heavy metal de bandas como Metálica e AC/DC, como “playlist” imposto pelo exército.

Mas, não é só o heavy metal que é usado pelos torturadores. Eles também usam as músicas do programa educativo infantil, Vila Sésamo, que surgiu nos Estados Unidos, em 1969, e que no Brasil   foi apresentado na década de 70 e 2007. Assim, não é somente o som pesado, como se identifica o metal, mas também as musicas ditas leves que são usadas nas sessões de torturas.

A rede de TV Al Jazeera, que fez a revelação através de um documentário que mostra as torturas na base militar norte-americana em Guantánamo, em Cuba, entrevistou o compositor das músicas do programa Vila Sésamo, Christopher Cerf, e ele se mostrou aterrorizado ao saber como seu trabalho estava sendo usado.

“Minha primeira reação foi: isso não pode ser verdade”, exclamou Christopher Cerf.

VÍDEO MOSTRA QUE O CHAMADO “MENSALÃO” FOI CRIAÇÃO DO MAFIOSO CARLINHOS COM PATRIOCÍNIO DA MÍDIA NAZIFASCISTA

TV Cultura e TV Folha: a destruição do caráter público de uma emissora

Uma audiência pública na Assembléia Legislativa de São Paulo revelou o  distanciamento entre a direção da TV Cultura e as expectativas do povo paulista com sua emissora pública de televisão. Convidado pela Comissão de Educação e Cultura, João Sayad, diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta deixou explícita a diferença de projetos: de um lado, a busca por audiência e o enxugamento da máquina; do outro, a defesa da diversidade e da pluralidade. O artigo é de Bia Barbosa.

Bia Barbosa (*)

Uma audiência pública realizada nesta quarta-feira, 30 de maio, na Assembléia Legislativa de São Paulo, revelou o tamanho do distanciamento entre a direção da TV Cultura e as expectativas do povo paulista com sua emissora pública de televisão. Convidado pela Comissão de Educação e Cultura da Assembléia de São Paulo, João Sayad, diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora das TV e rádios Cultura, deixou explícita a diferença de visões entre o projeto de reestruturação que vem sendo implementado por sua gestão e aquilo que a sociedade civil e funcionários da Cultura entendem como prioritário neste momento. De um lado, a busca por audiência e o enxugamento da máquina. De outro, a defesa da diversidade e da pluralidade.

João Sayad falou bastante. Defendeu a renovação da grade de programação infantil, a compra de documentários estrangeiros e elogiou o que chamou de “debate franco e aberto, entre um comentarista de esquerda e um de direita” no Jornal da Cultura. Mas não conseguiu justificar com qualquer elemento, além da busca de audiência, a entrega de um programa jornalístico, no horário nobre do domingo à noite, à empresa Folha de S.Paulo. E este foi, não sem razão, o ponto mais polêmico da audiência pública. Em todo mundo, um dos fatores primordiais para a criação de sistemas públicos de comunicação é a necessidade – para o bem da democracia dos países – de um jornalismo independente de governos e do mercado, construído a partir de critérios rigorosos de objetividade. Mas parece que este objetivo não é perseguido pela Fundação Padre Anchieta, que optou por terceirizar uma de suas principais atividades-fim. Tal opção editorial, feita sem qualquer critério, afeta a dimensão e o caráter público do serviço de comunicação prestado pela TV Cultura. Sim, porque estamos falando de uma concessionária de radiodifusão, que pela Constituição brasileira tem uma série de obrigações a cumprir, sobretudo em se tratando de uma emissora pública.

O fato de terceirizar sua grade para uma empresa privada que produz jornais impressos distancia ainda mais a programação da TV Cultura daquela que se espera de uma televisão pública. No jornalismo impresso, os veículos gozam de ampla liberdade editorial. O jornal Folha de S.Paulo não é obrigado, por exemplo, a seguir princípios editoriais que uma TV pública precisa perseguir. Ao trazer o TV Folha para dentro da grade da TV Cultura, a Fundação Padre Anchieta abre espaço, de forma acrítica, para os valores privados desta empresa comercial, descaracterizando seu caráter público.

O problema se torna ainda mais sério quando se analisa os objetivos do Grupo Folha com a parceria. Em entrevista ao Portal Imprensa, concedida na época da assinatura do acordo, o diretor do jornal deixou claras as razões comerciais da empresa em expandir seu TV Folha – veiculado inicialmente, em formato diverso, na internet – para a TV aberta. Para Sérgio D´Ávila, a parceria “trará a possibilidade de a marca Folha alcançar seu público no maior número possível de mídias. (…) O jornal continua firme no propósito de levar seu conteúdo de qualidade a um número diversificado de plataformas, e chegar à TV parece um passo natural”. Ou seja, ao abrir seu espaço para a TV Folha, a TV Cultura serve a uma estratégia comercial, de reforço da marca e busca por aumento de lucros de um jornal de grande circulação nacional.

João Sayad não vê problemas nisso. Pelo contrário, tanto que já convidou o jornal O Estado de S.Paulo para ocupar espaço equivalente. Durante a audiência pública, afirmou que a parceria “faz todo sentido” e que é “uma oportunidade da emissora ter um jornalismo reconhecido como o da Folha”. Afinal, como disse, a TV Cultura “não tem linha editorial”, o TV Folha “é produção independente”, “são só 30 minutos dentro de uma programação de 5 horas semanais de jornalismo” e “o programa traz audiência”.

Dados do Ibope e da própria TV Cultura mostram, no entanto, que a audiência no horário do TV Folha caiu, se comparada com as semanas anteriores do Cultura Documentários, veiculado no mesmo horário da grade. Mesmo que a audiência tivesse crescido, o problema persistiria.
Em emissoras públicas – e esta também é uma questão consolidada em todos os países com fortes sistemas públicos de comunicação – os índices de audiência, especialmente os mais utilizados (absoluto e de participação no mercado), devem ser lidos como apenas um dos indicadores da qualidade da programação veiculada. O mundo todo sabe que, se a lógica da audiência prevalece, ao ter que escolher entre dois programas, uma emissora acabará deixando de lado valores como diversidade e pluralidade para atrair mais público. A atenção do espectador será colocada em primeiro plano diante da relevância para o interesse público do que está para ser veiculado.

João Sayad afirmou que não quer “audiência a todo custo”, mas esta foi a tônica de sua fala. Se orgulhou ao dizer que, no mês de maio, a Cultura foi a 5a TV aberta em audiência no estado de São Paulo. E, ao ser criticado pela deputada Leci Brandão por ter colocado o programa Manos e Minas na fila dos cortes do projeto de reestruturação, com prejuízos enormes para a diversidade no conteúdo da emissora, respondeu: “como administrador, tenho que me preocupar com a audiência. E a audiência do Manos e Minas é muito baixa”.
Num mar de contradições, o diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta afirmou que o jornalismo da TV Cultura “não persegue o hard news nem macaqueia o que já saiu em outros veículos”. De fato, quem faz isso não são os jornalistas da TV Cultura. É o TV Folha, que ocupa sua grade. Sayad também disse que gostaria de ter conseguido incluir na agenda de cobertura da emissora a discussão sobre grandes temas, mas justificou dizendo que “nosso país, e o mundo em geral, vão mal, então não conseguimos até agora”. Mas não era a TV Cultura que, segundo ele, não perseguia o hard news?

Faltou explicar também como a Fundação Padre Anchieta conseguiu “aumentar em 20% as horas de produção própria com redução de 30% dos funcionários”. Em documento entregue ao Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, dezenas de organizações da sociedade civil, movimentos sociais, sindicatos, jornalistas e ex-funcionários da emissora denunciam mais de mil demissões na gestão Sayad, entre contratados e prestadores de serviço; a aniquilação das equipes da Rádio Cultura; e o estrangulamento da equipe de jornalismo e radialismo.
Segundo o Sindicato dos Radialistas de São Paulo, setores como a cenografia foram todos terceirizados, as rádios estão para fechar e o número de funcionários com depressão é grande. O fantasma das demissões também continua rondando a Cultura, que espera decisão do STF para saber se será obrigada a contratar todos os funcionários por concurso público. Se a decisão foi positiva, pode haver novas demissões sumárias na Fundação.

Sayad, que é contrário ao regime estatutário para os funcionários da Padre Anchieta, disse na audiência que a administração trabalhista da Fundação era negligente, mas que agora “quase tudo está resolvido”. Um dos poucos problemas em aberto seria a intransigência da CLT em garantir uma hora de almoço para os jornalistas dentro da jornada de trabalho. “Parece que jornalista é bóia-fria ou peão de obra e precisa fazer uma hora de almoço”, disse.
Ele afirmou que novas demissões não estão em debate. As últimas se deram porque a Cultura comprou um novo equipamento e pode dispensar 40 editores. “Política de emprego é coisa do Banco Central, não é missão nossa”, sentenciou. “Mantivemos toda a linha de programação, renovando o conteúdo e aumentando o resultado. Isso é o mais importante”, acredita. E mandou os deputados assistirem à TV

Cultura antes de fazerem tamanhas críticas.
A extinção de programas como Zoom, Vitrine, Cultura Retrô, Grandes Momentos do Esporte e Login revelam, ao contrário do que a direção afirma, que houve perda na capacidade de produção própria em função das opções administrativas e da grande quantidade de demissões realizadas. Mas o que ficou claro para todos que participaram da audiência pública na Assembléia Legislativa foi a falta de clareza de um projeto de desenvolvimento e fortalecimento da única emissora pública paulista.

Enquanto a direção e também o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta continuarem pouco ou nada abertos ao diálogo, beirando a arrogância em muitos momentos, a diversidade e pluralidade que caracterizam o povo paulista seguirão do lado de fora dos muros da Rua Cenno Sbrighi, 378. Frente ao papel histórico de referência de produção de qualidade que tem as rádios e a TV Cultura, a opção é desastrosa. Como disse o deputado João Paulo Rillo, uma emissora pública que depende do TV Folha para conquistar audiência está no mau caminho.

(*) Bia Barbosa é jornalista, mestranda em gestão e políticas públicas pela FGV e membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

PSOL PROTOCOLA NA PGR REPRESENTAÇÃO CONTRA GILMAR MENDES, E FUNCIONÁRIO PÚBLICO PEDE SEU IMPEACHMENT

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou pedido de representação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, por sua suposta conversa com o ex-presidente Lula.

O controvertido ministro, que já foi citado por seu companheiro de Corte, Joaquim Barbosa, como pessoa que adora aparecer na mídia, pautou a nazifascista revista Veja afirmando que Lula, no escritório do ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, havia lhe pedido para interceder no julgamento do chamado mensalão para ocorresse somente depois das eleições.

O partido socialista, em sua representação, considera a atitude do ministro falastrão de “bastante questionável”. O partido pede a investigação dos fatos e, caso seja comprovado conduta indevida, que as medidas cabíveis sejam adotadas pela PGR, nos âmbitos administrativo, civil ou penal.

Por sua vez, o funcionário público Cícero Batista Araujo Rola, no Senado, protocolou BA Presidência da Casa, o pedido de impeachment do ministro pautador da nazifascista revista.

“Sou um cidadão indignado e não posso aceitar que, na mais alta Corte do país, um ministro esteja sob suspeição”, sentenciou Cícero.

É a segunda vez que o funcionário público, Cícero Rola, entra, no Senado, com pedido de impeachment do ministro amigo do senador Demóstenes Sem Partido Torres. A primeira vez o pedido teve como motivo o fato de Gilmar Mendes conceder dois habeas corpus, em menos de 48, ao criminoso banqueiro Daniel Dantas, preso pela Operação Satiagraha comandada pelo insigne delegado Protógenes Queiroz, hoje deputado federal pelo PCdoB/SP.

Procurado por jornalistas para falar sobre a representação e o pedido de impeachment, como era de se espera, o ministro mandou dizer por sua assessoria que não iria se pronunciar.

Enquanto isso, a CPMI analisa possibilidade da convocação do ministro pautador da mídia nazifascista para depor e explicar seu encontro com o senador Demóstenes Sem Partido Torres, em Berlim e o uso de aviões. Pesa ainda sobre o ministro pautador, a provável influência dele sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para quês este não abrisse ação penal contra Demóstenes, amicíssimo do mafioso Carlinhos Cachoeira, Torres no STF, depois de receber, em 2009, os dados da Operação Vegas.

DILMA DISPONIBILIZA 18 BILHÕES PARA CRÉDITO DA AGRICULTURA FAMILIAR

Em resposta à lista de reivindicações apresentada ao governo há mais de um mês pelos movimentos dos trabalhadores rurais, no Grito da Terra Brasil, o ministro, Pepe Vargas, do Ministério do Desenvolvimento agrário anunciou que o governo federal vai disponibilizar 18 bilhões para crédito de custeio e investimento à agricultura familiar na safra 2012/2013. Até o fim de junho, durante o anúncio do Plano Safra de Agricultura Familiar, será divulgado o detalhamento dos recursos.   

“A presidenta Dilma disse que se forem necessários mais recursos, vamos viabilizar mais”, afirmou o ministro.

Foi a própria presidenta Dilma Vana Rousseff, em reunião com representantes das entidades do campo lideradas pela Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), apresentou do governo aos 138 itens de reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. O ministro afirmou que mais R$ 4 bilhões, além dos R$ 18 bilhões, devem chegar aos agricultores familiares através de outros programas, como os de assistência técnica e aquisição de alimentos.

Por sua vez, Alberto Broch, presidente da Contag, disse que é preciso analisar as respostas para fazer um balanço geral das respostas recebidas do governo. Segundo, Broch, os trabalhadores agrícolas saíram contentes com o que ouviram.

“Houveram avanços importantes principalmente nos custeios e investimentos e descontingenciamento da assistência técnica, mas outros pontos não avançaram. Para a reforma agrária o descontingenciamento é pouco”, disse Broch.

Sobre os movimentos sociais ligados ao campo relacionados às desapropriações eles pediam pelo menos R$500 milhões, disse Broch. 

COM AJUDA DE PARTE DO PT CABRAL ESCAPA DE DEPOR NA CPMI, MAS OS GOVERNADORES AGNELO E PERILLO NÃO

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) votou ontem a convocação dos três governadores Sergio Cabral (PMDB) do Rio de Janeiro, Agnelo Queiroz (PT/DF) do Distrito Federal e Marconi Perillo (PSDB/GO). Todos citados nas gravações realizadas pela Policia Federal na Operação Monte Carlo.

Entretanto, os membros da CPMI na votação resolveram convocar apenas dois. Os governadores Marconi Perillo de Goiás e Agnelo Queiroz do Distrito Federal. O governador de Goias foi convocado por unanimidade, e o governador do Distrito Federal com 16 votos a favor e 12 votos contra. Já o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, contando com ajuda de parte de membros do PT, conseguiu escapar. Na votação, 17 parlamentares foram contra sua convocação e 11 favoráveis.

A suspeita da relação de Sérgio Cabral com Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, vem através de sua estreita relação com o proprietário da empresa Delta Construtora, que matem obras no Rio de Janeiro, e encontra-se envolvida com o mafioso. A não convocação de Sergio Cabral já havia sido demonstrada pelo deputado do Partido dos Trabalhadores, Cândido Vaccarezza, membro da CPMI, que em reunião passada lhe enviou mensagem confortando-o como companheiros.

Momentos antes da votação os parlamentares discutiram acirradamente. Alguns, os chamada oposição, queriam que a votação fosse em bloco, que todos os governadores fossem tratados da mesma forma, e os da base do governo, acreditando que Agnelo tem menos implicação do que Perillo com o contraventor, Carlinhos Cachoeira, queriam em separado. E assim ocorreu.

E foi nessa jogada que Sergio Cabral escapou, comprovando a parcialidade da CPMI.

EM VÍDEO, RUI FALCÃO, PRESIDENTE DO PARTIDO DOS TRABALHADORES CONVOCA MILITÂNCIA A DEFENDER LULA DAS ACUSAÇÕES DE GILMAR MENDES/VEJA

Gilmar agora insinua traição de Jobim

Gilmar Mendes, no Valor de hoje, insinua que pode ter sido traído por Nelson Jobim no encontro entre os dois e o ex-presidente Lula, a quem atribui constrangimento por afirmações sobre o julgamento do mensalão e suas relações com Demóstenes e Cachoeira. Gilmar Mendes vai adaptando a história à medida em que ela perde consistência:

a) ‘esqueceu’ e ninguém mais o questiona sobre a versão original oferecida a Veja, cabalmente desmentida por Nelson Jobim, de que a conversa com Lula teria sido apenas entre os dois, na cozinha do escritório de Jobim, sem a presença deste;

b) ao Valor, diz textualmente que Jobim participou de ‘toda a conversa’;

c) ao Globo, ontem, alivia as afirmações sobre Lula (ele está sob pressão) ao mesmo tempo em que acusa o ex-presidente de ser uma central de boatos sobre suas relações com Demóstenes e Cachoeira;

d) mais ainda: insinua que Jobim (Jobim que foi ministro de FHC, um conservador atritado com o PT) pode tê-lo atraído para uma armadilha.

Veja o trecho da entrevista ao Valor, desta 4ª feira:

Valor: O nome do Paulo Lacerda (ex-dirigente da ABIN demitido após uma denúncia nunca comprovada de Gilmar, que diz não ter ‘tradição de desmentidos’, sobre escutas em seu gabinete no STF) foi mencionado na conversa?

Mendes: Nessa conversa, Jobim perguntou: e Paulo Lacerda? Agora, as coisas passam a ter sentido.

Valor: Seria uma demonstração de que se tratava de chantagem?

Mendes: Pode ser. Interpretem como quiser.

Valor: Ou seja, que o próprio Jobim participou de uma tentativa de chantagem?

Mendes: Era uma conversa absolutamente normal, nós repassamos vários assuntos. Nós falamos sobre o Supremo, recomposição do Supremo, PEC da Bengala, a má articulação hoje entre o Judiciário e o Executivo. O Jobim participou da conversa inteira. Nesse contexto, cai uma ficha.

Valor: Que ficha caiu, de que seria uma estratégia?

Mendes: Isso é possível, vamos constrangê-lo com Paulo Lacerda. Não sei se é isso”.

Por Saul Leblon

Carta Maior

Embaixada da Venezuela repudia declarações de Gilmar Mendes

A embaixada da Venezuela divulgou nota oficial repudiando as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro, Gilmar Mendes, que, em entrevista ao jornal O Globo disse que “o Brasil não é a Venezuela de Chávez, onde o mandatário, quando contrariado, mandou até prender juiz”. As declarações, diz a nota, “constituem uma afronta à população venezuelana, e demonstram profunda ignorância sobre a realidade de nosso país”.

Redação

Brasília – A embaixada da Venezuela divulgou nota oficial nesta quarta-feira repudiando as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, Gilmar Mendes, que, em entrevista ao jornal O Globo disse que “o Brasil não é a Venezuela de Chávez, onde o mandatário, quando contrariado, mandou até prender juiz”. A nota oficial da Embaixada da República Bolivariana da Venezuela afirma:

As declarações do ministro do STF Gilmar Mendes ao jornal O Globo, se de fato ocorreram, constituem uma afronta à população venezuelana, e demonstram profunda ignorância sobre a realidade de nosso país.

Nossa Constituição, elaborada pela Assembleia Constituinte e referendada pelas urnas, determina a separação de poderes, estabelece direitos de cidadania e configura os instrumentos judiciais cabíveis, ou seja, o presidente da Venezuela não manda prender cidadão algum, independentemente do cargo que ocupe.

Recorrer à desinformação para envolver a Venezuela em debates que dizem respeito apenas aos brasileiros é uma atitude indecorosa – ainda mais partindo de um ministro da mais alta corte da nação irmã – e não reflete a parceria histórica entre Brasil e Venezuela.

Maximilien Arveláiz, embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil

Carta Maior

Sexta Carta às Esquerdas

Não estando o socialismo, por agora, na agenda política — mesmo na América Latina a discussão sobre o socialismo do século XXI perde fôlego — as esquerdas parecem dividir-se sobre os modelos de capitalismo. À primeira vista, esta divisão faz pouco sentido. Mas, de fato, não é assim.

Boaventura de Sousa Santos

Historicamente, as esquerdas dividiram-se sobre os modelos de socialismo e as vias para os realizar. Não estando o socialismo, por agora, na agenda política — mesmo na América Latina a discussão sobre o socialismo do século XXI perde fôlego — as esquerdas parecem dividir-se sobre os modelos de capitalismo. À primeira vista, esta divisão faz pouco sentido pois, por um lado, há neste momento um modelo global de capitalismo, de longe hegemónico, dominado pela lógica do capital financeiro, assente na busca do máximo lucro no mais curto espaço de tempo, quaisquer que sejam os custos sociais ou o grau de destruição da natureza. Por outro lado, a disputa por modelos de capitalismo deveria ser mais uma disputa entre as direitas do que entre as esquerdas.

De fato, assim não é. Apesar da sua globalidade, o modelo de capitalismo agora dominante assume características distintas em diferentes países e regiões do mundo e as esquerdas têm um interesse vital em discuti-las, não só porque estão em causa as condições de vida, aqui e agora, das classes populares que são o suporte político das esquerdas, como também porque a luta por horizontes pós-capitalistas — de que algumas esquerdas ainda não desistiram, e bem — dependerá muito do capitalismo real de que se partir.

Sendo global o capitalismo, a análise dos diferentes contextos deve ter em mente que eles, apesar das suas diferenças, são parte do mesmo texto. Assim sendo, é perturbadora a disjunção atual entre as esquerdas europeias e as esquerdas de outros continentes, nomeadamente as esquerdas latino-americanas. Enquanto as esquerdas europeias parecem estar de acordo em que o crescimento é a solução para todos os males da Europa, as esquerdas latino-americanas estão profundamente divididas sobre o crescimento e o modelo de desenvolvimento em que este assenta.

Vejamos o contraste. As esquerdas europeias parecem ter descoberto que a aposta no crescimento econômico é o que as distingue das direitas, apostadas na consolidação orçamental e na austeridade. O crescimento significa emprego e este, a melhoria das condições de vida das maiorias.

Não problematizar o crescimento implica a ideia de que qualquer crescimento é bom. É uma ideia suicida para as esquerdas. Por um lado, as direitas facilmente a aceitam (como já estão a aceitar, por estarem convencidas de que será o seu tipo de crescimento a prevalecer). Por outro lado, significa um retrocesso histórico grave em relação aos avanços das lutas ecológicas das últimas décadas, em que algumas esquerdas tiveram um papel determinante. Ou seja, omite-se que o modelo de crescimento dominante é insustentável. Em pleno período preparatório da Conferência da ONU Rio+20, não se fala de sustentabilidade, não se questiona o conceito de economia verde mesmo que, para além da cor das notas de dólar, seja difícil imaginar um capitalismo verde.

Em contraste, na América Latina as esquerdas estão polarizadas como
nunca sobre o modelo de crescimento e de desenvolvimento. A voracidade da China, o consumo digital sedento de metais raros e a especulação financeira sobre a terra, as matérias-primas e os bens alimentares estão a provocar uma corrida sem precedentes aos recursos naturais: exploração mineira de larga escala e a céu aberto, exploração petrolífera, expansão da fronteira agrícola. O crescimento econômico que esta corrida propicia choca com o aumento exponencial da dívida socio-ambiental: apropriação e contaminação da água, expulsão de muitos milhares de camponeses pobres e de povos indígenas das suas terras ancestrais, deflorestação, destruição da biodiversidade, ruina de modos de vida e de economias que até agora garantiram a sustentabilidade.

Confrontadas com esta contradição, uma parte das esquerdas opta pela oportunidade extrativista desde que os rendimentos que ela gera sejam canalizados para reduzir a pobreza e construir infraestruturas. A outra parte vê no novo extrativismo a fase mais recente da condenação colonial da América Latina a ser exportadora de natureza para os centros imperiais que saqueiam as imensas riquezas e destroem os modos de vida e as culturas dos povos. A confrontação é tão intensa que põe em causa a estabilidade política de países como a Bolívia ou o Equador.

O contraste entre as esquerdas europeias e latino-americanas reside em que só as primeiras subscreveram incondicionalmente o “pacto colonial” segundo o qual os avanços do capitalismo valem por si, mesmo que tenham sido (e continuem a ser) obtidos à custa da opressão colonial dos povos extraeuropeus. Nada de novo na frente ocidental enquanto for possível fazer o outsourcing da miséria humana e da destruição da natureza.

Para superar este contraste e iniciar a construção de alianças transcontinentais seriam necessárias duas condições. As esquerdas europeias deveriam pôr em causa o consenso do crescimento que, ou é falso, ou significa uma cumplicidade repugnante com uma demasiado longa injustiça histórica. Deveriam discutir a questão da insustentabilidade, pôr em causa o mito do crescimento infinito e a ideia da inesgotável disponibilidade da natureza em que assenta, assumir que os crescentes custos socio-ambientais do capitalismo não são superáveis com imaginárias economias verdes, defender que a prosperidade e a felicidade da sociedade depende menos do crescimento do que da justiça social e da racionalidade ambiental, ter a coragem de afirmar que a luta pela redução da pobreza é uma burla para disfarçar a luta que não se quer travar contra a concentração da riqueza.

Por sua vez, as esquerdas latino-americanas deveriam discutir as antinomias entre o curto e o longo prazo, ter em mente que o futuro das rendas diferenciais geradas atualmente pela exploração dos recursos naturais está nas mãos de umas poucas empresas multinacionais e que, no final deste ciclo extrativista, os países podem estar mais pobres e dependentes do que nunca, reconhecer que o nacionalismo extractivista garante ao Estado receitas que podem ter uma importante utilidade social se, em parte pelo menos, forem utilizadas para financiar uma política da transição, que deve começar desde já, do extrativismo predador para uma economia plural em que o extrativismo só seja útil na medida em que for indispensável.

As condições para políticas de convergência global são exigentes mas não são impossíveis e apontam para opções que não devem ser descartadas sob pretexto de serem políticas do impossível. A questão não está em ter de optar pela política do possível contra a política do impossível. Está em saber estar sempre no lado esquerdo do possível.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

“Não sabia das atividades ilegais de Cachoeira”, diz Demóstenes

Em depoimento à Comissão de Ética, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) reafirmou a relação de amizade com Carlinhos Cachoeira, mas insistiu que não sabia das atividades ilegais do contraventor. Disse que o procurador-geral da República prevaricou, confirmou as relações de Cachoeira com Policarpo Junior, da Veja, e explicou o encontro com o ministro Gilmar Mendes na Europa. Mas parece não ter convencido os colegas da sua inocência. Os questionamentos foram duros.

Najla Passos

Brasília – O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) que se apresentou ao Conselho de Ética do Senado, na manhã desta terça (29), não lembrava nem de longe o homem altivo que, meses atrás, ocupava o posto de paladino da ética do parlamento. Abatido, cabisbaixo, falou sobre o sofrimento da família, a depressão que o acometera, os remédios controlados que já não o fazem dormir, a fuga dos amigos. Ressaltou que só está suportando o que chamou de “o maior massacre da história” porque reencontrou Deus. Mas, mesmo após 5:30 horas de debates em que lhe foi assegurado o mais amplo direito à defesa, parece não ter convencido aos colegas da sua inocência. Os questionamentos foram duros.

Demóstenes reafirmou a relação de amizade com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF). Mas negou categoricamente que soubesse das atividades ilegais do amigo. “Eu não tinha lanterna de popa. O que eu sabia naquele momento era que eu me relacionava com um empresário que também tinha relações com cinco governadores e dezenas de outros parlamentares”, disparou.

Pegadinha
Ele relatou que tinha conhecimento de que Cachoeira operava jogos em Goiânia quando isso era legal, na segunda metade da década de 1990. Contou que, mais recentemente, chegou a “jogar verde” para saber se o contraventor continuava operando jogos de azar, ao “inventar” uma suposta operação conjunta da PF com o Ministério Público (MP), que nunca ocorreu, para ver como ele iria reagir. Segundo Demóstenes, ele disse à Cachoeira que havia recebido a informação de um jornalista de Goiás, conhecido de ambos. “Ele ficou apavorado”, afirmou, contradizendo-se.

O senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo que pode levar à cassação do mandato de Demóstenes, desmentiu a história. “O delegado da PF disse aqui que essa operação foi armada para descobrir quem vazava informações para Cachoeira”, disse ele, contestando a versão de que fora “inventada” por Demóstenes para “jogar um verde”.

Clube Nextel
O senador admitiu que recebeu um telefone celular Nextel do contraventor. Afirmou desconhecer que o mesmo “presente” fora dado a outros membros da quadrilha, o chamado ‘Clube Nextel’. “Não faço parte do grupo. Recebi e, por comodidade, fiquei com ele”.

Questionado pelo relator, reconheceu que a conta, provavelmente, era paga por Cachoeira. “Uns R$ 50, pagos nos Estados Unidos”, minimizou. Disse também não ter visto, naquele momento, problema ético em um homem público ter a conta de seu celular paga por um reconhecido contraventor. “Eu desconhecia as atividades ilegais dele”, sustentou.
Dinheiro sujo

O parlamentar negou ter recebido quaisquer valores da quadrilha de Carlinhos Cachoeira ou mesmo da empresa Delta. Nas gravações, há referências a quantia de R$ 20 mil e, em outro momento, a de R$ 1 milhão de reais. Na denúncia formulada ao STF, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fala em possíveis R$ 3,1 milhões, no total.

À Comissão, Demóstenes apresentou a quebra do sigilo das suas duas contas bancárias. Questionado pelo senador Pedro Taques (PDT-MT), disse que não possui outras contas, que nunca recebeu dinheiro via conta de terceiros e nem valores em espécime.

Delta Construções
Ele negou ser sócio oculto da empresa Delta: “Se há um sócio oculto, vocês precisam procurar com uma lupa maior”, ironizou. Ele disse que nunca participou de reuniões na sede da empresa e negou conhecer o dono da construtora, Fernando Cavendish. “Como posso ser sócio de alguém que nem conheço?”

Procurador-geral
Provocado pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Demóstenes criticou veementemente a postura do procurador-geral da Repúbica, Roberto Gurgel, que, segundo ele, não deu o encaminhamento correto à Operação Vegas, realizada pela Polícia Federal (PF) em 2009, que já apontava suspeitas das suas relações com a quadrilha de Cachoeira.

Para o acusado, o procurador tinha, em função do princípio da obrigatoriedade, três alternativas: pedir arquivamento, oferecer denúncia ou requerer novas diligências. “Ele prevaricou, que significa praticar ou retardar ato de ofício para satisfazer interesse pessoal. A improbidade administrativa é evidente. Mais dia menos dia, o procurador-geral terá que explicar porque agiu como agiu”, cobrou.

Os algozes
Demóstenes sustentou o tempo todo que as acusações contra ele têm como base documentos obtidos ilegalmente, vazados aos poucos, de forma orquestrada, para resultar na sua completa desmoralização. “As gravações são evidentemente ilegais. Fui investigado de forma ilegal, o que coloca em risco a democracia no Brasil. Se o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar essas provas, nós vamos viver numa republica comandada por delegados e procuradores do Ministério Público. E isso é perigoso”.

Quando questionado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-DF) sobre quem seriam os algozes dessa suposta orquestração contra ele, foi categórico: “Os delegados de Polícia e membros do Ministério Público, para criar um estado policialesco no Brasil”.

Gilmar Mendes
Demóstenes confirmou a versão já divulgada pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, de que a relação existente entre eles é apenas de cordialidade e profissionalismo. Mas não desmentiu que frequentou festas da família do ministro. E confirmou que se encontrou com ele no exterior, em abril do ano passado. “O ministro Gilmar Mendes, se não me engano, foi participar de uma jornada acadêmica em Granada [Espanha]. Eu estava em Praga [república Tcheca]. Nos encontramos em Praga e fomos juntos, de trem, para Berlim [Alemanha]. Ficamos lá um tempo. Eu voltei para o Brasil em um voo e o ministro em outro”.

Conforme o senador, só ele pegou carona do avião providenciado pela quadrilha de Cachoeira. “Como eu ia chegar cedo e tinha trabalho, eu pedi ao Rossini [empresário]. Eu utilizei o avião. E não o ministro Gilmar Mendes. Eu utilizei aviões de várias pessoas no Estado de Goiás, empresários e amigos. Não usei do Cachoeira porque ele não tem”, acrescentou. Demóstenes afirmou também que Cachoeira não participou do encontro dele com Mendes na Europa.

Revista Veja
O parlamentar confirmou que Cachoeira era fonte habitual da revista Veja. “O que sei é que o Cachoeira era fonte de Policarpo [Policarpo Junior, diretor da revista em Brasília]. Nunca encontrei os dois ao mesmo tempo, mas tinha conhecimento disso. Agora o desdobramento ético em relação a isso tem que ser verificado”, disse Demóstenes.

Ajuda dos amigos
Indagado por Taques, Demóstenes confirmou que o colega foi em sua casa, em março, na companhia de Randolfe, cobrar que ele se explicasse sobre as denúncias contra ele que começavam a pipocar na imprensa. “É verdade. Os dois me ajudaram, inclusive, a redigir o discurso que fiz na tribuna do Senado”, acrescentou.

Sobre a veracidade das explicações prestadas no discurso, em que afirmava manter relação apenas de amizade com Cachoeira, foi evasivo. “Falei com base nas informações divulgadas até aquele momento. Não sabia das denúncias que viriam a seguir”.

Estratégia?
Questionado pelo senador Anibal Diniz (PT-AC) se o fato dele falar do sofrimento imposto à família e invocar de deus não seria uma estratégia de defesa, o acusado negou. “Ninguém pode usar o nome de Deus como estratégia de defesa. Sou um carola, senador. Já era antes por causa da minha mãe. Confesso que nesse tempo fiquei meio perdido”, rebateu.

Processo
O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou, ao final da sessão, que todos conhecerão sua avaliação sobre a defesa em, no máximo, três semanas, quando apresentará seu parecer. Costa prevê que o processo será encerrado antes mesmo do recesso parlamentar, que começa em julho. “Não posso falar sobre minha versão agora. Vou levar em consideração todas as colocações que foram feitas para formular meu juízo. Daqui há mais ou menos três semanas vocês vão ter a minha posição”, disse à imprensa.

Costa considerou a sessão bastante produtiva. “Foram muitas informações, muitas indagações. A própria defesa dele reconheceu vários fatos”, completou.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebon (Agência Brasil)

Carta Maior

LULA NEGA REPORTAGEM DA REVISTA NAZIFASCISTAVEJA, QUE DIZ QUE ELE PRESSIONOU MINISTRO AMIGO DE DEMÓSTENES

O Instituto Lula publicou comunicado na noite de ontem, dia 28, desmentindo a reportagem da revista nazifascista Veja, que publicou que o ex-presidente Lula havia pressionado o ministro Gilmar Mendes para que ele atuasse no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o julgamento do alcunhado mensalão só ocorresse depois das eleições.

Segundo a reportagem da nazifascista revista, o ministro Gilmar Mendes afirmou que Lula havia lhe pressionado no dia 26 de abril no escritório do ex-ministro da Defesa do governo Lula, Nelson Jobim, em Itaipava. Mas o ex-ministro negou qualquer conversa entre Lula e Gilmar Mendes com tal teor. Jobim negou para a própria revista nazifascista a conversa publicada. A revista ligara ao ex-ministro perguntando se ele confirmava a conversa e ele negou.

“Como não neguei? Me ligaram e eu disse que não”, disse Jobim.

As declarações do ministro Gilmar Mendes são claramente dignas de suspeitas. Ele encontra-se incluído nas gravações da Operação Monte Carlo, realizada pela Policia Federal. Mendes havia viajado até Berlim para se encontrar com o senador Demóstenes Sem Partido Torres, amicíssimo de Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira. Mendes também junto ao seu amigo Demóstenes denunciou um grampo no Supremo que jamais foi apresentado o vídeo, em mais uma reportagem sórdida da nazifascista revista Veja.

Como Gilmar Mendes, Demóstenes Sem Partido Torres, Carlinhos Cachoeira e a sórdida Veja estão relacionados, grande parte da sociedade tem a convicção que a denúncia contra Lula não passa de mais uma trama fecundada por tais personagens. Não devemos esquecer que Policarpo Junior, diretor da sucursal da Veja, em Brasília, é amigo de Carlinhos Cachoeira, e teve mais de 200 gravações dele com Carlinhos Cachoeira, interceptadas pela Policia Federal.

Outro ponto claro que aponta contra o ministro Gilmar Mendes sobre a denúncia contra Lula, é que ele ao invés de fazer a denúncia no STF resolveu entregar a Veja. Revista de sua familiaridade. Era ao STF que ele deveria ter feito o comunicado e não a uma revista suspeitíssima. Gilmar Mendes não seguiu os trâmites judiciários, que seria o certo.

“Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou na Procuradoria-Geral da República  em relação ã ação penal do chamado mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República”, diz parte da nota.

Eu indique oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, diz trecho da nota.

Bancada religiosa: a mais ausente, inexpressiva e processada

Avaliação e processos em que integrantes da bancada religiosa figuram como réus:

DADOS DO SITE TRANSPARÊNCIA BRASIL

1) DA BANCADA “EVANGÉLICA”, TODOS OS DEPUTADOS QUE A COMPÕE RESPONDEM PROCESSOS JUDICIAIS ;

2) 95% DA REFERIDA BANCADA ESTÃO ENTRE OS MAIS FALTOSOS;

3) 87% DA REFERIDA BANCADA ESTÃO NA CATEGORIA DOS “MAIS INEXPRESSIVOS” DO DIAP;

4) NA ÚLTIMA DÉCADA NÃO HOUVE UM SÓ PROJETO DE EXPRESSÃO OU CAPAZ DE MUDAR A REALIDADE DO PAÍS ENCABEÇADO POR UM PARLAMENTAR EVANGÉLICO.

Assembleia de Deus

1 – Hidekazu Takayama – PSC/PR

TRF-1 (Seção Judiciária do Distrito Federal) – Processo 0031294-51.2004.4.01.3400 – de Ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal. STF – Inquérito nº 2652/ 2007 – Inquérito apura crimes contra a ordem tributária, estelionato e peculato.

2 – Sabino Castelo Branco – PTB/AM

STF – Processo nº 538 – Réu em ação penal movida pelo Ministério Público Federal por peculato.

STF – Inquérito nº 2940 – É alvo de inquérito que apura crimes contra a ordem tributária. TSE –

Processo nº 504786.2010.604.0000 – É alvo de recurso contra expedição de diploma apresentado pelo Ministério Público Eleitoral por abuso de poder econômico e uso indevido de meio de comunicação social.

TSE – Processo nº 874.2011.604.0000 – É alvo de representação movida pelo MPE por captação ou gasto ilícito de recursos financeiros de campanha eleitoral.

TRE-AM – Processo nº 90095.2002.604.0000 – Teve reprovada prestação de contas referente às eleições de 2002.

TRE-AM – Processo nº 424843.2010.604.0000 – Teve reprovada prestação de contas referente às eleições de 2010.

TRE-AM – Processo nº 485034.2010.604.0000 – É alvo de representação movida pelo MPE.TRF-1 Seção Judiciária da Amazônia – Processo nº 0001172-68.2007.4.01.3200 – É alvo de ação de execução fiscal movida pela Fazenda Nacional.

TJ-AM Comarca de Manaus – Processo nº 0039972-21.2002.8.04.0001 – É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual.

3 – Ronaldo Nogueira – PTB/RS

TCE-RS (processo 008255-02.00/ 08-2) – Irregularidades na gestão da Câmara de Carazinho.

TCE-RS (processo 001084-02.00/ 01-0) – Idem. TCE-RS (processo 010264-02.00/ 00-4) – Idem.

4 – João Campos de Araújo – PSDB/GO

TRF-1 (Seção Judiciária do Distrito Federal – processo 0031294-51.2004.4.01.3400 – É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal.

5 – Costa da Conceição Costa Ferreira – PSC/MA

TRF-1 (Seção Judiciária do Distrito Federal) – processo 0031294-51.2004.4.01.3400 – É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal.

É alvo de ações de execução fiscal movidas pelo município de São Luís:

TJ-MA Comarca de São Luís – Processo nº 7092-32.2007.8.10.0001.

TJ-MA Comarca de São Luís – Processo nº 1793-35.2011.8.10.0001

6 – Antônia Luciléia Cruz Ramos Câmara – PSC/AC

TRE-AC – processo 497/ 2002 – Teve reprovada a prestação de contas referente às eleições de 2002. É alvo de ações penais movidas pelo Ministério Público por crimes eleitorais (peculato/captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral).

STF – processo 585. STF – Processo nº 587. TRE-AC – processo 177708/ 2010

 – É alvo de inquéritos que apuram crimes eleitorais e contra a administração em geral:

STF – inquérito 3083, TRE-AC – Inquérito 245, STF – Inquérito nº 3133.

É alvo de ações de investigação judicial eleitoral por abuso de poder econômico:

TRE-AC – processo 142143/ 2010, TRE-AC – processo 178782/ 2010, TRE-AC – processo 142835/2010 begin_of_the_skype_highlighting  142835/2010      end_of_the_skype_highlighting. É alvo de representações movidas pelo MPE por captação ilícita de sufrágio e/ ou captação ou gasto ilícito de recursos financeiros de campanha eleitoral: TRE-AC – processo 180081/ 2010, TRE-AC – processo 194625/ 2010 e TRE-AC – processo 142058/ 2010

7 – Cleber Verde Cordeiro Mendes – PRB/MA

STF – processo 497/2008 – É alvo de ação penal movida pelo Ministério Público Federal por crimes praticados contra a administração em geral (inserção de dados falsos em sistema de informações).

TRE-MA – processo 603979.2010.610.0000 – É alvo de ação de investigação judicial movida pelo Ministério Público Eleitoral por uso de poder político e conduta vedada a agentes públicos.

8 – Nilton Baldino (Capixaba) – PTB/RO

STF – Processo nº 644 – Acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias, é réu em ação penal movida pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

TRF-1 Seção Judiciária do Distrito Federal – Processo nº 0031294-51.2004.4.01.3400 – É alvo de ação civil pública movida pelo MPF.

TRF-1 Subseção Judiciária de Ji-Paraná – Processo nº 0000432-26.2007.4.01.4101 – É alvo de ação de improbidade administrativa movida pelo MPF por envolvimento com a máfia das ambulâncias.

9 – Silas Câmara – PSC/AM

STF – inquérito 2005/2003 – É alvo de inquérito que apura peculato e improbidade administrativa.

STF – inquérito 3269 e STF – inquérito 3092 – É alvo de inquéritos que apuram crimes eleitorais.

TRF-1 Seção Judiciária da Amazônia – processo 0004121-02.2006.4.01.3200 – É alvo de ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal.

É alvo de representação e ações de investigação judicial movidas pelo Ministério Público Eleitoral por captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico:

TRE-AC – processo 180081.2010.601.0000,

TRE-AC – processo 142835.2010.601.0000,

TRE-AC – processo 178782.2010.601.0000,

TRE-AM – processo 73203919.2005.604.0000

- O PTB teve reprovada a prestação de contas referente ao exercício financeiro de 2004, quando o parlamentar era ordenador de despesas do partido em nível estadual.

10 – José Vieira Lins (Zé Vieira) – PR/MA

É alvo de inquéritos que apuram crimes de responsabilidade, peculato e sonegação de contribuição previdenciária:

STF – inquérito 3051, STF – inquérito 3078, STF – inquérito 2945, STF – inquérito 2943, STF – Inquérito 3047.

É alvo de ações civis públicas, inclusive de improbidade administrativa, movidas pelo Ministério Público e pelo município de Bacabal:

TRF-1 Seção Judiciária do Maranhão – processo 0005980-37.2008.4.01.3700, TJ-MA Comarca de Bacabal – processo 378-16.2009.8.10.0024, TJ-MA Comarca de Bacabal – processo 1771-15.2005.8.10.0024, TJ-MA Comarca de Bacabal – processo 279-56.2003.8.10.0024.

É alvo de ações de execução movidas pela Fazenda Nacional — por exemplo: TRF-1 Subseção Judiciária de Bacabal – processo 0000629-69.2011.4.01.3703, TRF-1 Subseção Judiciária de Bacabal – processo 693-79.2011.4.01.3703, TRF-1 Subseção Judiciária de Bacabal – processo 0000908-55.2011.4.01.3703, TJ-MA Comarca de São Luís – Processo 6007-40.2009.8.10.0001.

Foi responsabilizado por irregularidades em convênios e aplicação de recursos e teve contas reprovadas: TCU – Acórdão 5659/ 2010, TCU – Acórdão 3577/2009, TCU – Acórdão 3282/2010, TCU – Acórdão 2679/2010, TCU – Acórdão 749/2010, TCU – Acórdão 1918/ 2008 (teve o nome incluído no TCU – Cadastro de responsáveis com contas julgadas irregulares). TCU – Acórdão 801/ 2008 (teve o nome incluído no TCU – Cadastro de responsáveis com contas julgadas irregulares). TCE-MA – processo 2600/1999 e TCE-MA – processo 3276/2005.

11 – Marcelo Theodoro de Aguiar – PSC/SP

TRE-SP – Processo 1077244.2010.626.0000 – Teve reprovada prestação de contas referente às eleições de 2010.

Igreja Presbiteriana

1 – Leonardo Lemos Barros Quintão – PMDB/MG

STF – Inquérito nº 2792 – É alvo de inquérito que apura crimes eleitorais.

TJ-MG Comarca de Belo Horizonte – Processo nº 5034047-88.2009.8.13.0024

– É alvo de ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual.

2 – Edmar de Souza Arruda – PSC/PR

STF – inquérito 3307 – É alvo de inquérito que apura crimes contra o meio ambiente e o patrimônio genético.

3 – Edson Edinho Coelho Araújo (Edinho Araújo) – PMDB/SP

STF – Inquérito nº 3137 – É alvo de inquérito que apura crimes previstos na lei de licitações.

TJ-SP Comarca de São José do Rio Preto – Processo 576.01.2009.043791-5 – É alvo de ação de execução fiscal movida pela Fazenda estadual. É alvo de ações de improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público Estadual: TJ-SP (segunda instância) – processo 9035424-43.2006.8.26.0000, TJ-SP (Comarca de São José do Rio Preto) – Processo nº 576.01.2010.062759-8. O TCE-SP julgou irregulares processos licitatórios e contratos firmados pela prefeitura de São José do Rio Preto: TCE-SP – processo 2832/008/04, TCE-SP – processo 313/008/02, TCE-SP – processo 2432/008/07

4 – Benedita Souza da Silva Sampaio – PT/RJ

TRF-1 Seção Judiciária do Distrito Federal – Processo 0031294-51.2004.4.01.3400 – É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal.

É alvo de ações de improbidade administrativa: TJ-RJ (Comarca do Rio de Janeiro) – processo 0040421-83.2007.8.19.0001, TJ-RJ (Comarca do Rio de Janeiro) – processo 0050419-80.2004.8.19.0001 e TJ-RJ (Comarca do Rio de Janeiro) – processo 0372416-70.2009.8.19.0001.

5 – Anthony William Garotinho Matheus De Oliveira (Anthony Garotinho) – PR/RJ

É alvo de inquéritos que apuram crimes eleitorais:

STF – Inquérito 2601/2007,

STF – inquérito 2704/2008,

TRF-2 (Seção Judiciária do Rio de Janeiro – Processo nº 2008.51.01.815397-2

– É réu em ação penal referente à máfia dos caça-níqueis e movida pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção e crimes contra a administração pública. Chegou a ser condenado a dois anos meio de prisão. A pena foi convertida em prestação de serviços e suspensão de direitos.

É alvo de ações de improbidade administrativa:

TJ-RJ Comarca de Nova Iguaçu – processo 0026769-53.2005.8.19.0038,

TJ-RJ Comarca de São Fidelis – processo º 0000249-07.2011.8.19.0051,

TJ-RJ Comarca do Rio de Janeiro – processo 0050419-80.2004.8.19.0001,

TJ-RJ Comarca de Campos dos Goytacazes – processo 0011729-64.2009.8.19.0014,

 TJ-RJ Comarca do Rio de Janeiro – processo 0040380-19.2007.8.19.0001,

TJ-RJ Comarca do Rio de Janeiro – processo 0040412-24.2007.8.19.0001, TJ-RJ Comarca do Rio de Janeiro – processo 0039456-08.2007.8.19.0001,

TJ-RJ Comarca do Rio de Janeiro – processo 0064717-67.2010.8.19.0001,

TJ-RJ Comarca do Rio de Janeiro – processo 0183480-95.2008.8.19.0001,

TRE-RJ – processo 764689.2008.619.3802

- Em ação judicial eleitoral, foi condenado por abuso de poder econômico e uso indevido de veículo de comunicação social. A Justiça decretou inelegibilidade.

Igreja Universal do Reino de Deus

1 – José Heleno da Silva – PRB/SE

É alvo de ações de improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público Federal:

TRF-5 Seção Judiciária de Sergipe – processo 0005364-36.2010.4.05.8500,

TRF-5 Seção Judiciária de Sergipe – processo 0005511-67.2007.4.05.8500 (Acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias),

TRF-1 Seção Judiciária de Mato Grosso – processo 0015233-58.2008.4.01.3600

– É alvo de medidas investigatórias referentes à máfia das ambulâncias e conduzidas pelo Ministério Público Federal.

O TRE reprovou as prestações de contas do PL referentes aos exercícios financeiros de 2003 e de 2005, quando o parlamentar era dirigente do partido em nível regional:

TRE-SE – processo 34792.2004.625.0000,

TRE-SE – processo 438664.2006.625.0000

2 – Vitor Paulo Araújo dos Santos – PRB/RJ

STF – processo 592 – É réu em ação penal movida pelo Ministério Público por crimes eleitorais.

3 – Antonio Carlos Martins de Bulhões – PRB/SP

STF – inquérito 2930/ 2010 – É alvo de inquérito que apura peculato.

TRF-3 Seção Judiciária de São Paulo – Processo 0044601-82.2002.4.03.6182 – É alvo de ação de execução fiscal movida pela Fazenda Nacional.

TRF-3 Seção Judiciária de São Paulo – Inquérito 0005062-78.2003.4.03.6181 – É alvo de inquérito que apura apropriação indébita e crimes contra o patrimônio.

4 – Jhonatan Pereira de Jesus – PRB/RR

TRE-RR – processo 229176.2010.623.0000 – Teve reprovada a prestação de contas referente às eleições de 2010.

Igreja Do Evangelho Quadrangular

1 – Jefferson Alves de Campos – PSB/SP

TRF-1 Seção Judiciária do Distrito Federal – processo 0031294-51.2004.4.01.3400 – É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal.

É alvo de ações de improbidade administrativa movidas pelo MPF por envolvimento com a máfia das ambulâncias:

TRF-3 Seção Judiciária de São Paulo – processo 0004928-22.2011.4.03.6100, TRF-3 Subseção Judiciária de Santos – processo 0000249-06.2007.4.03.6104

2 – Mário de Oliveira – PSC/MG

TRE-MG – Processo 60069.2011.613.0000 – É alvo de inquérito que apura crime eleitoral.

STF – inquérito 2727 – É alvo de inquérito que apura crimes de responsabilidade, contra a ordem tributária e previstos na lei de licitações, além de formação de quadrilha, falsidade ideológica, estelionato e lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores.

3 – Josué Bengtson – PTB/PA

TRF-1 Seção Judiciária do Pará – rocesso 3733-02.2007.4.01.3900 – É alvo de ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal.

TRF-1 Seção Judiciária de Mato Grosso – processo 0004032-69.2008.4.01.3600 – Acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias, é alvo de medidas investigatórias conduzidas pelo MPF por crimes previstos na lei de licitações.

Igreja Internacional da Graça

1- Rodrigo Moreira Ladeira Grilo – PSL/MG

2 – Jorge Tadeu Mudalen – DEM/SP

TRF-1 Seção Judiciária do Distrito Federal – Processo 0031294-51.2004.4.01.3400 – É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal.

Igreja Mundial do Poder de Deus

1 – José Olímpio Silveira Moraes (missionário José Olímpio) – PP/SP

TJ-SP Comarca de São Paulo – Processo 0424086-16.1997.8.26.0053 – É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual.

TJ-SP Comarca de Itu – processo 286.01.2009.514728-4 – É alvo de ação de execução fiscal movida pelo município de Itu.

2 – Francisco Floriano de Souza Silva – PR/RJ

TJ-RJ Comarca do Rio de Janeiro – processo 0139394-68.2010.8.19.0001 – É réu em ação penal movida pelo Ministério Público Estadual por lesão corporal decorrente de violência doméstica.

Igreja Metodista

1 – Walney Da Rocha Carvalho – PTB/RJ

STF – Processo 627 – É alvo de ação penal movida pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva.

TRE-RJ – Processo nº 197118.2002.619.0000 – Teve reprovada prestação de contas referente às eleições de 2002.

É alvo de ações de execução fiscal movidas pelo município de Nova Iguaçu e pela Fazenda Nacional — por exemplo: TRF-2 Seção Judiciária do Rio de Janeiro – processo 0000562-61.2010.4.02.5110, TJ-RJ Comarca de Nova Iguaçu – processo 0112599-45.2009.8.19.0038, TJ-RJ Comarca de Nova Iguaçu – processo 0083231-88.2009.8.19.0038

2 – Áureo Lidio Moreira Ribeiro – PRTB/RJ

É alvo de ações de execução fiscal movidas pela Fazenda Nacional e pelo município de Duque de Caxias:

TRF-2 Seção Judiciária do Rio de Janeiro – processo 0000153-61.2005.4.02.5110,

TJ-RJ Comarca de Duque de Caxias – Processo nº 0005413-58.2002.8.19.0021.

Igreja Nova Vida

1 – Washington Reis de Oliveira – PMDB/RJ

STF – processo 618 – É alvo de ação penal movida pelo Ministério Público Federal por crimes contra o meio ambiente e o patrimônio genético e formação de quadrilha.

STF – inquérito 3192 – É alvo de inquérito que apura crimes eleitorais. É alvo de ações civis públicas, inclusive de improbidade administrativa, movidas pelo Ministério Público:

TRF-2 Seção Judiciária do Rio de Janeiro – Processo 0007523-23.2007.4.02.5110, TRF-2 Seção Judiciária do Rio de Janeiro – processo 0008324-65.2009.4.02.5110, TRF-2 Seção Judiciária do Rio de Janeiro – Processo 0003813-92.2007.4.02.5110 (Foi condenado por improbidade administrativa, pois não houve divulgação de recursos recebidos pela prefeitura de Duque de Caxias. A Justiça determinou a suspensão dos direitos políticos, a proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios/ incentivos fiscais ou creditícios e o pagamento de multa).

É alvo de ações de execução fiscal movidas pela Fazenda Nacional e pelo município de Duque de Caxias — por exemplo:TRF-2 Seção Judiciária do Rio de Janeiro – processo 0004113-83.2009.4.02.5110, TRF-2 Seção Judiciária do Rio de Janeiro – processo 0004857-78.2009.4.02.5110, TJ-RJ Comarca de Duque de Caxias – processo 0223580-32.2008.8.19.0021, TJ-RJ Comarca de Duque de Caxias – processo 0223582-02.2008.8.19.0021, TRE-RJ – processo 386718.2010.619.0000

– É alvo de ação de investigação judicial movida pelo Ministério Público Eleitoral por abuso de poder econômico. TRE-RJ – processo 772.2011.619.0000

- É alvo de representação movida pelo MPE por captação ou gasto ilícito de recursos financeiros de campanha eleitoral. TRE-RJ – Processo 674343.2010.619.0000

- É alvo de representação movida pelo MPE por conduta vedada a agente público. TCE-RJ detectou irregularidades e emitiu pareceres contrários à aprovação das contas referentes à administração financeira da prefeitura de Duque de Caxias: TCE-RJ – Processo 203.163-8/10. TCE-RJ – processo 206.291.7/09

Igreja Cristã Evangélica

1 – Iris de Araújo Resende Machado – PMDB/GO

TRE-GO – Processo nº 999423170.2006.609.0000 – Teve rejeitada prestação de contas referente às eleições de 2006.

Congregação Cristã no Brasil

1 – Bruna Dias Furlan – PSDB/SP

É alvo de representações movidas pelo Ministério Público Eleitoral por conduta vedada a agentes públicos: TRE-SP – processo 15170.2010.626.0199, TRE-SP – processo 1949115.2010.626.0000

Igreja Sara Nossa Terra

1 – Eduardo Cosentino da Cunha – Partido? Estado?

STF – inquérito 2984/ 2010 – É alvo de inquérito que apura uso de documento falso. STF – inquérito 3056

– É alvo de inquérito que apura crimes contra a ordem tributária. TRF-1 Seção Judiciária do Distrito Federal – processo 0031294-51.2004.4.01.3400

– É alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal. TJ-RJ Comarca do Rio de Janeiro – processo 0026321-60.2006.8.19.0001

- É alvo de ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual. TRE-RJ – processo 59664.2011.619.0000

– Alvo de representação movida pelo Ministério Público Eleitoral por captação ilícita de sufrágio. TRE-RJ – processo 9488.2010.619.0153

– Alvo de ação de investigação judicial eleitoral movida pelo MPE por abuso de poder econômico. TSE – processo 707/2007

 – Alvo de recurso contra expedição de diploma apresentado pelo MPE por captação ilícita de sufrágio.

Época teve ciúme da relação dos homens de Cachoeira com Veja, diz Dadá

Em ligação interceptada pela Polícia Federal, o braço direito de Carlinhos Cachoeira, Dadá, chamou o jornalista da revista Época de ciumento e revelou cobrança que sofreu: “Seu amigo aí não colabora com a gente, só colabora com a Veja”. Em resposta à reportagem da revista Carta Capital, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira.

Vinicius Mansur

No último final de semana, uma reportagem da revista Carta Capital mostrou como Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, tido pela Polícia Federal (PF) como braço direito do bicheiro Carlos Cachoeira, negociou com a revista Época, pertencente às Organizações Globo, a publicação de informações contra a empresa Warre Engenharia, uma concorrente da empreiteira Delta. O contato com a Época se deu com o seu diretor em Brasília, Eumano Silva, em agosto de 2011.

No último dia 24, o advogado de Dadá declarou que seu cliente abastecia veículos de comunicação com informações e que “é notório que o interesse de Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios”.

Em resposta à reportagem de Carta Capital, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira. Entretanto, Carta Capital também divulgou uma ligação feita por Eumano Silva para Dadá para avisá-lo da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo.

Mais contatos de Época e o esquema de Cachoeira
Os documentos da Operação Monte Carlo revelam outros contatos da revista Época com os homens de Cachoeira. No dia 17 de março de 2011, a quadrilha repercute por telefone a entrevista do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), publicada pela revista Veja, no mesmo dia, com uma série de denúncias e críticas envolvendo seus colegas de partido. Em particular, os homens ligados à Cachoeira se preocupam com as citações ao senador Demóstenes Torres.

No dia seguinte, 18 de março, às 07:40, Cachoeira comenta com um homem identificado como Edvaldo – provavelmente Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran de Goiás – sobre a entrevista de Arruda e dá indícios de ter bons informantes sobre a revista Época:

“…parece que a Época está vindo com coisa pior aí…”

Pouco depois, às 09:33, uma ligação de Dadá para Cachoeira desvenda o caso. O bicheiro demonstra que está mais preocupado com a aparição de seu nome e não o de Demóstenes. Dadá chama jornalista da Época de ciumento por reclamar de “amigo” que “só colabora com a Veja”:

Dadá: Deixa te falar: eu tô aqui com (ininteligível – parece dizer ALBANO), é o seguinte, em setembro do ano passado, o ARRUDA deu essa entrevista pra VEJA, entendeu? E aí, o que aconteceu: o repórter que tomou esse depoimento, hoje ele tá na ÉPOCA. Aí agora, essa semana, o cara tomou, pegou outro depoimento do ARRUDA para publicar na Época. Aí a VEJA ficou sabendo e, como já tinha matéria gravada, aí ela botou no ar.

Cachoeira: Ah tá. E a da ÉPOCA, que que vai sair?

Dadá: A da ÉPOCA vai sair, entendeu, ele diz que tá ruim pro nosso amigo. Eu expliquei pra ele, conversei, pô e tal. Eu sei que ele conversa com o Andrei tal, mas o cara fala muita coisa dele, entendeu? Pô, mas o cara é mentiroso, pô. Porque não tem isso e tal tal, se você quiser a gente conversa, entendeu, com ele tal, pô. Você é o chefe. (…)

Cachoeira: Ele fala de todo mundo é?

Dadá: Fala. Fala que deu dinheiro, entendeu?

Cachoeira: Que deu dinheiro pro “Gordinho” [Demóstenes]?

Dadá: É.

Cachoeira: Mas de mim ele não fala nada não né?

Dadá: Não, não fala não.

Cachoeira: Não. Se fala isso daí tudo bem. Eu não queria é ver meu nome vinculado a ele. Vamos ver o que vai sair! (…)

Dadá: É, mas aí ele falou: porra o seu amigo aí não colabora com a gente – os cara são tudo ciumento – só colabora com a Veja. Não, não tem nada disso não. O cara é ponta firme. (…)

Menos de uma hora depois, às 10:29, a PF intercepta uma conversa de Dadá com um homem não identificado (HNI), mas que a polícia classifica como “repórter” e suspeita ser “Albano”. Dadá quer colocá-lo em contato com um amigo. O repórter não aceita, diz que não está “diretamente envolvido nessa história” e pede para ele procurar “Andrei”. Porém, aceita conversar com o amigo de Dadá depois: “marca conversa com ele outra hora, pra outra coisa”.

Cerca de duas horas depois, às 11:20, Dadá volta a ligar para Cachoeira dizendo que o repórter não quis falar “senão os outros repórter que estão apurando vão ficar putos com ele”. Cachoeira diz que está tudo bem: “Vamos esperar sair”.

No dia 20, às 14:50, Dadá e Cachoeira voltam a se falar sobre a matéria da Época e comemoram o fato de “não ter saído nada”. A reportagem de Época foi assinada por Diego Escosteguy. Cachoeira agradece Dadá: “Obrigado aí”.

Menos de meia hora depois, às 15:15, Dadá liga para Lenine, outro operador de Cachoeira. O resumo da ligação apresentado pela PF diz:

”Dadá diz que Carlinhos tava preocupado com a reportagem sobre o Gordinho (aparentemente Demóstenes) e Arruda mas não saiu nada. Diz que foi no Helmano da Época e explicou pra ele. Diz que os caras falaram só que deram dinheiro pro DEM mas não falaram o nome dele (Carlinhos).”

Carta Maior

Cachoeira arrumou jatinho para Demóstenes e “Gilmar”

Escutas telefônicas indicam que o contraventor Carlinhos Cachoeira providenciou um jatinho King Air para dar uma carona ao senador Demóstenes Torres e a “Gilmar”, no retorno de uma viagem da Alemanha ao Brasil. Em uma ligação no dia 23 de abril, um ex-vereador do PSDB pede autorização para buscar o “Professor” Demóstenes em um jatinho, que está com o “Gilmar”. Na degravação, a PF questiona entre parênteses (“Mendes?”). O ministro do STF foi a Europa neste período para participar de um congresso internacional de Direito.

Najla Passos e Vinicius Mansur

(*) Atualizada às 22h46min

Brasília – Escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF), com autorização da Justiça, durante a Operação Monte Carlo, questionam se o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, “pegou carona” em um jatinho fornecido pela quadrilha de Carlinhos Cachoeira, no dia 25 de abril de 2011, quando teria retornado da Alemanha ao Brasil, na companhia do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

No dia 23 de abril de 2011, às 19:31, o ex-funcionário da empreiteira Delta e ex-vereador de Goiânia pelo PSDB, Wladimir Garcez, também preso durante a Operação Monte Carlo, diz em ligação a Cachoeira que “o Professor (Demóstenes) está querendo vir de São Paulo no avião do Ataíde” e que “Gilmar” o acompanha. O documento da PF indaga: “Gilmar Mendes?” Cachoeira responde “que pode autorizar” enquanto ele acha o Ataíde.

Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) é primeiro-suplente do senador João Ribeiro (PR-TO) e empresário do ramo de construção civil, incluído pela PF na lista de políticos ligados ao contraventor, preso na Operação Monte Carlo.

Às 20:14, Wladimir volta a falar com Cachoeira e informa que está providenciando o avião do Rossini. As investigações da PF indicam que Rossini Aires Guimarães é sócio de Cachoeira em uma empresa de segurança, a Ideal Segurança, e na fazenda Gama, em Brasília.

Cachoeira: Qual é o avião do Rossini?

Wladimir: É um jatinho né, ele tem um que é um jatinho que ele falou, um King Air.

Cachoeira: A, um pequeno né?

Wladimir: é… aí eu peguei falei com ele, ele falou não, não preocupa não que eu organizo. Porque ta vindo ele e o Gilmar né, porque não vai achar vôo sabe.

Às 20:38, ainda no dia 23, Cachoeira pergunta a Wladimir se o senador chega na “segunda cedo”. O ex-vereador informa que “é tudo desconjuntado, ele sai de lá amanhã meio dia, que é sete horas da manhã daqui” e que já deixou tudo acertado. O bicheiro pergunta que horas o vôo chegará em São Paulo e Wladimir responde “ seis horas da manhã”.

No dia 25, às 12:10, Wladimir diz ao bicheiro que o senador já chegou.

Berlim
As declarações recentes de Gilmar Mendes, a propósito de um encontro com Demóstenes em Berlim, fornecem indícios de que o “Gilmar” beneficiado pela carona exposta nesta reportagem seria o ministro do STF, Gilmar Mendes.

À revista Veja, Gilmar Mendes afirmou que se encontrou com Demóstenes em Berlim, na Alemanha, mas negou as acusações de que suas despesas foram pagas por terceiros. Ainda segundo a Veja, o ministro teria uma filha residente em Berlim e, por isso, frequentaria a cidade com regularidade.

Em entrevista à Globonews na noite desta segunda-feira (28), Mendes afirmou que o encontro com Demóstenes aconteceu logo após uma “atividade acadêmica em Granada”.

Mendes foi à Europa participar de um congresso internacional em homenagem ao jurista italiano Antônio D’Atena, promovido pelo Fundação Peter Häberle e pela Universidade de Granada, da Espanha. O congresso foi aberto no dia 13/4/2011, mas a participação de Mendes se deu na manhã do dia seguinte, com a palestra “A integração na América Latina, a partir do exemplo do Mercosul”.

A presença de Demóstenes em Berlim, por sua vez, é confirmada por Cachoeira em uma ligação a Wladimir Garcez, interceptada pela PF no dia 18/4/2011, às 18:08 horas.

Não há registros públicos de quais atividades Demóstenes teria ido desenvolver na Europa, mas levantamento feito por Carta Maior demonstra que ele não participou das votações realizadas no plenário do Senado entre 13 e 25/4/2011.

Em nota oficial, Lula manifesta indignação
A assessoria de imprensa do Instituto Lula divulgou nota oficial onde o ex-presidente manifesta indignação com o teor da matéria publicada pela revista Veja. A nota afirma:

Sobre a reportagem da revista Veja publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF, Gilmar Mendes, sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:

1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. “Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.

2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do chamado Mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.

3. “O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.

4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.

Carta Maior

SEGUNDA-FEIRA DOMINICAL

Dia das boas almas

# A revista nazifascista Veja, combalida e em decadência pela consciência moral da opinião pública, vem tentando de toda forma criar fatos para que se iluda de que ainda tem leitores que acreditam em suas trapaceiras matérias.

Em sua edição desta semana, a nazifascista revista traz matéria tentando comprometer o ex-presidente Lula afirmando que o bom velho Sapo Barbudo havia se encontrado com o ministro Gilmar Mendes, no escritório do ex-ministro da Defesa do governo Lula, Nelson Jobim, para tratar de assunto referente ao julgamento do alcunhado “mensalão”.  A revista afirma que Lula tratou com o ministro Mendes sobre o chamado “mensalão” com interesse de que o ministro ponderasse sobre o julgamento.

Segundo a revista nazifascista o ministro havia afirmado que Lula lhe pedira para interceder no julgamento do “mensalão” para que ele não ocorresse antes das eleições, que Lula o “blindaria” na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do mafioso Carlinhos Cachoeira.

Gilmar Mendes aparece nas gravações da Operação Monte Carlo, realizada pela Policia Federal em viagem para Berlim para se encontrar com o senador amicíssimo do mafioso, senador Demóstenes Sem Partido Torres. Não esquecer que Gilmar Mendes já participou de duas trapaças junto à revista Veja. Essa agora e a do grampo no Supremo Tribunal Federal (STF) que já era armação do Carlinhos Cachoeira.

Todavia, a matéria da nazifascista revista foi logo descaracterizada com afirmações de Nelson Jobim observando que não houve tal conversa, e que Lula foi ao seu escritório em visita. Assim, como Gilmar Mendes, foi porque faz um trabalho junto com Jobim sobre a Constituição de 1988.

Mas, segundo outras informações de fonte fidedigna, foi o ministro Gilmar Mendes quem pediu, ao saber que Lula iria se encontrar com Jobim, para se encontrar com Lula. Dessa forma, mais uma vez a nazifascista revista conspiradora tem seu plano antidemocrático revelado. Mas uma vez a democracia brasileira é resguardada contra o perigo da mídia terrorista.

“Não houve na disso do que a Veja, segundo me informaram, está publicando. Estou aqui, em Itaipava e soube desse conteúdo através de um repórter do Estadão, que me procurou a pouco. Portanto, estou falando sem ter lido a revista. Mas, posso assegurar que, se o conteúdo for mesmo  esse, de que Lula teria pedido a Gilmar para votar no “mensalão”, não e verdade. Quem tocou no assunto “mensalão” fui eu, no meio da conversa, fazendo a seguinte pergunta: ”Vem cá, essa coisa do mensalão vai ser votada quando?”. No mais a conversa girou sobre assuntos diversos da atualidade.

Por coincidência, o Gilmar estava no meu escritório, quando o presidente Lula apareceu para a visita. Conversaram a cerca de uma hora, mas só amenidades. Em nenhum momento, Lula e Gilmar conversaram na cozinha. Aliás, Lula não esteve na cozinha do escritório”, afirmou Jobim.

# O massacre de Hula, na Síria, que deixou 108 pessoas mortas, entre elas 32 crianças com menos de 10 anos, e mais de 300 feridas, levou a Organização das Nações Unidas a expressa um forte condenação ao governo de Bashar al Assad. O Conselho de Segurança da ONU disse que os ataques foram perpetrados com “artilharia e tanques do governo contra um bairro residencial”. O conselho pediu que o governo sírio retire imediatamente o armamento pesado das cidades sírias.

Por sua vez, o porta-voz do Ministério Sírio das Relações Exteriores, Jirah Makdissi, afirmou que o governo não tem nenhuma responsabilidade sobre os ataques terroristas.

Enquanto isso, no Leste do Afeganistão, uma família de oito pessoas, sendo seis crianças, que se encontrava em sua residência foi morta pela força aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

“Foi um ataque aéreo realizado pela OTAN. Este homem não tinha nenhuma conexão com os talibãs ou com qualquer outro grupo terrorista”, afirmou o porta-voz do governo local, Rohullah Samoon.

E as mortes de inocentes seguem nos planos de paz das potências imperialistas.

# As Marchas das Vadias que é uma manifestação de liberdade corporal e de opinião das mulheres contra toda forma de censura e violência machista contra seus corpos, tomou conta do Brasil no fim de semana. Cidades como Brasília e Rio realizaram passeatas alegres, criativas e bem politizadas em defesa de seus direitos.

Em Copacabana, bairro do Rio, foram mais de mil manifestantes entre mulheres, homens e crianças com o mesmo propósito de liberdade e direito. Fantasias, roupas caracterizadas, seios de fora, pintura várias formas de expressão para mostrar a realidade e consistência da luta que vem engajando muitas mulheres no Brasil.

Para as líderes do movimento nenhuma agressão sexual pode ser justificada pelas decisões das mulheres se vestirem e terem seus estilos de viver.

 

# Aí, moçada! Hoje, dia 28, começa a inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). As inscrições serão realizadas exclusivamente pela internet. O preço da taxa de inscrição continua R$ 35, mas os estudantes que estiverem cursando o 3º ano do ensino médio estão isentos. As provas serão realizadas nos dias 3 e 4 de novembro.

 # E o Peladão Brasileiro continua cupinzando os gramados do Brasil. Mengão, com seus pernas-de-pau chaga a fazer 3 a 1 no Inter, mas cede empate. O que já é comum no Mengão. Mas o Fogão não está nem aí. Estar aproveitando os seus rivais que estão se apresentando só com reservas em virtude de estarem em outras competições, e vem sacando sapecadas.

Na semana passada pegou o Sampa, que jogou com reservas, e mandou ver, 4 a 2. Ontem dominical, pegou o Curitiba, que se encontra na Copa Cupins Brasil, e também mandou ver, 3 a 2. Mas os casos do Periquito e do Timão são idênticos. Em função de se encontrarem participando de outras peladas, estão participando do Peladão Brasileiro com reservas. E é só couro. E o Fluzão ainda sob o tango do Boca, empatou com o Figueira. Faz parte.

E o Vascão ainda em maresia do Timão na Libertadores, ganhou a Lusinha pelo elástico escore de 1 a 0. Faz parte.

GILMAR MENDES & ‘VEJA’: A PAUTA DO DESESPERO

A revista que arrendou uma quadrilha para produzir ‘flagrantes’ que dessem sustentação a materias prontas contra o governo, o PT, os movimentos sociais e agendas progressistas teve a credibilidade ferida de morte com as revelações do caso Cachoeira. VEJA sangra em praça pública. Mas na edição desta semana tenta um golpe derradeiro naquela que é a sua especialidade editorial: um grande escândalo capaz de ofuscar a própria deriva. À falta dos auxilares de Cachoeira, recorreu ao ex-presidente do STF, Gilmar Mendes, que assumiu a vaga dos integrantes encarcerados do bando para oferecer um ‘flagrante’ à corneta do conservadorismo brasileiro. Desta vez, o alvo foi o presidente Lula.

A semanal transcreve diálogos narrados por Mendes de uma inexistente conversa entre ele e o ex-presidente da República, na cozinha do escritório do ex-ministro Nelson Jobim. Gilmar Mendes –sempre segundo a revista– acusa Lula de tê-lo chantageado com ofertas de ‘proteção’ na CPI do Cachoeira. Em troca, o amigo do peito de Demóstenes Torres, com quem já simulou uma escuta inexistente da PF (divulgada pelo indefectível Policarpo Jr, de VEJA, a farsa derrubou o diretor da ABI, Paulo Lacerda), deveria operar para postergar o julgamento do chamado ‘mensalão’.

Neste sábado, Nelson Jobim, insuspeito de qualquer fidelidade à esquerda, desmentiu cabalmente a versão da revista e a do magistrado. Literalmente, em entrevista ao Estadão, Jobim disse: ‘O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso. O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão; tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala (não na cozinha); o Lula saiu antes; durante todo o tempo nós ficamos juntos”, reiterou.

A desfaçatez perpetrada desta vez só tem uma explicação: bateu o desespero; possivelmente, investigações da CPI tenham chegado perto demais de promover uma devassa em circuitos e métodos que remetem às entranhas da atuação de Mendes e VEJA nos últimos anos. Foram para o tudo ou nada. No esforço para mudar o foco da agenda política e criar um fato consumado capaz de precipitar o julgamento do chamado ‘mensalão’, jogaram alto na fabricação de uma crise política e institucional. O desmentido de Jobim nivela-os à condição dos meliantes já encarcerados do esquema Cachoeira. A Justiça pode tardar. A sentença da opinião pública não.

Por Saul Leblon

Carta Maior

Igreja Católica admite que sabia de crimes da ditadura argentina

A Igreja Católica argentina confirmou perante a Justiça que, desde 1978, sabia que a ditadura assassinava as pessoas detidas-desaparecidas, coisa que nunca havia admitido publicamente. A admissão tardia foi produzida com o reconhecimento da autenticidade do documento publicado no jornal Página/12, no dia 6 de maio, sobre o diálogo secreto com o ditador Jorge Videla, de 10 de maio de 1978. Em que pese a gravidade da revelação, tanto o Episcopado como o Vaticano e a grande imprensa guardam um estrondoso silêncio a respeito do episódio. O artigo é de Horacio Verbitsky.

Horacio Verbitsky – Página/12

Buenos Aires – A Igreja Católica confirmou pela primeira vez perante a Justiça que, pelo menos desde 1978, sabia que a ditadura militar assassinava as pessoas detidas-desaparecidas, coisa que jmais tinha tornado pública, e que as suas máximas autoridades discutiram com o chefe supremo da ditadura a respeito de como administrar a informação sobre esses crimes. A admissão tardia produziu-se com o reconhecimento da autenticidade do documento publicado pelo Página/12 no dia 6 de maio último, sobre o diálogo secreto com o ditador Jorge Videla, de 10 de maio de 1978, depois de um almoço do qual participaram os três membros da Comissão Executiva que conduzia a instituição. Em que pese a gravidade das revelações, tanto o Episcopado como o Vaticano e a grande imprensa guardam um escandaloso silêncio a respeito.

A questão das listas
A judicialização do documento eclesiástico produziu-se no processo aberto para determinar o que aconteceu com os restos mortais de Roberto Santucho, a pedido de sua família, representada pelo advogado Pablo Llonto. Santucho foi abatido por um grupo do Exército em 19 de julho de 1976, e seu corpo exibido à imprensa no Campo de Maio, mas logo desapareceu sem explicações. Após a confissão de Videla a um jornalista espanhol e a outro argentino sobre os assassinatos dos detidos-desaparecidos, a juíza federal de San Martín Martina Forns, responsável pela causa, citou o ex-ditador. Videla disse que ele tinha decidido ocultar o destino dos restos mortais de Santucho para evitar homenagens, mas que quem sabia o que se tinha feito com eles era o então chefe do Campo de Maio, general Santiago Riveros.

Diante do cuidadoso interrogatório preparado por Forns, Videla respondeu as suas perguntas por mais de três horas. Sem eufemismos disse que os detidos-desaparecidos eram “condenados” e “executados” e que esse método tinha sido adotado por comodidade, porque acreditavam que “não provocaria o impacto de um fuzilamento público”, que “a sociedade não toleraria”. Acrescentou que “era difícil pensar que tantas pessoas podiam ser julgadas e a Justiça estava assustada com a perseguição que os juízes tinham sofrido” pelo Camarón, o tribunal especial que atuou entre 1971-73, durante a penúltima ditadura.

Quando Forns o interrogou sobre as listas de pessoas detidas-desaparecidas, Videla respondeu que essas listas eram incompletas e que não as publicaram integralmente porque continham erros e inexatidões e não houve acordo entre as três Forças Armadas que compartilhavam o governo. Acrescentou que a informação sobre o destino de cada pessoa é “uma obrigação moral”, mas que não é fácil cumprir com ela, “dada a forma clandestina como se procedia e em alguns caos não há rastros dessas atividades para publicação”.

Um diálogo entre amigos
Mas durante o almoço com o cardeal Raúl Primatesta, arcebispo de Córdoba, o arcebispo de Santa Fé, Vicente Zazpe, e o de Buenos Aires, cardeal Juan Aramburu, que eram os presidente e vice-presidente do Episcopado, Videla deu outra explicação, muito mais sincera, a respeito da publicação das listas e do que se passou às pessoas detidas-desaparecidas. Isso consta numa minuta para o Vaticano, que os três eclesiásticos redigiriam após esse almoço e que foi reproduzida neste jornal, há três domingos, na nota: “Perguntas sem Resposta”.

Num clima que Aramburu descreveu como cordial, Videla disse que não era fácil admitir que os desaparecidos estavam mortos, porque isso daria lugar a perguntas a respeito de onde estavam e quem os tinha matado.

Primatesta fez referência às últimas desaparições produzidas durante a Páscoa de 1978, “num procedimento muito similar ao utilizado quando sequestraram as duas religiosas francesas”. Videla respondeu que “seria o mais óbvio dizer que estes já estavam mortos, seria o caso traçar uma linha divisória e estes desapareceram e não estão [mortos].

Mesmo que isso pareça o mais claro a ser feito, dá cabimento a uma série de perguntas sobre onde estão sepultados: é uma fossa comum? Neste caso, quem os pôs na fossa? Uma série de perguntas a que a autoridade do governo não pode responder sinceramente por conta das consequências disso sobre as pessoas”, quer dizer, sobre os sequestradores e assassinos. Primatesta insistiu na necessidade de se encontrar uma solução, porque previa que o método da desaparição de pessoas produzia “maus efeitos” de longo prazo, dada “a amargura que deixa em muitas famílias”. Referia-se de forma implícita à carta que, nesta mesma manhã o presidente fundador do CELS e uma das mais altas personalidades laicas do catolicismo argentino, Emilio Mignone, pai da detida-desaparecida Mónica Candelaria Mognone tinha lhe enviado.

Mignone tinha sido ministro da Educação na província de Buenos Aires na década de 1940 e vice-ministro da Educação nacional, na de 1960. O fundador do CELS escreveu a Primatesta que o sistema de sequestro, roubo, tortura e assassinato “tinha se agravado com a negativa de se entregar os cadáveres aos parentes, com a sua eliminação por meio da cremação ou de seus lançamentos ao mar, ou aos rios ou em sepulturas anônimas e fossas comuns” e se realizava em nome da “salvação da ‘civilização cristã’, a salvaguarda da Igreja Católica”. Agregou ainda que o desespero e o ódio estavam ganhando muitos corações.

No dia seguinte ao almoço, Zazpe informou a Mignone que a Comissão Executiva havia transmitido a Videla “tudo o que a sua carta disse”. Disse-lhe que tinham sido “tremendamente sinceros e não recorremos a uma linguagem aproximativa”, mas advertiu-lhe, como se tratasse de uma questão técnica acessória, que havia uma “divergência a respeito de sua carta” a respeito da publicidade ou não desta entrevista. “Nesta ocasião se voltou a recorrer à reserva”, que dura até hoje. Primatesta informou depois à Assembleia Plenária que os bispos levaram a Videla os casos assinalados na carta de Mignone, de presos que, na aparência, recuperavam sua liberdade mas na realidade eram assassinados; que estavam interessados nos sacerdotes desaparecidos, como Pablo Gazzarri, Carlos Bustos e Mauricio Silva, e em outros detidos cuja liberdade e envio ao exterior eram demandados.

Mas o desenvolvimento completo do diálogo só consta na síntese para o Vaticano. Quando Primatesta advertiu sobre as amargas consequências do método das desaparições forçadas, Videla consentiu. Ele também advertia a respeito, mas não encontrava solução, disse. Zazpe perguntou: “O que respondemos às pessoas? Porque no fundo há uma verdade”. Segundo o então arcebispo de Santa Fé, Videla “admitiu o problema”. Aramburu explicou que “o problema é o que responder para que as pessoas não sigam perguntando”.

Segundo Aramburu, quando Videla repetiu que “não encontrava solução, uma resposta satisfatória, eu lhe sugeri que, ao menos, dissessem que não estavam em condições de informar, que dissessem que estavam desaparecidos, for os nomes a que já tinham dado publicidade”. Primatesta explicou que “a Igreja quer compreender, cooperar, que está consciente do estado caótico em que estava o seu país” e que media cada palavra porque conhecia muito bem “o dano que se pode causar ao governo, com respeito ao bem comum, se não se preserva o devido volume”.

Depois da publicação, a juíza Forns solicitou a entrega do documento à Conferência Episcopal. Sem atraso, recebeu uma cópia. Assim, os dirigentes máximos católicos da Argentina corroboraram de forma oficial e num expediente judicial que tanto a Igreja argentina como a Santa Sé, para quem se confeccionou esta minuta, estavam a par tanto do assassinato das pessoas cuja desaparição era denunciada por seus familiares e pelos organismos dos direitos humanos.

Cópia Fiel
O fac-símile que se publica na figura 1 foi o que se obteve de forma sub-reptícia na sede da rua Suipacha, que o próprio Videla deu à Conferência Episcopal antes de deixar o poder, em 1981. No da figura 2 se pode observar o número com que está arquivado, o que dá uma ideia da magnitude desse arquivo, cuja existência mesma a Igreja negou, numa nota que, no ano 2000, dirigiu-me o seu presidente, o cardeal Estanislao Karlic. A figura 2 é aquele que a atual direção episcopal, dirigida pelo arcebispo de Santa Fé, José Arancedo remeteu à juíza Forns. Nela se lê “É cópia fiel” e abaixo, à direita, consta o selo da Conferência Episcopal Argentina.

Em ambos os exemplares desse documento secreto se observa que a afirmação de Videla sobre a proteção a quem cumpriu as suas ordens criminais está completada a mão por Primatesta. Em que pese a enorme transcendência deste reconhecimento demorado, nenhuma autoridade eclesiástica fez a menor referência pública ao tema, ainda que a Comissão Executiva tenha se reunido em 16 de maio último e tenha emitido um documento, questionando a lei de morte digna sancionada pelo Congresso.

Como se a enormidade do fato lhes cortasse a palavra, tampouco os diários Clarín, La Nación e Perfil deram-se por informados da publicação desse documento fundamental para estabelecer o grau a que chegou a cumplicidade da Igreja Católica com a ditadura militar e sua política criminosa.

Trinta e cinco anos depois, o encobrimento continua. Quando o jornalista espanhol Ricardo Angoso o entrevistou na prisão que o Serviço Penitenciário Federal mantém no Campo de Maio, Videla disse que “minha relação com a Igreja Católica foi excelente, muito cordial, sincera e aberta”, porque “foi prudente”, não criou problemas nem seguiu “a tendência esquerdista e terceiro-mundista” de outros Episcopados. Condenava “alguns excessos”, mas “sem romper relações”. Com Primatesta até “chegamos a ser amigos”. Nota-se.

Tradução: Katarina Peixoto

Fotos: Página/12

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Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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